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Você é sensível, poética, sincera, mas não é romântica, como nos romances de amor… é?

– Sou sim. Muito. Acho que o que me difere das outras pessoas sensíveis, poéticas e românticas é que tenho a particularidade de não ter um coração apenas. Nasci com uma coisa genética, não digo doença, uma coisa genética, que faz estourar corações em meu peito, como espinhas nas caras dos adolescentes.

– Quantos você tem agora?

  – Uns 3 ou 4… normalmente são 3 ou 4, desde criança. Desde que nasci, suponho. Mas não secam, como as espinhas; são reabsorvidos, reintegrados, pra nascer de novo, quando for suposto nascer de novo.

– Você disse ter um namorido, pelo menos dois namorados e uma namorada… não há um coração para mim. Eu já suspeitava. Rs.

– Tem calma, menino. Você surgiu ontem, assim, no finzinho do dia. Já tomou conta da minha noite, e do meu hoje.

– Ah, ah, ah…

É que eu tenho um só coração, sem estepes e, tantas ilusões depois, ele costuma explodir a cada sonho novo. E um sonho, você sabe, não tem tamanho e nem depende da nossa vontade. Acontece. Não é o meu um coração apressado, até bate lentinho, mas não deixar-se ser tomado por toda emoção inerente a um encontro desses é como desejar o pote de ouro, mas evitar passar sob o arco-íris.

– Eu entendo, fica tranquilo. Bebe devagar dos meus líquidos. E não se assuste com essa multiplicidade de corações que tenho. É uma condição rara, mas, se você olhar com jeitinho, é até bonita.

– É linda. E como eu disse, faz bem e faz mal.

Também não se assuste com a minha intensidade. Você é uma novidade em todos os sentidos. E nos meus sentidos. Apareceu quando eu sequer imaginava que você existia e sei que vai embora do mesmo jeito que chegou. Assim, bebo seus líquidos devagar, mas bebo-os todos. Não quero perder nem uma gota, a mais invisível delas. Quando você se for, isso aqui vai voltar a ser um deserto e não quero sentir sede de você durante o meu estar só.

– Eu não vou embora. Eu não vou nunca embora. Tira isso da sua cabeça, a intensidade pode abrandar, a paixão pode sublimar, mas eu permaneço. Ficaremos velhinhos, contando conversa de pescador, plantando peixes no prato e enrolando lagartas em casulos.

– Queira Deus que o SOPA não interfira.

– Hahahaha. Fazer download do meu amor não é pirataria.

– A propósito, apenas para que fique claro: eu já fiquei velhinho. Rs

– Hahaha… ficou nada, tem 50 anos.

(Eu tinha.)

Salvador, janeiro de 2012.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

0 comentário em “Um papo com a bruxinha que tem quatro corações

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