Política conquistense: Guilherme já tem um nome para a sua sucessão. E fala de desentendimentos e tensões na administração da Frente Popular.

Posted on quarta-feira, 2 setembro 2015

2


INTRODUÇÃO (SE QUISER PULAR E IR DIRETO À ENTREVISTA, TUDO BEM)

Já entrevistei Guilherme Menezes, prefeito de Vitória da Conquista, muitas vezes. Antes de me afastar da cidade para fazer campanhas e dar consultorias fora, as conversas eram mais frequentes. A foto que ilustra um dos meus blogs é de uma entrevista feita em 1998. Das conversas que tive com Guilherme duas renderam entrevistas. No começo de 2012 conversamos, relembramos a chegada dele a Conquista, seu primeiro trabalho, campanhas políticas, a arte, a música, os amigos, mas foi uma conversa normal, sem anotações ou gravação. A primeira entrevista, nesta nova fase, foi também em 2012. Eu havia publicado um artigo em que questionava a sua candidatura (leia aqui: http://goo.gl/rdSBA3). Entendia que ele deveria dar a vez a José Raimundo Fontes, que já fora seu vice e prefeito de 2005 a 2008. Reclamei de vaidade da parte dele. Sobre a análise, contendo crítica à postura que, certo ou errado, achei vaidosa, e também elogios às suas inquestionáveis capacidade administrativa e honestidade, Guilherme não reagiu. Mas, algumas pessoas ligadas a ele, alguns áulicos, reclamaram e disseram que o prefeito não lera, mas, informado, não gostara do artigo.

Dias depois viajamos no mesmo voo para Salvador e eu quebrei o gelo, já que, por alguma razão, talvez um jeito de ser, Guilherme não me olhou com bons olhos no aeroporto, nem no avião. Na verdade, ele nem olhou. Com aquele jeito de quem parece não estar nem ali. Desembarcados em Salvador, ficamos lado a lado e eu lhe perguntei se havia se aborrecido. Disse que não, que eu não me preocupasse. Ofereci uma entrevista a ele para falar o que quisesse, sobre política e administração. Ele acedeu e previu que poderíamos conversar por uns 20 minutos. Estava com ele o professor Coriolano Morais, então secretário de Educação e hoje vereador (mencionado na entrevista a seguir). A conversa demorou quase duas horas. Foi um bom papo e rendeu uma excelente entrevista (que pode ser lida aqui https://goo.gl/5ExhPL).

Desde então, revi Guilherme em um evento da campanha de sua reeleição, mas não nos falamos e depois por aí: aeroportos, inaugurações, passando de carro a caminho de casa, sempre sem conversa. Disse isso a ele antes de começarmos a entrevista que se segue. Nunca sei se ele me reconhece, se não me vê ou mesmo se está alegre ou contrariado. Dizem que ele é assim com quase todo mundo. Na nossa conversa, o prefeito de Vitória da Conquista me ajudou a entender um pouco melhor essa característica dele. Foi uma conversa boa, acompanhada pelo secretário Nagib Barros (Comunicação e outra pasta de nome longo), em que o prefeito riu, falou sério, defendeu o PT, Lula e Dilma, elogiou os servidores, defendeu-se de críticas, comentou sobre tensões políticas com a Câmara e com vereadores da sua bancada, opinou sobre adversários, descartou nomes para a sua sucessão e disse, claramente, quem é o nome do seu coração que ele quer ver na disputa em 2016 e dando continuidade ao projeto político-administrativo iniciado em 1997.

Esta é a segunda parte da entrevista. A primeira eu postarei na sexta-feira.
Com paciência, leia tudo. E comente.

Prefeito Guilherme Menezes

Prefeito Guilherme Menezes

SOBRE A CONTRARIEDADE DE CORRELIGIONÁRIOS, VEREADORES E DO PCdoB, QUE SAIU DO GOVERNO.

BLOG – Prefeito, recentemente parte da imprensa local e políticos, como o vereador Florisvaldo Bittencourt, do seu partido, queixaram-se de dificuldade de acesso ao senhor. O PCdoB, ao retirar-se do governo fez reclamação semelhante. A queixa é de uma certa desatenção da sua parte com os aliados, mas vão além do contato político e há críticas de que o senhor também se ausenta de eventos sociais e empresariais que acontecem na cidade, como a entrega do Parque Logístico do Sudoeste. Essa queixa tem alguma pertinência? Esse tipo de crítica o incomoda?

GUILHERME MENEZES – Eu tenho o maior apreço por todos os partidos e aliados. Com o PCdoB foi uma aliança de 24 anos, desde 1992, quando criamos a Frente Conquista Popular. Essa aliança foi altamente vitoriosa e eu diria, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma vaidade, que foi uma aliança que deu certo para Conquista. Porque foram 24 anos. Em 92 disputamos a eleição de prefeito, em 94 fui eleito deputado estadual e em 96 voltei candidato a prefeito, com o apoio do PCdoB, quando vencemos as eleições e desde então o partido integrou, até o mês de julho, o governo. E nós só temos a aplaudir. É claro que todo partido tem o direito de lançar suas candidaturas, como no caso de candidatura a prefeito, e chega o momento em que isso acontece, até porque política é espaço de conflitos, não existe política com aquela paz de cemitério, não é? É um lugar de conflito, principalmente no âmbito da democracia, como estamos vivendo.

Claro que fiquei sentido com o afastamento do PCdoB, principalmente porque saíram pessoas que são amigas, como Miguel Felício, Élvio Dourado e os demais do partido que integraram nosso governo durante todo esse tempo.

O prefeito sentiu a saída de Miguel Felício (PCdoB). Miguel também queria ficar. Estava fazendo um bom trabalho,

O prefeito sentiu a saída de Miguel Felício (PCdoB). Miguel também queria ficar. Estava fazendo um bom trabalho,

Com relação à Câmara de Vereadores eu acredito que em certo momento faltou um diálogo melhor e mais intenso entre o Executivo e o Legislativo. De lá para cá e de cá para lá. Eu acho que se erramos, erramos na mesma proporção. Porque eu sou um prefeito muito presente, é minha obrigação ser presente. Eu estou em Vitória da Conquista de domingo a domingo. Hoje mesmo eu estava dizendo para os secretários que não existe semana inglesa para prefeito. Chegar sexta-feira de tarde e dizer: “Bem, agora vou tomar minha cervejinha, meu uísque e fim de semana eu vou descansar…”. Não tem isso. O telefone também não para. Então, sobre este aspecto, eu sou muito presente. Não podem dizer: “Ah, porque o prefeito não para na cidade”. Quando eu vou Salvador ou a Brasília – e eu levo tempo para ir – é porque é uma agenda em que é insubstituível a presença do prefeito. E raramente a gente perde uma viagem.

Então, acho que se pecamos (na relação administração municipal x Câmara), pecamos dos dois lados. Porque o vereador sabe que nem precisa nem marcar a agenda. Se eu estiver aqui, entre uma agenda e outra eu já atendo. Tem sido assim. Agora, há certos momentos em que há conflito na composição dos partidos, nas bancadas. O ano que vem será um ano de maior conflito ainda porque haverá disputa eleitoral e todo partido quer se sair bem perante o eleitorado. Mas, da minha parte, tenho o maior prazer de estar sentando com os vereadores, para discutir e aceitando, inclusive, os erros do governo como um todo ou pontual dessa ou daquela secretaria ou do próprio Gabinete do Prefeito. E é discutindo, nesse clima, que a gente evolui mesmo.

A candidatura da vereadora Irma Lemos (PTB) à presidência da Câmara, que teria recebido seu apoio, foi vista por alguns como uma falta de cuidado da sua parte com a sua própria bancada. O senhor crê que aquele momento pode ter sido responsável por essa tensão com os vereadores?

É possível. É possível pela compreensão. Eu tenho muito respeito pelos vereadores e a vereadora Irma Lemos eu tenho um grande respeito por ela. Quando ela veio pela primeira vez aqui ao gabinete, se aliar ao governo, ela veio sozinha, depois veio com a executiva de seu partido. E eu posso dar o testemunho que ela não pediu absolutamente nada – e muito menos para ela. Depois que fomos discutindo, eu mesmo levantei essa discussão, da importância de quadros do PTB estarem integrando o governo, o que foi feito. Chegaram aqui com qualificação e ajudando muito, principalmente na área da saúde.

É uma pessoa (Irma Lemos), portanto, por quem eu tenho o maior respeito e quando surgiu o nome dela como possível candidata à presidência da Câmara, eu cheguei a manifestar, publicamente, a minha simpatia pelo nome dela. Não interferência, que eu nunca interferi. Agora, tive reunião com a bancada do PT, como filiado e militante e não como prefeito, porque o próprio partido me faculta isso*, e nessa condição eu tive uma reunião com a bancada do partido e a bancada, naquele momento, tinha fechado o apoio à candidatura da vereadora Irma Lemos e depois houve uma mudança de opinião, por parte de alguns vereadores do Partido dos Trabalhadores, o que gerou um certo desentendimento. Eu acho que tudo isso faz parte do jogo. Mas, eu não fui como prefeito – volto a dizer – e o fato de estar ocupando o mandato de prefeito não exclui a minha participação como filiado e como militante.

Guilherme apoiou Irma Lemos (PTB) à presidência da Câmara. gesto gerou contrariedade.

Guilherme apoiou Irma Lemos (PTB) à presidência da Câmara. gesto gerou contrariedade.

CÂMARA, GILZETE, JOÁS, O PSB E A POSSIBILIDADE DE MAIS UM PARTIDO SAIR DA ALIANÇA.

BLOG –  Considerando essa discussão e o fato de que Gilzete Moreira (PSB) foi eleito à presidência da Câmara sem a sua simpatia não trouxe nenhum prejuízo, considerando que ele é de um partido da base do governo, tendo, inclusive o vice-prefeito? O desenlace da eleição da Mesa da Câmara poderia ter sido melhor?

GUILHERME MENEZES – Olha, a minha relação com o Dr. Joás Meira, que é o vice-prefeito, é a melhor possível. Eu acredito que houve algum desentendimento e, às vezes, um ou outro militante desse ou daquele partido aproveita o momento para injetar uma certa malícia, um pouquinho de malícia política para desagregar um pouco a Frente Conquista Popular. Mas, eu acredito que todos nós sabemos, tanto os vereadores quanto nós do Executivo, a imensa responsabilidade que a população de Conquista colocou sobre nossos ombros. Nossos cargos não são nossos cargos. Eu só tenho meu voto. Então, são cargos da população de Vitória da Conquista. Todo dia, eu introjeto isso e acho que todos nós temos que saber como nos portarmos no ano que vem, que é o que a população espera. Porque estávamos todos sobre o mesmo palanque, com o mesmo projeto político definido, as mesmas propostas e as mesmas metas, então é preciso explicar por que é que mudaram os palanques. Cada um vai assumir, digamos assim, as suas justificativas.

O senhor acredita que o PSB pode ter candidato próprio à sua sucessão?

Eu acho que sim. Acho que pode ter, porque é um partido que tem vários quadros importantes. Mas eu não aprofundei ainda essa conversa. Do partido, com quem eu tenho conversado mais é o Dr. Joás Meira, o vice-prefeito. Com o PSB mesmo, enquanto partido, eu não tive nenhuma conversa. Às vezes eu ouço sobre isso, e é legítimo, mas eu gostaria que saíssemos juntos. Porque a administração que vamos entregar ao próximo governo eu diria que vai ser mais difícil do que a que pegamos, pois as demandas se multiplicaram e o orçamento, por mais que tenha crescido, é sempre insuficiente para atender a essa demanda. Portanto, será necessária uma harmonia muito grande do governo como um todo.

ELOGIOS AOS SERVIDORES, QUE ELE CONSIDERA FUNDAMENTAIS PARA O SUCESSO QUE A ADMINISTRAÇÃO PETISTA TEVE DESDE 1997.

BLOG MENEZES – E o que teria sido sua principal ferramenta para contemplar o máximo possível dessas demandas?

GUILHERME MENEZES – A colaboração dos partidos e dos servidores. Eu sou muito grato aos servidores da Prefeitura – e também aos partidos – por entenderem quando eu comecei a convidar servidores efetivos para exercerem cargos estratégicos na administração, como Tesouraria, Secretaria de Finanças, todo o setor de Compras, a própria EMURC. Quando fiz isso eu quis sinalizar, primeiro, a qualificação dos nossos servidores, o prestígio que eles precisavam ter, e em segundo lugar, que se o próximo gestor buscar a experiência desses servidores poderá fazer uma gestão muito boa, mesmo com todas as dificuldades, pois são funcionários da melhor qualificação, que estão em cargos estratégicos. São muitos, mas cito Dona Mércia, nossa secretária de Finanças, com 36 anos de casa; a Tesouraria, que está com Dona Vera, que tem com 35, 36 anos de casa; Dona Delma, que já está em fase de aposentadoria, com 30 anos de casa, e comanda o setor de Compras, com muito empenho; o Misael Bispo, que já está indo para 28 anos de Prefeitura, foi secretário de Finanças, está presidindo a EMURC, além de muitos outros.

Uma figura como Dona Mércia, que entrou como datilógrafa, depois auxiliar de contabilidade e foi degrau a degrau, crescendo sem sair da Secretaria de Finanças. Que riqueza é para um governo você pegar uma pessoa com a firmeza, com a honestidade de uma servidora como Dona Mércia. Ela chega aqui todo dia como se fosse o primeiro dia de trabalho. São servidores altamente apaixonados por esta prefeitura. Então, é um ganho. Eu não tenho conselho para dar a ninguém, mas desejo que o próximo gestor saiba aproveitar essa experiência e essa energia.

Mércia Cristina Andrade Dias. Símbolo de servidor público exemplar, segundo o prefeito.

Mércia Cristina Andrade Dias. Símbolo de servidor público exemplar, segundo o prefeito.

Falando em próximo gestor, a reunião ocorrida dia 25 de agosto, no Salão Paroquial Dom Climério, foi o início da caminhada para a eleição do ano que vem? Foi o primeiro momento político do seu governo visando 2016?

A preocupação foi chamar a atenção dos cargos de confiança de provimento do prefeito. Como tem muitos servidores que também ocupam cargos de confiança, então eles estavam lá presentes. Foi a primeira reunião chamando já para uma reflexão do que foi nossa caminhada até aqui, nesses 18 anos, mostrando o que foi e o que está sendo feito. Fizemos também uma análise de conjuntura da política nacional, desta crise política que está no país. Mostramos uma reportagem muito importante de 2001/2002, sobre como era a situação da fome no Brasil e como é a situação hoje, de um país que saiu do mapa mundial da fome. Então, foi um debate sobre o país e afunilando com nosso município, o que queremos para nosso município, nessa escolha que todos nós faremos no ano que vem.

A DEFESA DO PROJETO NACIONAL CAPITANEADO POR LULA E A PRESIDENTE DILMA.

BLOG – A intenção dessas reuniões seria dupla, avivar a memória dos membros da administração para que eles tenham discurso de defesa, visando 2016, e ao mesmo tempo emular a confiança do grupo em relação ao projeto nacional, do PT e da presidente Dilma?

GUILHERME MENEZES – É. Primeiro, todos nós sabemos em que terreno a gente está pisando, mas precisamos mostrar que há fatos absolutamente positivos em relação ao Governo Federal. Não é pouco, em mais de 500 anos de história, tirar o Brasil pela primeira vez do mapa mundial da fome, estar acabando com a extrema pobreza, segundo a própria Organização das Nações Unidas. Precisamos mostrar que o PIB do Brasil, por exemplo, em 2002, era de 504 bilhões de dólares, em 2014 era de 2 trilhões 346 bilhões de dólares. As reservas, em 2002, eram de 37 bilhões dólares e hoje está entre 350 e 360 bilhões de dólares. Isso é o que eu coloco para o debate. O governo anterior ao do presidente Lula não abriu uma universidade federal, só nos oito anos de Lula foram 14 universidades federais. No governo que acabou em 2002, o Brasil quebrou três vezes, foi três vezes ao FMI e levantou empréstimo de 40 bilhões de dólares. A partir do governo Lula o Brasil passou de devedor humilhado, como era, a credor. E não vendeu nada. Olha que no governo anterior foi vendida a Vale do Rio Doce, que foi totalmente arrumada com recursos do BNDES; foi vendida a Telebrás, ações da Petrobrás. Foram 100 bilhões de reais com essas vendas. Já a partir de 2003 não se vendeu nada, mas aumentou-se o emprego e a renda per capita do brasileiro cresceu sensivelmente, entre tantas outras conquistas.

Analisamos esses dois cenários, sem fazer proselitismo, sem estar batendo em nenhum governo. Nós somos brasileiros e eu olho, antes de tudo, como um brasileiro o país que é da gente, para ver o que podemos melhorar e quais os avanços que podemos fazer.

SOBRE OS EFEITOS DA CRISE POLÍTICA NACIONAL SOBRE A DISPUTAL POLÍTICA LOCAL.

BLOG – Evidente que o senhor tem confiança na eleição do seu sucessor, que certamente o senhor mesmo vai indicar, mas, se essa crise que a política nacional atravessa se prolongar até a véspera da eleição do ano que vem, pode ter um efeito corrosivo da confiança no trabalho da sua administração e esse trabalho perder peso na análise do eleitor, por causa do PT?

GUILHERME MENEZES – Eu acho que uma crise dessa ela não traz benefício para ninguém. Para nenhum brasileiro. Mas podemos ter prejuízo e vamos ter prejuízo. Inclusive de tempo, porque nós vamos precisar de mais tempo para explicar que crise é essa, mostrando para a população como era o Brasil antes e é agora. Se pegarmos Conquista como exemplo, lembro que quando a gente entrou aqui se dizia que a melhor saída para Conquista era a estação rodoviária, ir embora. Esse era um fenômeno da região Sudoeste, as pessoas iam para São Paulo em busca de um emprego. A gente viu isso se reverter. Você chega na zona rural tem luz elétrica, água… Para você ter uma ideia, a quantidade de barragens que nós fizemos, só em dois anos, chega a 20. A vigésima nós vamos entregar esta semana. E o povo bebendo, a partir de 2003, água tratada. Só em Conquista são 43 caminhões-pipa de domingo a domingo, levando água que a Prefeitura compra da Embasa. São caminhões, na maioria, alugados pela Defesa Civil nacional e alguns da Prefeitura. O povo hoje tem água tratada, estradas, saúde, escolas, energia elétrica, o Minha Casa Minha Vida e tantos outros programas, que criaram as condições favoráveis para que muita gente que tinha o sonho de regressar a sua terra pudesse voltar e viver com melhor qualidade de vida.

Então, quando a gente pega esses dois cenários entendemos porque essas pessoas voltaram. Voltaram porque as cidades melhoraram, inclusive Vitória da Conquista.

O NOME DO CORAÇÃO. QUEM GUILHERME QUER VER NA PREFEITURA, EM SEU LUGAR.

BLOG – Prefeito, a movimentação política com vistas às eleições do ano que vem já começou, a oposição a antecipou, e o seu partido tem um nome que seria um candidato natural. Onde eu vou em Conquista e o assunto é a sua sucessão, a maioria das pessoas acha, largamente, que o nome para sucedê-lo é o do deputado José Raimundo Fontes. Mas, hoje, já começam também a falar que o senhor pretende apresentar o nome de Odir Freire como o seu candidato, para a discussão dentro do diretório do PT. Conversei com uma pessoa no último dia do Festival de Inverno que afirmou ter ouvido de José Raimundo que se houver prévia ele não participaria, só se seria candidato se não houver disputa interna. Está parecendo que pode ocorrer como o episódio da escolha do seu vice, em 2000, quando o prefeito tinha uma preferência, mas havia outras sugestões fortes dentro do partido e José Raimundo acabou sendo escolhido como última opção, finalizando os conflitos que então ocorreram. Eleitos prefeito e vice, Conquista entendeu que os dois faziam uma dupla perfeita, tanto é que o seu mandato foi dividido com ele, que se reelegeu. Precisei fazer essa longa introdução para chegar à pergunta: considerando essa aceitação de José Raimundo e o bom entendimento aparente que a dupla teve entre 2000 e 2008, por que José Raimundo não é o candidato de Guilherme?

GUILHERME MENEZES – Veja, eu não coloquei o nome de Odir. Eu participei de duas reuniões em que dois grupos colocaram o nome dele. Odir está aqui desde 1997, quando começou na administração como gerente de compras, tendo moralizado totalmente o setor, depois foi tesoureiro, chefe de gabinete, secretário de planejamento, secretário de Finanças, diretor-técnico da EMURC e hoje é secretário de Agricultura do município, ou seja, passou por todos os setores da Prefeitura, durante todos esses anos. E as pessoas, quando trouxeram o nome dele, diziam: “Ele é fechado, é de pouca conversa, é até meio seco, mas é sério e planejador”.

­­­­Odir sempre foi um secretário desses que a gente planejava o que fazer e eu ficava tranquilo e até hoje fico, porque sei que tudo o que planejou vai ser cumprido. Ele só planeja o que tem capacidade de cumprir. Se você buscar na zona rural vai ver o respeito que a população tem à palavra dele. Porque quando a gente fecha aqui no gabinete do prefeito, em cima de um orçamento, e ele assume lá, com o morador da zona rural, o morador sabe que ele jamais vai pular etapas, não vai privilegiar ninguém. Então, uma das análises do nome dele foi essa: conhecer profundamente o que faz e ser extremamente rígido com essa questão da honestidade e um planejador.

E é interessante que o partido tenha nomes com essa riqueza, para discutir. Esse é um bom problema. Quando você tem vários quadros, tem bons nomes, é um bom problema, porque aponta no sentido da construção da melhor solução, de uma solução dentro do partido. E o partido discute muito, então, além do professor José Raimundo, já tem outros nomes surgindo e nós vamos ter tempo de levantar esses nomes. Foi muito bom que o nome de Odir e outros nomes tenham surgido e apontados por quem conhece.

Guilherme Menezes diz que Odir não é candidato tirado da cartola. Mas é do coração.

Guilherme Menezes diz que Odir não é candidato tirado da cartola. Mas é do coração.

EXPLICANDO QUE O VEREADOR CORI NUNCA FOI SEU NOME PARA PREFEITO, MESMO TENDO A SUA ADMIRAÇÃO.

BLOG – Sem tratar da questão pessoal, de preferência, Odir, então, é o projeto que o vereador Cori não é mais?

GUILHERME MENEZES – O professor Cori foi um projeto para a Câmara de Vereadores. Foi um excelente secretário de Educação, que eu convidei. Na época, surgiram alguns nomes e eu convidei a professora Heleusa, a professora Núbia, o próprio Cori, e fizemos debates com vários professores, quando o nome dele surgiu e ele foi convidado por mim para ser o secretário de Educação. Depois, nós conversamos e eu achava que ele tinha muito perfil para o Legislativo e ele foi eleito vereador com um número muito bom de votos. Mas nunca discutimos que haveria uma sequência, que ele seria o candidato a prefeito. Ele pode colocar o nome dele dentro do partido, o PT é um partido que tem essa natureza do debate aberto.

Então não é verdade, como chegou a ser comentado nos meios políticos e na mídia, que Guilherme queria Cori como o candidato do PT a prefeito, em 2016?

Não. Nunca tivemos essa conversa e o próprio Cori pode dizer isso, se interessar a ele esse questionamento, porque a nossa conversa foi muito clara. Quando ele veio, achei interessante, quando ele fez uma consulta e eu disse “você tem um bom perfil para o Legislativo, para o debate”, o que ele faz com muita propriedade, principalmente nesse campo da educação em que ele avançou bastante.

QUEM MAIS APOIA ODIR FREIRE PARA SER CANDIDATO A PREFEITO?

BLOG – Imagino que o prefeito tenha um núcleo político, pessoas do governo que são mais próximas, que têm a sua confiança e com quem o senhor discute mais amiúde a política. Esse grupo aposta em Odir Freire?

GUILHERME MENEZES – Olha, eu ainda não conversei sobre isso. Eu só estive em duas reuniões e nelas Odir não falou nada. Ele ouviu, ouviu, como é o perfil dele, que jamais colocou o nome, é bom que seja dito, jamais fez festa quando o nome foi colocado. E eu não fiz nenhuma reunião, ainda, para a gente colocar que temos um nome. Foram dois grupos, em duas reuniões distintas, que colocaram o nome dele, pelos atributos que já mencionei e muito mais. Dizem “ah, ele não é político tradicional, não é aquela pessoa que está sorrindo o tempo todo, abraçando, apertando mão”, mas eu fiquei feliz em ter mais um nome, porque quando a gente lê pesquisas sobre o que o eleitorado espera do candidato o primeiro item se chama honestidade. Toda pesquisa que eu tenho visto, quando se pergunta “o que é que você espera de um candidato?”, a resposta é honestidade.

São nomes assim que, se eu tenho alguma credibilidade perante o eleitorado de Conquista, um nome desses, se for colocado que estamos apoiando, já começa passando nesse item, na nossa avaliação, na avaliação do governo, que é a honestidade. Eu conheço Odir de muitos e muitos anos e o governo também o conhece muito bem. Então, eu acho que enriquece, mesmo sem ele ter dito “eu quero ser”. Ele não manifestou. Pessoas do governo, pessoas importantes, de cargos estratégicos no governo, é que têm apresentado o nome dele, dizendo “nós conhecemos”. Todo lugar por onde ele passou tem um ótimo conceito e muito respeito pela capacidade e honestidade.

Todos os candidatos a prefeito de Vitória da Conquista nos últimos quarenta anos já tinham sido testados, de alguma forma, nas urnas. José Raimundo foi seu vice e foi eleito prefeito, mas já havia sido candidato a deputado nos anos 80. Odir nunca disputou, aqui, nem direção de associação de moradores, ou seja, não teria densidade eleitoral. O senhor crê que com esses atributos pessoais dele, de honesto, planejador, a dimensão política de Guilherme Menezes seria capaz de colocá-lo no páreo, com chance de eleição?

Veja, eu acho que neste caso vai contar a dimensão das pessoas que o apoiam a partir do governo e se precisar de um testemunho meu, desde o dia 2 de janeiro de 1997, que ele trabalha neste governo, eu posso assegurar à população de Conquista é que uma figura como ele se for eleito prefeito a população pode dormir tranquila, com relação ao tratamento dado aos recursos públicos, pois esta é uma Prefeitura que eu posso dizer que não existe desvio de dinheiro, a partir da escolha das pessoas que cuidam desse dinheiro, que são os próprios servidores. Uma figura como Dona Mércia, que tem 36 anos de casa, então quando figuras assim apontam um nome para a população avaliar, é uma coisa muito séria.

SOBRE A ADMINISTRAÇÃO E CORRUPÇÃO. MAIS ELOGIOS AOS SERVIDORES.

BLOG – A administração não tem problemas com corrupção?

GUILHERME MENEZES – O nosso governo é muito transparente. Nós criamos, mesmo nas secretarias, a possibilidade de as contas serem avaliadas. Além do que, eu faço questão de estar todo dia assinando cheques e verificando a fundamentação de cada despesa. Praticamente, todos os dias a primeira reunião é com a secretária de Finanças. Tudo isso ajuda a gente coibir qualquer desvio. Às vezes podem acontecer erros técnicos, mas sem qualquer intenção que não seja aquela que a população e o próprio governo esperam.

O prefeito assume pessoalmente o controle disso.

Eu faço questão. E todos os secretários são da minha mais alta confiança e sabem que o governo é sério. Sem fazer favor a ninguém. Seriedade e honestidade não são virtudes; isso é obrigação de todo mundo, principalmente quando a gente toma conta do que é dos outros.

E JOSÉ RAIMUNDO?

BLOG – Mas, a entrevista está terminando e o senhor ainda não disse por que José Raimundo não é seu candidato.

GUILHERME MENEZES – A cidade sabe que temos divergências internas no partido e não são divergências éticas, porque essas divergências são intransponíveis, a meu ver. Temos divergências, houve distanciamento, mas o professor José Raimundo é uma pessoa respeitada por todos e por mim, e merece esse respeito. Como eu disse: se tem nomes bons assim é um bom problema para a gente resolver. É difícil, mas é um bom problema.

Deputado José Raimundo: respeitado, mas não apoiado.

Deputado José Raimundo: respeitado, mas não apoiado.

O FUTURO DE GUILHERME MENEZES.

BLOG – O senhor deixa a Prefeitura em 31 de dezembro de 2016. Eu tenho dito que Guilherme Menezes tem a vaidade inversa, sendo o vaidoso que não gosta de aparecer; vaidoso no sentido de que você tem convicção íntima de que faz certo, e ninguém prefere provocar sua baixa autoestima, o que o senhor prevê para o seu futuro?

GUILHERME MENEZES – Eu não sei. Você falou de vaidade, eu não sei me julgar, mas eu sei que a minha autoestima, como a de todo mundo, se baseia no respeito que a gente tem da gente mesmo. Eu procuro, toda noite, fazer uma avaliação. Sempre acho que o dia é sempre muito pequeno, a gente sempre chega em casa achando que não fez ainda tudo o que devia ter feito pela administração. E eu gosto de viver cada dia. Eu sou assim, não tenho planejamentos para o futuro, mesmo já sendo uma pessoa com 71 anos de idade, que completarei em dezembro, porque sei que a vida de cada pessoa é a vida de cada dia. Eu não tenho planejamento. Alguém pode dizer: “Ah, você pode sair candidato para esse ou aquele cargo em 2018”, mas eu não tenho essa pretensão. Eu não tinha nem pretensão de ser candidato a prefeito de Vitória da Conquista. Aceitei em 1992 até porque era para perder, então havia uma tranquilidade, mas houve aquele resultado e depois o partido foi solicitando a minha participação e eu entrei. Agora, não sei onde é a porta de saída. Só sei que houve uma porta de entrada. Quanto mais a gente leva tempo mais a gente vai assumindo compromisso. Eu sei que eu vou sair da Prefeitura, mas levo na minha bagagem um bocado de compromisso, até pela credibilidade que muita gente em Vitória da Conquista coloca na minha pessoa.

Guilherme Menezes, político e prefeito, faz algum mea culpa? Alguma coisa o senhor sabe que fez errado, mesmo que depois tenha consertado?

Eu cometi muitos erros. Eu sou uma pessoa que cometo muitos erros, até pela condição humana que é de todos nós, que temos muitas falhas.  Mas eu procuro corrigir.

SOBRE A QUEIXA DE QUE NÃO COMPARECE A EVENTOS.

BLOG – O senhor se incomoda quando as pessoas dizem que o senhor é faltoso a eventos, que até certo ponto o senhor não tem a devida consideração, como chegaram a dizer da sua ausência no evento de inauguração do Parque Logístico do Sudoeste? Ou essa seria uma estratégia particular, que o senhor saberia que o fato de ser aguardado alimenta uma certa fantasia, como aconteceu durante algum tempo na zona rural, ali pelo seu segundo governo, quando pessoas que não o viam com frequência o tinham como uma espécie de intocável Doutor Guilherme, meio mitificado pelo que fazia no município mesmo sem aparecer muito, algo que o radialista e hoje deputado estadual Herzém Gusmão ajudava a fortalecer? Essa crítica sobre a ausência o incomoda?

GUILHERME MENEZES – Não gosto muito de eventos, embora o governo esteja sempre presente, porque o governo não é apenas o prefeito. Por exemplo, em relação ao Parque Logístico, eu tenho o maior respeito pelos empresários, são empresários de Vitória da Conquista, e tenho respeito também pelos empresários que vêm de fora, mas naquele momento houve uma falha: eu não tinha observado na minha agenda daquele dia que haveria o evento e eu vim para uma outra agenda, com a Polícia Rodoviária Federal, com o superintendente no estado da Bahia e inspetores, que vieram para uma visita de cortesia, mas também para tratarmos de parcerias estratégicas para a cidade e para a região. E eu me demorei nessa reunião. Na verdade, o tempo foi muito curto porque havia muita coisa para se debater, quando eu me dei conta eu já estava atrasado para o evento do Parque Logístico e eu detesto atraso. Eu teria que ainda ir em casa, colocar paletó e gravata e quando vi que não dava tempo, eu me angustiei, porque eu gosto, se possível, de chegar antes, foi aí que eu pedi que o Doutor Joás representasse o governo, enquanto vice-prefeito, e pedisse desculpas pela minha ausência. O que houve foi isso, neste fato.

Em outros eventos a que eu não compareço, especialmente à noite, é porque eu tenho muito trabalho para fazer, mesmo em cassa, porque no gabinete o dia acaba sem dar tempo de ler tudo, assinar tudo. Tem um notebook sobre a minha mesa e raramente eu tenho a oportunidade de abrir e eu acabo levando muito trabalho para fazer à noite em casa, documentos para ler, para assinar. Ou seja, é um tempo muito dedicado à administração, que é uma resposta à responsabilidade que eu assumi com o povo de Conquista. Quando eu vejo que em determinado evento eu não vou poder estar, porque deveria estar, internamente, trabalhando com os assessores, então eu destaco outra pessoa para ir. Sempre vai ter um representante à altura, porque estará representando 100% o governo.

Então, não é não gostar de eventos, é porque é um trabalho que eu diria pesado, que o gestor tem que assumir e procurar dar conta. Eu não fico magoado com o que as pessoas falam, porque eu tenho a dimensão pública. Quem não quiser apanhar não entre em política. O cidadão é um cidadão de bem até ele entrar na política, porque aí tem o ladrão da honra alheia, o assassino do caráter alheio, sempre tem essas figuras. E tem também a crítica construtiva, e eu acho que as críticas construtivas a meu respeito são maiores do que as inverdades, como essa de dizer: “Ah, o prefeito mora em Brasília”, quando a própria pessoa que está dizendo sabe que seria impossível um prefeito morar em Brasília e não ser imediatamente cassado pela Câmara de Vereadores. A própria comunidade iria exigir isso, a sociedade exigiria. Mas, quem diz isso acha bonito dizer, achando que está ofendendo, atingindo. Isso me incomoda, claro, porque quem faz jornalismo, quem trabalha com a informação tem que informar bem, mas eu durmo tranquilo.

UM ADVERSÁRIO.

BLOG – Herzém Gusmão, em uma frase.

GUILHERME MENEZES – É um adversário. Eu costumo dizer que eu tenho muitos inimigos, mas não sou inimigo de ninguém.

Você não tem mágoa nenhuma de Herzém, mesmo depois que ele mudou do radialista para quem era Deus no céu e Guilherme na terra para o político que, diariamente, tenta desfazer sua história?

Mesmo assim. Veja, a provocação é uma isca e eu já tenho um pouquinho de maturidade para não cair em provocação. Eu jamais volto para responder a uma ofensa de adversário, até porque eu não tenho tempo. Se me sinto magoado, eu vou para a Justiça e abro uma ação de indenização por danos morais, como já fiz. Mas, a comunidade, a sociedade, principalmente de uma cidade evoluída como Conquista, não gosta de ver seus políticos descendo à sarjeta do bate-boca, em que um ofende e o outro tem que ofender mais. Até porque para eu ser honesto o meu adversário não precisa ser desonesto. O que a população quer ouvir é propostas efetivas que possam impactar positivamente a vida de cada pessoa, de cada criança. E eu acho que essas respostas a gente tem procurado dar e, efetivamente, estamos dando.

... a ferrenho adversário.

De aliado, a ferrenho adversário.

Deputado Herzém Gusmão, pré-candidato a prefeito de Conquista,.

Deputado Herzém Gusmão, pré-candidato a prefeito de Conquista.

* Guilherme afirma que quando vai a reuniões partidárias, não usa o carro da Prefeitura: “ou vou no meu carro ou de carona com algum amigo, e vou como filiado”.