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Em 2003, o jornalista e querido amigo Paulo Alves, sinônimo de cortesia e um dos melhores profissionais de marketing político do Brasil, presenteou-me com o livro Adorável Comunista – História política, charme e confidências de Fernando Sant’Anna, escrito pelo antropólogo, poeta, ensaísta e historiador brasileiro Antonio Risério, e editado pela Link Propaganda. Faço essa introdução porque quero homenagear P.A., um cara que me ajudou e me ensinou muito, e porque, na semana passada, quando eu terminei a entrevista que fiz com o deputado estadual Jean Fabrício Falcão, logo me lembrei do título do livro. Deixei a sede do PCdoB em Vitória da Conquista com a sensação de ter entrevistado o mais cortês dos comunistas.

Desde que retomei a publicação de artigos sobre a política regional no blog, ouvi o prefeito Guilherme Menezes e o radialista, também deputado e pré-candidato Herzém Gusmão. A todos perguntei sobre correligionários, parceiros e adversários. Quis saber as avaliações sobre posturas políticas e pessoais e qual a emoção ou adjetivo os entrevistados dedicam, em especial, aos adversários. Nem Guilherme nem Herzém foi rude ou (muito) deselegante com as pessoas sobre as quais lhe pedi opinião. Percebi que há cortesia na política conquistense. E Fabrício Falcão (sem o Jean que seus marqueteiros mandaram tirar) me confirmou isso.

Não que o deputado do PCdoB não tenha sido duro ou incisivo em respostas sobre, por exemplo, a postura do PT em relação aos parceiros políticos ou sobre o que teria mudado no modo como administra o prefeito Guilherme Menezes, a quem os comunistas de Conquista deram sustentação por 23 anos, e com o qual “romperam” em julho deste ano. O título que escolhi mostra que, mesmo com todo cavalheirismo, a entrevista teve alfinetadas. Fabrício mostrou sinceridade nas respostas e, por isso mesmo, deixou escapar adjetivos não muito agradáveis sobre os ex-aliados do PT e sobre Herzém Gusmão, mas, antes e depois, abrindo ou fechando a resposta, tratou-os com dignidade, elogiou e fez ressalvas engrandecedoras.

O leitor pode pensar diferente de mim e entender que Fabrício não foi tão cavalheiro porque afirmou que o prefeito Guiherme Menezes é centralizador e faz política como se estivesse sozinho, sem ouvir os parceiros políticos. Disse também que o PT é ingrato e não dá sombra nem encosto a aliados, como o mandacaru. A minha impressão é de que o deputado e pré-candidato a prefeito comunista poderia ter sido mais duro, ter jogado pesado, como se diz, mas optou pela leveza.

Dizem que ele costumeiramente assim. Eu não posso afirmar, porque eu e ele temos pouco contato. Mas, sei dizer que esse jeito de tratar a política e os políticos que estão associados a ele ou com ele competem sinalizam que Jean Fabrício Falcão não vai para a campanha com as armas na mão, disposto a embates e polêmicas ferrenhas, como poderíamos pensar que faria um candidato comunista. Talvez ele seja um representante bem nítido do novo PCdoB, sem aquela radicalidade do passado. Mas, eu acho que ele é mais que isso.

Definitivamente, Fabrício não é um comunista qualquer. Para mim, é um Comunista Cortês, talvez como Fernando Sant’Anna, o Adorável. Para ter sua opinião, leia a entrevista a seguir. E depois o livro de Risério.

Fabrício já está no campo em busca do sonho de ser prefeito.
Fabrício já está no campo em busca do sonho de ser prefeito.

PORQUE A DESISTÊNCIA EM 2012

Fabrício, em 2011, o seu nome foi colocado pela primeira vez para ser candidato a prefeito de Vitória da Conquista. Sua condição era até favorável, mas o PCdoB acabou retirando a sua candidatura em 2012. Por quê?

Em primeiro lugar, eu quero falar o seguinte: eu faço política com a razão. Eu acho que não se deve fazer política com o fígado e nem com muita emoção. É preciso compreender que o que você faz hoje pode ter um reflexo contra ou a favor de você amanhã.

O PCdoB não retirou a minha candidatura. Na verdade, eu retirei a candidatura. Porque eu percebi ali que, apesar de meu nome estar bem colocado, não era o meu momento. Talvez eu tivesse uma votação razoável em Conquista, mas no cenário, naquele momento, tinha um grande líder político, o prefeito Guilherme Menezes na busca da sua reeleição, com o uso da máquina política da Prefeitura, muito forte, e o radialista Herzém Gusmão. E eu tinha acabado de ser eleito deputado estadual e precisava me consolidar como deputado. A minha avaliação foi: Fabrício sairia candidato a prefeito de Conquista e dois anos depois não se elegeria deputado estadual novamente.

Acho que acertei ao retirar a minha candidatura em 2012, porque o cenário mostrava uma vitória do prefeito Guilherme e eu busquei sair da disputa, eleger uma ampla chapa de vereadores, sendo três no PCdoB e mais alguns fora do partido, que se tornaram aliados a mim, e pude ajudar na eleição de vários prefeitos na região Sudoeste e cerca de 80 vereadores pela Bahia afora. Se eu fosse candidato a prefeito ficaria com o tempo reduzido para fazer política enquanto deputado e como uma liderança regional. Preso a Conquista não teria feito o que consegui fazer regionalmente e hoje não estaria aqui como deputado estadual. Então, me afirmei, pude manter o mandato e mostrar à população que eu tinha um mandato razoável, com boa interferência em diversas regiões do estado, tendo ajudado a eleger muitos vereadores e vários prefeitos, o que culminou em uma força maior para garantir a minha reeleição de deputado.

Por que o centralismo não valeu em 2012, quando você retirou, por sua decisão, a candidatura a prefeito? A direção estadual não havia recomendado a candidatura?

Não, não. A direção estadual e a municipal recomendaram a candidatura, mas não decidiram sobre ela. O diretório municipal me chamou para escutar meu posicionamento e, então, depois me ouvir, aprovou não termos candidato. Não foi uma vontade apenas de Fabrício não ser candidato. Eu tinha, como militante, como líder político e como detentor de um mandato de deputado estadual, que eu não deveria sair candidato. Coloquei isso para a direção do partido e o partido acatou. Se, naquele momento, a direção municipal e a estadual tivessem determinado, eu iria até o final, cumprindo aquilo que o partido queria.

Hoje você, novamente, pré-candidato a prefeito de Conquista. O que mudou desde 2012 para que você, agora, afirme que é candidato para valer?

Ah, mudou muita coisa! Primeiro passo é que se eu tivesse saído a prefeito naquele momento, talvez eu não fosse deputado agora. Eu garanti a minha reeleição de deputado e esse é um aspecto. Outra coisa que mudou é que o prefeito Guilherme Menezes não é mais candidato. Por mais que ele venha apoiar um candidato à sua sucessão não tem a mesma força que teve quando era o nome dele. Então, houve uma mudança imensa de cenário. O próprio Herzém Gusmão já vai para a sua terceira candidatura a prefeito, tem seu desgaste. E neste cenário, avaliando o momento da política nacional, estadual e municipal, vejo que as pessoas querem uma renovação dentro do quadro de Conquista. Já se passaram 20 anos de, praticamente, um Ba-Vi, Guilherme, Zé Raimundo; Zé Raimundo, Guilherme e as pessoas querem uma mudança. Eu me sinto um nome capaz de ser essa alternativa; um nome que tem projeção na cidade e condição de atender aos anseios e sonhos da população de Conquista, em 2016.

POSTURA EM RELAÇÃO AO GOVERNO DO PT

Você vai construir a sua candidatura fazendo oposição ao governo municipal, vai ser oposição a Guilherme?

Não. Não posso ser candidato fazendo oposição ao prefeito de Conquista. Não posso porque seria até uma incoerência. O PCdoB passou os últimos 20 anos, pelo menos 18 anos, participando do governo, com Guilherme, com Zé Raimundo, e eu fui participante disso como vereador, então seria uma incoerência muito grande de minha parte dizer que serei oposição. Mas, eu me sinto confortável para ser um candidato que pode renovar o projeto por dentro. Acho que este governo que está aí tem muita coisa positiva, muita coisa boa; é um governo sério, não é um governo de picaretas, é um governo de pessoas de bem. O próprio Guilherme é um homem qualificado, muito respeitado na cidade, o ex-prefeito Zé Raimundo também, mas acho que no cenário atual eu tenho mais condição de reunir pessoas com capacidade de fazer um governo diferente, pegando o que já existe de bom e melhorando, tirando do projeto aquelas coisas que são ruins e não deixando errar novamente.

Eu acho que eu sou uma alternativa boa, tendo feito parte desse projeto, mas podendo melhorar as coisas boas e descartando aquilo que a gente vê de errado, de uma máquina cansada, de quase 20 anos de poder.

Ao definir-se como uma alternativa de renovação “por dentro”, você acredita em apoio político do prefeito ou do PT à sua candidatura?

De maneira nenhuma. O PT é um partido que parece muito o mandacaru. O PT não dá sombra e nem encosto a aliado., então o PT jamais iria apoiar o PCdoB aqui em Conquista, como tem dificuldade de apoiar aliados em quase todo o Brasil. São raros os casos em que o PT retira candidaturas para apoiar aliados. Pode ser que nesse cenário de adversidade da política nacional, eles revejam algumas coisas e pensem mais no conjunto, que um projeto político não se faz de um partido único, se faz com vários partidos, e possam apoiar outros candidatos, mas aqui em Vitória da Conquista, a chance de o Partido dos Trabalhadores ou o grupo guilhermista me apoiar eu acho que seria nula hoje.

O PCdoB ficou com Guilherme, mais do que o PT, por 23 anos. O PCdoB estava com Guilherme na sua candidatura a prefeito em 1992 e daí em diante, até a reeleição de 2012 e parte do mandato, tendo saído este ano. Neste mesmo tempo, o PSB teve o vice-prefeito duas vezes, o PV, que nunca teve força política em Conquista teve outro vice, até o PSDB fez vice nesse projeto. O PCdoB nunca chegou, sequer, a ter um nome cogitado para a chapa majoritária. Teria sido esta uma das motivações para a saída do governo e sua candidatura? E mais: se o PCdoB for convidado para entrar com a vice na chapa do governo haveria a chance de topar?

Não. Em primeiro lugar o PCdoB não faz política nem com ódio nem com rancor. Apenas achamos que o PT foi ingrato com o PCdoB nestes últimos anos, pois nós fomos aliados de primeira hora, nunca demos trabalho, enquanto aliados. Fomos aliados qualificados, com vereadores muito qualificados no parlamento, Miguel Felício, o próprio Hudson Castro, eu; com secretários que ajudaram o governo e vários quadros intelectuais, como Elias Dourado, Emilson Piau e outros tantos que participaram do governo.

Mas esta ingratidão do PT não nos deixa com ódio do PT, nem com raiva ou calundu. Estamos com um projeto de candidatura a prefeito de Conquista. E esta candidatura é pra valer, não há condição nenhuma de ser discutida nem negociada com nenhuma cidade ou nenhum projeto de fora.

Com o prefeito Guilherme: uma cena cada vez mais improvável.
Com o prefeito Guilherme: uma cena cada vez mais improvável.

Você disse que nada pode levar Davidson Magalhães, pré-candidato do PCdoB Itabuna, a desistir da candidatura para apoiar o PT, nem se o mundo acabasse. E há alguma coisa que faria você desistir?

Não, nada. Nem mesmo se o governador, o ex-presidente Lula, ou Dilma ou o Papa vierem aqui hoje, vai remover nossa candidatura. Nosso projeto é um projeto pra valer, é um projeto para Vitória da Conquista, que vai até o final e nós temos certeza de que temos capacidade de disputar com força a eleição de 2016, passar para o segundo turno e vencer. O meu nome vem da soma da experiência e da qualidade dos membros do PCdoB, de dirigentes e filiados, para poder ajudar a construir uma cidade ainda melhor a partir de 2017.

Vocês já se sentiram mal com o folclore, digamos assim, de que o PCdoB não tem sobrevida fora do PT, de ser a rêmora do PT? Ao tomarem essa decisão de romper pensaram em desfazer esse discurso?

O PCdoB não é inimigo do PT, somos aliados do PT. Cada momento da história é um momento diferente. Mas, deixa eu falar: o PT tem 35 anos, foi fundado na década de 80; o PCdoB é de 1922. Vem de 25 de março de 22, então 93 anos tem o PCdoB, que existe desde antes do PT. Elegemos senador nas décadas de 40, 60, vários federais a vida toda… O PCdoB é um partido que tem vida própria. Disputamos a Prefeitura de Olinda contra o PT e ganhamos; disputamos, agora, o governo do Maranhão com o PT aliado do PMDB contra o PCdoB e ganhamos; ganhamos a Prefeitura de Juazeiro disputando contra o PT; ganhamos a Prefeitura de Contagem, uma prefeitura muito grande no estado de Minas Gerais, sem o PT; ganhamos a Prefeitura de Jundiaí, no estado de São Paulo, sem o PT; ganhamos diversas prefeituras importantes no Brasil nos últimos quatro ou oito anos sem o PT e, muitas vezes, disputando contra o PT. Então, o PCdoB não precisa do PT para sobreviver, muito pelo contrário, eu até acho que em muitos lugares o PCdoB fortalece muito o PT. E pode ser que aqui a gente mostre mais uma vez que quando o PCdoB disputa sem o PT ou contra o PT a gente consegue ser uma alternativa viável.

SOBRE OS ADVERSÁRIOS DIRETOS

Quem você acha que serão seus adversários nas eleições?

O cenário político está muito confuso. O Partido dos Trabalhadores tem uma certa fadiga do tempo no poder, o grupo do prefeito Guilherme Menezes é um grupo cansado e que não conseguiu reunir uma liderança forte, não tem sido capaz de apresentar um nome forte ao povo de Conquista. Este é o primeiro fato. De outro lado, tem o ex-prefeito Zé Raimundo, que é deputado estadual e é, hoje, a maior liderança, com voto, de Vitória da Conquista, com condição de disputar a eleição e que tem um certo carisma. Mas não é do grupo do prefeito Guilherme. Então, está havendo esse debate, que ninguém sabe aonde vai dar, mas certamente o prefeito Guilherme Menezes não apoia Zé Raimundo e vai parir um nome de suas hostes para ser o candidato, quem será esse candidato não sabemos. Já foi discutido o nome do professor Cori, que é uma pessoa muito séria, já foi discutido o nome do secretário Odir, também uma pessoa séria, aliado do prefeito Guilherme, mas ninguém tem certeza de nada, só vamos ter clareza lá para o mês de abril do ano que vem.

Do lado de cá, tem a candidatura do deputado estadual e radialista Herzém Gusmão, que tem uma pendência judicial, de uma ação movida pelo Partido dos Trabalhadores em Conquista. Essa ação está para ser julgada a qualquer momento e não sabemos se ele é candidato ou não é. Ou seja, temos um cenário de grande adversidade. Se Herzém for candidato, o cenário é um; se Zé Raimundo for candidato o cenário é outro. Se Zé Raimundo não for candidato e for apenas o nome de Herzém já é outra história. Diante dessa indefinição, eu só tenho certeza do meu nome e nós vamos até o final. O PCdoB está firme.

E surgem aparecem candidatos das chamadas terceira e quarta vias, que estão se testando, em reuniões ultrassecretas, com empresários e pessoas de vários segmentos, que estão discutindo uma nova composição para a política de Conquista, sem conversar com o PT, sem conversar com o PMDB, tentando uma via alternativa ao PT e ao nome de Herzém Gusmão.

Eu acho que em 2016 teremos uma eleição muito diferente do que tivemos em Conquista nos últimos 20 anos, que teve sempre o PT contra Cori, primeiro, e depois contra Herzém.

O PCdoB torce para que Herzém e José Raimundo, os dois ou um deles, não sejam candidatos? Porque do jeito que você falou, José Raimundo é carta fora do baralho.

Eu acho que sim. Acho que Zé Raimundo não é candidato. Mas, sobre a disputa, eu quero falar uma coisa: nós temos um nome muito bom em Conquista. Nosso nome tem grande credibilidade em todos os setores, na zona rural, em todos os distritos e povoados, nos bairros da cidade, então acho que, começando as eleições, tudo pode mudar. Hoje, o cenário pode ser mais favorável a A, B ou C, mas eu sou bom de campanha, o PCdoB está com um time grande de pré-candidatos a vereador, está com um time grande de lideranças em campo, então eu acho que quando começar a campanha pode mudar tudo.

Teremos, também, uma eleição diferenciada. Pelas regras anteriores, a campanha começaria no dia 2 de julho e agora vai começar no dia 17 de agosto, caiu de 90 dias para 45; o financiamento empresarial de campanha acabou e aquela coisa de você entupir a cidade de minidoor, de placas, acabou também. Então, será uma campanha muito mais de bater perna, apresentar projeto no horário político de televisão, por isso acho que podemos chegar muito bem posicionados, sendo a novidade que o povo de Conquista espera. Estou conversando com diversos intelectuais da universidade, de diversas áreas, discutindo economia, mobilidade urbana, a questão da segurança pública, discutindo a educação fundamental, que é a obrigação do Município, e discutindo saúde pública. Estamos com um grupo grande discutindo aquilo que o povo mais quer: saúde, segurança, mobilidade urbana e educação de qualidade para o povo da cidade. Assim, penso que podemos chegar sendo uma alternativa viável, mesmo sendo esses candidatos ou não.

José Raimundo, à esquerda, para Fabrício, um cavalheiro.
José Raimundo, à esquerda, para Fabrício, um cavalheiro.

PREVENDO O SEGUNDO TURNO

Considerando uma disputa sem José Raimundo e Herzém, você acha que tem condição de chegar na frente ao segundo turno?

Temos sim. Temos condição grande. Porque temos um nome que já foi testado na urna por quatro vezes, que é o nome de Herzém Gusmão, e quando nas pesquisas perguntam em quem a pessoa votaria para prefeito de Conquista, levam vantagem aqueles nomes que foram mais votados, então vai estar sendo sempre lembrado o nome de Herzém. Você tem o nome de Zé Raimundo, que foi prefeito duas vezes e deputado estadual por dois mandatos, então é um nome muito lembrado. E o meu nome é um nome que só foi lembrado para um cargo de legislativo, que é um cargo minoritário, como vereador e depois deputado. Até hoje, em pesquisas para vereador, eu apareço como o segundo nome mais votado em Conquista nas respostas espontâneas, porque as pessoas se lembram de Fabrício como vereador, lembram como deputado, mas não lembram como candidato a prefeito. E ainda teve o episódio da nossa candidatura a prefeito na eleição passada, que não saímos. Por isso, nós perdemos um pouco o crédito, mas quando as pessoas souberem que nós somos candidatos pra valer, que o nosso time está na rua, o nosso nome virá com muita força. Nós temos condições reais de ir para o segundo turno em Conquista, tanto com os nomes de Herzém e Zé Raimundo, como sem eles. Sem eles dois seria mais fácil ainda.

Se você só tivesse Herzém ou José Raimundo na disputa eleitoral, qual dois seria mais difícil ou mais fácil para você?

Difícil responder. Mas eu acho que eu iria para uma boa disputa com Herzém Gusmão.

Por quê?

Porque eu acho que Herzém, já tendo sido candidato quatro vezes, tem um limite de crescimento. Zé Raimundo já ganhou duas eleições e você disputar contra o PT, contra a máquina municipal, e com a máquina estadual e a federal contra, não é fácil. Então, acho que numa reta final disputar contra Herzém seria melhor, porque ele viria sem nenhuma estrutura de máquina e, com certeza, o meu nome contra o de Herzém, o PT teria obrigação de me apoiar, inclusive com o governador.

Isso gera outra pergunta: você não indo para o segundo turno, você ficaria neutro, conforme Herzém disse que ouviu de você?

O PCdoB não é um partido de ficar em cima de muro. E nem é um partido de dono ou de cacique. Eu não sou dono do PCdoB. Tem partido que uma pessoa só manda e acabou. Aqui no PCdoB. nós temos uma direção municipal, composta de 27 membros, e se não formos para o segundo turno, não será a vontade de Fabrício que irá prevalecer, será a decisão do conjunto do partido, tomada em reunião em que será discutido e aprovado o lado que iremos. Mas nós teremos um lado, com toda a certeza.

Mas, haveria uma chance de você apoiar Herzém, na hipótese de um segundo turno?

Eu posso apoiar tanto Herzém quanto Zé Raimundo ou o candidato que o PT lançar. Mas quem vai decidir isso é a direção municipal, aliada à direção estadual. O PCdoB é um partido que tem centralismo, tem direção. Eu sou membro da direção nacional, da direção estadual, da comissão política estadual e sou membro do diretório municipal, então, quem vai decidir o meu apoio é a direção do PCdoB.

PORQUE A ELEIÇÃO EM DE CONQUISTA NÃO É CARA E EM ITABUNA É

O prefeito de Itabuna, Claudevane Leite, apontou, entre as razões para não ser candidato à reeleição, que ele precisaria de pelo menos R$ 5 milhões para a campanha. Crê ele, como muitos, que as eleições vão continuar caras, apesar das modificações introduzidas pela reforma política e do fim do financiamento empresarial de campanha. Você acha que com essas mudanças a disputa aqui será equilibrada­­­­?

Será muito equilibrada. As eleições nacionais serão equilibradas. Mas, infelizmente, o caixa dois vai continuar como era. Não tenha ilusão de que vai acabar caixa dois, dinheiro por fora… Não vai acabar. Agora, tem uma coisa muito positiva: Itabuna e Ilhéus têm um histórico de campanhas políticas muito caras. Eu já morei em Itabuna, já morei em Ilhéus, estudei Filosofia na UESC, e lá são campanhas tradicionalmente muito caras, de lideranças com esquemas de votos, de comprar lideranças, etc. e tal. Vitória da Conquista tem uma coisa muito bonita, que as campanhas de Conquista não são campanhas na base do dinheiro. Aqui, eu fui vereador dois mandatos, estou no segundo mandato de deputado e nunca comprei uma liderança. Eu quero te falar que, nesta eleição, eu tive o apoio do PCdoB, das nossas lideranças, vereadores, militantes, dirigentes e tive voto de vereadores de outros partidos, que nunca me pediram nada. Eu falo para você um exemplo: eu fui votado pelo vereador Álvaro Pithon, do Democratas, vereador de quatro mil votos, e que nunca me pediu um centavo. Cidade como Itabuna o cara fala: “Eu lhe apoio se você me der 100 mil; eu lhe apoio se você me der 200 mil”.

Começa em 100 mil?

Começa dessa forma. Ilhéus a mesma coisa. Conquista não tem isso. Eu fui votado pelo vereador Hermínio Oliveira, que era do PDT e hoje é o Solidariedade, e Hermínio nunca me pediu um centavo. O que eles pedem é atenção do mandato. ”Deputado, eu quero uma obra, eu quero um projeto”. Nunca me pediram nada de dinheiro. Então, Conquista tem tradição de eleições baratas. Enquanto você gasta R$ 500 mil para se eleger vereador em Itabuna ou Ilhéus, em Conquista gasta R$ 50 mil, R$ 20 mil, R$ 100 mil. O povo de Conquista tem uma forma de fazer política muito diferenciada do Sul e do Extremo-Sul da Bahia.

Aqui será uma eleição barata para prefeito também. Eu preciso de dinheiro aqui pra quê? Para poder botar combustível em carro, para ter condição de fazer meu santinho, minha praguinha; e bancar o meu programa de televisão. Preciso de dinheiro pra isso. Então, não é uma eleição feita na base do dinheiro, como é no sul da Bahia, que eu conheço muito bem como é que se faz política lá.

O RELACIONAMENTO COM OS PROVÁVEIS ADVERSÁRIOS

Independentemente se há ou não uma questão jurídica que pode tirar Herzém da disputa ou se José Raimundo ficará de fora por falta de apoio do prefeito Guilherme, eles e você são os principais pré-candidatos a prefeito de Conquista, neste momento. Os três são deputados e, além do ambiente político local, vocês convivem na Assembleia Legislativa. Como é o seu relacionamento com cada um deles?

Eu fui vereador em Conquista e fui líder de Zé Raimundo quando ele era prefeito. Tenho um relacionamento muito bom com Zé Raimundo, um gentleman da política, um homem muito fino, muito educado e que faz um bom mandato de deputado estadual. Minha relação com ele é muito boa. O Herzém Gusmão é um deputado novo, começou agora o mandato, está fazendo um bom mandato de deputado estadual; tem sido um destaque na Assembleia, falando em todos os espaços, participando ativamente de todas as comissões e eu trato Herzém de uma forma muito cordial. É um amigo, tenho relacionamento de almoço, de conversar, de dialogar. É uma pessoa também e muito boa índole. Eu tenho uma relação excelente com os dois.

E você imagina que na disputa eleitoral, em que, infelizmente, os ânimos se acirram e as palavras trocadas não são as mais gentis, você conseguirá manter o nível da relação?

Com certeza. Eu farei uma campanha de 45 dias sem tecer nenhum tipo de crítica a nenhum adversário meu.

Crítica ou ofensa? Dá para fazer campanha sem criticar?

Ofensa. Não farei ofensa nem a Herzém, nem a Zé Raimundo ou quem quer sejam os candidatos da oposição ou do PT. Farei uma campanha de projetos, de tentar mostrar que eu sou o melhor para a cidade, mas sem ofensas, porque eu não acredito nisso.

Se não for José Raimundo quem você acha que será o candidato do PT?

É difícil saber, porque compreender o que pensa o prefeito Guilherme é muito difícil, quase ninguém acerta quando tenta pensar por ele. Mas o nome mais forte que está ainda é o do secretário de Agricultura, Odir (Freire). Mesmo tendo notícias em uns blogs dizendo que ele não é candidato, acho que o nome de maior confiança do prefeito é ele.

E como vice avalia Odir?

Não tenho avaliação dele. Não tenho convivência com ele, mas Odir faz parte do núcleo central que pensa a política de Conquista, desde o início do governo de Guilherme. Foi homem de primeiro momento da campanha de Guilherme, é homem do círculo mais íntimo do prefeito. Quando Guilherme foi deputado ele foi assessor do mandato na região, é secretário municipal, já passou por algumas pastas e é uma pessoa que conhece a máquina administrativa e conhece todo o município, por conta de ser uma figura de relação muito estreita do prefeito.

O PSDB chegou a ensaiar que teria um pré-candidato a prefeito, o médico Valverde Mont’Alverne, mas que, de uma hora para outra perdeu essa condição, e aí surge, já na presidência do partido e como nome possível para disputar o do empresário Onildo Júnior. Você acredita que ele será candidato? E sendo, acha que isso melhora ou piora a sua missão de candidato do PCdoB?

Olha, Onildo é um empresário muito respeitado em Conquista, um homem muito inteligente, mas as pessoas nunca o viram como político. Onildo pode vir a ser o candidato do PSDB a prefeito de Conquista, para fazer frente a esse novo momento de tentar tirar o PT do poder no município. Onildo é um nome qualificado e que reúne um grupo grande de setores da classe média e empresarial de Vitória da Conquista.

Onildo candidato Herzém estaria fora?

Não sei. Tem um grupo da classe média de Conquista que não confia muito no nome de Herzém como possível bom gestor e trabalha em busca de um nome empresarial, um nome do meio comercial, que tenha condição de gerir a economia de Conquista de forma mais satisfatória. Acho que o nome de Onildo é uma quarta via, com Herzém candidato ou não.

E o projeto 2018 em torno de ACM Neto, que se unifica em Itabuna, em Feira, por que em Conquista ele sairia separado?

O cenário aqui está muito adverso. Para Itabuna, o Neto está juntando todas as forças de oposição em torno do deputado Augusto Castro, acho que aqui em Conquista também pode acontecer isso. Pode ser que na hora H o Neto chame a atenção dos outros partidos e decida que será importante um nome só. Mas, ele também pode querer fazer a mesma estratégia que está em curso em Salvador, onde o governo do Estado entende que sair com várias candidaturas é melhor para minar ACM Neto. Pode ser que ele pense que em Conquista, com o PT no poder há 20 anos, é melhor ter várias candidaturas, para levar a um segundo turno, quando então se aglutinar todo mundo em torno do nome que chegar lá.

 “O PREFEITO GUILHERME É CENTRALIZADOR”

A pesquisa Babesp mostra que a popularidade do governo Guilherme Menezes sofreu uma queda, com uma aprovação de apenas 10,8% (soma de ótimo e bom) contra 38% de desaprovação (soma de ruim e péssimo). Você acha que isso é reflexo do desgaste da administração em razão do tempo no poder ou pode ser reflexo do desgaste nacional com a Operação Lava Jato, etc.?

Eu acho que isso tem um pouco de tudo. Da questão nacional, da Lava Jato, da crise econômica, mas tem a ver com cansaço. Todo projeto político que passa muito tempo, ele já não é mais novidade. O jovem de 16 a 29 anos, que idade ele tinha quando Guilherme assumiu o mandato, há 20 anos? Esse jovem de 16 anos não tinha nem nascido e hoje ele já vota. O jovem que está com 29 anos tinha dez anos de idade quando Guilherme assumiu a primeira vez, então ele não lembra como era a cidade em 1996; não lembra dos problemas da cidade. Ele vive o momento dele e quer uma cidade que não é aquilo que ele acha que está sendo feito, ele quer muito mais. O projeto político que foi inovador, que foi interessante há 20 anos, para essa parcela da população já não é novidade. Essas pessoas querem muito mais. Em grande parte por causa da vontade que a juventude tem, pelo que essa parcela da população quer, do que por outra coisa.

Eu não avalio o governo Guilherme como um governo ruim, não é. Mas, as pessoas querem muito mais do que aquilo que ele pode fazer hoje. E muita coisa que poderia ser feito diferente não está sendo feita por causa do cansaço de gente que está no poder há 20 anos, que não faz mais, até pela acomodação de estar na máquina há 20 anos como funcionário de confiança. Então, há o efeito do cansaço das pessoas que estão na máquina e existe a necessidade do novo, que venha com uma forma diferente de gerenciar Vitória da Conquista. Além de fatores como a crise nacional e o desgaste do Partido dos Trabalhadores no país e em Conquista, que levam a essa avaliação do governo municipal.

Quando vocês decidiram sair da administração fizeram uma queixa do governo e do prefeito, pessoalmente, reclamando que ele não ouve, não abre espaço…

… Centralizador, centralizador.

O PCdoB ajudou a reeleger Guilherme e tinha apenas dois secretários e dois cargos…

E mais nada…

Você falou do sentimento de ingratidão, mas eu gostaria de saber a reação do prefeito quando o PCdoB anunciou a saída. Ele tentou demover vocês da decisão, ofereceu algo a mais, quis que ficassem?

O prefeito Guilherme não ofereceu nada. Ele apenas recebeu a carta do PCdoB pedindo o afastamento dos seus quadros do governo, quando o PCdoB falou que não se sentia mais à vontade, que era um governo centralizador politicamente e que o projeto de governo participativo, que tinha um conselho político que debatia a cidade, quando o prefeito ouvia a lideranças, não era mais o mesmo.

Para você ter uma ideia, o vereador e presidente do PCdoB, Andreson (Ribeiro), chegou a passar um ano e dois meses com um ofício de pedido de reunião e o prefeito não o recebeu. Nem ao presidente e nem ao vereador. Na verdade, ele (o prefeito) não tinha mais respeito pelo PCdoB e o PCdoB se sentia muito diminuído no espaço de governo, inclusive com nossos secretários não tendo nem poder de decisão para gerenciar suas secretarias. Nesse aspecto, já existia um afastamento grande. O deputado Fabrício, por exemplo, em cinco anos de mandato (que vou fazer em dezembro) nunca tive uma audiência com o prefeito Guilherme. Isso levou a um rompimento que já tinha passado o momento de acontecer.

Mas, em que momento vocês chegaram à conclusão, objetivamente, de que não dava mais?

Há cerca de dois anos.

E o que aconteceu então?

O PCdoB é um partido muito orgânico e a direção municipal vinha debatendo, há muito tempo, a necessidade de sair do governo de Guilherme. Por não acreditarmos mais no projeto; pela indiferença do prefeito com nosso partido; por não receber o nosso presidente; por não receber os nossos vereadores, não cumprir aquilo acordado com os nossos vereadores, que não eram respeitados, por não sermos recebidos e escutados pelo prefeito Guilherme Menezes, entendemos, há dois anos, que não era mais possível ficar. Fomos amadurecendo, debatendo, debatendo, até que na última reunião que tivemos sobre esse assunto decidimos sair do governo.

Rompido agora com o governo petista, se o PCdoB não conseguir passar para o segundo turno e o prefeito Guilherme eleger o sucessor pode voltar a fazer parte do governo?

Pode sim.

Com quais condições?

Aí eu não posso falar agora, porque está distante. Mas podemos fazer parte do governo municipal com o PT,  sem problema. Desde que seja um governo de respeito, um governo popular. O PCdoB é a favor de governos populares. Um governo que sente para dialogar melhorias para a cidade e escute aquilo que o partido tem de bom para Conquista. O PCdoB é um partido que pensa numa cidade melhor.

Fabrício, você é um cavalheiro e foi muito cortês e nesta entrevista todas as pessoas mencionadas receberam de você avaliações positivas. O único com quem você foi mais incisivo, mesmo você fazendo alguma ressalva, foi o prefeito Guilherme. Por favor, avalie este momento político dele, não da administração, mas o político, o gestor, a pessoa que está na lá na frente do governo.

O prefeito Guilherme é um homem sério, nunca pesou contra ele nada que viesse a desabonar seu caráter, que o defina como pessoa corrupta, que ele não é. Agora, o que pesa contra ele é a forma de fazer política centralizadora e sem escutar os aliados, sem discutir uma cidade, um projeto coletivo. Não tenho mágoa do prefeito Guilherme. Tenho respeito pessoal, por um homem que sempre admirei. Já carreguei bandeira nas ruas de Conquista com o nome do prefeito Guilherme, fiz muita colagem, distribui panfletos às duas, três horas da madrugada, dirigi carro de som, em alguns momentos, na primeira eleição dele para prefeito, junto com o nome de Miguel e de Vivalda, nossos candidatos a vereador.

Então não tenho nenhum rancor, apenas acho que ele faz um governo centralizador, unitário e personalista, sem conversar com a cidade e as lideranças. Ele tem uma dificuldade imensa de escutar e aceitar o contraditório. Eu tenho um mandato de deputado estadual; Zé Raimundo, que é do partido dele, também, e eu não me lembro que ele tenha chamado os deputados da base dele, sequer para discutir um plano para Vitória da Conquista ou aconselhar em algum momento. As pessoas não vivem solitárias, ainda mais um governo de município tão grande e complexo, que cresce a passos largos, como é Vitória da Conquista.

Você acha que Guilherme pode querer voltar em 2020?

De jeito nenhum. Acho que o ciclo do guilhermismo termina agora em 2016.

Mas você está imaginando a cabeça dele ou acha que é assim que a cidade vê?

Acho que pela cabeça dele ele não volta em 2020 e a cidade também não quer mais. Conquista está buscando um momento novo. Tivemos ciclos que se interromperam, como o pedralismo, que por muito tempo administrou Conquista, decidiu o destino de Conquista, e o guilhermismo, que eu acho que está encerrando agora em 2016.

Vai começar o “fabricismo”?

Não, fabricismo não. Pode começar uma nova era, com lideranças novas que pensem a cidade de forma coletiva e vivenciando Conquista pelo seu momento atual. Conquista não é mais aquela cidade de 1996, é uma das cidades mais importantes do Brasil, complexa, com problemas muito graves de violência, de assassinatos; que precisa ter avanços na educação, melhorias na saúde e na questão da mobilidade urbana, meio ambiente, uma cidade com mais verde, com mais vida. Tem uma série de coisas que Conquista precisa no momento atual e as pessoas estão buscando isso. O compromisso nosso é que, se ganharmos, vamos trabalhar não só com políticos, mas com quadros técnicos, intelectuais, capazes de pensar Conquista em todos aqueles segmentos em que a cidade precisa avançar,  para crescer e se tornar melhor do que está hoje.

Para finalizar, voltemos à relação PCdoB-PT. Vocês estiveram juntos por 25 anos juntos, de 92 a 2015. Hoje se separaram. De lá para cá o que mudou em Guilherme, no PT e no PCdoB?

Em Guilherme mudou que ele se tornou uma figura que faz um governo de forma muito solitária. O PT se tornou um partido grande demais, mas continua sendo um partido que não aceita dividir espaço com aliado. O PCdoB mudou porque ficou maior, ficou grande. Em Conquista saiu de um vereador para três vereadores, com a possibilidade de eleger cinco em 2016, tem um deputado estadual eleito da cidade, e está enraizado em toda Vitória da Conquista, não mais numa categoria e ou um bairro.

A CONFIANÇA ATÉ O FIM

Mas, voltemos ao PCdoB e a sua trajetória na política local. O partido tem evoluído, elegeu três vereadores e reelegeu um deputado estadual. Você acha que essa evolução se deu porque a cidade entendeu o PCdoB ou foi o PCdoB que se moldou à cidade?

O partido se moldou à cidade. O PCdoB passou a compreender Vitória da Conquista num todo. Não somos um partido apenas de um segmento, ou o partido que só tem um candidato do sindicato dos bancários ou um candidato do meio universitário. O PCdoB hoje está caracterizado como um partido de toda a cidade, que sabe compreender a necessidade de fortalecer o meio empresarial e comercial, fortalecendo o comércio local; sabe compreender a necessidade dos moradores de cada bairro da cidade e do povo da zona rural do município. Conquista é muito extensa na sua zona rural, com uma população de cerca de 50 mil habitantes na zona rural. Então, o partido passou a ser um partido de todo o município. Nós temos candidatos a vereador, desde a área rural, área de assentamento, área quilombola, ao bairro Patagônia, ao bairro Brasil, ao Alto Maron, o Aparecida, o Valéria…

Hoje o PCdoB compreende Conquista como um todo. Eu sou um deputado que transito desde o bairro Brasil ao bairro Candeias, à Patagônia, ao Recreio, ao Guarani, à Urbis VI, à Urbis V… Sou um deputado que tem relação com o esporte, com a segurança pública. Nós temos vereadores e um deputado que compreende a cidade. O partido que quer administrar o município não pode ser um partido do gueto ou de pensar apenas uma classe social ou categoria. O PCdoB compreende e conhece o povo de Conquista e a cidade que é Conquista hoje, no século 21.

Uma coisa que lhe dá confiança de que será eleito.

Vontade de trabalhar e um nome leve, que as pessoas conhecem e sabem que dá certo na política porque tem seriedade.

Um medo de Fabrício, em relação a essa disputa.

Não tenho um temor. E confio nos meus adversários. Acho que vai ser uma campanha tranquila. Conquista tem tradição de uma política limpa, as últimas eleições foram dessa forma, não vi nada que viesse que pudesse chamar de desastroso ou de política de baixo nível. Eu acho que até 2016 será um processo tranquilo.

O livro de Risério, agora pela Versal.
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