Eleições

Eu não votei em Lídice para ministra. Parlamentar é parlamentar; secretário ou ministro é outra coisa

Quando o cidadão vota em alguém para deputado ou senador o faz pensando no que o candidato escolhido vai fazer por ele no parlamento, na Assembléia, Câmara ou Senado. Ninguém – ou apenas uma diminuta minoria – pensa que o seu escolhido vai virar secretário ou ministro. Mas, eis que, eleitos, alguns dos personagens privilegiados com o voto dos eleitores para representá-los no parlamento começam a trabalhar – ou são trabalhados – para representar o partido no governo.

No Brasil é assim. Eis que estamos, neste momento, acompanhando uma movimentação nesse sentido. Diz-se que o governador Jaques Wagner – muito forte com Lula – também será um nome forte durante e por dentro do governo Dilma. Falava-se, logo após a eleição dele e, pouco depois, da eleição presidente, que Wagner poderia indicar dois secretários. Vários nomes foram mencionados, entre os quais o da secretária da Casa Civil, a competentíssima Eva Chiavon, e um segundo qualquer – podendo ser qualquer um, menos Wagner e Oto Alencar, por óbvias razões.

A verdade, até aqui, no entanto, é que nenhum nome ligado ao governador Jaques Wagner tem aparecido nas inúmeras listas divulgadas pela grande imprensa, especialista em Brasília. Isso não se dá porque os nomes que Wagner indicaria não estejam sendo falados ou discutidos, mas por conta do estilo do próprio governador da Bahia, que não se apavoneia e nem canta vitórias antes da hora, principalmente, nesta delicada seara da política nacional.

Jaques Wagner não tem apenas sua força para recomendar nomes para o governo de Dilma Rousseff, ele tem a procuração da Bahia, de um imenso eleitorado que foi fundamental para a eleição da presidente. Wagner é responsável e comprometido com a Bahia e sabe o que significa para o estado ter um ou dois ministros no futuro governo.

Mas, será que o PT, o caderno de nomes do governador e a própria Bahia estão assim tão desprovidos de talento que precisaremos tirar deputados ou senadores da missão para o qual foram eleitos porque precisam assumir ministérios? Qual a lógica? O PSB, que é “dono” do ministério do Turismo, quer porque quer Lídice Matta na pasta? E por que Lídice? Nós a elegemos senadora, para nos representar no Senado. Por que não chamam Domingos Leonelli? Ele não foi eleito deputado, foi secretário estadual do Turismo e pode muito bem ser o nome do PSB e um dos nomes da Bahia no ministério de Dilma.

O quê? Ele é homem e Dilma quer uma mulher à frente da pasta? E a coisa se define pelo gênero agora? Não vi nada tão machista.

Lidice foi a primeira mulher eleita senadora da Bahia (Foto A Tarde)

Mas, enfim, eu não quero que o suplente de Lídice seja senador. Eu votei nela. A propaganda eleitoral me convenceu de que ELA SERIA UMA BOA SENADORA, necessária para a Bahia. Se não há outros nomes, vamos digerir essa vergonha. Ou o PSB e o governador Wagner que se virem, pois não são quadrados. A Bahia não é essa pobreza de quadros que parece.

Eu repito: protesto veementemente contra a retirada de parlamentares para cargos executivos. A senadora eleita Lídice da Mata é personagem deste artigo apenas porque está na pauta. Mas, vale para qualquer um: parlamentar é parlamentar, governo é governo. Vamos tomar prumo.

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