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Pesquisas eleitorais. No que crer, afinal?

Pesquisa é um instantâneo da realidade, uma foto do momento. Isso serve para explicar quase tudo: quando uma pesquisa desagrada ou quando ela é muito boa. Neste caso, significa que – maravilha – “estamos muito bem”. No outro caso justifica os baixos percentuais de um candidato, por exemplo – “mas, há uma evolução positiva”.

O pior é quando a pesquisa é boa e é ruim, ao mesmo tempo. Caso do último levantamento do Datafolha que deixou os apoiadores de Dilma e petistas chateados, mais uma vez, com o “serrismo” do instituto ligado ao jornal Folha de São Paulo. “Como é que pode o Vox Populi mostrar Dilma com 8 pontos à frente de José Serra e o Datafolha trazer resultado tão diferente com Serra um ponto à frente de Dilma?”

Depois de ter sido incensado durante anos como O instituto de pesquisa pela esquerda brasileira – que não confiava no Vox Populi e odiava o Ibope -, graças aos últimos resultados de pesquisas nacionais o Datafolha teve o seu nome escrito num papel de embrulho e colocado na boca do sapo, que foi devidamente costurada.

Mas, aí vem o dilema. O desdobramento da pesquisa Datafolha mais recente (24/07, com 10.905 entrevistas) mostrou que vários candidatos a governador da base de Lula e do lado de Dilma, como os governadores de Pernambuco, Eduardo Campo (PSB) e da Bahia, Jaques Wagner (PT), estão bem à frente de seus adversários. Campos teria 59% contra 28% de Jarbas Vasconcelos e Wagner 44%, 38 pontos percentuais a mais que todos os seus adversários juntos.

Pronto. Confusão estabelecida. Os seguidores dos governadores de Pernambuco e da Bahia espinafram o Datafolha pelos resultados nacionais, mas fazem uma festa ruidosa – e muito justa – por causa dos números estaduais.

Vale perguntar quem está dando uma no cravo outra na ferradura? O Datafolha estaria mostrando cenários reais nos estados para aliviar “posicionamento serrista” no cenário nacional, como ouvi amigos petistas afirmarem? Ou comemorar os resultados locais com festa seria o modo de o PT assoprar a mordida violenta que deu no Datafolha por causa da “torcida” por Serra?

Sei lá.

Outra coisa, o Brasil tem 27 estados e um distrito federal

O Datafolha induz o Brasil a um erro neste período: apresenta uma pesquisa de avaliação de governadores, feita em sete dos 27 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, e transforma o resultado no “ranking” dos melhores governadores do país. Os primeiros da lista viram “os melhores governadores” e os últimos “os piores governadores” do Brasil. Repercutido assim pelo restante da mídia, o “ranking” transforma-se em um equívoco enorme e um desrespeito aos demais governadores e respectivos estados.

O ranking é um abuso. É como considerar os demais estados e seus governadores como de segunda ou terceira categoria. Por que o governador de Pernambuco é o melhor do Brasil? Ele foi o mais votado no estado dele, em um levantamento que só incluiu outros sete estados e mais o Distrito Federal (a repetição é necessária). E os outros 20 estados? Já foram todos os governadores pré e automaticamente avaliados pelo Datafolha como ruins, piores que o pior entre os avaliados? O pior dos oito avaliados é mesmo o pior dos 28 governadores brasileiros?

Meio sem querer querendo, como diria Chaves (não o Chávez), a Folha de São Paulo vende assim para o Brasil. Na ponta, nos estados, especialmente porque é período eleitoral, os governadores bem-avaliados soltam rojões e fazem festa e os adversários dos mal avaliados ajudam a espalhar a notícia – boa para a oposição, péssima para “desqualificado”.

Um levantamento desses é muito bom, positivo, mas teria que ser nacional de verdade. Um governador que está em 7ª posição em um levantamento onde se avaliam apenas 8 é o infeliz penúltimo. Mas se todos os 28 são avaliados é provável que a posição dele mude e os estragos políticos sejam reduzidos. Ou não.

De qualquer forma, como a expressão é livre eu me manifesto achando essa ideia da Folha/Datafolha boa em apenas um terço. Para ser justa deveria ser ampla. Eu não tenho dúvida, por exemplo, de que o governador Jaques Wagner vem trabalhando direito pelo meu estado e certamente está entre os melhores do Brasil. Mas, não saberia dizer se o trabalho do primeiro lugar no ranking do Datafolha é mesmo melhor que o de Cid Gomes (Ceará), ou de Marcelo Deda (Sergipe) ou que o de Paulo Hartung, no Espírito Santo, que concorre ao Senado.

Pronto, falei.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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