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O ex-radialista Jânio Freitas, experiente analista da política conquistense, publicou artigo no Blog do Paulo Nunes em que analisa as possibilidades da disputa para prefeito em Vitória da Conquista. Pelo menos assim ele começa o texto. Mas, logo percebe-se que Jânio apenas escreve mais um libelo em favor do prefeito Guilherme e da pretensão (legítima) do PT de reelegê-lo. Essa, aliás, tem sido a postura contumaz da mídia na maior cidade do sudoeste da Bahia, à exceção das emissoras de rádio Clube FM e Cidade AM, comandadas pelo radialista Herzém Gusmão, por razões óbvias, ele mesmo sendo, até agora, o maior adversário de Guilherme e do PT. Parece não haver o compromisso dos demais – pelo entendimento de que não há necessidade – de avaliar o governo municipal e seus normais e prováveis erros e defeitos, tampouco as opções políticas a ele por sua viabilidade e importância. O que conta é apenas é afiançar, com a credibilidade de jornalistas e meios de comunicação, que a administração de Guilherme é imbatível e inquestionável, valendo, para isso, silenciar sobre alternativas e elogiar incansavelmente –  e sob qualquer título – o governo e seu titular.

Vale, entretanto, lembrar que Herzém fez até o final de 2007 o mesmo que fazem hoje seus colegas conquistenses, notadamente os da chamada blogosfera.

Para quem ainda não visitou o blog do jornalista Paulo Nunes, publico aqui,  para facilitar, o que escrevi lá, em contraponto ao que Jânio disse.

Imprensa conquistense: por que essa paixão toda?

Só tem uma coisa que eu não concordo no que Jânio (sempre) e quase toda a imprensa e blogosfera conquistense escrevem: não se analisa o governo, o cansaço, a fadiga do projeto, apenas se o elogia, defende, enaltece. Não vejo um jornalista de Conquista escrever um artigo avaliando eventuais pontos críticos da administração petista. É sempre céu de brigadeiro. Vitória da Conquista é o melhor dos mundos. Compreendo o temor. Há uma patrulha surda, que impõe esse silêncio, esse amor incondicional. Para não falar de outros motivos, menos nobres.

Eu votei em Guilherme todas as vezes que ele disputou a prefeitura, incluindo 1992. Votei em José Raimundo. Votei em candidatos a vereador e deputado do PT. Votei em Wagner três vezes. Sou dos que acreditam que o PT fez um excelente trabalho, mudou o foco e a visão da administração. Estabeleceu prioridades sociais, encaminhou soluções sérias e fundamentais para questões graves da cidade como habitação, e estabeleceu novos parâmetros de ação na Educação e na Saúde, contando com a inquestionável parceria do governo petista no Planalto, com mais recursos financeiros e enorme boa vontade do presidente Lula, ele mesmo um admirador de Guilherme.

No entanto, já são 15 anos. O projeto precisa ser revitalizado, ganhar novo oxigênio. Há aspectos do governo e setores do município que estão em ritmo mais lento do que o inicial, alguns perto de estagnar. Tanto é que Guilherme, um político que rezava fielmente na cartilha de que a principal obra era cuidar das pessoas, no sentido de que todo esforço e recurso financeiro disponível deveria ser gasto, o mais possível, na área social, agora está asfaltando milhares e milhares de quilômetros quadrados de ruas, especialmente as simbólicas. O político cujo símbolo era Cachoeira das Araras resolveu estancar os questionamentos e a nítida movimentação do eleitor em outra direção, com obras que antes ele chamava de eleitoreiras. Não é mais como Jadiel Matos, que dizia que o povo não come paralelepípedo ou cimento.

Conheço a honestidade de Guilherme e não a questiono, mas imprensa local não ousa criticá-lo

Quem questiona a honestidade e a retidão moral de Guilherme? Só um leviano. Eu conheço Guilherme há 27 anos e sempre soube da sua honradez, de seu espírito público elevado, de sua valorização da educação e da cultura. Mas, mesmo ele tem seu momento de “apenas político a defender seu interesse, sua ambição, sua vaidade”. E eu o critico por isso. Eu queria votar em José Raimundo de novo ou em outro qualquer. Não porque Guilherme não vá continuar a ser um bom prefeito, mas porque é meu direito mudar, ainda que no mesmo campo, sem romper. O projeto continua bom, mas definha, naturalmente, como tudo que envelhece, enfraquece, porque o povo cansa e a cidade merece mais.

Eu estou morando em Salvador ainda, retorno para Vitória da Conquista dentro de alguns dias, mas daqui e indo várias vezes à cidade, ouço coisas e vejo coisas. Decerto que houve uma evolução em Vitória da Conquista com Guilherme (até mais do que com o PT, eu diria), principalmente depois do desastre do governo que o antecedeu até 1996, mas acho que há mais a ser feito, é preciso dar oportunidade a uma visão diferente, a uma ideia renovada, que requalifique o projeto começado em 1997. E isso a imprensa conquistense, em sua maioria – perdoem-me os colegas amigos e respeitem minha opinião os não tão amigos – não vem dizendo. Vem, na verdade, calando, escondendo, tergiversando, elogiando.  E só.

No caso de Jânio Freitas, homem do mais alto valor, meu amigo de priscas eras, eu compreendo. É partidário, orgânico e deixa a paixão, natural e elogiável até, comandar os dedos ao teclar os textos, mas há algum excesso de boa vontade nos demais, o que não é explicável apenas com o argumento de que são todos contra Herzém Gusmão. Isso seria maniqueísmo demais, especialmente porque há alternativas, embora quase todas dependentes do governo e da anuência do comandante da base, o governador Jaques Wagner, para quem o melhor é não arriscar.

——- Quem quiser ler o artigo de Jânio e outras postagens de Paulo Nunes, clique aqui.

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2 comentários em “A mídia conquistense e a política. Propondo um debate.

  1. Uma aula de política municipal…

    • Oi, Mari. Bom rever você por aqui. Lisonjeado com sua manifestação, digo, no entanto, que são apenas pensamentos de um velho que vivenciou muito a política e acumulou experiência suficiente para dar pitacos, ainda que não com a sabedoria que eu desejava. Obrigado pela visita e pelo comentário. (Repito que adoros seus blogs, seu texto, sua vivacidade).

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