Cidades

Geddel quer censurar Wagner. Chiste ou fetiche coronelista?

O roteiro abaixo é do comercial do PMDB veiculado em abril.

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Vídeo:

Geddel, em chromakey, sobre fundo de imagens de casas populares. Imagem do fundo se movimenta para a direita dando idéia de travelling.

Fala de Geddel:

– Quando se tem firmeza, coragem pra enfrentar os desafios os sonhos acontecem.

Entram depoimentos de populares gravados na área.

Vídeo:

Volta Geddel. Reinicia a fala sobre a imagem das casas, que faz o mesmo movimento a partir do mesmo ponto. Parte final da fala é coberta com imagens da obra no Imbuí e de Geddel com Lula e Dilma.

Fala de Geddel:

– As pessoas têm pressa em realizar os seus sonhos, a macrodrenagem e urbanização do Imbuí foi realizada em dois anos.

– Em parceria com o presidente Lula o PMDB da Bahia realizou em três anos mais de duzentas obras em Salvador.

– Quando se tem vontade de trabalhar, as coisas acontecem.

Assina PMDB

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O trecho destacado revela toda a presunção do pré-candidato do PMDB ao governo da Bahia. Nunca na história deste país se viu tamanha jactância: atribuir a um partido a realização de uma obra. Não é o ministério, que poderia se admitir; nem a prefeitura, que teria lógica, mas, pasmem, o PMDB que – santa arrogância – fez “parceria com o presidente Lula” para realizar as obras.

Leia de novo (e se tiver acesso ao comercial, ouça): não é o presidente ou o governo federal quem faz. É o PMDB, tendo Lula de parceiro. Uma inversão cínica de valores.

Geddel não era ministro do PMDB, mas do governo Lula, indicado pelo governador Jaques Wagner. Com o comercial ele usurpa autoridade e mérito do governo federal e omite a presença da prefeitura, no afã de atribuir-se algo que não é uma graça do PMDB, mas obrigação do ministério: executar os projetos do governo federal. Do governo federal, que paga a conta e pagava o salário de Geddel.

A produção de chistes de Geddel Vieira Lima, cada vez mais especialista em jogo de palavras, orador de dicionário, foi ao ápice ao atacar o governador Jaques Wagner porque a publicidade do governo estadual menciona obras que foram realizadas com recursos do governo federal.

Ora, Wagner é governador da Bahia, ligado ao presidente Lula por laços de amizade, partidários e institucionais. A federação brasileira é composta por três entes: União, estados e municípios, que atuam isolada ou compartilhadamente. O prefeito busca verbas estaduais para obras, que a prefeitura faz ou que o próprio governo executa. Obrigação do prefeito reivindicar, mérito conseguir. Da sua parte, o governador também “corre atrás” de recursos e obras federais. E se consegue comemora o mérito e tem o direito de divulgar.

Se na bazófia de Geddel o PMDB “realiza obras” em parceria com o presidente Lula e faz propaganda disso (irregular, ressalte-se, embora a justiça tenha deixado passar), por que ele vem apontando o seu dedo sujo para a publicidade do governo?  Quer impor o silêncio ou tirar do governador o direito legal e moral de anunciar as obras que faz ou garante para a Bahia?

O pré-candidato do PMDB está cada vez mais pretensioso e turrão. Pretende ditar as regras na Bahia mesmo sendo apenas pré-candidato com menos de 11% nas pesquisas. Quer estabelecer suas “verdades absolutas”. Chiste ou fetiche de coronel? Qualquer coincidência com um do passado é mera semelhança.

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