Candidaturas a prefeito

José Raimundo desconversa sobre pré-candidatura, mas sinaliza que espera ação do PT estadual para definir nome

Não é fácil tirar do deputado estadual e ex-prefeito José Raimundo Fontes (PT) um posicionamento claro sobre a sucessão municipal. Com toda a educação que lhe é peculiar, ele dá voltas, tangencia, desconversa e mesmo diante de questionamentos muito objetivos, consegue deixar o entrevistador sem a resposta que espera. É assim quando a pergunta é se ele é pré-candidato ou sobre a propagada resistência do prefeito Guilherme Menezes, maior líder local do PT, em apoia-lo. José Raimundo fala como um militante disciplinado, para quem os encaminhamentos e decisões dos diretórios municipal e estadual são as únicas guias.

Com esse reconhecimento à importância da hierarquia partidária, no entanto, ele dá outros sinais. Quando ele fala que a questão da sucessão municipal é um assunto da esfera partidária, que os diretórios estadual e municipal devem cuidar de todos esses encaminhamentos e que “qualquer militante deve se subordinar ao que as executivas estadual e municipal encaminharem”, é possível entender que ele acredita em um movimento da executiva estadual na direção do seu nome. Segundo o deputado petista, a executiva estadual está acompanhando as 36 maiores cidades da Bahia e “a definição dos nomes dessas cidades passará por um diálogo, por uma tática do partido no estado”. Isso também foi o que deixou entender o secretário Josias Gomes, das Relações Institucionais.

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Mesmo com todo o cuidado para não abrir o jogo ou fazer comparações, José Raimundo deixa escapar que confia que seu nome seja escolhido, sem precisar de ação externa, da direção estadual. É quando fala do trabalho feito e lembra que o que foi construído pelo PT em Vitória da Conquista não foi obra de uma pessoa só, mas de várias mãos. E também quando ele diz que o partido deve escolher um candidato que possa encarnar essa caminhada feita pelo PT na cidade e que tenha capacidade de fazer uma boa disputa. Ele vem de três vitórias seguidas, sendo uma para prefeito, em 2004 e duas para deputado estadual, 2008 e 2014.

Segundo José Raimundo, no decorrer desta semana o grupo Reencantar, do qual faz parte, vai definir um nome a ser apresentado ao partido como pré-candidato a prefeito, entre o dele, o do deputado federal Waldenor Pereira e do vereador Fernando (Jacaré) Vasconcelos. A tendência é de que o grupo firme o nome do próprio José Raimundo, que é o mais forte do PT nas pesquisas já realizadas. Analistas entendem que outro nome seria apenas para cumprir prazo e ganhar tempo, até que, em abril, a direção estadual chegue a um entendimento com o prefeito Guilherme Menezes e o nome de José Raimundo seja consenso.

Leia a entrevista abaixo.

BLOG – Deputado, o Partido dos Trabalhadores aumentou o prazo para a inscrição de pré-candidatos a prefeito, agora vai até o dia 17. O senhor vai colocar o seu nome?

JOSÉ RAIMUNDO – Eu tenho já repetido algumas vezes que a questão da sucessão municipal é um assunto da esfera partidária. São o diretório municipal e a executiva municipal, junto com o diretório estadual, que acompanham as medidas e os encaminhamentos, sobretudo a metodologia em relação às três principais cidades, Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, onde há dois turnos, e também acompanham as 36 maiores cidades da Bahia. Então, os diretórios estadual e municipal, no caso a competência maior é do diretório municipal, devem cuidar de todos esses encaminhamentos.

Eu tenho dito, também, que o nosso compromisso com Vitória da Conquista e com nosso partido, é um compromisso histórico. E nós temos uma agenda positiva. Nós estamos indo para o vigésimo ano de mandato e mais importante do que nomes, mais importante do que esta ou aquela característica de uma candidatura, é o conjunto do acúmulo do que fizemos nestes anos, um projeto construído com muitas mãos. O partido deve apresentar para a cidade esse legado, naturalmente com os candidatos que possam encarnar esta caminhada e também, evidentemente, com a capacidade de fazer uma boa disputa. Nós sabemos que o tempo é um fator que pode ser utilizado contra o nosso projeto, mas nós temos condições. As grandes transformações que a cidade experimentou nestes anos foram transformações que mudaram completamente a vida e o perfil de Vitória da Conquista.

Então, a nossa compreensão é de que é um projeto que tem condição de continuar sendo vencedor na cidade e que cabe, naturalmente, ao partido avaliar a política de alianças e os candidatos que possam representar esse projeto. Esta é a nossa visão. Com relação a sua pergunta, de forma mais objetiva, pelo que sei já foram apresentados três nomes, o secretário Odir, o líder do movimento social, Márcio Matos e o professor Marcelo, e o nosso coletivo Reencantar também tem nomes. Tem o companheiro Waldenor Pereira, tem o companheiro Fernando Vasconcelos e eu não vou ser hipócrita e não reconhecer que meu nome tem sido lembrado, meu nome tem sido citado em várias circunstâncias e durante esta semana nós vamos apreciar, vamos discutir. A minha preocupação maior é o projeto, é o conjunto do acúmulo que fizemos, e temos a responsabilidade de apresentar para Conquista uma chapa capaz de dar continuidade a este projeto.

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Deputado federal Waldenor Pereira

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Vereador Fernando Jacaré

BLOG – O senhor está dizendo que o Reencantar vai apresentar um nome até o dia 17 e que pode ser o seu?

JOSÉ RAIMUNDO – O que eu estou dizendo é que os encaminhamentos são de competência dos diretórios municipal e estadual. Qualquer militante deve se subordinar ao que as executivas estadual e municipal encaminharem. Como tem esse prazo do dia 17, naturalmente os militantes que quiserem se apresentar têm que contemplar o que o diretório orientar. O grupo Reencantar ainda está analisando a conjuntura, está analisando a situação para ver qual o posicionamento até o dia 17. Neste momento não tem uma decisão do grupo se apresenta ou não nomes.

BLOG – Pode ser um desses três que o senhor citou?

JOSÉ RAIMUNDO – Tem três nomes, que têm sido comentados em pequenas rodas e rodas maiores. Claro que a mídia tem dado mais destaque ao meu nome, mas o nome do professor Waldenor tem sido lembrado por vários companheiros e o nome do companheiro Fernando Vasconcelos, em reuniões de bairros, em reuniões com setores sociais tem sido lembrado também. Então acho que são nomes que nós vamos apreciar até o final do prazo que o partido confirmar e a partir daí que seja construído o debate, o diálogo, mas o importante é a unidade do partido e isso que a gente preservou ao longo desses anos, demonstrando isso em 2008, 2010. Sempre defendemos a unidade do partido e sempre estivemos fazendo campanha nas eleições municipais em defesa do partido e do projeto.

BLOG – Há uma versão na cidade de que o prefeito Guilherme Menezes não o apoiaria em nenhuma hipótese, não faria a sua campanha se o senhor fosse candidato. O senhor acha que se um dos nomes do Reencantar for escolhido pelo diretório o prefeito faria a campanha, assim como o senhor faria a de outro nome, como Odir, por exemplo?

JOSÉ RAIMUNDO – Olha, essas questões acho que estão ainda distantes. O prazo final para as definições é abril, no partido. Até lá, os nomes vão sendo listados, em todos os lugares. Salvador, por exemplo, o PT não tem nome ainda; não sei se Itabuna já tem. Ilhéus, pelo que me consta não. A executiva está acompanhando as 36 cidades maiores da Bahia, a definição dos nomes dessas cidades passará por um diálogo, por uma tática do partido no estado. Da mesma forma que Vitória da Conquista, Feira de Santana e Salvador, como têm dois turnos, tem uma formulação também diferenciada, inclusive admitindo-se que a base possa sair com candidaturas no primeiro turno, desde que tenha o compromisso de apoio no segundo turno. Isso já foi consensuado no conselho político em Salvador.

Quero lhe dizer também que a maturidade do diretório municipal, da nossa executiva e das lideranças políticas, essa maturidade necessariamente vai levar a cumprir aquilo que o diretório está dizendo.

BLOG – O senhor fala do diretório, mas se a sua candidatura acontecer ela teria alguma dependência da aceitação e da simpatia do prefeito Guilherme?

JOSÉ RAIMUNDO – Olha, o partido tem seus grupos, tem suas tendências; o partido tem suas lideranças… Eu acho que o fator que vai definir é o fator coletivo. É o projeto do partido, a correlação de forças, é a base aliada, é o objetivo de continuarmos trabalhando com o governador Rui Costa, de continuarmos trabalhando em defesa do governo Dilma, é o objetivo de continuarmos trabalhando pelas transformações sociais das vidas das pessoas, esse é que o nosso grande objetivo.

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