Campanha 2016

O desperdício de força eleitoral no governo Vane ou de como o avião e o carro de F-1 podem se explodir

A sucessão do prefeito Claudevane Leite pode entrar para a história de Itabuna como aquela em que um grupo decidiu, por ele mesmo, perder a eleição. Se persistir o apetite autofágico do que deveria ser o grupo de Vane, Waldeny Andrade terá uma história de desastre político para contar, se decidir atualizar o seu A Ilha de Aramys. que conta sobre eleições itabunenses em 40 anos (até 2012).

Itabuna tem pelo menos doze políticos que se dizem candidatos a prefeito. Dois são dados como cartas fora da disputa, por causa de processos e condenações na Justiça ou por contas rejeitadas: Fernando Gomes e Capitão Azevedo. Dos outros dez, há uns seis sem chance alguma de eleição, por mais que se indignem com essa afirmação, e alguns não serão candidatos a nada.

Entre os que afirmam que não “abrem nem para o trem da FIOL”, com chances objetivas de candidatura, estão Davidson Magalhães, economista, deputado federal e vice-presidente estadual do PCdoB, e Roberto José, professor, escrivão de carreira e atualmente secretário de duas pastas no governo Vane, filiado, ao que consta, do PSD. Um tem o que falta no outro, ou em um sobra o que o outro carece. Os dois são preparados e competentes. E os dois querem a mesma coisa.

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Roberto José (com Silas Alves) na campanha de Vane, em 2012.

Davidson (com Marcos Cerqueira) na campanha de Vane, em 2012.

Davidson (com Marcos Cerqueira) na campanha de Vane, em 2012.

Davidson tem mais experiência política e possui bagagem eleitoral (já foi candidato a prefeito, vereador e está em mandato na Câmara de Deputados). Roberto tem como experiência política apenas o que conseguiu apreender na guerra intestina do governo municipal e de bagagem eleitoral o apoio discreto que emprestou à campanha de Vane, embora nos bastidores tenha sido – como ainda é – um dos principais conselheiros do então candidato e hoje prefeito.

Roberto José já teria a seu favor uma substancial parte da chamada máquina da Prefeitura, entendida aí como as secretarias como menos desgaste (e mais apoio da mídia) e o controle da única secretaria que não teve, em três anos, qualquer corte orçamentário. Na FICC nunca faltou dinheiro. Já Davidson Magalhães tem estrutura partidária, conhece os canais de financiamento e ainda conta com uma identificação política com o governo, mas as duas secretarias atribuídas a seu partido têm dificuldade para melhorar seus índices de popularidade, muito mais pelo estado em que já se encontravam e pela falta de recursos financeiros e quase nada por culpa dos titulares indicados pelo PCdoB.

Davidson Magalhães é mais conhecido que Roberto José pelo eleitorado. Disputou a última eleição e obteve pouco mais de 14 mil votos. Isso lhe dá maior densidade eleitoral nestes momentos prévios à campanha propriamente dita. Roberto ganhou maior notoriedade e passou a ser mais conhecido ao ser nomeado para a secretaria de Transporte e Trânsito (Settran), substituindo Clodovil Soares, cujo trabalho já havia transformado a secretaria na mais bem avaliada do município.

O nível de conhecimento dos dois, autoriza a entender que Davidson tem força de largada e Roberto José tem força de chegada. Um pode aproveitar que é considerado conhecido por quase 80% do eleitorado para começar uma campanha com base mais forte e o outro pode usar o fato de que mais de 70% não o conhecem para crescer. Mais conhecido, Davidson tem maior rejeição. Menos conhecido, Roberto tem menos difusão do seu nome. A rejeição de um é típica da disputa, pode ser aparada e revertida; a pouca penetração do outro é temporal e pode ser convertida em popularidade. Para os dois é necessário ajustar o foco.

Entre as pessoas que acompanham ou apoiam Roberto, Davidson Magalhães e o PCdoB são os adversários. Para o PCdoB e Davidson, Roberto José é um estorvo. E assim, os dois, que pela lógica do governo deveriam estar andando juntos ou, pelo menos, correndo em raias paralelas, partiram de pontos diferentes, em direções opostas, com visível intenção de atropelar um ao outro. O resultado disso só pode ser um: eles se chocarão muito fortemente em determinado ponto da corrida e verão que fizeram tudo errado. Porque há adversários reais na frente, avançando praticamente sem sombra.

O deputado estadual Augusto Castro, do PSDB, é, por enquanto, o pole position. Numa comparação com a Fórmula 1 atual, AC, como passei a chamar e parte das redes sociais adotou, seria Lewis Hamilton e Davidson e Roberto os dois pilotos da Red Bull. E para chegar ao pódio eles ainda precisam provar que são mais competitivos que o ex-deputado e ex-prefeito Geraldo Simões, que poderia ter o papel de Sebastian Vettel nessa corrida. Mas, nem Geraldo Vettel nem Augusto Hamilton têm o pit stop no qual tanto Davidson quanto Roberto podem obter apoio para completar o trajeto até as urnas: a Prefeitura. E mais que a Prefeitura, o prefeito.

A administração municipal não voa em céu de brigadeiro e ainda experimenta turbulências sérias, agravadas pela crise econômica nacional, mas a aeronave ainda está no ar. E tem cerca de um ano para manter-se em cruzeiro, acertar a proa e levar o candidato a piloto que for mais competitivo e capaz de atrair o interesse do eleitor, a pousar tranquilo. Roberto já trabalha em um aeroporto, mesmo que desativado. Mas Davidson tem muito mais horas de voo, literalmente.

Entretanto, nesse desperdício de forças, alimentado pelo arsenal de vaidade e preconceitos visível na fileira de cada um no avião do governo Vane, é cada vez mais real o risco de o avião se despedaçar no ar e pedaços de ambição se perderem no mar da história. Dizem os que não querem ver esse desastre que passa da hora de o comandante da aeronave definir a rota de voo e estabelecer os critérios para a aquisição do brevê. E limpar o espaço aéreo. Tem ainda muito teco-teco esfumaçando o céu.

Em palavras mais claras: se Vane não agir rápido, se ficar contando com o tempo que não é dele, pode ser desastroso para os dois nomes associados ao seu governo que podem fazer frente a adversários como Augusto Castro e Geraldo Simões – bem como a Mangabeira, Carlos Leahy, Leninha, Alfredo Melo, a José Roberto, Zem Costa, Pedro Eliodoro, pois surpresas são possíveis e o eleitor parece previsível, mas não é.

O governo, como dito e sabido, não está sendo um sucesso de popularidade, mas tem o que mostrar e pode recuperar sua boa imagem. Tem ainda algum tempo pela frente e se fizer os ajustes certos, será um eleitor e tanto. Mesmo assim, se as coisas continuarem difíceis, ainda há o valor político-eleitoral de Vane do Renascer, que não é desprezível, não mesmo. As contas não são complicadas. Senão, vejamos.

Se Roberto José já conseguiu um nicho eleitoral e já pode contar com uns bons votos; se Davidson Magalhães já sai com uma base de votos, considerando o desempenho histórico do seu partido, sabem os dois que há votos de Vane ainda a somar. E é isso o que eles querem. Os conjuntos ainda não resultam em um produto cartesiano, mas já poderiam ser. Entretanto, como eles vão, trabalham para marcar a história como o maior desperdício político já registrado em Itabuna. Um erro maior que o de Geraldo Simões em 2004, quando jogou para fora do barco Ubaldo Dantas e Renato Costa. O barco adernou, sabe-se.

Davidson Magalhães e Roberto José podem passar, nesta eleição, como bólidos e perderem-se no horizonte da frustração. Ou, um pensando que é carro de F-1 e o outro pensando que é avião a jato, chocarem-se fatalmente por vaidade e pouca inteligência política. Cabendo a Vane e ao governador Rui Costa – ao mesmo tempo diretor de prova e chefe de torre de controle – impedir a tragédia. Isso se antes um míssil do AI, ou de AC, GS, AM ou outro qualquer, não derrubar o avião político do governo Vane no lixão de Ferradas.

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2 respostas »

  1. Você foi muito feliz nas comparações, como dever moral devo dar o meu voto a Davidsom,assm como também acho que o prefeito tem este dever moral para com o PCdoB,pois se não fossem eles não estaríamos aqui agora comparando e trabalhando em prol do governo Vane,acho que ambos são pessoas capazes,mas deveriam sentar e conversar,pois os dois tem chances e votos entre os eleitores de Vane,mas a maioria assim como eu,reconhecemos o dever moral que o prefeito tem com o PCdoB,que o ajudou a eleger-se com militância e dinheiro,não podemos negar isto! Roberto também poderia ser mais humilde,coisa que não é,e nem faz questão de ser, conheço Davidson a mais tempo e sei que tem competência,não voto por partido,voto por pessoa,e ele é uma pessoa competente e capaz de fazer um bom trabalho aqui em nossa cidade! Parabéns que vença aquele que for capaz de ser mais humilde e ceder para unir estes homens capazes e formar uma chapa imbatível!

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