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Eleição no Pará: De como duas visitas podem mudar um cenário

Lula vai estar em Belém hoje. Fará comício na Aldeia Cabana com Dilma e Ana Júlia. Vai chegar com todo gás, flutuando em uma aprovação nacional de cerca de 85%. A sua/nossa candidata a presidente sobe no palanque detentora de mais de 51% das intenções de votos, segundo pesquisas de todos os institutos respeitáveis (ou nem tanto) do Brasil.

José Serra passou por Belém anteontem. Fez uma escala técnica, desceu no aeroporto Val de Cãs, tirou algumas fotos, foi filmado pelas TVs e ouvido por jornalistas. Ficou sabendo, de uma vez por todas, que Jatene não é candidato a governador de Rondônia, como ele disse em discurso no lançamento da candidatura a presidente*, em Brasília.

Mesmo com os 85% de aprovação do governo de Lula e com o excelente desempenho de Dilma, segundo as pesquisas, até agora Ana Júlia não se beneficiou da popularidade de ambos nesta campanha à reeleição. Depois de ter passado mais da metade do mandato apanhando da mídia ligada ao PSDB ou ao PMDB, que tratava com indiferença os acertos e ampliava com lupa os erros do governo, a governadora do Pará acabou entrando na campanha com uma significativa impopularidade.

A propaganda na TV ajudou a reduzir bastante a rejeição. Já teria estado em 50% e agora não chega aos 40%. Uma senhora mudança. Mesmo assim, a linha de oposição adotada pelo marketing do PSDB acabou acertando e o ex-governador passou a maior parte da campanha, até aqui, à frente de Ana Júlia. Escondendo seus defeitos, claro, escancarando os do governo e fazendo de conta que não é contra Lula e Dilma e nem que tem um candidato a presidente com nome e sobrenome: José Serra.

A visita, tantas vezes adiada, do tucano serviu para unir mais os dois. Serra e Jatene, todo mundo viu na TV, em jornais nacionais, são do mesmo lado, estão no mesmo barco. Serra até ganhou uma miniatura da embarcação de presente.

Serra veio confirmar que é o candidato de Jatene

A chegada de Lula e Dilma hoje completa o roteiro. É Ana Júlia quem os dois vão abraçar e firmar, confirmar e reconfirmar compromissos. O povo vai ver na TV, nos jornais nacionais. E vai ouvir Dilma, que deve se eleger presidente da República já no primeiro-turno, dizer que com Ana Júlia vai trabalhar pelo Pará como se ela fosse uma paraense, como ela fosse Ana Júlia e Ana Júlia fosse ela.

Lula, com 85% de aprovação, vem confirmar amizade antiga com Ana

Jatene colocou Serra por não mais que 45 segundos no programa de ontem e não vai colocar mais. Não como Serra espera. Mas, eles fizeram um comício juntos em Altamira, um reduto tucano. Encheram a praça. Serra estava no palanque, olhando para Jatene. Jatene falou olhando para Serra. Agora, muita gente que ainda não ligara os dois vai saber que Jatene apoia Serra.

E muita gente que não tem prestado atenção nisso vai pode confirmar que Lula e Dilma são do lado de Ana Júlia. E isso não é pouco. Lula é o maior presidente da história do Brasil. Dilma é a virtual presidente da República, muito à frente que está de José Serra nas pesquisas. Isso bem trabalhado de hoje até o último dia da propaganda, todos os dias, tem força para mudar drasticamente o cenário. Pelo Ibope Jatene está na frente de Ana Júlia, depois da visita do candidato tucano, carimbando Jatene como parceiro de Serra, e da visita de Lula e Dilma abraçando Ana Júlia como a governadora que eles vão ajudar no Pará, outras águas vão rolar por baixo da ponte.


*
Serra deu dois atestados de que não conhece o Brasil como um ex-ministro e candidato a presidente da República deveria conhecer. Primeiro, ele disse na festa de lançamento da sua candidatura, em Brasília, no mês de abril, que Jatene era de Rondônia. Ali, ou ele não lembrava que era Jatene ou demonstrava não conhecer o Norte do País. No comício em Altamira ele deu força para a segunda suposição, ao dizer que não sabia que depois de 40 anos a Transamazônica não havia sido concluída. ?. Um candidato que quer ser presidente não tem essa informação? E o que será que ele sabe? É sigilo? Está esperando ser quebrado pelo Aécio?

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

3 comentários em “Eleição no Pará: De como duas visitas podem mudar um cenário

  1. Carísimo:

    é uma pena que você não cite que, embora possam ser impedidos de sibir no palanque, ao lado de Dilma e Ana J, estão Duciomar MPF Costa,, Paulo STE Rocha, Luiz (inominável) Sefer, Josué Bergston, Raimundo Santos e outros menos cotados.

    É uma pena também que a mais nova companheira de Lula, Roseana Sarney não venha ao Pará torcer pelos seus new companheiros.

    E, é uma pena, também, que pelo andar da carruagem, falatará a Ana J. discurso: os adversários usaram a máquina? Foram beneficiados pelos programas sociais? O povo não sabe votar?

    A impopularidade de Ana J. suavizada junto à mídia por recursos dispendidos em propagandas “oficiais” a ponto do Liberal desconhecer que há uma eleição no estado. O caso do Diário, bem, é divergência de iguais!

    A situação atual de Ana J. e seus lobos (ou corvos?) resulta da arrogância, da inépcia, da incompetência dessa fração que se apossou do governo. O PT paga a conta, pela conivência e pela omissão.

    Quanto ao fato de Serra ter-se confundido em relação a Jetene, isso é muito menos danoso frente ao reconhecimento de Lula a Fernado Collor. E, no que diz respeito à Transamazônica, talvez Serra tenha acreditado no que Lula e Dilma dizem que fizeram.

    Abração.

    • Olá, Adelina. Obrigado pela visita e pelo comentário. Considero todas as condicionantes e fatores que você apontou. Muito do que você menciona colaborou no crescimento da rejeição da governadora, que já diminuiu bastante, mas, o meu artigo trata de dois fatos políticos relevantes: a passagem de Serra pelo Pará mostra de que lado Jatene está e a chegada de Lula e Dilma confirma as suas ligações com Ana Júlia. Nesta eleição, considerando ou não outros fatores, isso deverá ter peso. Depende de como e com que intensidade o povo que faz a propaganda do PT vai trabalhar.
      Desculpe-me ser parcial. Respeito e admiro Jatene, respeito e admiro o seu marqueteiro, Orly; adoro a democraria, prefiro os embates aos acordos, mas, no Pará, torço por Ana Júlia. Os meus artigos, além de serem uma leitura particular do cenário da forma mais lúcida possível, também são formas de contribuir para que ela consiga se reeleger. Os artigos não são dicas para o eleitor, nem libelos com a intenção de seduzir – a favor de Ana – quem os lê, são apenas opiniões pessoais que podem ser absorvidas pelo pessoal que cuida da campanha.
      Não espero concordância de todos, especialmente os que são contra Ana, e nem reconhecimento dos que são do lado dele, espero apenas que dê certo.

      • Sua resposta me impõe um pedido de desculpas por ter desconsiderado que um blog é a voz do seu dono. Porém, como comentários aqui são abertos, danei-me a dar minha opinião sem a isenção que jamais tive – nesta questão – ou disfarcei. Desculpe, novamente.
        Mas, fica ela registrada, com sua concordância e gentileza. E, como você, também tenho um lado: espero que Simão Jatene governe o Pará. Para dar certo.

        Abração.

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