Guilherme desiste de improvisos e escala especialista para a Comunicação, visando 2016

Posted on sexta-feira, 25 setembro 2015

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Depois de quatro anos improvisando com secretários de Comunicação de outras áreas ou mesmo com graduação em jornalismo, mas sem expertise no setor, o prefeito Guilherme Menezes decidiu convidar o experiente jornalista Ernesto Marques para o cargo. Ernesto, formado na UFBA, já foi assessor de imprensa do governador Jaques Wagner e de deputados e outras lideranças petistas, presidente do Sindicato dos Radialistas, coordenador de marketing de campanhas eleitorais e é vice-presidente da Associação Baiana de Imprensa e editor do blog Trabalhadores da Notícia.

Ernesto Marques assume a Secom na semana que vem.

Ernesto Marques assume a Secom na semana que vem. (Foto: Divulgação)

Antes de Ernesto, ocuparam o cargo, desde 2011, Nagib Barros, músico, por duas vezes; Ricardo Marques, professor, por duas vezes,  e Penildon Silva Filho, que é jornalista, mas veio ter a sua primeira experiência em assessoria de comunicação na Prefeitura de Vitória da Conquista. Penildon foi uma indicação do ex-deputado federal e hoje secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações. Ernesto Marques é ligado ao deputado estadual Marcelino Galo.

No segundo turno da eleição que reelegeu Guilherme Menezes, em 2012, o jornalista foi um dos reforços da campanha, na condição de redator, quando teve a sua primeira aproximação mais efetiva com a cidade e com a política local, “embora nem tanto com os colegas de imprensa, porque, você sabe, em campanha a gente fica internado na produtora e não consegue ter muito contato”.

O novo secretário de Comunicação chega em um momento delicado. O desgaste do PT, na esteira das investigações da Operação Lava Jato e do CPI da Petrobras, e o início antecipado da disputa eleitoral, fora e dentro do campo do governo e do PT, devem lhe dar mais trabalho do que a mera publicidade dos atos e realizações da administração. O jornalista diz que não terá missão política específica, mas, quem o conhece sabe que ele não ficará de espectador do processo de escolha do nome do sucessor. Ele vai querer influir.

A experiência de Marques com Vitória da Conquista é relacionada a sua atividade sindical. Quando era presidente do STERP, ele disputou com um sindicato municipal de radialistas a preferência dos profissionais. Ganhou. Agora, terá que reconquistar a categoria. Mas, não teme. Diz desejar que os colegas saibam separar o Ernesto militante petista, do secretário de Comunicação, o que ele diz que pessoalmente consegue.

Ernesto Marques chega com um discurso positivo. Elogia empresários locais, enaltece o envolvimento da sociedade organizada, tece loas a Vitória da Conquista e sinaliza que terá uma boa relação com os profissionais e os meios de imprensa. “Eu espero que a gente consiga ter o máximo de interação, de sinergia. Às vezes, as pessoas reclamam que eu sou muito duro, mas sei reconhecer o momento de ceder”, anuncia, ressalvando que espera de todos “uma postura que mereça o respeito das pessoas”.

O secretário de Comunicação que assume em 1o. de outubro acha que seu trabalho não será difícil. Quanto aos danos da Lava Jato e seus reflexos desgastantes no PT local, com efeitos na popularidade do prefeito e do governo, Ernesto Marques diz que é tarefa dura, porque “não é apenas uma questão de campanha orquestrada pela imprensa, tem base real, embora com uma carga muito grande de manipulação de informação”. Apesar disso, ele diz estar tranquilo porque a administração petista em Conquista é reconhecida, “até pelos adversários” por sua postura moral e ética e por um trabalho bem feito, em 20 anos.

Ernesto afirma que o governo Guilherme é aberto, transparente e aberto ao diálogo. Disse mais: “É uma gestão que tem abertura para o diálogo, que conversa com a oposição…”. Talvez nesta parte ele esteja enganado, a julgar pelas críticas e pelos embates mais recentes. Vou até tirar esse trecho sobre a oposição da transcrição da entrevista. Leia o restante abaixo:

Você assume a secretaria de Comunicação em um momento em que os episódios da Lava Jato e do petrolão desgastam administrações petistas por todo o País. Seu trabalho será reduzir os efeitos desse desgaste no governo Guilherme Menezes, visando 2016?

É um pouco isso também, não somente isso, claro. Temos a demanda de comunicação e informação da Prefeitura para a comunidade, que deve se sobrepor a qualquer outra. Mas, é óbvio que todas as administrações petistas estão enfrentando esse desgaste, que não é apenas uma questão de campanha orquestrada pela imprensa, tem base real, embora tenha também uma carga muito grande de manipulação de informação. Mas não podemos tapar o sol com a peneira e achar que é só intriga da oposição. A tarefa é dura. Mas eu posso dizer que, neste sentido, trabalhar em Vitória da Conquista me dá uma tranquilidade muito grande, porque mesmo os adversários do prefeito Guilherme Menezes reconhecem que um dos pontos fortes dessa gestão, e desse projeto que vem dando certo há quase 20 anos, é exatamente o trato ético com a coisa pública, uma gestão que tem abertura para o diálogo, que está aberta, é transparente, que nunca teve contas rejeitadas. Então, se o debate é sobre a questão ética, nós só temos razões para fortalecer esse projeto, essa administração.

O papel que o prefeito Guilherme Menezes está me delegando é exatamente o de fazer com que a população de Conquista, que tem capacidade crítica, tenha elementos para fazer um julgamento, não apenas no campo da ética e da moral, mas acerca de uma gestão muito bem sucedida, que destaca Vitória da Conquista entre as cidades médias de todo o Brasil. O povo de Vitória da Conquista, certamente, tem queixas, tem motivos para reivindicar, mas tem também muitas razões – e elas são maiores – para ter orgulho da cidade, com o tanto que já se construiu aqui, pelo trabalho não só desse grupo liderado pelo prefeito Guilherme Menezes e pelo Partido dos Trabalhadores, mas pelo empresariado local, pelos trabalhadores, pela sociedade organizada, que aprendeu, ao longo desse período, o quanto vale a pena participar da vida da comunidade e incidir sobre as decisões, através do orçamento participativo, por exemplo.

Ou seja, esse projeto é fácil de defender. Por este lado, a minha tarefa é até tranquila. Difícil seria pegar uma gestão que tivesse muitos problemas nesse campo. Isso nos fortalece.

Você conhece a imprensa local? Qual o nível de conhecimento que você tem dos profissionais e dos veículos de comunicação da cidade? Como avalia que vai ser a sua relação com a imprensa, que não conhece você?

Eu ando por Conquista desde meus tempos de sindicalista, quando presidi o Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade do Estado da Bahia e aqui havia um sindicato de base municipal, que existia basicamente no papel e que não conseguiu se firmar como entidade de defesa da categoria. E mais tarde, depois que nós nos enfrentamos naquela campanha de Itabuna, no primeiro turno, eu tive o prazer de vir trabalhar na campanha de Guilherme, no segundo turno, que foi a primeira aproximação mais efetiva com a cidade, com a política local, embora nem tanto com os colegas de imprensa, porque, você sabe, em campanha a gente fica internado na produtora e não consegue ter muito contato. Mas eu tenho muitos amigos aqui em Conquista e espero que, não somente com base na amizade, mas numa relação respeitosa com todos os colegas, indistintamente, a gente consiga ampliar o diálogo entre a Secom (Secretaria Municipal de Comunicação) e os jornalistas, os radialistas e os profissionais da comunicação de uma forma geral, incluindo a turma da blogosfera, por quem eu tenho, antecipadamente, um respeito muito grande e o interesse em interagir ao máximo, prestigiar essa forma nova de comunicação.

Eu espero que a gente consiga ter o máximo de interação, de sinergia. Às vezes, as pessoas reclamam que eu sou muito duro, mas sei reconhecer o momento de ceder, embora ache que, em questões éticas, o profissional de imprensa que tem consciência da sua missão, da sua responsabilidade com a comunidade, não pode declinar um milímetro do que recomenda a boa conduta de nós, profissionais da imprensa, para que a gente mereça o respeito das pessoas, a audiência de quem nos ouve no rádio, a atenção de quem nos lê na internet ou nos meios impressos.

Antes de mais nada, sou um jornalista, sou colega dos meus colegas de rádio e tevê; um colega da imprensa escrita e também dos blogueiros. Nem todos são jornalistas, mas com certeza são homens e mulheres da comunicação, que terão da minha parte todo o respeito e interesse em colaborar, em prestar as informações, como é obrigação de quem assume essa cadeira que eu estou assumindo, com muita honra e agradecido pela confiança do prefeito Guilherme Menezes.

Qual será, objetivamente, a sua missão no governo?

Eu tenho que dar máxima visibilidade às ações da Prefeitura, não só às realizações. Eu acredito muito naquela máxima de que a comunicação é via de mão dupla, então quero interagir com a Ouvidoria e serei sempre alguém disposto a ouvir, os meus colegas de secretariado, os meus colegas servidores da Prefeitura, as pessoas da comunidade, os nossos colegas de imprensa. Estou aqui, sobretudo, para ouvir muito.

Você tem larga experiência na política. É um militante respeitado no PT, até pelo seu modo claro de ver as coisas e sugerir caminhos. Sua missão na administração terá algo a ver com a política, seu trabalho envolverá cuidados com a imagem política do governo e de seus possíveis candidatos a prefeito?

Essa distinção é muito tênue. Se eu consigo ser bem sucedido na minha tarefa o reconhecimento à liderança do prefeito Guilherme Menezes é o retributo que a gente espera. O prefeito não é candidato, isso facilita bastante. E o que ele espera de mim é muita lealdade ao trabalho na gestão. Na seara política, eu acho que o prefeito tem auxiliares muito capacitados para cuidar disso e tem a relação com o diretório municipal. Eu serei um auxiliar direto que não vai deixar de ser militante, evidentemente, mas tenho a plena consciência do limite entre uma coisa e outra. O meu papel aqui é, prioritariamente, cuidar da gestão da Secom e auxiliar o prefeito Guilherme Menezes na área da comunicação.

 Uma expectativa positiva…

Primeiro, conhecer e me integrar com toda a equipe, estabelecer essa relação, e ver onde há gargalos, para que a gente consiga resolver e dar a máxima fluidez na relação dos nossos colegas de imprensa com a administração municipal.

Um temor, ou um pedido que você faria à imprensa e ao governo, internamente, para que seu trabalho dê certo…

Olha, eu acho que o receio natural de qualquer pessoa que assumir esse cargo- e você, até bem pouco tempo, esteve nessa posição lá em Itabuna – é a contaminação em relação ao processo eleitoral. É preciso saber separar bem as coisas. Uma coisa é a gestão, outra coisa é o embate político. É claro que há sempre um risco de as coisas se confundirem, à medida que o processo eleitoral vai se aproximando. E óbvio que aqui em Conquista há uma ebulição muito grande, muita especulação sobre candidaturas, tanto da situação quanto da oposição, mas eu já tenho alguma experiência em campanhas eleitorais e na militância política.

É lógico que isso é um desafio. Eu não diria que eu tenho medo, mas tenho uma preocupação em relação a isso, para que não se confunda o papel do militante que sou, com o papel do gestor da comunicação, que estou assumindo agora, com a consciência precisa de que, ao ser nomeado, eu tenho como primeiro patrão e chefe o povo de Vitória da Conquista, a quem eu devo lealdade. É isso o que o prefeito Guilherme Menezes me pediu e espera de mim e eu vou me dedicar muito para corresponder a essa expectativa do prefeito e colaborar para que Vitória da Conquista tenha, cada vez mais, uma comunicação de qualidade, à altura do que é a cidade hoje.

Entrevistei o novo secretário na Casa Memorial Governador Régis Pacheco.

Entrevistei o novo secretário na Casa Memorial Governador Régis Pacheco. (Foto: Anderson Oliveira)