Eleições

Dificuldades para Paulo Souto às portas da convenção

Neste sábado o DEM baiano faz a sua convenção, no Clube Espanhol, combinada com a do tucano José Serra. O partido prepara uma grande festa, afinal, imaginam que a partir da convenção a candidatura do ex-governador Paulo Souto poderá pegar o embalo e se consolidar no segundo lugar, à frente de Geddel Vieira Lima. Mas Paulo Souto pode chegar ao evento partidário com a cabeça doendo. Tem motivos, pelo menos quatro. Escolha qual o mais chato.

Começa que até agora o ex-governador carlista sequer anunciou a sua chapa de senadores. Noticia-se na mídia que alguns convidados recusaram. Embora seja certo que o DEM terá chapa pronta e anunciada na convenção, talvez na véspera, já é notório que será apenas um nome de composição, sem condição de agregar o que mais interessa – voto. Todos os possíveis nomes estão no entorno do DEM/PSDB, Paulo Souto não conseguiu atrair qualquer liderança fora dos padrões carlistas.

DEPUTADOS PASSAM POR CIMA E JUTAHY DIZ NÃO

A relação com o PSDB, aliás, é o outro problema que vem a seguir. O partido liderado com mão de ferro por Jutahy Magalhães Júnior decidiu que não cederá coligação nas proporcionais e os deputados estaduais do DEM estrilaram. Com Carlos Gaban à frente passaram por cima de Paulo Souto, que antes de pré-candidato ao governo é presidente do DEM na Bahia,  e buscaram diretamente a senadora Marisa Serrano, uma das coordenadoras da campanha de Serra para reclamar.

Reação de Paulo Souto: silêncio. Um silêncio constrangedor, de quem não consegue definir como andarão as coisas na coligação que ele deveria liderar, já que ele é o candidato a governador, aquele que, em tese, dá o palanque ao candidato presidencial dos tucanos. Reação de Jutahy: consta que estrilou com Marisa Serrano, o que ele nega, e se apressou em reafirmar a posição do seu PSDB: não tem coligação nas proporcionais, o DEM que se vire.

ATÉ PMDB SE METE NO PROBLEMA DE SOUTO

Até o outrora bom vizinho se meteu no angu do DEM-PSDB. Com toda cara de quem quer levar vantagem. O PMDB, que nada tem com a história, manda o deputado Luciano Simões dizer que Jutahy foi desleal com Paulo Souto. Manifestação solidária? Pena de Souto? Qual o quê. Estratégia do quanto pior melhor. Mais confusão no consórcio demo-tucano pode significar olhos voltados para Geddel, que ainda está lá atrás com seus 9,5% (igual ao PIB da Bahia). O PMDB pode estar querendo ver o mar pegar fogo para comer peixe frito.

Depois da queda, o coice. Se não bastasse toda essa desgastante polêmica local, um pesadelo maior se avizinha para Paulo Souto. Pode ser que venha por aí um livro-dossiê do jornalista Amaury Ribeiro Júnior que dissecou os negócios de José Serra, a pedido do ex-governador Aécio Neves, segundo a imprensa para contrapor ameaças que o pessoal de Serra teria feito a Aécio nos tensos momentos que marcaram a discussão sobre asprévia tucana que acabou não ocorrendo.

O livro-dossiê tucano deverá trazer o histórico de negócios e relações de José Serra com Ricardo Sérgio e Gregório Marin Preciado, este último nome um dos compradores da Coelba e várias vezes repetido em ações e processos judiciais envolvendo a questionável doação da Ilha do Urubu por Paulo Souto no apagadas luzes do seu governo, no fim de 2006, apos sua derrota para Jaques Wagner.

Por essas e outras, Paulo Souto não deve estar com aquela cara dos comerciais de TV do DEM. Quem o encontrar por aí certamente o verá carrancudo como sempre foi, agora um pouco mais preocupado.

(ARTIGO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM http://notasdabahia.com)

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