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Nome do novo aeroporto de Conquista vira controvérsia política

aeroporto

O terminal do novo aeroporto ainda é um desenho, mas já polêmica na escolha do nome do equipamento.

Em Vitória da Conquista quase tudo vira debate político. Debate político no sentido de disputa: o meu assunto é melhor que o seu. Com o aeroporto que está sendo construído não seria diferente. Da paternidade ao apadrinhamento. E claro, a borracha que apaga iniciativas anteriores, o corte na História, substituída pelos nomes na placa de inauguração.

A mudança do aeroporto atual para outra área, a busca por recursos financeiros para a efetivação da mudança e o sonho de transformar Vitória da Conquista em uma escala do desenvolvimento nacional é muito anterior a 1997, o ano em que começou a administração petista que avança para 20 anos, período em que se registrou a pujança comemorada aqui e alhures.

Como não dá para falar do estágio que Conquista alcançou nos últimos anos sem mencionar Guilherme Menezes de Andrade, não dá para falar do projeto traçado para que esta se tornasse uma das maiores cidades da  Bahia, sem lembrar de José Fernandes Pedral Sampaio. Foi ele quem primeiro falou em mudar o aeroporto, com a construção de um bem maior, em uma área onde não ocorresse conflito com o desenvolvimento urbano. O aeroporto iria para perto do distrito de José Gonçalves, em área aberta, descampadas, com ótimas condições de vento, pouso e decolagem. No local onde está o aeroporto seria construído o centro administrativo municipal.

Como todo mundo sabe, os projetos de futuro de Pedral acabaram sendo engolidos pelo seu erro político, quando ele se aliou a Antônio Carlos Magalhães, que o esmagou, como a todos ex-adversários que sucumbiram ao seu abraço

O governo petista que veio depois daquele trágico governo pedralista teve, para a sorte de Vitória da Conquista, o mesmo ímpeto desenvolvimentista, entendendo que o caminho seria investir em educação e saúde, em primeiro lugar, enquanto preparava os projetos e as condições para ampliar e modificar a infraestrutura, como forma de garantir atratividade para o município, vislumbrando o salto que se deu a partir de meio dos anos 2000. E o aeroporto foi incluído.

Enfim, chegamos a ele, que está com a sua pista quase finalizada e espera que o Governo Federal tenha dinheiro para construir o terminal e para dotar o aeroporto dos equipamentos e aparelhos sem os quais de pouco valeria a sua pista enorme e a sua localização privilegiada. Ou seja, o novo aeroporto de Vitória da Conquista é quase uma realidade. E, de repente, a questão não é mais quem são os seus pais ou padrinhos, mas que nome dar ao aeroporto.

A primeira sugestão oficial, digamos, partiu da deputada federal Alice Portugal (PCdoB): Aeroporto José Fernandes Pedral Sampaio, ou José Pedral, apenas. Muita gente gostou da ideia. Pedral morreu no ano passado e não tem nada em seu nome na cidade, pelo menos em equipamentos públicos. Foi ele quem primeiro pensou em um novo aeroporto. E, a despeito do fracasso do seu terceiro e último governo, foi ele quem criou as condições iniciais para que Vitória da Conquista, sob o competente comando do PT, chegasse ao que conhecemos hoje. Há quem veja como justa a homenagem.

Mas, eis que é sugerido para o aeroporto o nome de um outro político muito importante de Vitória da Conquista, responsável por mudanças profundas na cidade, com destaque para as áreas de saúde e educação e para a zona rural: Jadiel Matos. Não há como desconhecer o valor de Jadiel à história de Vitória da Conquista. Foi um grande prefeito e a sua eleição teve significado muito parecido com a de Pedral, em 1962, e a de Guilherme Menezes, em 1996, por romper com paradigmas locais e encerrar um ciclo político predominante, no caso a sucessão de prefeitos apoiados pela ditadura militar. O nome de Jadiel foi proposto pelo deputado federal Walmir Assunção (PT)

Jadiel foi eleito em 1972 e, apesar da falta de recursos, melhorou muito os bairros, pavimentando, levando energia elétrica e a rede de água. Além disso preocupou-se com os acessos à zona rural, construção de açudes e de escolas e postos de saúde nas localidades mais distantes. Especialmente, Jadiel foi um planejador, que pensava numa Conquista organizada por setores e pronta para receber investimentos que impulsionassem o seu desenvolvimento e ajudassem a melhorar a vida da população.

Pedral e Jadiel estiveram juntos na luta contra a ditadura, ambos foram perseguidos por ela. Pedral demitido do DNER (antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) e Jadiel da Santa Casa de Misericórdia. Depois se separaram, com a eleição de Jadiel. O rompimento político se confirmou quatro anos depois, quando Jadiel queria Sebastião Castro como candidato e Pedral queria Raul Ferraz, tendo vencido a disputa interna no MDB. Nunca mais se reaproximaram. Hoje, mortos os dois, de alguma forma querem que briguem de novo.

É aí onde entram duas outras importantes opiniões.

Na entrevista que fiz com o prefeito Guilherme Menezes no final do mês passado, perguntei sobre isso. Quis saber qual nome deve ser dado ao aeroporto, na opinião do prefeito de Vitória da Conquista. Guilherme foi taxativo: Glauber Rocha, que, segundo ele, é o nome que mais projeta Conquista no País e fora dele.

Mais tarde, li em um blog que o advogado e historiador Ruy Medeiros, ele próprio um símbolo de Conquista, opinou que não deve ser dado nome de pessoas ao equipamento. Prefere Aeroporto Nove de Novembro (data da emancipação política de Vitória da Conquista), ou Aeroporto de Conquista ou de Vitória da Conquista. Por fim, instado pelo blogueiro, disse que também aceita o nome de Jadiel para o aeroporto. Sobre o de Pedral nada disse. Julgo que não lhe foi perguntado.

Eu não sou nascido em Conquista. Vim para cá em 1984. Aqui nasceram meus dois filhos, aqui sempre mantive morada, mesmo trabalhando fora, aqui voto há 30 anos e 13 eleições, por isso julgo-me no direito de opinar. Por que não nos lembramos dos índios? Dos Mongoyós e Ymborés.

Já que não há registro de ninguém que, como Pedro Otacílio de Figueirdo, tenha limpado, com uma enxada e sozinho, o terreno onde se constrói o aeroporto, nem podemos colocar os dois nomes (Pedral e Jadiel), e sou frontalmente contra colocá-los de novo – e postumamente – em uma batalha (muito mais por interesse político imediato do que outro motivo), vou na mesma linha de Ruy Medeiros, ampliando-a com a lembrança daqueles que eram donos disso tudo, incluindo a área do novo aeroporto: os índios. Peço desculpas a Guilherme, Mas Glauber é um nome cansado e já tem muita coisa com o seu nome. Não registro tanto amor dele por esta terra. Não é a fama que conta, apenas. É a justiça.

Jadiel Matos, ligado ao campo, investiu em saúde e educação e trabalhou na infraestrutura dos bairros.

Jadiel Matos, ligado ao campo, investiu em saúde e educação e trabalhou na infraestrutura dos bairros.

José Pedral vislumbrou uma cidade moderna, abriu avenidas, projetou estradas e um lançou a ideia do novo aeroporto.

José Pedral vislumbrou uma cidade moderna, abriu avenidas, projetou estradas e um lançou a ideia do novo aeroporto.

Glauber Rocha criou o Cinema Novo, e um ano antes de morrer disse que queria morar em Conquista.

Glauber Rocha criou o Cinema Novo, e um ano antes de morrer disse que queria morar em Conquista.

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