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Foi quase somente o tempo de publicar o artigo sobre o Blog do Geddel e sua mania de querer piorar “pelo menos um pouquinho” algumas das coisas já ruins em nosso estado, que recebi um telefonema e depois outro, de pessoas diferentes, questionando a minha motivação para escrever contra o ex-ministro e principal líder do PMDB na Bahia. A primeira pessoa me lembrou que critiquei muito Geddel na eleição passada e que deveria ter o mesmo senso crítico em relação aos demais políticos de proa no estado. A outra pessoa tentou me lembrar que o peemedebista tem sua força e poderia me causar algum dano, sem explicar qual o dano.

Vamos pela última. Não conheço Geddel, mas pelo que sei dele, embora deixe parecer-se um tanto arrogante, não há registro de que tenha sido violento ou feito uso de instrumentos de perseguição ou que tais. Mesmo assim, embora eu não tenha nenhuma valentia, não temo expressar minha opinião quando se trata de autoridades e figuras da política ou quando sei que não estou assacando contra a honra e a moral de ninguém. E se Geddel é político topou as regras, entre as quais a de que quem entra nessa seara se submete a avaliações de qualquer um.

Respondendo também ao primeiro amigo que ligou: critiquei Geddel no post anterior e em outras oportunidades porque ele facilita, deixa brechas, fala/escreve como se não houvesse ressalvas a fazer. Acho isso ruim para alguém que pretendia (talvez ainda pretenda) ser governador do meu estado. No Twitter, por exemplo, Geddel já publicou “barbaridades”. Contestado, em alguns casos apagou e em outros simplesmente limitou-se a dizer algo como “sou assim mesmo, é o meu jeito”.

Eu também pago pelo pecado do destempero. Em mim não é frequente, mas é recorrente. A gente diz o que quer e fica estigmatizado. Sou criticado por isso, mas levo a minha vida sem querer ser nada mais que um cidadão correto e que ganha o suficiente para colocar pão na mesa. Geddel não, ele quer ser mais. E tem o direito, por isso coloca a cara, diz o que pensa, expõe suas ambições e questionamentos. E neste sentido eu o elogio. O Blog do Geddel é Geddel em essência (embora eu duvide muito que ele escreva os textos todos que vão em primeira pessoa).

O Blog do Geddel tem como virtude, certamente não a única, o seu claro objetivo de questionamento político e deverá ser o mais forte canal de comunicação a criticar a prefeitura de Salvador e o governo do estado, principalmente. Porque se Geddel comete exageros, escorregadelas no afã de mostrar o “desastre” que é a atual administração estadual, o blog, apesar disso – e por isso mesmo – servirá para chamar a atenção para as falhas de gestão, de atenção e de procedimento que eventualmente cometam o governador e sua equipe, o prefeito e sua assessoria.

Porque eu acho – posso ser um dos únicos a pensar assim – que a imprensa baiana está apaixonada demais por Jaques Wagner, até mais do que pelo seu governo. Ok, nem tudo é ruim; não é bem como a oposição (oposição?) reclama, mas também nem tudo são flores. Há poucas flores, aliás. Mas nem da falta de flores se fala na boa e aguerrida imprensa baiana. Assim é que, ainda que não releve os excessos, os duplos sentidos, os títulos mal intencionados, etc. que o Blog do Geddel deixa passar, eu creio que  – para o debate da política estadual, para uma visão menos adocicada do governo do estado – o ex-ministro já está dando uma excelente contribuição.

Que venha o contraditório.

P.S.: Acabo de ver que Geddel revisou a matéria sobre os assassinatos na RMS. Mas, não mudou o título, que permanece É de morte: seis são assassinados por dia em Salvador e RMS. A mudança foi no interior da nota. Geddel ajustou a matemática. Ao invés de violência que permite o assassinato de uma pessoa a cada seis horas em Salvador e RMS, agora está escrito: violência que permite um média de uma pessoa assassinada a cada quatro horas em Salvador e RMS (sic).

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

0 comentário em “Novo blog político é muito útil ao debate

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