Do debate de Conquista e outras considerações

Posted on sábado, 27 outubro 2012

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Publiquei este texto como comentário a uma postagem do meu amigo professor Paulo Cairo, no Facebook. São impressões muito pessoais, baseadas na minha experiência em eleições e em marketing político e, mais ainda, referendadas pela minha experiência de Vitória da Conquista.

Não creio em diminuição da abstenção na votação de amanhã, talvez ela aumente. O número de brancos e nulos também pode evoluir. Mas, concordo com você (Paulo Cairo): ganhou o debate o candidato de quem torce. Quem apoia e defende o 13 tem certeza que Guilherme Menezes venceu. Certeza que têm os defensores da candidatura de Herzem Gusmão. E quando menciono “certeza”, falo mesmo de certeza.

No fim, os partidários dos dois lados iriam afirmar que o seu candidato venceu o debate, porque o avaliaram por aquilo que já sabiam, pelo que esperavam. Além da condescendência natural de quem é do mesmo lado, haveria a manifestação comemorativa da vitória do seu candidato também porque é preciso manter a campanha acesa, fazer o proselitismo, defender a sua bandeira. Quem, sendo Herzem ou Guilherme, diria, no Facebook, por exemplo, que o adversário venceu e não o seu preferido?

Mas, a despeito do pouco treinamento de Guilherme para o evento, seu nervosismo (ou timidez, já que dizem que o prefeito não é afeito a palcos e holofotes), acho que naquilo que foi conteúdo, ele saiu-se melhor. Em alguns momentos foi prolixo, usou muitos números, mas no final deixou as três principais pérolas na conta de Herzem: desmontou o VLT, obrigou o adversário a dizer que em seu programa de rádio nunca denunciou corrupção na prefeitura e induziu o peemedebista a se atrapalhar em sua defesa atribuindo condenação judicial a equívoco do juiz que proferiu a sentença.

Merece realce também a explicação que Guilherme deu quanto à relação do seu governo com a zona rural do município e à não construção de uma UPA na Patagônia (?), que foi secundarizada ao asfaltamento por desejo e pressão da comunidade do bairro. Nestes dois momentos Guilherme foi firme, alteou um pouco o tom da voz, foi assertivo.

Herzem Gusmão está confiante na vitória (Foto extraída do Blog do Anderson)

Josete Menezes comemora desempenho do marido (Foto extraída do Blog do Anderson)

O debate ajudou a firmar a minha convicção de voto. Guilherme mantém-se sincero, conhecedor da gestão e do município. Herzem mostrou-se bem treinado, dominou o palco, foi seguro e mais eficiente que Guilherme na maioria das vezes, mas não foi eficaz, foi mais teatral. Desempenhou-se bem no debate, mas perdeu-se no essencial: abusou da crítica e não aproveitou para fazer-se conhecer como preparado para o cargo.

Criticou muito e fazer oposição numa eleição não é só isso. Quando é contra um governo ruim, mal avaliado, pode até ser, porque a crítica, o ataque, vai encontrar ressonância e eco na população. Aqui não acontece assim. Mesmo considerando que há problemas, falhas, Conquista está bem, tem a maior parte da cidade e da zona rural contemplada com obras, serviços. Não há imoralidade e corrupção na prefeitura, não há um prefeito metido em escândalos. Então, nesse caso, para não perder o fio da meada, caberia a Herzem falar do que efetivamente a cidade espera: qual o caminho da mudança. O que deve mudar? Qual a proposta.

Claro, o tempo era muito curto, mas, por isso mesmo, deveria ter sido melhor aproveitado. Em um debate, como qualquer outro evento televisivo em campanha eleitoral, não importa a pessoa que esteja ao lado, o contendor, mas quem está à frente, depois da lente, na sala de casa, vendo a TV, na madrugada, esperando novidade, notícia de impacto, proposta e diferença. Guilherme precisava menos fazer essa diferença. Herzem precisa muito. E não fez. Saíram os dois do debate quase iguais ao que sempre foram. O mesmo Guilherme. Quase o mesmo Herzem. Deu para ver que ele tem qualidades políticas sim, que mereceu chegar até aqui. Discordo frontalmente dos que o satanizam. Erram tanto quanto fez o próprio radialista ao endeusar Guilherme por vários anos, pelo que paga alto preço político hoje.

Herzem só não convenceu que é mais qualificado para o cargo. Não mostrou que seria tão bom ou melhor do que Guilherme para administrar Vitória da Conquista. Na comparação dos dois homens, das duas figuras políticas, dos dois candidatos a cuidar do terceiro mais importante município do estado, Guilherme, por mostrar que não mudou, que continua aquele a quem Conquista confiou em 1996 o primeiro mandato, fica à frente, em minha modesta opinião. Herzem marcou posição, é o líder da oposição, ainda tem futuro político. Merece respeito. Mas, agora é hora de manter o certo no lugar certo.

O resto é desejar que a paz continue predominando na eleição.