Eleições 2016

Vane mantém enigmas, mas afirma que não tem “compromisso cego” com o PCdoB

Quem já tratou de assuntos administrativos ou políticos com o prefeito de Itabuna, Claudevane Leite, conhecido como Vane do Renascer, sabe que ele é enigmático. Nenhum assunto, por mais simples que seja, tem decisão imediata. Vane sempre pede um tempo. E usa esse tempo com toda a paciência, enquanto alguns interlocutores chegam a se desesperar no aguardo da resposta final – que pode não ser final. O paradoxo disso é que o desespero de quem espera não se transforma em raiva ou inimizade. Mesmo com um governo mal avaliado pela população, desde outubro do ano passado, Vane nunca foi vaiado e é sempre recebido de forma respeitosa onde aparece.

Talvez Vane entre para a história como o único prefeito de Itabuna a deixar o mandato sem ter feito inimigos. Pelo menos inimigos ostensivos, desses que verbalizam a raiva ou a decepção e viram a cara quando a outra pessoa passa. E isso de não ter inimigos não é por ele não ter cometido erros ou não ter tomado decisões que vieram contrariar ou prejudicar outras pessoas. Afinal, errar é humano e carregar o peso de uma administração cheia de problemas e conflitos não raro o levou a seguir o conselho errado ou a agir na hora errada. Vane não tem inimigos ostensivos porque Vane é manso e sempre muito calmo. Um não dele é suave, dizem alguns que já saíram de seu gabinete com uma resposta não esperada ou com o silêncio equivalente, que se confirmaria um não mais na frente.

Secretários, vereadores, empresários, representantes de entidades e cidadãos comuns que já procuraram o prefeito de Itabuna em busca de uma solução ou resposta sabem o quanto Vane é dono do próprio tempo. E já deu mostras de que não abre mão dele. Não peçam pressa a Vane. O que o prefeito tem de econômico nos investimentos da sua administração tem de econômico com o tempo, que ele gasta com a mesma parcimônia com que administra suas contas pessoais. E olhem que o prefeito é tido como um “canguinha”.  Quem esperou ansioso e sem entender porque ele demorou tanto para anunciar que não será candidato, agora sabe o porquê: Vane estava tomando conta do tempo dele. E não quer mais ser prefeito, depois de 31 de dezembro de 2016, porque não abre mão de seu tempo.

Mas Vane é tão enigmático que mesmo afirmando, com tão aparente convicção, que não será mais candidato a prefeito tem gente achando que ele ainda será. Alguns com esperança. Porque embora o governo dele não passe de 20% de aprovação popular, Vane tem seguidores tristes com o anúncio de sua retirada da política. E aí lembram que ele já voltou atrás em outras decisões e esperam que ele volte atrás de novo e tope sair candidato à reeleição.

O próprio Vane teria dado um sinal de que isso é possível, ao aceitar o cargo de presidente do Partido Republicano Brasileiro – PRB. Mas ele diz, peremptoriamente, que não vai ser mais nada na política, nem vereador, nem mesmo secretário municipal, se conseguir eleger seu sucessor. Explica que assumiu a presidência do PRB para consertar o estrago que fez com o anúncio de que não será mais candidato. Deu a entender que recebeu a missão de não deixar tornar-se definitivo o que estava sendo dado como certo. E ele quer influenciar a sucessão.

Na entrevista a seguir, muito do Vane enigmático que desespera aliados e adversários. Dá um sinal aqui, outro ali, de como vai ser a condução do processo de escolha do candidato do grupo, e logo depois desfaz o sinal, deixando no ar a possibilidade de mil interpretações. Vane fala do pré-candidato Davidson Magalhães com a ênfase de quem apostaria suas fichas nele. Mas, também diz que não tem compromisso cego com o PCdoB, partido de Davidson, que foi o principal aliado na sua eleição, em 2012. Mas, se o compromisso não é cego, o prefeito teria em vista uma segunda opção? Poderia ser o seu supersecretário Roberto José, a quem ele deu duas pastas para governar, a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) e Secretaria de Transporte e Trânsito (Settran)?  Vane diz que não é.

E, mesmo à minha insistência, não reconhece a pré-candidatura do seu auxiliar e amigo de muitos anos, seu braço direito no Instituto Renascer. Do jeito que o prefeito fala de Roberto José fica claro que ele considera o amigo apto para o cargo de prefeito, mas, por uma razão que nos cabe tentar adivinhar, Vane o nega que o seu nome esteja em avaliação como candidato. Quem conhece Vane um pouco mais pode arriscar: ele está tomando conta do tempo dele. Assim, não esgarça a relação com o PCdoB, não fecha as portas com o PT, afirmando que pode apoiar Geraldo Simões, e toma conta do assunto, entendendo que só ele pode decidir quem vai disputar a eleição em seu nome. E quando decidir, já avisou: quem pensar diferente a porta da rua é a serventia da casa.

Vane também é um homem de muita fé. Em Deus e em si mesmo. Quem ouve o prefeito falar de sua administração percebe um grande entusiasmo. O entusiasmo de quem considera que faz a melhor administração dos últimos 12 anos. Diz que ninguém fez tanto com tão pouco e elenca feitos que, se são questionados por outras pessoas, saem de sua boca com uma certeza quase fundamentalista. “A cidade passou de inviável para viável”, diz. E, segundo ele, quando as pessoas o ouvem falar, ficam convencidas disso, “convencidas mesmo”. Mas, por que – mesmo com essa segurança sobre o próprio trabalho e a certeza de que a população reconhece e aplaude o que ele já fez – Vane não quer ser mais candidato? Porque é cansativo, um sacrifício enorme que a péssima divisão do bolo da arrecadação nacional impõe aos prefeitos.

E por que, então, Vane não renuncia, ou, pelo menos, se afasta um tempo para descansar, para poupar energia e voltar mais forte? Em 34 meses o prefeito não passou o cargo ao vice nem um dia sequer. Ele responde que não deixou a Prefeitura porque tem responsabilidade e compromisso. Messianicamente, fala que o momento pede a presença dele, que a crise e as dificuldades pedem que ele esteja à frente e não poderia ser outro, por mais confiança que este outro tenha dele. Temos até 31 de dezembro de 2016 para decifrar o enigma Claudevane Moreira Leite, porque, a partir daquela data, ele será apenas Vane, como diz. E decifrá-lo não terá mais nenhuma importância.

Enfim, leia a entrevista a seguir e tire sua conclusão. Mas, seja como Vane, tenha paciência, administre seu tempo de leitura, mas leia tudo. Pode ser que ele tenha dito algo que lhe interessa.

Vane não quer voltar a subir ladeira para pedir voto. Pelo menos não para ele.

Vane não quer voltar a subir ladeira para pedir voto. Pelo menos não para ele.

ASSUMIU O PRB PARA ALIVIAR O ESTRAGO DA DESISTÊNCIA À REELEIÇÃO

Prefeito, o senhor assumiu a presidência do PRB recentemente, depois de ter anunciado que não disputará a reeleição e pouco depois o nome do apresentador Tom Ribeiro apareceu como um provável pré-candidato do partido, o próprio Tom disse que isso é possível. Isso significa um reposicionamento seu e do partido, na direção de um candidato próprio?

Eu aceitei a presidência do partido por conta de a gente ter causado um mal-estar, sem querer, por não querer concorrer à reeleição. Como, de qualquer forma, pela nossa decisão ocorreu isso, então o partido, Tia Eron, pediu que, na perspectiva de nosso nome não estar na disputa, que a gente pudesse fortalecer o partido, na questão de vereadores, por exemplo.

E o partido tem a pretensão, normal e lícita, de lançar uma candidatura a prefeito.

Eu aceitei a presidência do PRB para fortalecer o partido. E eu quero trabalhar, eu, Vane, para que todos esses partidos estejam juntos, definindo uma candidatura única. Vou trabalhar para isso e acho que, como presidente do PRB, eu posso influenciar para que isso aconteça. Claro que é legítimo o PCdoB ter a candidatura dele, o PT, o próprio PRB, entendo perfeitamente isso, mas vou trabalhar, junto com ao Governo do Estado, com todos os partidos, para ver se a gente consegue a união e sai com um nome para continuar esse projeto que, a meu ver, é um projeto que fez com que uma cidade inviável se tornasse viável.

Mesmo o senhor afirmando que sua recusa de concorrer à reeleição é definitiva, tem alguns que duvidam e muita gente que espera que o senhor possa voltar atrás. É possível?

A minha decisão de não ser candidato é definitiva, eu já conversei com todo mundo com quem tinha de conversar. Não foi uma decisão fácil, mas uma decisão muito difícil, que envolve muitas coisas. Foi fruto de avaliações, de conversas e foi um resultado do que, efetivamente, acontece neste país, em que os municípios estão muito fragilizados. Eu não vejo nem a médio prazo essa lógica se inverter. As pessoas moram na cidade e os municípios precisam de recursos, é no município que as pessoas apresentam suas demandas. Diante de tantas dificuldades, eu não quero ir para um pleito eleitoral porque também não quero ter esse grau de responsabilidade, de compromisso, de cobrança que eu estou tendo.

Também uma coisa que já deixei claro é quanto custa uma reeleição, é mais do que uma eleição. E eu não vou ser irresponsável e tentar continuar novamente como prefeito e inviabilizar a administração, essa gestão. Vamos estar focado na gestão até o último dia, vamos trabalhar até o último dia, em meio a todas as dificuldades que encontramos na cidade, em meio às dificuldades que o País atravessa e que tem afetado muito os municípios. A gente quer ir até o último dia do mandato fazendo o que for melhor para a cidade.

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Momentos da campanha vencedora de 2012, até a diplomação.

O DIFÍCIL IMBRÓGLIO COM PCdoB, PRB E PSD

Sinceramente, o senhor acredita que o PCdoB aceitaria fazer uma composição nesse nível, com PRB, com o PSD, considerando Roberto José, Tom Ribeiro como candidatos? Acredita que o PCdoB voltaria atrás na ideia da candidatura própria?

Não digo que voltaria atrás. Volto a dizer: eu vou trabalhar para unir todos os partidos em torno de um nome. E os partidos vão ter voz, os partidos vão conversar. É uma tarefa fácil? Não. Mas não se ganha eleição sozinho. O PCdoB não ganha a eleição sozinho, o PRB também penso que não. A minha pretensão – e tanto é que anunciou candidatura, não falei nenhum nome – é unir. Isso depende, efetivamente, dos partidos. Então, estamos conversando com os partidos, nós temos um prazo ainda para definir. Até lá estarei trabalhando em torno da unidade. Não sei se serei bem sucedido, mas vou fazer a minha parte, vou me empenhar, para que a gente possa sair com uma candidatura forte, que contemple todos os partidos.

É claro que para trabalhar a união em torno de um nome é preciso que já estejam estabelecidos ou previstos os nomes. Quais os nomes que o prefeito reconhece como legítimos para que, no final, um deles seja ungido pelo apoio de todos? Quais são os pré-candidatos que Vane sabe que existe e Vane reconhece?

Hoje, oficialmente, que se tem declarado uma candidatura, colocada, é a candidatura de Davidson Magalhães. Dos outros partidos, até então eu não tenho essa definição; até do próprio PRB, a gente não tem definição. Como eu não saio candidato, o PRB, de maneira tranquila, está buscando o nome, mas até agora não se tem esse nome. Nos demais partidos, pelo menos nesse grupo nosso, que compõe o governo, o nome que está definido é o de Davidson, do PCdoB.

Então, o PRB precisa definir o nome dele, os demais partidos também, e a gente tentar a unidade. Eu vou me esforçar muito para isso, esse é o meu papel, enquanto prefeito, para manter este projeto, que a meu ver é um projeto bom e interessante para Itabuna. Eu vou promover essas conversas. Iremos conversar com o PT, com o PRB, com o PSD, com todos os partidos, para que ver se a gente consegue sair com uma candidatura que contemple a todos os partidos.

Roberto José é tido como pré-candidato. Se ele tomou o cuidado de não expor isso muito, pelo menos isso tem sido veiculado na imprensa e há um reconhecimento de que ele é um dos pré-candidatos. Tem aparecido até em pesquisas, segundo consta. A sua dificuldade de incluir Roberto José entre esses pré-candidatos que já existem é porque o senhor não quer deixar parecer que o apoia ou porque não acredita na candidatura dele?

As conversas que eu tenho com Roberto José me dão clareza do que eu estou falando. A mídia coloca alguma coisa? Realmente coloca. Roberto é um excelente secretário. Ele ocupa duas pastas, fez um trabalho fantástico na FICC, tem feito um trabalho muito bom também na Secretaria de Transporte e Trânsito e isso está viabilizando o nome dele. Quando não falo do nome dele como pré-candidato é pelas conversas que tenho com Roberto, porque, efetivamente, a gente não pode estar numa gestão que a gente vai ter dois, três, quatro candidatos, porque não termina a gestão. Nós estamos conversando e eu volto a dizer, o nosso governo vai sair com um nome, não podemos ir para uma eleição com vários nomes. Como nós temos tempo de conversar, de fazer avaliação, temos a tranquilidade de que vamos unir o maior número de partidos para que possamos ter uma candidatura única.

Vane reconhece a pré-candidatura de Davidson Magalhães (no alto). Roberto José espera que a dele também. Mas só um deles pode ser candidato, diz o prefeito.

Vane reconhece a pré-candidatura de Davidson Magalhães (no alto). Roberto José espera que a dele também. Mas só um  pode ser candidato, diz o prefeito.

CONFIA EM WENCESLAU, MENOS PARA PASSAR O CARGO

Vou fazer uma pergunta um tanto quanto delicada: o senhor é prefeito, o seu vice é do PCdoB, vocês chegam ao 34º mês de mandato e o vice não assumiu um dia sequer, o que pressupõe que o senhor pode gostar dele, mas que não há – dentro do governo ou mesmo da sua parte – uma confiança plena para passar o governo para ele. No entanto, o senhor admite passar a administração para o PCdoB por quatro anos, ao invés de ser o senhor mesmo o candidato ou alguém da sua relação pessoal mais íntima.

Olha, o nosso vice-prefeito Wenceslau ele tem uma confiança muito grade minha e de grande parte ou da totalidade do governo, tanto é que ele é secretário e vice-prefeito e tem ajudado muito a nossa administração. Como eu tenho definido de que não serei candidato, então, eu não penso em entregar a Prefeitura, mesmo que seja por um período pequeno. Acho que eu tenho que estar enfrentando isso aqui, porque o momento é difícil para todos os prefeitos. A gente sabe que Wenceslau tem capacidade, a gente sabe que os secretários têm capacidade, mas eu acho que a presença do prefeito neste momento de dificuldade é fundamental. Por essa razão, nós vamos continuar até o último dia do nosso governo, trabalhando todos os dias.

Todos os prefeitos, como é natural, se cansam, enfrentam stress, e acabam tirando folga, pequenas férias, e passam o comando ao vice. O senhor já atravessou momentos complicados, dificuldades pessoais até, que justificariam uma licença, dias de férias para descansar a cabeça dos problemas, por que nunca passou o cargo a Wenceslau?

Não foi por falta de confiança em Wenceslau, porque se fosse, a gente não teria colocado ele como secretário. No início eu fui muito criticado porque Wenceslau trabalhou muito no governo, e ele continua trabalhando. É um secretário que tem contribuído muito, a quem a gente tem dado autonomia e ele conhece muito o papel dele. Eu não p que dizer da pessoa de Wenceslau, como amigo, como secretário e como vice. Eu não tenho uma unha a apontar para Wenceslau porque ele sabe, efetivamente, o limite dele.

Sobre não passar o cargo, volto a dizer que não é uma questão der confiança. Em um momento anterior, eu até pensei em fazer isso, mas como eu estou definido de que não serei candidato e eu ainda tenho um ano e três meses de mandato, então decidi que vou ficar até o último dia, todos os dias. Eu sei que eu preciso de um momento, até para me desligar, porque a gente não consegue se desligar; mesmo num final de semana, mesmo em viagem,a gente está antenado com os problemas da Prefeitura. Passar um período com alguém respondendo pela administração seria muito bom, mas eu acho que a minha presença aqui é fundamental nesse momento de crise e por essa razão estou definido que, salvo se eu adoecer, o que eu espero que não aconteça, vou trabalhar sem passar o cargo em momento nenhum.

CHEGOU A PENSAR EM DESISTIR?

Nesses quase três anos, Itabuna testemunhou que o senhor passou por momentos difíceis, a doença e a perda da sua mãe, do seu pai, mas o senhor, pelo menos na aparência, se manteve firme. Mesmo assim, em alguns momentos o senhor se queixou das dificuldades para administrar, pela falta de recursos, a má distribuição da arrecadação nacional, a falta de recursos para obras e programas. Diante desse quadro que o senhor aponta, em algum momento, pensou em desistir, acordou pensando em não continuar?

Com certeza. O que os prefeitos estão passando realmente é desumano. Já houve caso de prefeito que botou uma corda no pescoço e se matou. Existem prefeitos que estão sob efeito de remédio e outros com atestado médico. Então, é uma a situação em que os prefeitos estão colocados talvez nunca vista nesse país. Prefeitos como Jabes (Ribeiro, prefeito de Ilhéus), que tem muita experiência, como Almir Melo (prefeito de Canavieiras), a própria Gilka (Badaró, prefeita de Itajuípe), falam que nunca enfrentaram um momento tão difícil para prefeito como agora.

Eu sou humano. Tenho uma fé que me ajuda demais, fé em Deus, que tem me ajudado em todos os momentos, de perdas pessoais, das dificuldades do município, mas não tem sido fácil ser prefeito. Mas, é uma missão, uma responsabilidade que eu tenho. O que eu não quero é fazer com que isso venha para mais quatro anos. Por essa razão, eu não quero ir para uma disputa eleitoral, porque não quero permanecer mais quatro anos com todas essas dificuldades. Tenho certeza absoluta de que vou entregar uma cidade muito melhor do que peguei.

Vou entregar uma cidade mais saneada, com mais obras e mais recursos, porque mesmo valorizando o servidor, tendo aumentado os salários dos servidores, a gente vai conseguir deixar a Prefeitura com uma redução de, no mínimo, 20% na folha e isso representa muito. Eu peguei com 83% das receitas comprometidas com a folha de pagamento, devo deixar com 63%. E se não fosse a crise nacional, que tem reduzido as nossas receitas, a gente conseguiria avançar mais. Deixaremos uma administração mais enxuta, sem prejudicar o servidor. Pela primeira na história, o servidor de Itabuna que ganha até R$ 1.100,00 tem o tíquete refeição, os professores tiveram reajuste de mais de 26%, numa política de valorização. Mas estamos tirando os excessos, fazendo com que a Prefeitura seja uma Prefeitura séria, que acabe com essa questão do cabide de emprego.

Nós vamos deixar uma cidade melhor, mas enfrentar cada dia tem sido muito difícil. Todos os dias, realmente, têm sido difíceis e isso nos afeta. Mas você sabe, trabalhou aqui com a gente, eu enfrento a semana toda, não lembro de uma semana em que eu não estivesse aqui. Quando não estou aqui é porque estou em Salvador ou em Brasília, a serviço da Prefeitura. Nós temos encarado isso aqui, mas que tem sido penoso, tem sido. E confesso que tem momentos, que eu paro e penso: como é que eu vou sobreviver a esse dia? Diante de tantos problemas, de tanta dificuldade, eu pergunto: Deus, como é que eu vou conseguir passar esse dia? Mas a gente consegue, com a boa equipe que a gente tem, com a orientação de Deus, procurando fazer as coisas certas. E uma coisa que me tranquiliza é a nossa consciência. A gente tem uma consciência, ela é luz na vida de cada ser humano e a minha consciência me mostra que temos erros e que, infelizmente, ainda vamos errar, mas que temos feito todo o possível para melhorar a vida das pessoas, para melhorar a cidade.

A gente tem conseguido fazer muitos programas importantes, como os maiores programas de recuperação de escolas e unidades de saúde; melhoramos muito o Hospital de Base, a nossa Policlínica; somos a administração que mais comprou máquinas e ambulâncias, que faz os maiores programas sociais da história da cidade, com o Vivarte e a Casa das Artes; nós temos o maior programa de mobilidade urbana, o maior PAA do Brasil; temos aí 4.250 unidades do Minha Casa, Minha Vida; nós somos a única cidade que tem dois restaurantes populares; a cidade está mais limpa, mais iluminada, não é mais a cidade dos buracos, tem muito buraco, mas diminuímos muito… então, nós temos trabalhado muito.

Há a dificuldade do dia a dia, mas tendo consciência de que nós estamos melhorando a cidade, que a cidade está avançando, isso deixa a gente em paz.

Foi muito importante para mim, na semana passada, quando a revista IstoÉ, junto com a Editora Três e a Austin Ratings, que talvez seja a principal agência de risco do país, colocou Itabuna como uma das boas gestões do Brasil. Isso foi reconhecido, através de indicadores, o que mostra que estamos no caminho certo.

Eu já poderia ter saído da Prefeitura, ter passado o cargo, mas não passei e não vou passar, porque tenho esse sentido de responsabilidade. O que eu não quero é continuar nisso e enfrentar uma reeleição para ficar mais quatro anos, passando tudo o que eu estou passando. Efetivamente, eu vou botar um ponto final nisso no dia 31 de dezembro de 2016.

Vane diz que percebeu que ser prefeito não é só sorrisos. Muito pelo contrário, afirma. Por isso não quer mais.

Vane diz que percebeu que ser prefeito não é só sorrisos. Muito pelo contrário, afirma. Por isso não quer mais.

A CONFIANÇA NO TRABALHO E NA VITÓRIA EM 2016

Prefeito, baseando-se no que senhor diz que fez e que está fazendo, se resolvesse disputar a eleição, acha que seria reeleito?

Eleição sempre é difícil e reeleição é mais difícil ainda. Itabuna, historicamente nunca reelegeu um prefeito, a gente sabe dessa dificuldade. Mas a gente sabe que tem feito uma boa gestão. Quando mostramos à sociedade o que era e o que é, como estava e como está a cidade agora, as pessoas saem convencidas. Mas, saem convencidas mesmo! A gente sabe que muito tem por fazer, mas muito foi feito. Quando a gente compara o hospital de base o que era e o que é hoje; quando a gente compara como eles deixaram a Emasa e o que a Emasa  é hoje; quando a gente mostra que a violência na cidade tem diminuído e que isso não é à-toa. Claro que as polícias Militar e Civil, fazem um trabalho brilhante, mas são ações da Prefeitura também, como o maior campeonato da Bahia, os programas Vivarte e Casa das Artes. Este semestre, segundo dados da polícia, é o menos violento dos últimos dez anos em Itabuna. Quando você diminui a dengue pela metade, pegamos com um índice de cerca de 27% de infestação e hoje estamos com um pouco mais de 13%. Quando, por bondade de Deus e pelo trabalho feito, chegamos a três anos sem óbito causado por dengue. Então, nós temos muito o que mostrar, de uma administração que alcançou reconhecimento nacional, com essa premiação nesse ranking feito pela revista IstoÉ. Agora, claro, eu sou consciente de que uma reeleição é muito difícil, mas não é algo impossível.

Então o prefeito acredita que o candidato que apresentar será o favorito a vencer a eleição?

Eu volto a dizer que eu vou fazer todo o esforço para sairmos com uma candidatura única e uma candidatura forte. Acho que a nossa candidatura vai defender um projeto bom. Na campanha da minha eleição eu fui feliz em algumas coisas, como afirmar que Itabuna iria precisar de 20 anos de boas gestões – e a gente apanhou muito por isso, porque não é uma fala que agrade as pessoas. Eu não disse que os problemas de Itabuna seriam resolvidos depois de 20 anos, eu falei que Itabuna ia precisar de, pelo menos, 20 anos de boas gestões para sair da situação que se encontrava. Esta gestão está fazendo o papel dela, a cidade está avançando, por isso eu penso que se nós chegarmos com todos esses partidos, teremos uma candidatura forte, que vai mostrar à cidade que a gente teve a coragem de fazer uma licitação para o transporte público, uma coisa histórica, depois de 30 anos; que havia o mototáxi na ilegalidade e depois  de 15 anos de promessa dos outros, conseguimos regulamentar o serviço, no nosso primeiro ano e isso tem muito a ver com a diminuição da violência em Itabuna. Então, nós temos muita coisa boa para mostrar, principalmente os indicadores. Nós estamos investindo mais na saúde e na educação e reduzindo a folha, por exemplo, entre outros indicadores muito bons.

COMPROMISSO COM O PCDOB NÃO É CEGO, MAS TAMBÉM NÃO ENXERGA ROBERTO JOSÉ CANDIDATO

E quais são os critérios para escolher o candidato a prefeito?

Os partidos é que vão definir. Como eu assumi o PRB, o que me deixa feliz pela indicação, o partido sente que eu sou importante, nós vamos começar essa discussão.

Mas, o candidato será escolhido baseado em quê? O senhor não fala sobre Roberto José, mas ele é tido como pré-candidato e não nega; Davidson Magalhães é pré-candidato, Tom Ribeiro, do seu partido, botou a cabeça de fora e ainda tem Leninha Cavalcanti, pelo PPS. Todos de partidos ligados à administração. O critério vai ser pesquisa, simpatia, currículo ou a sua avaliação pessoal, que pode recair sobre o nome o PCdoB?

Olha, nós temos um compromisso com o PCdoB, mas não é um compromisso cego, porque se fosse eu não estaria conversando com os partidos. Se eu chego definido: o candidato aqui é Davidson não teriam sentido as conversas. Eu penso que estou fazendo a coisa certa, dialogando com os partidos e eles vão apresentar seus nomes para que busquemos um consenso. Depois dessa definição dos partidos, aí sim, eu entro para que cheguemos juntos a uma decisão.

Insisto numa questão que parece ser delicada para o senhor: Se Roberto José aparecer em pesquisa encomendada pelo governo ou pelos partidos, em que ele se mostre mais viável que os demais, o prefeito vai defender o nome dele ou vai manter a defesa do nome de Davidson?

Eu digo que Roberto não tem dificuldade para acatar essa minha recomendação porque tenho conversado com ele. Eu não posso sair com vários candidatos do governo, porque vou inviabilizar a gestão. Roberto tem todo o direito de pleitear, mas, pelo que conversei com ele, pela amizade que eu tenho com ele, pelo projeto que temos para Itabuna, tenho dito que a gente não pode sair com várias candidaturas, mas uma só. E isso é o que tenho neste primeiro momento, é o que a gente sinaliza. Pode haver um segundo momento, mas isso vai ser mais para a frente.

PORQUE NÃO QUER DISPUTAR A REELEIÇÃO

O senhor se elegeu prefeito vislumbrando dois mandatos: realizar este e partir para a reeleição. Considerando que a cidade precisava de 20 anos de boas gestões e comprometido com o município, o senhor entendia que a sua parte teria oito anos, ou duas gestões, certo?  Portanto, questiono por que o acordo com o PCdoB foi antecipado, já que não se pensava, em 2012 e mesmo em 2013, que a sua participação se encerraria em um mandato?

Foi uma decisão pessoal minha. Eu fui vendo as dificuldades, que são imensas, e como se comporta a política hoje em dia. Eu fui um vereador que me ative muito à minha função legislativa, assim, quando eu vim para prefeito vim para um novo mundo. Na realidade, não totalmente desconhecido, mas eu vi coisas que eu não via. Como eu sou muito responsável, vou levar este mandato até o último dia, estou focado na gestão, mas, durante o percurso eu mudei, no sentido de não querer mais a reeleição.

No início, a minha posição não foi bem aceita e o PCdoB, por exemplo, não queria, como todos os partidos da nossa base. Você sabe o que estou falando. Todos os partidos (do governo municipal) têm simpatia por mim e têm simpatia pela minha reeleição. A gente tem a possibilidade de agregar novos partidos, como o PSD, e todos têm interesse que eu saia candidato de novo, mas é uma decisão pessoal minha, depois de avaliações, concluí que, por tudo o que estou passando, eu não quero repetir. Eu sou uma pessoa livre para tomar minhas decisões, por conta disso é que eu não vou passar o cargo, nem que eu precise e eu preciso realmente, mas vou deixar para descansar mais pra frente um pouco.

O senhor desistiu de disputar a reeleição por ter se decepcionado com a política ou por não se achar capaz de enfrentar as dificuldades de administrar? Não estou avaliando a sua competência, mas querendo saber se o senhor desiste por achar tão complicado que não quer tentar de novo ou até tentaria se a política fosse mais séria?

É um pouco de cada coisa. A política no país tem pessoas sérias, mas a política não é séria. Eu sou sério e sei que existem muitas pessoas sérias no política brasileira, mas a política, em si, ela não é séria e quando você é sério e quer fazer a política séria, você sofre mais. E isso, efetivamente, tem uma parcela de contribuição para que eu não saia candidato.E do jeito que os municípios estão sendo tratados (pela União), com o dinheiro que chega para a saúde não dando para a saúde, o mesmo em relação à educação, diante de uma grande demanda que as pessoas, merecidamente, querem ver atendidas, torna administrar uma grande carga colocada nos ombros dos prefeitos.

Então, seja pela política, que tem homens sérios, mas não é séria, seja pela dificuldade para os prefeitos, não dá mais vontade de ir buscar uma reeleição, para a qual eu não tenho recursos (financeiros) e eu não seria irresponsável de tirar coisas da Prefeitura, para ficar mais quatro anos. Eu não quero mais isso para mim.Tudo que eu quero e peço a Deus, é que eu possa trabalhar até o último dia, procurar a gestão como estou levando, com seriedade, com responsabilidade, melhorando a cidade naquilo que eu posso e, a partir do dia 1º de janeiro de 2017 o que eu quero é voltar apenas a ser Vane.

Com todo respeito às pessoas que insistem ainda, eu fiz o que tinha que fazer. Eu conversei com meu pastor, eu conversei com meus líderes espirituais, com o Governo do Estado, com meu partidos, com os secretários, com todo mundo, para depois tornar isso público. Algumas pessoas me disseram: “Vane você devia deixar isso pra depois”, mas o momento é agora, eu precisava ser franco, ser sincero com os partidos e com as pessoas. É uma decisão sem retorno.

NÃO QUER SER NEM SER SECRETÁRIO A PARTIR DE 2017

O senhor se aposenta da política, não admite mais voltar à política, em outro cargo, como vereador ou deputado, ou lá na frente pode disputar um cargo legislativo? Ou ainda: se o seu candidato a prefeito ganhar a eleição, o senhor aceitaria ser secretário, participar da administração?

Eu não penso em concorrer a mais nada. Eu tenho outro plano, que eu comungo muito com minha esposa, com minha família. Eu não me vejo mais na vida pública, mas não tenho nada contra a política, porque sou político e vou continuar na política, mas não quero concorrer a cargo nenhum. Não serei mais candidato a vereador, nem a prefeito e não tenho interesse de ser candidato a deputado estadual. Minha visão é a de que não quero mais concorrer a nenhum cargo, mas, efetivamente, vou querer influenciar positivamente, democraticamente, apoiando pessoas que entendam, que tenham o meu perfil, pessoas que possam contribuir para o bem comum.

Toparia ser secretário municipal?

Também está descartado, não serei secretário. Com certeza absoluta. Hoje, posso definir que não tenho pretensão de concorrer a nada. não serei vereador e nem secretário em governo nenhum.

O senhor vai continuar morando em Itabuna ou vai fazer missão evangélica fora do estado, como foi noticiado?

Na realidade, eu sempre tive uma chamada, uma vontade muito grande de fazer missão. Missão se faz em qualquer lugar, entendeu? Então, se eu receber um convite para sair de Itabuna e fazer missão com certeza irei. Mas, a gente pode fazer missão em Itabuna também. Devo continuar morando em Itabuna, a não ser que a minha igreja entenda que é importante que eu vá para outro local para fazer missão. Missão é o que é eterno, é a mensagem principal de Jesus Cristo. O Cristianismo todo é baseado na missão de levar o evangelho às pessoas e isso é uma coisa que eu vivo, mesmo aqui na prefeitura. Me considero um missionário aqui. Aqui não é igreja, mas eu vivo os meus valores, você sabe disso. Aqui é uma prefeitura e eu tenho sido prefeito, o estado é laico, eu sei disso perfeitamente, mas eu vivo os meus valores também aqui.

Eu penso em terminar o meu mandato e me dedicar mais às coisas de Deus, à obra de Deus e pode ser aqui em Itabuna, como também pode ser fora.

SOBRE EVANGÉLICOS QUE ERRAM NA POLÍTICA

Como evangélico de uma igreja respeitada historicamente, pelos valores, como o senhor destaca. qual a sua opinião sobre essas acusações – e, em alguns casso, comprovações – de corrupção de políticos ligados à igreja?

Isso é lamentável, quando comprovado, porque muita coisa é conversa. Mas sabemos que tem coisa comprovada e é lamentável que uma pessoa que se diz cristã e que vai exercer um papel em que ele tem que defender a sociedade e acaba fazendo a mesma coisa dos que não são sérios e dos que não têm a mesma fé. Isso é triste. E eu me sinto envergonhado com isso, de ver pessoas que se propõe a defender o público, a defender o social e que terminam com práticas ilícitas. A igreja não aceita isso, mas, infelizmente, fica esse mau exemplo. Ainda bem que ainda há os bons exemplos.

E Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara?

Não tenho aproximação com ele, conheço pela mídia mas o vejo como um presidente da Câmara que, efetivamente, coloca as pautas em votação, ele acelera a pauta e isso é uma vantagem que ele tem. Neste particular, eu tenho uma admiração por ele, que é uma pessoa corajosa.

E essa coisa toda do dinheiro na Suíça, propina do petrolão, etc.

Se comprovadamente isso aconteceu, infelizmente, será uma grande decepção. A sociedade brasileira está muito decepcionada com os políticos e com razão. E uma das coisas que nos deixa tristes é que você acaba nivelado por baixo. A não ser as pessoas que te conhecem mas ao entrar na vida pública, te nivelam por baixo, como se todos estivessem na política para usufruir, para tirar aquilo que é do povo. Se o que acusam Eduardo Cunha se comprovar, infelizmente, se confirmará a velha demagogia, a pessoa prega uma coisa mas vive outra.

CONFIANÇA NA HONESTIDADE DOS SECRETÁRIOS

Vane continua colocando a mão no fogo por todos os secretários?

Você me conhece e você sabe que eu não sou uma pessoa de ficar apenas no gabinete e todos os meus secretários têm acesso a mim e eu tenho acesso a eles. Eu sou um cara que vou na Saúde, vou na Educação e converso muito com todos. Até hoje eu não tive nenhum conhecimento de nada de errado, por mais que as pessoas digam – e até pararam mais. Antes denunciavam uma coisa, denunciavam outras, mas eu não tenho nada que desabone a conduta de nenhum secretário. Os secretários que nós tiramos foi por questões de dar uma nova dinâmica, de melhorar as secretarias, mas pode ter certeza: eu, sabendo de alguma coisa, vou agir. Desconheço, no entanto, qualquer tipo de desonestidade, vamos dizer assim, no nosso governo.

O seu governo mudou pouco, não fez reforma administrativa e as maioria das pessoas que saíram o fizeram por razões pessoais. Isso não teria dificultado o movimento do seu governo? O senhor não sentiu necessidade de uma renovação na equipe?

Na realidade, a gente respeita todas as opiniões. Eu, como sou uma pessoa centrada na administração e que acompanho as pastas, acredito que tenho bons secretários, que estão trabalhando, mesmo com todas as dificuldades. Eu não dou boa vida a secretário, porque a situação do município não me permite dar uma condição melhor, mas entendo que eles têm se esforçado e trabalhado, tanto é que temos melhorado todos os índices da cidade. Mudamos na saúde por duas vezes, porque eu entendi que tinha que mudar. Quando mudamos a Marimbeta não foi um pedido de Júnior, mas porque a gente entendia que precisava mudar na Marimbeta. Quando mudamos, agora, a Secretaria de Assistência Social, o partido não queria manter o secretário, mas a decisão foi minha e falei, inclusive, com Trindade. Em junho, chamei Trindade e disse a ele que precisava de uma nova dinâmica na secretaria e que iria trocar. “Vou botar você na Secretaria de Governo”, eu disse a ele, pois entendo que Trindade tem um perfil melhor para a Secretaria de Governo. Então todas essas mudanças, salvo a sua e a de Clodovil, foram mudanças nossas. E nós já mudamos também pessoas do segundo escalão. Sempre que eu entendo que é necessário substituir, a gente não tem esse medo, não; a gente substitui. Eu acho que, nos últimos anos, fui o gestor que mais mudou secretários.

SOBRE TRINDADE, FICC E SETRAN

E por que Trindade não ficou no governo?

Trindade havia dado sua contribuição à Secretaria de Assistência Social, mas, dali em diante, eu entendi que precisava implantar uma nova dinâmica. Como ele era uma indicação do PRB eu comuniquei ao partido que iria tirar ele daquela secretaria e colocá-lo em outra secretaria. Mas, o partido não quis: “A gente não quer Trindade nessa nova pasta”, e indicou outro nome. Eu não tinha outra secretaria, no momento, para dar a Trindade, uma pessoa amiga, que sai do governo e que eu, infelizmente, não tinha como mantê-lo.

Trindade iria para a Secretaria de Governo apenas se fosse cota do PRB, por isso depois não ficou…

Exatamente. Ele aceitou, em junho, mas o partido não aceitou e por essa razão, infelizmente, ele saiu do governo.

O governo tem uma situação em que um secretário responde por duas pastas e isso já vai para o sexto mês, o senhor pretende manter essa condição sine die ou os cargos estão aguardando para negociação com algum partido visando a eleição de prefeito?

A gente sempre procura fazer as coisas aqui para economizar. Colocar Wenceslau como secretário foi porque ele é uma pessoa capaz, mas também faz a economia de um salário de secretário. E com Roberto, a avaliação foi de que ele é uma pessoa muito capaz e que lá na FICC ele já fez um trabalho de organização, depois de um começo difícil, e agora ele tem condição de manter a FICC funcionando bem e assumir outra secretaria. O trabalho na FICC continua bom, tem servidores lá que ajudam, e nós colocamos Roberto na Secretaria de Transporte e Trânsito (Settran), pela capacidade que ele tem e pra gente fazer uma economia.

Para você ter uma ideia, hoje eu estou sem dois diretores na Settran, que são cargos comissionados. Tudo o que eu posso fazer para economizar recursos, eu faço. No primeiro dia do meu governo eu baixei meu salário, tem prefeitos que estão fazendo isso agora e eles estão certos. Eu baixei o meu salário e baixei o salários dos secretários, só isso aí me dá uma economia de R$ 65 mil por mês, nos quatro anos passa de R$ 3 milhões de economia.

Estamos fazendo essa economia, mas também sabendo que a pessoa que a gente está colocando para acumular duas secretarias tem dado conta do recado.

Então, enquanto Roberto José der conta do recado fica nas duas e a FICC não está mais para negociação com partidos?

Na realidade, como estou falando, a gente está fazendo essa economia e enquanto eu puder manter como está eu manterei. Mas, é claro que a gente vai para uma eleição e a gente precisa atrair alguns partidos e isso pode levar a uma negociação, sim, para que a gente possa sair mais forte na eleição.

Que avaliação o senhor faz da relação do Governo do Estado hoje e de quando era com Jaques Wagner? O que mudou, mudou para melhor?

Nós tivemos uma boa relação com o governo Wagner e há uma continuação com o governo de Rui. Nós tínhamos um problema muito sério por causa dos recursos da Plena (administração municipalizada da saúde em todos os níveis), a gente foi adquirindo esses recursos aos poucos e com a entrada de Rui facilitou. Porém, entendo que o Governo do Estado precisa marcar mais presença em Itabuna. Temos aí uma dificuldade que é o abastecimento de água. Na semana passada, estive com Rogério (Cedraz), presidente da Embasa, que nos sinalizou que o governador vem a Itabuna para dar uma nova ordem de serviço para a construção da barragem, que é indispensável pra gente, fundamental para Itabuna. E a gente espera que essas coisas importantes para a cidade realmente aconteçam. Enfim, o Governo do Estado tem nos apoiado, temos uma relação boa, mas Itabuna precisa de mais do Governo do Estado.

PODE APOIAR GERALDO SIMÕES PARA PREFEITO

Ao falarmos de governo estadual e lembrando que o senhor disse que vai buscar a unidade dos partidos da base, incluindo o PT, pergunto: Vane apoiaria Geraldo Simões para prefeito?

Volto a dizer: eu vou fazer a minha parte e quando a gente faz a nossa parte você não se cobra, não é? O que eu fazer? Tentar unir. Estamos marcando reunião com os partidos da base municipal, tentar atrair outros partidos e vou conversar com Geraldo, vou conversar com o PT, porque a gente quer, efetivamente, sair com uma candidatura única. E se essa candidatura for a candidatura do grupo do PT, eu não teria dificuldade de apoiar Geraldo.

Ainda há o pensamento de trazer nomes do PT para o seu governo?

Não. A gente quer trazer o PT para a eleição. Se isso acontecer agora, eu confesso que a gente tem pouquíssimas possibilidades no governo, com essa crise que estamos atravessando. Eu não vou fazer da prefeitura um balcão de negócios para atrair partidos. Eu não vou fazer isso de forma nenhuma. Não vou comprometer a minha administração para tentar uma eleição, não faria isso para mim, na busca de uma reeleição, e não faria isso pra ninguém.

Agora, nós temos alguns espaços de cargos comissionados, que até poderiam ser ocupados por outros partidos, mas dentro desse contexto de responsabilidade com a gestão atual, visando o prosseguimento desse projeto.

O senhor já conversou com o governador Rui Costa sobre essa unidade partidária que pretende buscar?

Eu tenho conversado muito com Josias (Gomes, secretário estadual de Relações Institucionais). Falei a ele que não era candidato no mesmo dia em que informei ao meu partido. E também falei da importância de unir os partidos da base. Vamos continuar conversando. Este é um momento de deixarmos de lado vaidades para sairmos com uma candidatura viável, pensando em Itabuna.

Qual o prazo para essa definição?

Temos que ter essa definição no início do ano. Temos outubro, novembro e dezembro para as conversas, chegando ao início de 2016 com a definição. Já temos uma primeira reunião pré-agendada, faltando apenas confirmar a data. Participarão os dirigentes municipais dos partidos. Em um primeiro momento a conversa será com os partidos do governo municipal e depois vamos conversar com os demais partidos da base do governo estadual.

O senhor crê que seja mesmo possível que o PT retire sua pré-candidatura para apoiar um nome indicado pelos partidos que apoiam seu governo?

Como eu falei, é uma missão difícil, mas eu me sinto à vontade e disposto a buscar essa união, esse é meu papel. Farei todo esforço para que isso aconteça, não acontecendo os partidos é que vão decidir. Se todos os partidos decidirem que a gente deve marchar com o PT, a gente marcha com o PT.

QUEM NÃO FECHAR COM O NOME ÚNICO SAI. ACÁCIA FICA

Nas eleições do ano passado o senhor liberou vários de seus secretários a apoiar candidatos a deputado estadual e federal diferentes e recomendou firmemente que o foco eram a presidente Dilma, o governador Rui e o senador Otto. Mas para prefeito o senhor teria dito que quem pensar em apoiar candidato diferente do seu está fora do governo, o senhor mantém essa postura?

Aí é lógico. Eu sou democrático, você sabe disso, mas eu não posso ir para uma eleição de prefeito, com três, quatro ou duas candidaturas. Eu não posso ir com duas, eu tenho que ir com uma candidatura. Não é possível pensar em projeto e querer ter mais de uma candidatura, eu não vou permitir isso.

Então, nesse caso, já podemos imaginar que Acácia Pinho sai do governo no começo do ano?

Não. Se ela ficar com o grupo aqui, que eu acredito que ela esteja, ela não sairá.

Ela se afastaria do PDT para ficar com o grupo, ela já lhe deu essa garantia?

Com toda certeza, absoluta. E ainda há a possibilidade de o PT vir compor o grupo, pelo menos foi feita uma negociação. Claro que eles têm uma pré-candidatura, que pode crescer e impedir que o partido venha com a gente. Mas, a pessoa da professora Acácia, com certeza, ela está nesse nosso grupo. Ela tem feito um bom trabalho na Marimbeta, é uma pessoa muito respeitada na cidade e é uma pessoa que soma.

CONSCIÊNCIA DE QUE FEZ O MELHOR

Prefeito, chegando ao terceiro ano do seu mandato, houve algo que se o senhor pudesse não teria acontecido no seu governo? Há algum mea culpa a fazer?

Com sinceridade, o meu governo tem dificuldades, o meu governo tem problema, mas eu entendo que, desde o primeiro momento, eu fui muito firme nas minhas decisões. O custo do lixo era R$ 1 milhão e eu baixei para R$ 600 mil, reduzi folha, então, desde o primeiro momento eu tenho buscado fazer uma cidade inviável ser viável e qualquer pessoa pode ir ao tribunal (TCM – Tribunal de Contas dos Municípios) e ver os números. Eu peguei uma prefeitura onde 83% da receita eram comprometidos com folha. Tenho que repassar 6% para a Câmara, somando com a folha me sobrava apenas 11%. Eram R$ 500 milhões de dívidas e ainda com todos os problemas da cidade. Isso exigiu que desde o início eu fosse muito duro, cortando tudo o que se pode cortar. Eu não me culpo de decisões que não tomei, porque eu costumo tomar minhas decisões avaliando, analisando. A minha única decepção é essa crise nacional, que afetou demais, nenhum prefeito contava com isso. Eu sabia que a crise do município era profunda e eu estava preparado para ela, por isso, desde o primeiro momento, tomamos a decisão da austeridade, mas essa crise que se abate com magnitude sobre os municípios, isso realmente deixa a gente extremamente preocupado, com poucas possibilidades de fazer aquilo que a gente quer.

Façamos um exercício de hipóteses: estamos em 2 de outubro de 2016, Vane é candidato à reeleição e o eleitor Vane vai votar, ele votaria no prefeito Vane por quê? O que o senhor acha que ficou ou ficará de marca significativa do seu governo, qual o seu legado?

Eu acho que a grita no país todo é ter um gestor sério. Essas grandes manifestações populares têm sido em busca de alguém que chegue a ser gestor, em qualquer esfera pública, e que seja responsável, sério e honesto. Eu acho que esse é o legado do nosso governo. Nós temos demonstrado isso, quando a gente regulamenta o mototaxista, quando a gente baixa do lixo, quando a gente decide fazer uma licitação histórica  para o transporte; quando a gente cria os maiores programas sociais da história desta cidade; quando diminuímos a dengue; quando temos uma cidade mais bonita, mais iluminada; quando a gente contribui para que o Hospital de Base volte a ser uma referência…

Eu votaria em Vane, respeitando as demais candidaturas, exatamente porque eu vejo na pessoa do prefeito Vane aquilo que as pessoas querem: um gestor sério, comprometido com a cidade e com os recursos e que está fazendo com que a cidade caminhe.

O LEGADO

Considerando que o senhor entrou no governo sendo sério, é sério e que é obrigação do gestor ser sério, aponte uma coisa da sua administração da qual possa dizer “isso que eu fiz eu quero que as pessoas sempre se lembrem”.

O maior legado que a gente vai deixar é que, agora, Itabuna é uma cidade viável, porque eu não peguei uma cidade viável. Quem vier depois de mim terá mais recursos, porque a gente foi responsável com a cidade, a gente negociou o FGTS, o INSS, vamos deixar a Prefeitura com 20% a menos de folha e eu acho que isso é uma das coisas melhores da nossa administração; vamos deixar uma condição para que o próximo gestor possa fazer muito mais do que eu, por conta da nossa responsabilidade com os recursos do município.

Uma coisa que me deixa muito feliz é hoje o Hospital de Base estar funcionando com uma situação muito melhor. Isso, para mim, é uma marca, ter melhorado a saúde da cidade, que embora seja muito criticada, tivemos avanços. Outra coisa que me alegra é os maiores programas sociais estarem acontecendo agora e a gente estar dando oportunidade a crianças e adolescentes de praticar mais esporte, ter acesso a cultura. Porque a maior preocupação da população é a segurança e é muito bom saber que temos o semestre com os menores índices de violência dos últimos anos, em um momento que o município vivendo políticas públicas como nunca, incluindo o segundo restaurante popular, a revitalização das nossas praças, os campos de areia nos bairros, o maior campeonato do mundo, quando se tem vagas para dez mil crianças no esporte, na cultura e no lazer. Este governo fez muito com pouco e eu acredito que isso é uma marca

Peço, finalmente, que deixe uma mensagem, como se estivesse falando com um eleitor ou eleitora que lhe confiou o voto em 2012 e queria que o senhor continuasse em um segundo mandato.

Às pessoas que gostam de mim, e eu sei que são muitas pessoas, eu peço que entendam a minha decisão. Vou trabalhar até o último dia do mandato e vou deixar uma cidade melhor e vou deixar também um legado de seriedade na administração pública. Eu agradeço às pessoas que me deram dois mandatos de vereador e me elegeram prefeito. Digo que estou honrando este mandato. Me considero prefeito de todos e vou trabalhar até o fim para fazer jus a esse voto de confiança. Eu desisti da reeleição, não do cargo, nem das minhas obrigações e estou pedindo a Deus sabedoria e saúde para melhorar a cidade mais ainda, naquilo que for possível.

 

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4 respostas »

  1. Li e reli,adorei!!muito esclarecedora,Vane é tudo isto mesmo,sou admiradora do Prefeito Vane ele é correto com todos,e quando ele gosta ele gosta! Parabéns Giorlando Lima pela excelente entrevista.

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