Cidades

PCdoB de Conquista deve ficar onde está e apoiar Guilherme. Tudo indica

Uma nota publicada no site Bahia Todo Dia dá um sinal muito claro de que o PCdoB não estará na disputa pela prefeitura de Vitória da Conquista, pelo menos na cabeça de chapa. Numa ginástica, o assessor do deputado estadual Fabrício Falcão, Élvio Magalhães, nega afirmando, confirma negando. A nota do Bahia Toda Dia começa dizendo que assessoria do deputado nega que ele tenha retirado a candidatura, apesar das notícias recorrentes nos blogs de Vitória da Conquista de que o PCdoB caminha para selar uma aliança com o PT, do prefeito Guilherme Menezes.

Como não pode negar tudo, Élvio diz que as negociações entre PT e PCdoB estão acontecendo, “assim como estamos conversando com outros partidos da base do governador Jaques Wagner”. O assessor esqueceu de explicar que tipo de conversa. Afinal, não há chance de o PT retirar qualquer de suas candidaturas colocadas no estado, especialmente a de Guilherme, que em um quadro de apenas duas candidaturas fortes deve levar a eleição no primeiro (e inédito) primeiro turno.  A conversa pode até estar se dando, mas para saber quais as vantagens que o PCdoB terá quando anunciar a desistência de Fabrício – eu espero que isso seja apenas uma hipótese, pois Vitória da Conquista precisa de uma candidatura alternativa à polarização Guilherme-Herzém.

O site da capital baiana menciona o Blog do Anderson e diz que o mesmo “sugere que as lideranças municipais do partido (PCdB) estão articulando a coligação para reeleição do atual prefeito petista, Guilherme Menezes, e que existe chance dos comunistas indicarem o vice na chapa do PT”, o que Élvio Magalhães nega, mas, de novo, sem condição de convencer. Ele diz que não há possibilidade de Fabrício ser vice de Guilherme, mas logo acentua que o partido, PCdoB, pode indicar o vice, concorrendo, embora, com PSB e PV, ambos também com pretensos candidatos a prefeito.

Ao dizer que o PCdoB pode indicar o vice, o assessor do deputado Fabrício dá razão aos que especulam que o anúncio da desistência à pré-candidatura está muito perto. O que ele parece garantir é que o deputado comunista não será o vice. Compreensível. Fabrício Falcão teve dois excelentes mandatos de vereador em Vitória da Conquista e é uma das mais gratas revelações da Assembléia Legislativa, demonstrando seu perfil parlamentar. Seria uma lástima, e um passo atrás, aceitar uma vice do tipo cala-a-boca.

O PCdoB, diga-se Fabrício Falcão, foi com muita sede ao pote. Sempre auxiliar do PT (a bem da verdade, sem medo de resmungos, o PCdoB conquistense não seria o que é no cenário político local se o partido fundado por Lula no Brasil e José Novais, Ruy Medeiros e José Raimundo em Vitória da Conquista não tivesse vencido em 1996 e chegado até aqui no poder), os comunistas parecem querer continuar dependentes do Partido dos Trabalhadores e não demonstram disposição de romper com o governo municipal, talvez com medo de perder musculatura e de contrariar o governador Jaques Wagner, arriscando-se a perder muito do que almejam tanto em 2012 quanto para 2014.

Na história política conquistense dos últimos 30 anos, embora tenha eleito um quadro em 1982 – vereador Ubirajara Mota, eleito pelo PMDB porque o partido ainda estava proibido de organizar-se oficialmente, por força do regime militar -, o PCdoB nunca teve força para ir além do sindicato dos bancários. Orbitando em torno dos nomes de Miguel Felício e Elias Dourado, viu surgir sua oportunidade para deslanchar como força política protagonista na figura de Fabrício Falcão, forjado em embates estudantis – diz-se que ele ficou nove anos na universidade apenas para fazer a política – e na relação com o movimento dos trabalhadores rurais, patrocinado pela Fetag.

PCdoB não candidatura de Jean Fabrício Falcão

Fabrício conseguiu uma proeza, em se tratando de PCdoB: reelegeu-se vereador, ainda Jean Fabrício e, já Fabrício Falcão, chegou a deputado estadual. Sentiu-se pronto para ser prefeito de Vitória da Conquista. E eu não duvido que pode sê-lo e não hesitaria em emprestar-lhe apoio, entretanto, seus movimentos foram particulares, individuais, com pouca gente do PCdoB a segui-lo no intento, além dos assessores. O PCdoB não consegue se desligar do PT e nem do que o poder oferece e isso não é uma ofensa, mas uma constatação. Fabrício foi ficando cada vez mais só. E no pote não há água suficiente para matar a sede dele.

No mês de outubro do ano passado, os defensores da candidatura de Fabrício Falcão, dentro do PCdoB, ficaram eufóricos com uma definição que teria sido adotada pela executiva estadual do partido, com a anuência e orientação da nacional, de que a pretensão não era apenas legítima e justa, da parte do deputado, como também seria do interesse da agremiação. Disseram que era prioridade. E que, portanto, o partido em Vitória da Conquista teria que acatar e sustentar o nome do deputado para disputar o cargo majoritário na eleição de outubro deste ano.

Empolgados, os articuladores da pré-candidatura de Fabrício informaram que a decisão da estadual incluía recomendação para que os filiados do PCdoB com cargo no governo deixassem essas funções, incluindo o seu presidente municipal, Marcos Andrade, que ocupa cargo de secretário. Coincidentemente, enquanto o partido decidia isso em nível estadual, Guilherme Menezes, o prefeito, mudava Marcos de diretor da Agência de Desenvolvimento Trabalho e Renda para a pasta do Meio Ambiente, onde ele está até hoje. Ninguém saiu. O próprio Guilherme, quando do anúncio do “rompimento”, disse ao blog do Anderson que o PCdoB deveria entregar os cargos já que decidira ter candidato (leia aqui http://migre.me/7qMuy).

Ou seja, embora Fabrício ainda queira e seus assessores neguem sem ênfase a sua desistência, desde que ficou tudo certo que nada estava certo.

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3 respostas »

    • Gildásio, eu também acho que Vitória da Conquista precisa da opção, da discussão, de uma nova perspectiva, ainda que no mesmo campo. E acho também que Fabrício está fazendo essa força que você espera, mas até agora os resultados são dúbios, porque dúbia é a posição do partido dele, que, como se dizia antigamente, “nem faz, nem desocupa a moita”. Obrigado pela visita e pelo comentário. Abraço.

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