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Seu olhar vale a pena. Ou: eu já amei assim II.

Olá:

Meu nome é Ben Hur Costa. Moro em Conquista. Gostaria de ter a sua consideração de ler o e-mail até o final. Não é vírus, nem é proposta de pirâmide. Rs.

Imagino que esteja surpresa por receber um e-mail de alguém que você não conhece. Também deve estar surpresa porque eu tenho o seu e-mail de trabalho. Um dia, se eu tiver a sorte de falar de perto com você, contarei como obtive não apenas o e-mail, mas também o número do seu celular, que não vou usar porque seria um atrevimento muito grande, pois, se eu a conheço, você nem sabe quem eu sou.

Peço que leia esta mensagem até o fim. Não sei nada da sua vida. Nem sei se há alguém em sua vida que não gostará do que eu estou fazendo; ou, ainda que ele não saiba do que eu estou fazendo, penso que talvez você, por consideração a ele, não queira dar nenhum espaço a estranhos que lhe abordam por e-mail com uma conversa estranha sobre conhecê-la.

Sei poucas coisas de você. Sei que é linda, que é muito competente na sua função, que já foi casada e tem filhos. Mas não importa muito isso. O que importa é que mesmo tendo visto você poucas vezes, sua imagem está marcada em minha memória como se eu a conhecesse há anos, décadas, séculos… vidas, talvez.

Às vezes você vem em meus sonhos. Sempre sorrindo, o sorriso mais bonito que já pude olhar. E fala meu nome. Na verdade me chama de muitos nomes, já que, mesmo no sonho, você não me conhece e apenas age naturalmente, sorrindo e falando e gesticulando e olhando com esses seus olhos brilhantes, na direção para a qual olham olhos curiosos. Um olhar tão profundo que atravessa meu sonho e me acompanha, está aqui agora, iluminando o vazio do meu quarto, onde, se você deixasse, haveria muitas fotos, pinturas na parede, desenhos, traços e hologramas desse seu rosto encantador.

E falo do rosto porque talvez você se ofenda se eu falar do seu corpo, do tanto que ele me atrai e me excita. Nem sei dele após as suas vestes elegantes, de bom gosto, mas sei que compõe um quadro perfeito com o seu rosto. Vou confessar, já olhei para você algumas vezes com foco no seu corpo. Nas suas pernas. Na sua bunda. No seu colo. Já imaginei a cor da sua barriga nua, em como seria seu umbigo. Que forma teria? Você nasceu com ajuda de parteira?

Por que isso? Parteiras desenham umbigos melhor que médicos. Penso se você teria marquinhas, manchinhas, pintas, uma cicatriz, uma tatuagem, quem sabe?, na barriga, no púbis, atrás da cabeça, no ombro, nas costelas… Como saber? Imaginar, eis o que posso.

Como nas milhões de vezes em que penso em você, paro por aqui com essa parte do corpo. Porque muitas das vezes em que penso em você é uma coisa meio sagrada. Não que eu pense que você é uma santa ou um anjo ou uma deusa, mas é como se fosse um milagre ter esse tanto de você em minha imaginação, em meu pensamento, na memória. Sei que é um milagre a nossa existência, a vida, entretanto, é bem mais milagroso que entre todas as pessoas do mundo uma delas seja você. E ser justo você – sem nunca me dirigir a palavra, sem praticamente nunca ter olhado para mim – ser a pessoa que eu desejo, com quem eu sonho e que eu sei que amo.

Você já olhou em minha direção, mas eu não era o seu alvo. Seus olhos passaram por mim, acenderam mais ainda os meus, aqueceram o meu coração, quase incendiaram o meu corpo, e seguiram adiante, para onde você queria olhar, para a sua meta, seu desejo.

Naquela hora, não sei se por medo ou se efeito da magia daquele brilho banhando meus sonhos, que me deixou estático, hipnotizado, nem vi para onde ou para quem você olhou. Pode ter sido um motivo profissional ou um motivo passional. Um cara, uma mulher, o seu querer, que passou por mim e nem viu o meu.

Mas eu respeito isso. Você era livre antes de eu vê-la a primeira vez. Era livre por todo o tempo em que eu não a conhecia, sequer sabia da sua existência. E permanece livre agora quando eu sonho com você, quando – tenho que dizer isso – a quero como um asmático quer ar, como peixe quer água, como música quer dança, como boca quer beijo, como corpo quer abraço, como abraço quer eternidade.

No entanto,  eu não consigo mais me livrar dessa sensação boa que é adorar você. Mesmo quando doi – porque muitas vezes doi essa distância, esse silêncio, esse não saber de mim ou do meu amor -, eu não consigo me livrar. Não há determinação ou ordem profunda, mais alta, íntima ou divina, que me desvie do meu caminho: seguir você, encontrar você, achar você, fazê-la saber que eu a amarei sempre, muito mais que qualquer um(a) tenha amado ou venha a amar. E isso se dará mesmo que você nunca olhe para dentro de mim, mesmo que seu olhar nunca pare em mim, quando sair por aí procurando o que ver. Isso se dará mesmo que você nunca me ame, ou não me conheça nem reconheça o meu amor.

E isso é porque você é linda. E não me importa chorar quando a saudade aperta. Afinal, é uma saudade de nada. Porque você não me deu ainda nenhuma esperança. É uma saudade de nada, porque é uma saudade sem expectativa. É saudade do sonho e – não importa que me faça chorar – porque faz mais, muito mais, eu sorrir.

Dia desses, eu vi um homem chorando por você. Falei da coincidência, que eu também já chorei por você. Ele afirmou que a infinidade de sorrisos que você causou, superaram as lágrimas, não apenas em quantidade. Tentou me convencer de que, por causa de um amor assim, chora-se mas não se chora tanto. Concordei, sorrindo. E ele, então, também sorriu. E me disse que eu posso manter meu coração ligado a você, mesmo que você esteja desligada de mim, porque você sempre valerá a pena, e um dia (ele me pediu para não cobrar esse dia, ainda que não abra mão de esperar por ele) você vai me dar algo que merecerá ser guardado para sempre. Disse que esse algo (que para muitos parecerá pouco ou quase nada, talvez você mesma pense assim) fará com que eu entenda o por quê de você ter me dito, em um sonho desses, que a gente nunca mais vai se desgrudar.

Ele disse que é o seu jeito de amar, uma coisa que não passa de um sonho, mas que, sim, vale a pena.

Vitória da Conquista, 24 de junho de 2013.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

6 comentários em “Seu olhar vale a pena. Ou: eu já amei assim II.

  1. Mariângela Borba Santos

    Eu queria dizer que…tipo…assim…Gosto do seu estilo!!! Pq não publicar em folhas daquelas que se fecham em uma capa dura!???…e que sob o olhar se deixam ler??????????

    • Um livro? Estou trabalhando em um. Se me der seu endereço espanhol posso enviar uma prova para revisão linguística e de alma. Me ajuda?

  2. Mariângela Borba Santos

    Como compartilhar o seu Blog com amigos…amigas???
    Posso?

  3. Mariângela Borba Santos

    Será que alguns escritos aqui ditos…não ditos…malditos…podem ser compartilhados!???

    • Li, agorinha, no Facebook, Carlinhos Brown dizer que
      “O que faz parte de mim faz parte de nós.” É semelhante com os meus textos.
      Que bom ter você mais perto. Obrigado pela visita.

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