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Este comercial de Natal alemão tem feito muita gente chorar. Muitos por remorso. O comercial trata da distância entre as pessoas provocada pelos tempos modernos, as circunstâncias da vida. Feriados e datas comemorativas que antes reuniam familiares, como em torno da mesa de Natal, não têm a mesma importância. A peça apela para que tentemos dar um jeito de valorizar o Natal em família.

Mas, todos nós sabemos que já era um tanto difícil reunir familiares e parentes em uma oportunidade festiva, e não é de hoje. Afinal, uma família se desdobra em duas, três, quatro… As ramificações separam.

No caso desse comercial em que o velhinho dá o golpe da falsa morte vê-se que seus filhos são, aparentemente, casados. Isso leva a pensar que se seus filhos casados optassem por passar o Natal com ele deixariam triste um outro velhinho ou velhinha, porque cada indivíduo de um casal tem seus próprios velhinhos esperando em outro lar. A não ser que todos os velhinhos, pais e mães dos dois lados do casamento, morassem juntos em um asilo ou fossem vizinhos de cerca.
Se os filhos são separados, divorciados – e essa é uma hipótese baseada na realidade atual – aquela menininha que corre para abraçar o velhinho deixaria outro avô ou avó triste ou a sua mãe ou pai com saudade, porque provavelmente seus pais divorciados não iriam juntos abraçar o mesmo velhinho.

A vida é assim. A gente sempre vai faltar em algum lugar onde nos esperam.

Entre 1985 e 2010 eu passei o Natal com as mesmas pessoas – e já não eram mais meus pais e irmãos. Aí as circunstâncias mudaram e eu já passei o Natal sozinho mais de uma vez. A minha família, desdobrada da minha família original e da família da mãe dos meus filhos, já se desdobrou também. Os filhos estão longe e a distância e as suas circunstâncias pessoais nem sempre permitem que comemoremos as efemérides, como o Natal, juntos.

Claro que me sinto só. Fiquei triste algumas vezes. Mas aí lembrei que antes de ser pai eu fui filho. No ano passado passei o Natal com minha mãe, na velha Jacobina. Este ano irei outra vez. Minha casa em Conquista ficará vazia. Ao menos uma pessoa, que gostaria de estar comigo por algum momento daquele dia, reclamará minha ausência.

Porque é assim mesmo. A gente nem sempre vai poder estar com quem desejamos e faltaremos muitas vezes quando nos esperam. Mesmo no Natal. Mas, se lhe é possível, volte para casa neste Natal, mesmo que não tenha um velhinho para abraçar.

A propósito, amigos e amigas, segunda-feira, 7, é meu natal pessoal. Mandem abraços (ou presentes) mesmo que não possam vir. Rs.

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Jacobinense, conquistense, itabunense, baiano, brasileiro. Pai de Giorlando e Alice, minhas razões de viver; profunda e eternamente apaixonado pela vida. 56 anos de idade, 40 de labuta como jornalista, publicitário, marqueteiro, blogueiro. Minha ideologia é o respeito, minha religião é o amor.

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