Arte

A Primavera e a árvore que sabia contar até quatro

Árvore_que_sabe_contar_até_quatro[1]
A Primavera, vendo a árvore daquele jeito, achou tão estranho. Lhe pareceu que ela não a reconheceu. “Só pode estar bêbada”, pensou com seus botões de flores. “Como não reconhecer que já cheguei e, ainda estar assim, totalmente nua?”. Então, suave como um sopro primaveril, disse à árvore nua, que ela julgava bêbada: “Faça um quatro”.

E a árvore fez. Tímida e obediente. Mas, saudosa de folhas e de flores e de frutos, disse que o homem, com suas tesouras e motosserras, a desnudou fora do tempo, não avaliando que ela, a Primavera, chegaria. E ambas choraram.

Já o homem, certo de que está sempre certo, fez muxoxo e, como de praxe, deu-se a dar suas desculpas. “Se a gente não faz, reclamam; se a gente faz, reclamam do mesmo jeito”. E disse que arrancou as folhas da árvore-que-sabe-contar-até-quatro para que ela não morresse. “Pode ser – admitiu a Primavera, com a brandura que lhe é própria -, mas podia ter tirado as roupas dela muito antes da minha chegada, para que, hoje, ela estivesse na minha festa tão bonita quanto as irmãs”.

E ponto final, que não há jeito a dar, a não ser esperar o verão.

(Para não dizer que não falei de flores, ou das que seriam. Um atalho à leveza que a política nem sempre permite).

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