Bahia

Política itabunense: Roberto aceita dialogar com PCdoB e diz que não teme enfrentar nenhum adversário

O entusiasmo com que o geógrafo, policial civil e professor Roberto José da Silva, casado com Saionara e pai de Sofia, de quatro anos, fala dos projetos desenvolvidos pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), explica bem a razão de ele, pré-candidato a prefeito assumido, ter preferido ficar na fundação e não na Secretaria de Transporte e Trânsito (Settran), quando o prefeito Claudevane Leite mandou ele escolher uma das duas, pelas quais ainda responde, cumulativamente (“só o trabalho, com um único salário”).

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Roberto com a esposa Saionara

A Settran é considerada uma máquina de voto. Tem verba própria, pode fazer obras, mexer com a cidade em termos físicos, tem uma equipe maior, mais visibilidade. Mas, segundo Roberto José (ou Roberto da FICC ou Roberto da Settran, ou ainda RJ, como é tratado em conversas entre jornalistas e nas redes sociais, mas, cada dia mais, apenas Roberto), a FICC mexe mais com suas boas emoções. “Ver o brilho nos olhos das pessoas que se beneficiam dos programas socioculturais”, é a sua grande recompensa, ele diz. Também anota o fato de que está na fundação cultural desde 1º de janeiro de 2013 e que fez um planejamento de quatro anos para a instituição.
Considera que vai deixar a Settran tendo cumprido tudo o que propôs como meta e ainda deixa muita coisa em andamento ou pronta para ser realizada no ano que vem. Destaca a licitação do transporte coletivo que, se realizada, será a primeira da história do município. Promete para esta semana a publicação do edital para consulta pública (e sugestões) e garante que antes do fim deste mês entrega a mudança no fluxo de tráfego na rótula do São Caetano, o maior gargalo do trânsito de Itabuna. Para fazer isso, Roberto diz que “coloca sangue no olho” e parte para a ação. Explica que essa é a sua proposta de gestão: baseada na ação, buscando a eficiência.images (1)
Roberto reafirma que é pré-candidato a prefeito, pelo PSD, mesmo não tendo ainda obtido esse reconhecimento do prefeito Vane, de quem além de colaborador é amigo há muitos anos. Ele acredita que na hora certa o prefeito vai admitir publicamente a condição de pré-candidato do, ainda, duplo secretário. Roberto não apenas acredita nisso como tem fé que Vane e os partidos da base verão que ele tem as melhores chances de concorrer à eleição – e apostarão nele. Atribui sua pré-candidatura a um movimento popular, a partir da visibilidade e do acerto do seu trabalho, e não se nega a dialogar ou a compor com nenhum dos pré-candidatos ligados ao governador Rui Costa ou ao prefeito Claudevane Leite, incluindo Davidson Magalhães, do PCdoB.
A afirmativa de que pode apoiar ou ser apoiado por qualquer um, entre os quais Geraldo Simões do PT, ganha um contorno de destaque quando o nome é Davidson, porque os meios políticos e a imprensa, esta em especial, tem essa possibilidade como remota. Há quem ache que seria o mesmo que tentar misturar água e óleo, considerando o histórico de confrontos explícitos ou silenciosos registrado entre o grupo a que Roberto José está mais ligado e o PCdoB. Confronto que Roberto nega ter chegado ao ponto de atrapalhar a administração do prefeito Claudevane Leite e que ele coloca na conta do “necessário exercício dialético do contraditório”.
Como amigo e colaborador, tendo sido prestigiado com duas secretarias importantes (missão que, mesmo adversários reconhecem, ele vem cumprindo a contento), Roberto defende o prefeito Vane e reforça o discurso da maioria dos membros da administração quanto às dificuldades que o governo teve para deslanchar e fazer mais do que tem feito. Para ele, fatores críticos oriundos de outras administrações e que não puderam ser vencidos, atrapalharam o prefeito e equipe, mas houve avanços e o tempo se encarregará de mostrar a importância do trabalho feito por Vane. Um projeto que ele considera responsável e se compromete a resgatar e fazer evoluir, se eleito prefeito de Itabuna.

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Leia a entrevista completa abaixo.
BLOG – Roberto, você é candidato a prefeito de Itabuna?
Eu sou o nome do PSD para concorrer à Prefeitura de Itabuna. O projeto do partido é fazer prefeitos nas principais cidades da Bahia. O PSD é da base do governo da presidenta Dilma Russeff, da base do governador Rui Costa e do prefeito Vane, tem a liderança estadual do senador Otto Alencar e na região da deputada Ângela Souza e em Itabuna está apresentando o meu nome como pré-candidato a prefeito. O prefeito Vane disse que vai ouvir os partidos da sua base (PRB, PCdoB, PPS, PV, PSC, PP e PSD) e desse exercício sairá um nome da base para disputar a eleição de prefeito. A forma como o prefeito vem conduzindo o processo é uma forma democrática. Eu acho que política não se faz com verticalizações, com imposições, mas a partir do diálogo e do convencimento.

BLOG – Em recente que o prefeito me concedeu, ele insistiu que você não é pré-candidato, que o PSD não tinha apresentado seu nome. Entretanto, ele reconheceu que haveria um segundo momento e nesse segundo momento a sua candidatura poderia ser apresentada, você afirma que é pré-candidato porque esse segundo momento chegou ou porque a sua pré-candidatura independe do aval direto de Vane, para mais na frente demonstrar a ele que você tem condição de competitiva e pode ser eleito?

Na verdade, as duas coisas. O segundo momento chega, o projeto do PSD é ter nome. É claro que uma campanha, uma pré-campanha não surge do interesse e da decisão pessoal, mas da decisão de um grupo e de uma manifestação de setores da população. Eu costumo dizer que as pessoas fazem projeto político, mas têm que combinar isso com o povo e nós estamos nessa linha. O segundo momento a que se referiu o prefeito chegou, o PSD é da base e estamos à disposição para dialogar. Já há conversas, mas logo teremos uma reunião específica de todos os partidos com o prefeito Vane, para alinhavar tudo o que falta.

BLOG – O governo do Estado tem dado sinais, ou pelo menos o partido predominante na base, que é o PT, de que pretende lançar o ex-prefeito Geraldo Simões e atrair para a sua candidatura o apoio dos demais partidos aliados ao governo. Você não teme que essa articulação tire a sua possibilidade de ser candidato, considerando que você afirmou que será as diretrizes definidas por Rui Costa e Vane?

Pelo que eu sei as diretrizes não são necessariamente essas. O que nós temos ouvido é que o governo do Estado quer ter como candidato a prefeito de Itabuna um nome ligado ao partido deles, esse eu diria que é o plano A, mas nós estamos em um ambiente democrático e não podemos aceitar verticalizações, e em conversas com o senador Otto Alencar e com a deputada Ângela Souza obtivemos a garantia da autonomia do partido. É importante o partido estar empoderado ao processo, é importante que haja uma conjunção de forças, mas as verticalizações, em um ambiente democrático, isso não cabe mais.
Além do que, o cenário e o panorama nacional, que se refletem para o estado e os municípios, sinalizam o momento do novo: um novo perfil de político, uma nova forma de fazer gestão. O próprio governador Rui Costa disse em entrevista a uma TV da região que o cenário é para o novo, que nós não temos mais espaço para a velha política e para o velho jeito de fazer política. E verticalização é uma velha forma de fazer política, o que tem que haver é o convencimento. Os partidos têm que sentar e dialogar.

BLOG – Consideremos que não haverá a verticalização, mas, no cenário brasileiro, a força e a influência de quem está no poder central lhe dão a condição maior de opinar decisivamente em uma disputa como essa. Se o governador disser que o apoia, todo mundo que está com ele vai ter que se ajeitar para aceitar isso. Já ocorreu na própria eleição de Rui. Nesse sentido, você já teve conversa direta ou recebeu sinalização do governador ou de algum setor do governo de que o candidato a prefeito de Itabuna apoiado pela base pode ser você?

Estivemos conversando, recentemente, com o secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes, que deixou claro que, inicialmente, o plano do governo do Estado é ter um candidato do PT, mas não significa que não deva haver um diálogo. Acredito que, em não havendo possibilidade de o nome do PT deslanchar, o governo vai se sentar para discutir a opção mais viável. Essa foi a leitura que tivemos da conversa.

BLOG – Deixando de lado um pouco esse debate da novidade que precisa vir e vamos pensar um pouco mais na questão político-eleitoral em si: você admite uma composição com o PT, numa chapa em que Geraldo Simões seja o candidato a prefeito? Já houve alguma conversa nesse sentido?

Nós estamos dialogando com o PT local, inclusive com o próprio Geraldo Simões. Essa hipótese só pode ser colocada se houver a possibilidade do inverso, se Geraldo aceitar ser vice. Se ele não aceita ser vice como é que ele pode querer apoio? Então, nós trabalhamos também com essa possibilidade. Acho que a política partidária é a arte do diálogo e política administrativa é a arte da gestão. O diálogo nessa etapa é obrigatório, tem que ser feito, mas quem quer apoio tem que dar apoio.

BLOG – E a conversa com Geraldo, como se deu.

Sentei com ele e conversamos. E ainda teremos outro encontro esta semana.

BLOG – Você diria que você e Geraldo Simões têm um inimigo político em comum, que independente de qualquer outra disputa local, o PCdoB é o adversário é o adversário a ser derrotado?

Não, de forma alguma. Na verdade, eu nem coloco como inimigo comum. Adversários políticos existem, é claro, são adversários que estão em outro campo ideológico, mas não existe essa situação. O PCdoB faz parte da base e tem que sentar para discutir com os demais partidos e a partir dessa conversa tem que haver o convencimento de que o projeto A é melhor que o projeto B ou o B ser melhor que o D, etc.

BLOG – Considerando a sua resposta quanto a compor com o PT, a mesma regra se aplica ao PCdoB? Você admite apoiar o PCdoB, se o partido disser que pode apoiá-lo?

A mesma regra se aplica a outros partidos. De repente, não necessariamente a um terceiro partido, mas pode surgir um outro partido, da base do governo, que tenha uma condição de liderar o processo. Então, pode ser com um outro partido da base.

BLOG – O PMDB é, em todas as eleições, um partido que se busca como aliado, seja pela força de suas lideranças locais, seja pelo tempo de propaganda no rádio e na TV. Há muita gente que vê o PMDB como o fiel da balança para 2016. Como você vê o PMDB? Está conversando também esse partido?

O PMDB é aliado do governo Dilma e embora faça oposição no âmbito estadual o diálogo tem que estar aberto. Já conversamos com o PMDB de Itabuna e também com o PMDB estadual. Essa semana* teremos um jantar com Renato Costa, Pedro Arnaldo e Fernando Vita para uma avaliação do cenário e falar de projetos para Itabuna. O PMDB será, sim, o fiel da balança, pela força que tem o partido, que tem uma importância muito grande nos cenários nacional e estadual e, com certeza, no cenário local. Aqui temos figuras importantíssimas como Renato Costa, Pedro Arnaldo, Fernando Vita, o próprio Juvenal Maynart, dentro outras lideranças que não podem ser colocadas à margem do processo, muito pelo contrário. Elas precisam estar no centro das discussões. (*A entrevista foi feita na semana passada, o jantar com o PMDB já aconteceu).

BLOG – O PMDB e o governo do Estado – leia-se: o governador – estão em campos contrários na Bahia, desde o governo Wagner. Isso não criaria um embaraço para esse entendimento que você busca?

Não vejo dessa forma, porque as dinâmicas locais têm que ser respeitadas. Eu acredito que o partido, em suas instâncias municipal e estadual, também trabalha nessa linha de compreensão.

BLOG – Quando o prefeito Claudevane Leite lhe passou a responsabilidade de dirigir a Settran, acumulando com a FICC, muita gente entendeu que o prefeito sinalizava que, não sendo ele o candidato, você poderia ser o seu substituto. Você ficou com duas das secretarias mais visíveis, positivamente, do governo, isso foi o que o estimulou a pleitear a pré-candidatura a prefeito? O projeto nasceu ali ou foi após a sua experiência à frente das duas pastas?

Na verdade uma campanha, uma pré-candidatura surge do movimento popular, a partir da visibilidade. Essa visibilidade veio com o resultado do nosso trabalho. Na Settran fazemos um trabalho e tomamos decisões com pulso e sem medo de errar, porque foram ações com respaldo na ciência. Não fizemos nada ali com base no senso comum, mas com base científica, até porque eu fui fazer uma especialização em Engenharia de Tráfego, para entender mais sobre a dinâmica do trânsito. Em Itabuna, nós demos uma dinâmica relacionada à mobilidade urbana, não a aplicação pela aplicação do CTB (Código de Trânsito Brasileiro). E conseguimos reduzir em 70% os índices de acidentes na cidade, com reflexo nos hospitais, pois mais leitos são liberados e isso traz uma qualidade de vida melhor para a população. É um trabalho ético e estético; na estética da cidade, mas também na estima das pessoas.
O trabalho na Settran, mais o trabalho que já desenvolvíamos na FICC, causou o interesse da população em saber “quem é esse cara”, e acabou acontecendo um movimento com o meu nome na cidade. Então, a gente vê isso com alegria, mas com bastante humildade.

BLOG – Na sua opinião, o governo Vane cumpriu a maior parte daquilo que se comprometeu a fazer? O governo cumpriu a sua missão?

Eu acho que o governo cumpriu em parte aquilo que propôs, em especial o compromisso de realizar uma gestão séria e austera. E houve avanços. Na área da cultura, por exemplo, ampliamos muito o apoio e o acesso. Na questão da segurança pública, em 2009 figuramos como pior município do Brasil, no IVJV (Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência), e hoje somos o 37º e isso como parte de um esforço conjunto, que incluiu projetos e ações nas áreas de arte e cultura, que compõe o programa Cidade de Paz. Esses dados de ações socioculturais estão nas bases de dados do IBGE, do IDF, enfim, e de outras bases de dados. São ações de médio e longo prazo, cujos reflexos a gente vai ter mais à frente, mas já tem melhorado com a inserção sociocultural.
Na questão de mobilidade urbana também registramos grandes progressos. E isso também faz parte do Cidade de Paz, na medida em que você reduz acidentes dentro da cidade, e nós reduzimos em 70%; na medida em que se deslocam com tranquilidade pela cidade e com eficiência no deslocamento, com as pessoas se acidentando menos, isso traz qualidade de vida. Para além disso, podemos citar também a melhoria e manutenção da iluminação pública, que tem uma relação direta com a segurança das pessoas.

Os indicadores de violência em Itabuna este ano estão menores que no ano passado, que foram menores que no ano anterior. O viés é de baixa, mas é claro que nós temos um problema crônico na cidade. O município está fazendo a parte dele, com o Cidade de Paz, por outro lado tem a parte relacionada ao governo do Estado, que é melhorar a eficácia das polícias e as polícias têm se esmerado nisso, mas nós temos um grande problema aqui, que é o presídio, que eu chamo de uma pós-graduação no crime. Enquanto o Estado não separar o preso sentenciado do preso comum, a gente vai ter sempre esse fator gerador de violência, quer o município faça ou não a prevenção primária à violência.

BLOG – O que foi mais predominante para as dificuldades da administração Vane: o estado em que a Prefeitura e o município foram encontrados, a crise regional ou a queda na arrecadação? Você diria que ao governo municipal, para dar mais certo, só faltou dinheiro?

Na verdade, os três fatores acabaram se juntando e impedindo que o governo fizesse mais do que fez até agora. Tudo levou à redução ou falta de recursos. Por exemplo: uma máquina que não pagava as suas obrigações (FGTS, INSS, etc.) acabou fazendo com que o município fosse impedido de buscar recursos fora, porque não pôde sair do CAUC (Cadastro Único de Convênios, sigla mantida para o Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias), que é o SPC das prefeituras. A atual administração encontrou a Prefeitura com o nome sujo, uma situação crônica de muitos anos e isso atrapalhou – e muito – a gestão do prefeito Vane.

BLOG – Fala-se que houve outro fator que atrapalhou maior desenvolvimento do governo Vane, uma divisão interna forte, que, segundo os comentários, coloca o PCdoB de um lado e o que chamam de grupo evangélico de outro.

Não vejo dessa forma. Primeiro que as forças opostas devem existir em qualquer lugar, isso é dialético, é importante. A unanimidade é burra. Claro que precisa haver coesão na gestão. Mas não existe grupo dos evangélicos, até porque é uma forma muito arquetipada de colocar. Tem o PCdoB, que faz a gestão política, do partido; tem um grupo muito unido, que fala uma só voz, mas não tem relação direta com ser ou não evangélico, e esse grupo está muito próximo, fraternalmente, a Vane, porque nos conhecemos de há muito tempo. Essa existência de forças não necessariamente opostas – mas que não são iguais – é importante dentro do governo porque a gente ouve e exercita o contraditório. Por outro lado, a coesão é importante. Cada partido tem uma visão e forma de fazer a gestão, o importante é não fazer a política com arrogância, mas com humildade e diálogo.

BLOG – A administração municipal tem dezesseis cargos em nível de secretário (sem contar as suas duas pastas e incluindo fundações e Emasa), pelos seus contatos você diria que há uma tendência mais forte para você ou para Davidson Magalhães (pré-candidato do PCdoB)? Quem tem mais apoio dentro do governo?

Aí a gente teria que fazer uma pesquisa. Nós temos a simpatia de uma parte e o PCdoB tem o seu quinhão. Mas eu acho que a maioria é neutra. O pessoal está ali ligado diretamente ao próprio prefeito, que é quem terá o poder de decisão neste contexto.

BLOG – Se você não fosse estimulado a ser candidato, poderia apoiar o candidato do PCdoB? Pergunto se você faria isso sem que o prefeito Vane pedisse, a partir de uma avaliação pessoal.

A avaliação que eu faço é de que o apoio ou não vem da confiança e de um contexto histórico que foi construído. Eu não posso dizer, hoje, que daria ou não daria meu voto ao PCdoB. Eu preciso ser convencido de que o projeto é bom para Itabuna. Essas pessoas farão, de fato, a diferença em Itabuna, com uma gestão propositiva, paradigmática, que coloque Itabuna, efetivamente, no século 21? Ou será uma gestão olhando para o retrovisor, uma gestão do passado? Então, essas avaliações nós faremos e precisamos conversar para ver qual a real intenção desse grupo político, o que tem em mente do ponto de vista de gestão e para Itabuna nos próximos anos.

BLOG – Você se apresenta como o novo, uma proposta de renovação da política, mas pesquisas recentes e manifestações de setores da sociedade apontam que a ideia de mudança não cairá bem na eleição do ano que vem, porque as pessoas estariam cansadas ou desacreditadas de sua repetição. Você não teme que essa afirmação de ser o novo resulte em rejeição do eleitorado, pela associação com “mudança”, que hoje é repelida?

Não. O que nós representamos não é, necessariamente, a mudança, representamos um estilo de gestão, que é um estilo paradigmático. Um estilo novo, propositivo, calcado na ação, sem ter medo de agir, com ações baseadas na ciência e, acima de tudo, na vontade de fazer, colocar sangue no olho e fazer. É fato que os indicadores da cidade melhoraram com a gestão Vane, mas nós precisamos melhorar muito mais. Precisamos melhorar a mobilidade urbana; precisamos melhorar a vida das pessoas nos bairros; melhorar a educação, a saúde e infraestrutura da cidade e ajudar a reduzir a violência. A proposta é uma gestão baseada na ação, no estilo que foi construído de gestão e não em uma proposta, digamos assim, clichê, de mudança.

BLOG – Afora o seu trabalho como secretário de Transporte e Trânsito e de presidente da FICC, que lhe dá visibilidade política, o que você vem fazendo para consolidar a sua candidatura?

As ações que vimos realizando nas duas secretarias têm obtido o reconhecimento da sociedade. Então o que a gente tem feito é trabalhar bem essas duas máquinas, com ações propositivas na cidade. As pessoas estão vendo que há uma diferença. Havia reclames de mais de 30 anos, como o fechamento dos denominados cruzamentos da morte, que as pessoas pediam, pediam, e ninguém teve pulso para fazer. Mas não o fechamento por fazer, mas com um estudo de viabilidade disso, de contagem e redirecionamento de fluxo, porque o trânsito é um organismo, se você fecha aqui ele redireciona para outra área, obrigando a responder a uma equação, para fazer bem feito. Ações que eram reclamadas pela população há décadas e a gente agora faz. Em pouco tempo a gente conseguiu. Realizamos o diagnóstico, que nos dá o indicativo do problema e nós procuramos resolver o problema ponto a ponto. Para chegar a isso implantamos a gestão por competência, não pelo senso comum. Fizemos um projeto de trabalho ao longo de 2015 e estamos com uma perspectiva desse trabalho para 2016. Isso na Settran.
Na FICC fiz um projeto para os quatro anos de gestão e temos um projeto anual. A gestão que fazemos está em qualquer livro de gestão. O que fizemos foi unir a teoria à prática, mas, acima disso, ter aquela percepção da dinâmica local, incluindo a busca de parcerias, que isso é muito importante.
Temos caminhado nos bairros, por convite. Quase todo final de semana tenho visitado dezenas de comunidades, ouvindo as pessoas, às vezes por termos, naquela comunidade, alguma ação realizada ou direcionada à Settran ou à FICC, que está praticamente em todos os bairros, ou em boa parte deles, com as suas ações. Estamos nos movimentando, atendendo a convites de lideranças, para fazer esse exercício, de olhar no olho, de sentir o que é que a população está querendo dessa nova gestão que se aproxima.

BLOG – O prefeito lhe deu a opção de escolha entre Settran e FICC. Por que você escolheu a segunda?

Eu poderia ter escolhido a Settran, que, segundo dizem, tem mais visibilidade, porque tem obras físicas, resultados do programa que instituímos de mobilidade urbana, que mexe com toda cidade, as pessoas passam e vêm a diferença do antes e do depois; tem arrecadação própria, portanto um poder de investimento maior, mas optei pela FICC. Eu iniciei minha participação no governo Vane na FICC, construímos o projeto Cidade de Paz, e tivemos muitas alegrias, como a de encaminhar, a partir de uma seleção, seis adolescentes e jovens para Joinvile, no estado de Santa Catarina, estudar e participar do Balé Bolshoi. Essas crianças estão lá, e retornam no final do ano, todas bancadas pela fundação. Recentemente uma senhora de 70 anos nos abordou demonstrando a alegria dela por ter sonhado a vida inteira tocar teclado e só agora ela estar tendo essa oportunidade, com a Casa das Artes. Essa coisa da inclusão sociocultural tem melhorado as condições de vida da população, principalmente na periferia, reduzindo as vulnerabilidades.
O projeto de cidadania que implantamos na FICC é inspirado no projeto de Medellin (Colômbia), que conheci no período de mestrado. Medellin saltou de uma das piores cidades do mundo em violência – numa situação muito parecida com que a temos em Itabuna, ressalvada aí a escala – para uma das cidades-modelo nesse sentido. Antes de chegarem as forças militares devem chegar a forças de cultura, de inclusão sociocultural. O que nós estamos fazendo na FICC vai bem nesse prisma e conseguindo melhorar as condições de vida. É importante quando a gente chega numa Casa das Artes ou em um projeto do Viv-À-rte e vê o brilho nos olhos das pessoas. A cultura tem esse fascínio e por isso, talvez por paixão mesmo, eu acabei escolhendo a FICC. Eu muito bem ali, trabalhando na área da cultura, para melhorar a vida das pessoas através da cultura.

BLOG – Aproveitando o que você falou do assunto lá atrás e o fato de você ser especialista em segurança, pergunto: você sendo prefeito aprovaria a construção de mais dois presídios em Itabuna?

Eu não aprovaria. Porque a literatura descreve que as cidades que recepcionam presídios regionais elas tem seus índices de violência saltados exponencialmente. Pode verificar que desde a instalação do presídio em Itabuna o índice de crimes – e um dos indicadores mais importantes é o homicídio – saltou no município.
Os meus trabalhos de pesquisa acadêmica foram todos baseados nesse tema e do mestrado em Criminologia de Ambiente, em que a gente analisa a cidade e a região. As cidades que receberam tiveram seus índices saltados. É fato que presídios regionais atraem para a cidade toda uma sinergia do crime organizado. E o crime organizado está à frente do Estado. Ele se metamorfoseia de forma rápida e dinâmica, no espaço e no tempo. Está além do Estado porque o Estado precisa da regra, precisa um protocolo, leis que o regulem, e o que regula o crime organizado, o tráfico de drogas, é a lógica do custo-benefício daquela ação criminal, o risco e o benefício. Então, recepcionar presídios aumenta, sim, os índices de violência.
Para Itabuna estão previstos dois presídios. O segundo é um o presídio para preso sentenciado. Esse eu defendo, exatamente para separar o preso sentenciado do temporário, porque essa promiscuidade é nociva. Um preso temporário, um ladrão de galinha, por exemplo, que chega ao presídio hoje quando sai já sai com uma ordem do crime organizado a cumprir. Então, esse presídio é necessário construir, mas o terceiro eu já vejo com preocupação, porque vai aumentar consideravelmente a quantidade de presos em Itabuna, a gente vai recepcionar mais presos de outras cidades, com possibilidade de aumentar a criminalidade, pelos motivos que já citei.
Eu não aprovaria o terceiro presídio, porque acho uma temeridade. Ao invés desse presídio, o governo do Estado poderia mandar para cá mais um CEU (Centro de Artes e Esportes Unificado), como o da Urbis IV, mandasse um teatro, uma praça para a juventude, uma ação dessa natureza.

BLOG – Você imprimiu seu ritmo de trabalho na Settran dando ainda mais dinamismo a uma secretaria que já vinha sendo elogiada desde Clodovil Soares, isso é visível, mas o projeto mais importante da área, anunciado pelo prefeito Vane você sai sem concluir, que é a licitação do transporte coletivo. Itabuna pode acreditar que essa licitação ainda vai sair?

Deixo a Settran com a certeza de um trabalho feito, inclusive quanto à licitação. Uma licitação de transporte é um trabalho hercúleo, não é fácil, mas nós conseguimos fazer andar bem essa licitação. Estamos com o edital pronto, com todos os seus anexos, e esta semana ainda publicaremos o edital para consulta pública. Com essa publicação a licitação começa a caminhar com as próprias pernas, então, praticamente, a gente deixa concluído isso. A licitação entra agora numa contagem regressiva: eu tenho 30 dias de consulta pública e mais 45 dias das formalidades legais para o pregão. A partir daí a licitação sai da Settran e vai para as mãos da equipe de licitações da Prefeitura. A gente sai com o trabalho feito.

BLOG – Voltando à disputa político-eleitoral: com o conhecimento que você tem das pesquisas e do cenário do momento, quem é o adversário a vencer, do ponto de visa do voto?

Eu não escolheria um adversário, “esse é melhor que aquele”. Na verdade, quem tem um projeto e mira naquele projeto não tem que escolher adversário. As eleições são a festa da democracia. Eu vejo com alegria a disputa, ela é salutar. E a diversificação na gestão, a alternância. Ter uma gestão hoje, outra amanhã, isso é importante para a cidade, mas é ainda mais importante a continuidade do projeto. Vane pega uma máquina com problemas sérios e melhora essa máquina, então é importante que haja uma continuidade disso e essa continuidade, claro, melhorando ainda mais, azeitando a máquina, deixando ela mais leve para que possa cumprir melhor suas obrigações e avançar em arrecadação própria, não necessariamente criando novos impostos, mas melhorando a cobrança daqueles que já existem o oferecendo contrapartida adequada.
Escolher adversário, não. Essa é uma festa da democracia, deve estar todo mundo junto, disputando, sim, e quem vai decidir isso é o povo, que sempre é sábio em suas decisões.

BLOG – Mas, dos pré-candidatos conhecidos algum lhe preocupa mais, seria mais difícil de vencer?

Não tenho preocupação especial com nenhum deles. Acho que todos estão no mesmo pacote. Acho interessante que todos estejam na disputa propriamente dita, para que a população possa ter mais opções na hora do voto. Não temo nenhum, absolutamente.

BLOG – Lá atrás você disse que não teria problema pessoal ou em barreira intransponível para ter uma relação com o PCdoB, mas a imprensa, parte do governo e grande parte da cidade não acham isso, acham que vocês têm uma incompatibilidade. Considerando que o que você diz é o que vale, que mensagem você passaria a Davidson, com relação à disputa eleitoral?

Eu não tenho incompatibilidade pessoal com nenhum nome que foi mencionado. A gente senta, dialoga. Temos incompatibilidade, sim, ideológica, mas a política é a arte do diálogo e o sistema é presidencialista.

BLOG – Qual o argumento que você usará para que a população, na hora do voto e sendo você candidato, escolha-o para prefeito?

Conhece-se a árvore pelo fruto. A experiência que nós estamos vivenciando, tanto na Settran quanto na FICC, essa forma de gestão é que nós queremos para a Prefeitura de Itabuna. Acho que a cidade foi deixada para trás – nos anos anteriores a esta administração – por outras cidades, igualmente importantes a Itabuna e que estavam no mesmo nível ou até abaixo, em termos de arrecadação e de mesmo de tamanho. Acabamos ficando para trás, por causa dessa bipolaridade política que vivemos até 2012. Acho que é preciso avançar, ter no gestor um visionário, um homem que pense nos próximos 10, 20 anos. A cidade precisa crescer, nós não podemos mais perder o bonde da história. E essa é a nossa proposta. Temos que continuar pensando em mobilidade urbana, as nossas vias são anteriores à década de 1980 e isso tem travado o crescimento da cidade; temos que valorizar e estimular a vocação natural de Itabuna para o serviço, que é onde está o nosso maior PIB e devemos pensar em Itabuna como cidade importante na região, que está numa região metropolitana não reconhecida, mas que já existe, com mais de 900 mil habitantes.
Itabuna deve passar a exercer, efetivamente, essa liderança regional. Essa é a nossa proposta, em linhas gerais, pensando no desenvolvimento do município. Fazer uma gestão por competência, vislumbrar que a máquina precisa ter eficiência e para isso é preciso dar uma mexida nela, reduzir o tamanho dela, para que possa fazer investimentos próprios em nossa cidade, melhorando as áreas que têm problemas, como mobilidade urbana (aí incluída a urbanização nos bairros, que está relacionada à melhoria de condições de mobilidade urbana), saneamento básico, saúde, educação e segurança pública. Recurso financeiro não é tudo, mas a gestão com poucos recursos deve ser eficiente.

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1 resposta »

  1. Gostaria muito desta chapa DAVIDSON X ROBERTO, seríamos imbatíveis,olhando pelo cenário atual,da não candidatura de Azevedo e Fernando,o Augusto Castro já está se enterrando com boatos na cidade em relação a sua fortuna e outras coisitas mais que publicam que falam em cartórios,os formadores de opinião,então se houvesse a união seria uma boa chapa,com todos que trabalharam com Vane em torno do mesmo ideal!! Ganhar a eleição!!,essa divisão só vai atrapalhar aos dois pré-candidatos,eles estão cegos!
    Torço pela união! vamos que vamos!

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