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Corrida à sucessão de Guilherme Menezes rende vítimas e decepções

VALVERDE E A DUCHA FRIA DO PSDB

No início da noite do último dia 10 de setembro, o médico e empreendedor Valverde Montalverne Alves Marinho, não conseguia disfarçar seu desconforto em encontro com a cúpula baiana do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), na sala de reuniões do Livramento Palace, em Vitória da Conquista. Filiado ao partido havia duas semanas e apresentado como pré-candidato tucano à eleição de prefeito, Valverde viu que o grupo não estava coeso. Nem em torno do nome dele, nem sobre o futuro da agremiação em Conquista.

O médico, que atua na área de radiologia e imagem e mantém um serviço de ambulâncias que aluga para prefeituras e empresas, vem demonstrando o seu desejo de ser prefeito de Vitória da Conquista há, pelo menos, dois anos. Vindo de Fortaleza, Valverde investe forte na sua área e é reconhecido por isso. Em 2012, foi agraciado com o título de Cidadão Conquistense. Mas, não contou com a fidelidade do PSDB.

Na reunião do PSDB - à qual Onildo faltou - era visível o desconforto de Valverde (de camisa polo azul).
Na reunião do PSDB – à qual Onildo faltou – era visível o desconforto de Valverde (de camisa polo azul).

Na mesma reunião em que uma parte do partido dizia que já tinha nome para a disputa eleitoral, o de Valverde, o deputado federal Jutahy Magalhães Júnior se levanta e diz que é cedo, que o partido tem que conversar, que toda pretensão deveria ser fortalecida e assegura que o PSDB voltaria a se sentar, em abril ou maio, para conversar e, se fosse o caso, apoiar o nome apresentado naquela noite. A fala do deputado mais antigo e mais forte do tucanato baiano empurrava a pré-candidatura apresentada ali para as calendas gregas.

De ducha a cachoeira

Jutahy Magalhães foi bem claro: o projeto visa 2018, as eleições de governador e de presidente. Disse que Vitória da Conquista é um centro importante que não pode ser perdido. Para aliviar, lembrou que em Conquista a eleição é em dois turnos e que a disputa seria mais fácil porque o lado do governo se dividiu, talvez referindo-se à saída do PCdoB da administração municipal. Mesmo com esse sopro, tudo o que já havia sido dito foi como uma ducha de água fria no sonho do médico Valverde.

Não demorou para que o PSDB mostrasse que não jogou apenas uma ducha fria em Valverde, mas uma cachoeira gelada sobre todos os planos que passavam pela cabeça do então dirigente local do partido, o professor Claudionor Dutra, conhecido por Ticolô. Com uma canetada o PSDB desprezou o sonho do médico e mudou toda a diretoria partidária em Vitória da Conquista, substituindo Ticolô por Onildo Pereira Filho como presidente.

Onildo assume o partido e, comenta-se, a missão de se cacifar como candidato a prefeito. A mudança repercutiu e Onildinho, como é conhecido, já é visto como um nome forte entre os pré-candidatos, sepultando, pelo menos entre os tucanos, a pretensão de Valverde que chegou a negar que tenha entrado no PSDB e anunciou que procura partido.

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ODIR: O QUE SAIU SEM NUNCA TER ENTRADO

Na retomada do blog tive o privilégio de fazer uma entrevista longa com o prefeito Guilherme Menezes. A conversa girou sobre queixas de correligionários, críticas de adversários e, claro, sobre o que passava na cabeça do prefeito, em último mandato, acerca da sua sucessão. A entrevista foi um sucesso e o blog bombou, como se costuma dizer. A explosão de acessos ao blog e a repercussão da entrevista do prefeito aconteceram 1. porque outros doze blogs a reproduziram e 2. porque Guilherme fez avaliações muito diretas e objetivas sobre o ex-prefeito José Raimundo, do seu partido, que ele não quer ver candidato de jeito nenhum, e sobre Herzém Gusmão, seu ex-aliado, hoje ferrenho adversário, que quer o lugar dele de qualquer jeito.

Mas, algo chamou ainda mais atenção: a defesa que o prefeito fez do nome do secretário municipal de Agricultura, Odir Freire, enaltecendo as qualidades que, segundo Guilherme, fariam dele um bom prefeito. Na mesma entrevista Guilherme descartou, de forma incisiva, a pré-candidatura do vereador Coriolano Morais, ex-secretário de Educação. Antes, o prefeito já havia feito uma mudança no secretariado, segundo consta para dar mais visibilidade a Odir: colocou-o para acumular a Chefia do Gabinete, o que o faria representante do prefeito em eventos públicos aos quais Guilherme, queixam-se, costuma faltar.

Ouve-se dizer nos corredores da prefeitura e em locais frequentados por petistas e guilhermistas que está para nascer quem entenda a cabeça do prefeito Guilherme Menezes. Dizem que uma fala ou movimento dele que sinalizem em uma direção pode ter exatamente o sentido oposto. Guilherme não daria pistas, é o folclore. Se é mesmo assim eu não posso afirmar, mas o fato é que, logo depois da entrevista em que ele recomenda Odir e de toda a repercussão que isso teve, já havia gente de dentro do governo sussurrando que a intenção do prefeito era “um pouco diferente do que foi interpretado”.

E eis que, no dia 24 de setembro, três semanas após a publicação da entrevista em que o prefeito “lança” Odir, o jornalista Rodrigo Ferraz publica em seu blog nota anunciando que Odir Freire retirara a sua pré-candidatura a prefeito. Embora o blog não tenha ouvido Odir, nem o prefeito Guilherme Menezes, apenas o presidente municipal do PT, Rudival Maturano, o silêncio que se fez depois da nota, associado ao resultado de pesquisa de intenção de votos que coloca o secretário de Agricultura com baixíssima pontuação, deu a entender que, sim, Odir é opção descartada. Seria mais um a experimentar, antecipadamente, a ducha fria da política.

Afinal, Guilherme lançou ou não lançou o nome de Odir como (o seu) pré-candidato a prefeito?
Afinal, Guilherme lançou ou não lançou o nome de Odir como (o seu) pré-candidato a prefeito?

Tenho tentado marcar uma entrevista com Odir Freire – com quem nunca conversei e que nunca me dirigiu a palavra -, mas não obtive sucesso. Pedi ajuda ao amigo Nagib Barros, que estava secretário da Comunicação, e também ao jornalista Ernesto Marques, que assumiu o lugar de Nagib na semana passada, mas eles não puderam me ajudar. Tentei voltar a falar com Guilherme, e ele mesmo, por telefone, ficou de me informar uma data, mas silenciou. Então, para não ter que admitir que Odir já foi descartado, vou acreditar no que acredita o pré-candidato Fabrício Falcão, do PCdoB. Para Fabrício, José Raimundo é que é carta fora do  baralho, o candidato guilhermista ainda é Odir, do qual Herzém Gusmão (PMDB), candidato da oposição, disse tratar-se de um poste sem fio e sem lâmpada.

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