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Waldenor diz que prévias podem prejudicar a unidade do PT na sucessão de Guilherme: “Sem unidade é suicídio”.

Eles andam juntos, dividem escritório, fazem parte da mesma tendência interna no PT e falam a mesma linguagem, mas um diz que não fala pelo outro, portanto, quando o deputado federal Waldenor Pereira comenta sobre a sucessão municipal e o imbróglio que isso se tornou para o partido, faz questão de esclarecer que é sua opinião individual e não representa, necessariamente, o pensamento do deputado estadual José Raimundo, que era o principal nome do PT para a sucessão de Guilherme Menezes, até setembro, quando o prefeito colocou no cenário o nome do secretário municipal de Agricultura, Odir Freire.

Para começar, Waldenor acha que o prazo dado pela direção municipal do PT para a inscrição de pré-candidatos a prefeito pelo partido é um equívoco. Segundo ele, é um calendário que não combina com a agenda definida do Partido dos Trabalhadores em instância superior e não permite tempo para debate nos grupos que teriam nomes a analisar antes de apresentar. “Eu espero que não seja para valer (o prazo). Porque o calendário do Partido dos Trabalhadores e o calendário da Justiça Eleitoral não coincidem com esse calendário que o PT de Vitória da Conquista definiu”.

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Deputado federal Waldenor Pereira

Waldenor também acha que a prévia para escolha do nome do PT que vai disputar a eleição de prefeito também deve ser reavaliada. Ele defende o diálogo e acha que o partido tem maturidade suficiente para chegar a uma decisão sem precisar de prévia ou de interferência da direção estadual. A discussão, afirma, deve ser interna, qualquer interferência seria indevida. “Vamos construir de dentro para fora e não de fora para dentro”. E vai direto ao ponto: José Raimundo é o único candidato com condições próprias de ganhar a eleição, por isso, segundo ele, não seria necessário haver disputa prévia, que, ainda de acordo com Waldenor, pode até prejudicar o projeto político do Partido dos Trabalhadores, consolidando uma cisão perigosa.

Para Waldenor, José Raimundo é o melhor candidato, mas não é uma imposição: “Nós, que temos o melhor candidato, estamos tratando a questão com a humildade que o exercício da boa política deve recomendar. E neste momento, tendo como base esse princípio elementar da política, que é o da correlação de forças, me parece que o bom senso recomenda a união de forças, recomenda contarmos com todos os atores. Fugir dessa realidade poderá representar um suicídio eleitoral”.

REENCANTAR: SÓ JOSÉ RAIMUNDO, AFIRMA

Citado pelo próprio José Raimundo como um dos nomes possíveis do coletivo Reencantar para uma candidatura a prefeito do PT, Waldenor Pereira é objetivo ao descartar essa possibilidade. De quebra ainda afasta o nome do vereador Fernando Jacaré, outro citado por José Raimundo. Waldenor não vê opção além do ex-prefeito e deputado estadual, seu parceiro de jornada política. “O nome é o de Zé Raimundo, ele é quem reúne as melhores condições para a disputa do ano que vem. Trata-se de um companheiro que já foi prefeito, testado e aprovado. Exerceu a administração municipal com muita competência e com muita capacidade de se relacionar com os segmentos organizados da sociedade; é muito bem quisto e em todas as pesquisas de opinião que são realizadas, apesar de ele não se apresentar como candidato, vem pontuando de forma bem expressiva, o que lhe garante uma candidatura bastante competitiva”.

O deputado questionou informação dada pelo secretário Josias Gomes, e também por José Raimundo, de que o conselho político da base aliada ao governador Rui Costa admite e até estimula candidaturas próprias de partidos aliados do PT nas três cidades com dois turnos (Salvador, Feira e Conquista) e acredita que, sendo escolhido José Raimundo, os partidos que anunciaram que terão candidato próprio podem desistir para apoiar o ex-prefeito. “Eu acredito que sim. Essa estratégia [das candidaturas próprias] está sendo defendida para a cidade de Salvador, tendo em vista a existência de um número grande de candidaturas de diferentes partidos e coligações, mas em Vitória da Conquista, em particular, eu acredito na possibilidade de que, em sendo o candidato José Raimundo Fontes, a gente possa incorporar apoios de partidos que até então têm manifestado interesse de apresentar candidatura própria”.

O BLOG conversou com o deputado federal conquistense no seu escritório da Rua Artur Seixas. A entrevista começou duas horas depois da hora marcada porque Waldenor se atrasou. Chegara de viagem a Caculé e explicou que teve reuniões fora do escritório que se estenderam além do que previsto. Ele e José Raimundo passam grande parte do tempo em que não estão em Brasília ou Salvador, visitando municípios da região. São pelo menos 50 cidades, para as quais viajam entre quinta e segunda-feira. Waldenor adianta que José Raimundo deverá diminuir a frequência de visitas à região, para cuidar de uma agenda mais local, visando à campanha de 2016.

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Para Waldenor, diálogo e correlação de forças devem orientar escolha de candidato

O APOIO DE GUILHERME E A CORRELAÇÃO DE FORÇAS

Ao BLOG, Waldenor Pereira falou de PT, sucessão, do posicionamento de seu grupo político, sobre o mandato de deputado federal e, claro, embora tenha falado bem pouco, sobre a relação com o prefeito Guilherme Menezes. “Eu não posso responder pelo Guilherme, mas a minha expectativa, naturalmente, é que, uma vez decidida a candidatura do Zé Raimundo – se isso for possível, dentro dessa construção da unidade partidária -, que o Guilherme possa fazer a defesa da candidatura de Zé Raimundo. E eu quero, de antemão, reconhecer e concordar que a participação do Guilherme será fundamental para uma vitória eleitoral no próximo pleito. Eu não tenho dúvidas de que o prefeito Guilherme Menezes, que administrou a cidade por quatro mandatos e realizou boas gestões, terá uma influência decisiva nas eleições de 2016. Por essa razão é que eu tenho defendido de forma ferrenha a unidade. Acho muito difícil que o partido dividido possa alcançar êxito nas próximas eleições”.

Insistindo que o diálogo – e não a prévia partidária – é o caminho para que o PT marche unido, e sempre considerando que essas conversas conduzirão à escolha de José Raimundo como candidato do partido a prefeito, Waldenor Pereira diz que essa definição deve passar pela avaliação dos atributos pessoais dos candidatos, mas também pela correlação de forças. “Na questão local, eu responderia que o princípio fundamental da política é a correlação de forças. Na política você dá um passo adiante, dá dois, dá três, ou se mantém parado ou recua em razão da conjuntura. É a correlação de forças que vai lhe permitir tomar essa ou aquela decisão. Quer dizer, se alguma liderança se achar com força suficiente para bancar um candidato, sem necessitar do apoio das demais correntes partidárias que o faça, mas não me parece, respeitosamente, se tratar da realidade do Partido dos Trabalhadores de Vitória da Conquista. Falo isso com muita humildade. E olha que nós possuímos o melhor candidato”.

DA RELAÇÃO DO GOVERNO COM AS UNIVERSIDADES

Na conversa, que durou pouco mais de uma hora, ele também aproveitou para explicar sua posição em relação ao projeto de lei do Governo do Estado em tramitação na Assembleia Legislativa, alterando benefícios trabalhistas dos servidores do Estado. Para Waldenor, o projeto é inoportuno. Ele também voltou a se defender de críticas feitas por professores e servidores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), da qual foi reitor, de que teria abandonado as questões da universidade, depois de ter sido eleito deputado.

A relação do Governo do Estado com as universidades também foi criticada por Waldenor Pereira. Ele acha que o governo dá pouca atenção à importância que essas instituições representam para o desenvolvimento do estado. Mas ele também acha que as universidades precisam se adequar à nova realidade: “A universidade, no seu particular, tem que se libertar do corporativismo, porque há uma necessidade, de fato, de elas se adequarem aos novos tempos, às novas demandas da sociedade, em face de toda essa nova realidade vivida. E, do seu lado, o governo também”.

Para Waldenor, o governo tem que dar mais atenção do que vem dando às universidades estaduais, pelo que representam para o desenvolvimento das regiões onde estão e para a Bahia como um todo. “Já sugeri ao governador Rui Costa a constituição de uma comissão paritária para repensar as universidades. O governo tem que se deter mais sobre a realidade das universidades, ouvir mais as reitorias, os segmentos organizados da sociedade, debatendo com as universidades projetos como esse que está tramitando agora na Assembleia Legislativa. Esse projeto poderia ter sido mais debatido com as universidades antes de ser encaminhado para votação. Não tenho nenhuma dificuldade de me posicionar nesse sentido”, afirmou.

A ENTREVISTA COMPLETA ESTÁ LOGO ABAIXO DA FOTO.

Waldenor e Zé
Com José Raimundo: união em busca da unidade partidária

BLOG – O deputado José Raimundo disse que o grupo Reencantar, ao qual o senhor também pertence, deverá inscrever um nome como pré-candidato a prefeito do PT até sexta-feira, 17, prazo dado pela direção municipal do partido. Ele falou que o grupo tem três nomes: o seu, o dele e o do vereador Fernando Jacaré. A quantas anda essa definição?

WALDENOR – Eu espero que não seja para valer [o prazo dado pelo diretório municipal]. Porque o calendário do Partido dos Trabalhadores e o calendário da Justiça Eleitoral não coincidem com esse calendário que o PT de Vitória da Conquista definiu. Digo isso porque eu sou dos que tem lutado, incessantemente, em favor da unidade partidária. Eu respondi para um colega seu jornalista, no último sábado, que se unidos a eleição será difícil, imagine desunidos, separados. Portanto, estamos trabalhando firmemente, até o último momento, para construir uma unidade partidária, porque, aí sim, seremos competitivos na disputa eleitoral.
Pelo que me consta, esse calendário do dia 17 trata-se de um calendário estabelecido pelo PT de Vitória da Conquista e, na minha opinião, estabelece um prazo curto para que essa construção se efetive

BLOG – A data anterior era o dia 12 e foi prorrogada.

WALDENOR – Pois é, mas definido pela executiva municipal de Vitória da Conquista. Não é o calendário do Partido dos Trabalhadores que, se não me engano, define o mês de março como data limite das composições, coligações, alianças partidárias e definições de candidaturas para 2016.

BLOG – Isso significa que vocês não vão apresentar um nome até o dia 17?

WALDENOR – Não significa isso. Poderemos até apresentar nomes, mas o ideal é que esta exigência não prevaleça, para que a gente possa ter um tempo maior de diálogo, de conversa. Os gregos inventaram a política para dirimir os conflitos, de forma não beligerante, a política foi pensada e concebida como uma atividade humana que fosse capaz de organizar os convívios e administrar os conflitos. Portanto, nós precisamos de tempo para esse diálogo, esse entendimento, para a construção dessa organização do convívio partidário. Eu acredito nessa possibilidade, estou trabalhando firmemente por ela e acho que dia 17 seria um tempo pequeno para essa construção.

BLOG – José Raimundo disse que o senhor, o vereador Fernando Jacaré e ele são os nomes do Reencantar e destes três nomes um será apresentado como o pré-candidato do grupo. O senhor pensa em ser prefeito de Conquista eleito em 2016?

WALDENOR – Há mais de um ano que venho me manifestando e me posicionando na defesa da candidatura do companheiro Zé Raimundo. Trata-se de um companheiro que já foi prefeito, testado e aprovado. Exerceu a administração municipal, além de com muita competência, com muita capacidade de se relacionar com os segmentos organizados da sociedade; é muito bem quisto e em todas as pesquisas de opinião que são realizadas, apesar de ele não se apresentar como candidato, vem pontuando de forma bem expressiva, o que lhe garante uma candidatura bastante competitiva.
Eu não vejo nenhuma hipótese de apresentação do meu nome, em razão de que, já há algum tempo, um longo período, temos trabalhado o nosso melhor nome, que é o nome do companheiro José Raimundo.

BLOG – Mesmo entendendo essa lógica interna do PT, do debate, das discussões e até da prévia, pergunto: qual a dificuldade que o partido teria para analisar suas possibilidades eleitorais de forma mais objetiva, considerando, por exemplo, os elementos externos dados e o histórico eleitoral de seus principais nomes, para definir uma candidatura, sem que precisem surgir tantos nomes, em um debate tão alongado e desgastante?

WALDENOR – Eu acho que o caráter democrático do nosso partido explica um pouco essa dificuldade de consenso. A própria existência da prévia, do ponto de vista regimental, aponta para a possibilidade de uma disputa interna, que é legítima, e é a configuração de que o partido decide, democraticamente, inclusive, a escolha de suas candidaturas. Isso é um fato positivo. Todavia, nós estamos vivendo uma quadra da política brasileira muito adversa ao partido dos trabalhadores, que vem sendo alvo de uma campanha avassaladora, que tenta desqualificá-lo. Por outro lado, nós já governamos o município por cinco mandatos consecutivos, o que traz, no seu bojo, um desgaste natural.
Portanto, as eleições de 2016 têm toda uma peculiaridade, em razão do longo tempo já percorrido de administração e pelo momento vivido pelo Partido dos Trabalhadores, que é alvo de críticas raivosas, desrespeitosas, embora também existam críticas procedentes, evidentemente. Mas, infelizmente, estamos observando uma seletividade na política brasileira, escolhendo sempre como alvo principal o Partido dos Trabalhadores, isso, naturalmente, traz consequências negativas numa campanha eleitoral.
Por isso, este momento, de forma muito especial, necessita da nossa capacidade de construção da unidade partidária, para não permitir que nenhuma fissura atrapalhe o propósito do nosso partido e dos partidos aliados de dar continuidade a este projeto que, indiscutivelmente, melhorou a qualidade de vida das pessoas que vivem aqui em Vitória da Conquista. Mesmo os nossos adversários reconhecem que depois que assumimos o governo em 1997 a cidade experimentou avanços significativos, tanto do ponto de vista social quanto do ponto de vista econômico.
Vitória da Conquista é hoje uma capital regional que experimenta um grande progresso, é um dos municípios que mais crescem no nordeste brasileiro, claro que pela força do seu povo, pela qualidade do seu empresariado, mas também pela qualidade de uma administração municipal que foi capaz de realizar investimentos públicos e atrair muitos investimentos privados. Hoje, Vitória da Conquista realiza mais de R$ 1 bilhão de investimentos públicos, que são fundamentais para a atração de investimentos privados de toda ordem, na atividade comercial, agropecuária, serviços. Hoje, por exemplo, nós estamos construindo aqui um grande polo de serviços na área de saúde, polo privado, inclusive, que só foi possível graças às condições estruturais que a administração pública criou no município para atrair esses investimentos.
Então, nós temos uma grande responsabilidade que é dar continuidade a esse projeto político, reconhecido pelos conquistenses, tanto é que já estamos no quinto mandato, e também reconhecido na Bahia e no Brasil como uma das experiências de administração pública mais exitosas, porque uma administração realizada de forma compartilhada, de forma democrática, com muita transparência administrativa, sobre a qual não há denúncia de nenhum ato de improbidade ou de qualquer ilicitude. Isso acaba se apresentando para nós, detentores de cargos eletivos, uma responsabilidade muito grande de construir a unidade partidária e apresentar um candidato à altura desses desafios, para dar continuidade a esse projeto, que consideramos vitorioso.

BLOG – Por que o senhor considera que José Raimundo é o candidato certo? É uma avaliação política, pela identificação que há entre os dois; é pelo fato de ele aparecer nas pesquisas em uma condição melhor que a dos demais nomes do PT ou é porque os demais pré-candidatos do partido não teriam as mesmas condições agregadoras necessárias à manutenção e ao avanço do projeto que o senhor menciona?

WALDENOR – Eu acho que é uma somatória dos aspectos que você destacou. Zé Raimundo, em primeiro lugar, já foi prefeito, realizou a gestão com uma excelente avaliação da população; ele reúne também uma competência pessoal reconhecida nacionalmente; professor, fundador da Universidade do Sudoeste, com doutorado; é um pensador e uma liderança política com grande capacidade de formulação e é um conciliador, por excelência, papel que exerceu quando prefeito, e mesmo no exercício do mandato de deputado estadual, na relação com os segmentos da sociedade. O companheiro Zé Raimundo, por força dessas qualidades, em todas as pesquisas de opinião que têm sido realizadas, também acaba se despontando como uma grande capacidade eleitoral. Por esses atributos pessoais e de experiência administrativa me parece ser ele o melhor nome – sem nenhum demérito para os demais companheiros que se apresentaram como pré-candidatos, que são companheiros também detentores de comportamento ilibado, são pessoas com grandes colaborações, seja ao movimento social ou à administração pública. Mas, indiscutivelmente, o companheiro Zé Raimundo é aquele que reúne o maior número de atributos para se apresentar como candidato a prefeito pelo PT e, é claro, com apoio de vários partidos aliados, que estão aguardando, inclusive, a decisão da apresentação da sua candidatura, para a formulação de possíveis alianças.

BLOG – O secretário estadual de Relações Institucionais, Josias Gomes, que recebeu do governador a tarefa de fazer as articulações políticas com vistas às eleições do ano que vem, disse que o conselho político definiu que nas cidades onde tem segundo-turno (Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista) os partidos da base aliada ao governo estão liberados e até estimulados a lançar candidaturas, de modo a garantir o segundo-turno e, chegando lá os que não conseguirem lograr sucesso apoiam o que passar. Em Vitória da Conquista o PSB anunciou candidatura própria, o PCdoB deixou a administração municipal com o mesmo objetivo e até o PV já falou que sairá com candidato a prefeito. Quando o senhor fala que partidos aliados esperam a decisão sobre o nome de José Raimundo para definir apoio, considera que esses partidos mencionados deixem de lançar candidatos e o apoiem?

WALDENOR – Eu acredito que sim. Essa estratégia que você anunciou está sendo defendida para a cidade de Salvador, tendo em vista a existência de um número grande de candidaturas de interesses de diferentes partidos e coligações, mas em Vitória da Conquista, em particular, eu acredito na possibilidade de que, em sendo o candidato José Raimundo Fontes, a gente possa incorporar apoios de partidos que até então têm manifestado interesse de apresentar candidatura própria.

BLOG – Independente de quais partidos podem apoiar José Raimundo e dos méritos próprios dele, e sabido que o candidato do PT precisará do apoio efetivo do prefeito Guilherme Menezes, o que lhe leva a crer que ele faria a campanha de José Raimundo com o mesmo empenho com que faria a de Odir?

WALDENOR – Eu não posso responder pelo Guilherme, mas a minha expectativa, naturalmente, é que, uma vez decidida a candidatura do Zé Raimundo – se isso for possível, dentro dessa construção da unidade partidária -, que o Guilherme possa fazer a defesa da candidatura de Zé Raimundo. E eu quero, de antemão, reconhecer e concordar com você de que a participação do Guilherme será fundamental para uma vitória eleitoral no próximo pleito. Eu não tenho dúvidas de que o prefeito Guilherme Menezes, que administrou a cidade por quatro mandatos e realizou boas gestões, terá uma influência decisiva nas eleições de 2016. Por essa razão é que eu tenho defendido de forma ferrenha a unidade. Acho muito difícil que o partido dividido possa alcançar êxito nas próximas eleições.

BLOG – A prévia é uma disputa, essencialmente, ela não ameaça com esse risco de duas bandas no partido, uma mais estimulada outra menos? Sendo escolhido José Raimundo, Odir Freire ou outro nome, não há o risco de uma significativa debandada de apoios do grupo perdedor, prejudicando a força do vencedor?

WALDENOR – Acho sim. Sou um dos que pensam que, neste momento, a prévia não seria o instrumento mais adequado para a decisão de quem será o candidato. Neste momento, em razão da conjuntura, dos aspectos que já destaquei, a prévia não seria o mais recomendável para a escolha da candidatura. Acho que o exercício da boa política, através da intensidade do diálogo e do entendimento, como diria Ulysses Guimarães, do uso intensivo da saliva, seria o mais recomendável para nós decidirmos pela candidatura mais adequada neste momento.

BLOG – José Raimundo iria para uma prévia ou só seria candidato consensuado?

WALDENOR – Eu não sei, eu não saberia lhe responder.

BLOG – Mas essa não seria uma definição de grupo?

WALDENOR – Mas eu não poderia lhe responder se ele, particularmente, aceitaria. Eu acho, particularmente, é uma opinião pessoal, que qualquer que seja a candidatura, de Zé Raimundo, de Odir, de Márcio Matos ou de Marcelo deve ser o resultado do consenso e não da disputa através de prévia. Se nós não conseguirmos construir uma candidatura através do consenso vamos enfrentar maiores dificuldades ainda nas eleições de 2016.

BLOG – Se José Raimundo lhe pedisse um conselho hoje: “Waldenor, você acha que eu devo entrar e disputar a prévia ou eu não entro se houver prévia?”, que resposta o senhor daria?

WALDENOR – Eu diria a ele que o caminho para a candidatura é a construção da unidade. Muita conversa, muito diálogo, muita saliva para que, dentro do prazo que o partido possa nos conceder, a gente faça todos os esforços necessários para essa construção. Eu não acho impossível. Acredito na possibilidade concreta disso. Considerando o que esse projeto representa para Vitória da Conquista, para a região Sudoeste e para a Bahia, creio que nós teremos maturidade suficiente para viabilizar essa construção.

BLOG – O próprio José Raimundo, em conversa com o BLOG sinalizou que espera uma ação, uma manifestação da direção estadual para ajudar na definição do processo em Vitória da Conquista. O senhor acha que o PT estadual fará algum tipo de intervenção, aconselhará o partido municipal na direção de José Raimundo?

WALDENOR – Eu acredito que a participação da direção estadual pode nos ajudar, mas não será decisiva. Na minha opinião, a construção dessa unidade é uma responsabilidade das lideranças de Vitória da Conquista. Alguns reclamam de maior participação da direção estadual, alguns outros reclamam a participação do próprio governador e eu considero esta reclamação ou esta solicitação de interferência indevida. A construção da unidade deve ser conduzida pela executiva municipal do Partido dos Trabalhadores em Vitória da Conquista e a agenda de diálogo e entendimento também deve se dar dentro dos limites do município. A ajuda externa muitas vezes é bem-vinda, ela pode, de certa forma, colaborar, mas a construção da unidade só existirá se o esforço acontecer de dentro para fora, não de fora pra dentro.

BLOG – Há quem diga que o ex-governador Jaques Wagner abriu um precedente que pode ser reivindicado em Vitória da Conquista, ao sustentar o nome de Rui Costa em detrimento de outros nomes como Walter Pinheiro e Sérgio Gabrielli, Pinheiro, inclusive à frente dos três nas pesquisas. Isso não daria argumento a Guilherme para convencer o partido estadual e a instância local?

WALDENOR – Olha, a candidatura de Rui não aconteceu dessa forma, não foi uma decisão unilateral do Wagner. Houve toda uma mobilização das correntes que compõem o Partido dos Trabalhadores. Várias correntes, como o nosso coletivo Reencantar, a CNB, que é a corrente majoritária, e a EPS, por exemplo, num grande encontro do Partido dos Trabalhadores, decidiram, de forma extremamente majoritária, pela defesa do nome do companheiro Rui Costa.
Na questão local, eu responderia que o princípio fundamental da política é a correlação de forças. Na política você dá um passo adiante, dá dois, dá três, ou se mantém parado ou recua em razão da conjuntura. É a correlação de forças que vai lhe permitir tomar essa ou aquela decisão. Evidente que se a correlação de forças fosse favorável os partidos não se aliavam com os demais, apresentavam seus candidatos e o que ganhasse as eleições, governava só. Não é a realidade. Hoje, é praticamente impossível que um partido sozinho, seja o PT, o PCdoB, PMDB, DEM ou PSDB, ganhe uma eleição sem contar com apoio, com alianças de outros partidos. Isso também vale dentro do PT. Quer dizer, se alguma liderança se achar com força suficiente para bancar um candidato, sem necessitar do apoio das demais correntes partidárias que o faça, mas não me parece, respeitosamente, se tratar da realidade do Partido dos Trabalhadores de Vitória da Conquista. Falo isso com muita humildade. E olha que nós possuímos o melhor candidato.
A população de Vitória da Conquista toda anuncia em alto e bom tom que o melhor candidato do Partido dos Trabalhadores é o companheiro Zé Raimundo, até porque já foi prefeito, já foi testado e já foi aprovado, trata-se de um político hábil, de grande capacidade de conciliação, que se relaciona bem com todos os segmentos da sociedade, inclusive com a oposição. Ele é o melhor candidato e nós, que temos o melhor candidato, estamos tratando a questão com a humildade que o exercício da boa política deve recomendar. E neste momento, tendo como base esse princípio elementar da política, o da correlação de forças, me parece – é minha opinião pessoal, repito – que o bom senso recomenda a união de forças, recomenda contarmos com todos os atores. Fugir dessa realidade poderá representar um suicídio eleitoral.

BLOG – A quem cabe começar esse diálogo, estabelecer essa agenda a que o senhor se refere, a executiva do partido? Ou pode ser uma iniciativa de um das lideranças envolvidas?

WALDENOR – Cabe a nós todos. De forma humilde e responsável. A responsabilidade maior, naturalmente, é da direção partidária, mas cabe a nós também, parlamentares, prefeito.

BLOG –O senhor e o deputado José Raimundo viajam muito, têm compromissos em mais de 40 municípios. O senhor não acha que essa agenda apertada, a presença reduzida em Conquista, pode ter prejudicado um pouco a consolidação do nome de José Raimundo como pré-candidato?

WALDENOR – Zé Raimundo tem dedicado mais tempo ao município do que eu, falo isso com muita honestidade. Eu tenho dedicado um pouquinho mais à região e Zé Raimundo tem uma atenção muito mais voltada a Vitória da Conquista, pelo menos do ponto de vista de presença física, de participação em atividades sociais, reuniões, etc. Não vejo as viagens que fazemos para os municípios que representamos como um impeditivo para que ele se apresentasse, de forma mais contundente, na defesa da candidatura.

Todos conhecem Zé Raimundo e sabemos que ele vai trabalhar muito firmemente, como eu estou anunciando aqui, para assegurar a unidade. Eu não estou autorizado a falar por ele, mas acho que ele pensa muito como eu estou pensando, que a nossa divisão, infelizmente, não é o mais recomendável para a disputa de 2016. Zé Raimundo, ponderado como é, na vida e na política, acredito que esteja aguardando um momento mais oportuno para uma dedicação maior, de corpo e alma, de maior intensidade, em razão do projeto.

BLOG – Deputado, agora falando mais do seu trabalho. O senhor acha que a população reconhece o trabalho de um deputado federal, já que não visualiza uma obra física? Seu mandato tem a recepção que o senhor imaginava por parte da cidade?

WALDENOR – O exercício da atividade parlamentar no Brasil vem sofrendo uma avassaladora campanha de desqualificação. Recentemente, a USP realizou uma pesquisa em que constatou que 54% da população brasileira não lembra em quem votou para deputado federal ou estadual, o que revela, por parte da população uma certa apatia em relação à participação na vida política. E evidentemente que essa campanha desenvolvida pela grande mídia, por setores mais conservadores da sociedade, de tentar caracterizar aquele que exerce o mandato eletivo e os políticos de uma forma geral, como pessoas irresponsáveis, como pessoas que praticam atos ilícitos, como pessoas que não devem merecer da população o reconhecimento, isso tem representado um desafio muito grande para o exercício do mandato parlamentar. O Papa Francisco, se dirigindo à juventude, quando de sua visita ao Brasil, afirmou, de forma categórica, que não há solução fora da política. A política é a atividade humana que quando exercida com decência, transparência, democracia e compromisso social é que faz a transformação social, é o que melhora a vida do povo. Desde que ela seja praticada sob a égide desses princípios republicanos. Por outro lado, quando a política é exercida com desonestidade, sem transparência ou compromisso, ela é reconhecida como a atividade humana mais perversa, mais nociva à sociedade. Então, nós que exercemos mandatos eletivos, temos enfrentado muita dificuldade, porque a população pouco acompanha ou não acompanha os mandatos dos parlamentares e de outro lado, há essa campanha agressiva e desrespeitosa contra os parlamentares. Isso é um desafio. Mas, modéstia à parte, eu tenho trabalhado muito, com atuação em cerca de 50 municípios de cinco regiões (Sudoeste, Chapada Diamantina, Bacia do Paramirim, Serra Geral, chegando ao médio São Francisco) e os nossos mandatos têm intermediado muitos investimentos e ações dos governos federal e estadual, que, progressivamente, vêm ajudando a melhorar a condição de vida do povo, especialmente das populações rurais, que essas comunidades possuem população predominantemente rural.
A avaliação que faço é de que nosso mandato e a minha pessoa, em particular, gozam de um bom conceito, mas muito aquém por conta dessa pouca atenção que a população vem dando ao exercício da política. É uma pena, mas é uma realidade. As pesquisas de opinião que estão sendo realizadas dão conta que deputados, senadores, prefeitos, todos aqueles que exercem mandato eletivo vêm passando de uma avaliação muito negativa da sociedade. Em parte por força da campanha difamatória da grande mídia e dos setores mais conservadores, que não querem que a nossa juventude, a nossa população se politize, no bom sentido, mas também por maus exemplos de parlamentares que comprovadamente vêm exercendo os seus mandatos de forma equivocada, com desonestidade, sem transparência, sem democracia. Isso em todos os partidos, infelizmente também no meu partido.

BLOG – O senhor é conhecido como uma pessoa muita ativa e produtiva. Diria que a sua atividade como deputado federal está sendo mais produtiva do que quando era deputado estadual?

WALDENOR – Tanto deputado federal como estadual, exercendo mandatos, modéstia à parte, como eu exerço e como o deputado José Raimundo exerce, são mandatos muito produtivos. Nós lidamos, cotidianamente com problemas, demandas, projetos e planos de comunidades que, uma vez realizados, nos trazem uma satisfação, um prazer e um reconhecimento muito grandes. Imagine o que é você lutar pela construção de uma escola, em uma comunidade pobre, carente, e ver isso se concretizar. Como conseguimos, por exemplo, colégios estaduais para as comunidades de Coaraçu e Lagoa Grande, no município de Cândido Sales. São duas grandes escolas que resultaram em melhoria da qualidade de trabalho para os profissionais de educação e melhores condições para os estudantes, o que reflete, positivamente, na qualidade do ensino. Essas instalações muitas vezes também são utilizadas para o desenvolvimento de atividades da própria comunidade. E isso nos traz um nível de grande satisfação. Recentemente – e isso já quase que regular – nós entregamos em Poções 33 tratores, com todos os implementos agrícolas, para associações de pequenos produtores de diferentes municípios da região. Essas máquinas vão resultar na melhoria da produção, da produtividade da agricultura familiar, o que nos traz um grande contentamento, a satisfação do dever cumprido.
A atividade parlamentar, do ponto de vista do empenho, do esforço, de vez em quando eu brinco com meus amigos de que não desejo a ninguém, porque, realmente, exige muito do ponto de vista pessoal. São atividades permanentes em Brasília e Salvador, final de semana deslocamento para os municípios, então há um sacrifício muito grande da família, sacrifício pessoal enorme, em razão do número de atividades em que a gente se envolve cotidianamente, mas tudo isso nos traz um resultado muito positivo, porque as ações que desenvolvemos sempre resultam na melhoria da qualidade de vida de populações que tradicionalmente eram tratadas com descaso, abandono e discriminação. Isso é motivo de muito contentamento, alegria e satisfação pessoal.

BLOG – Há alguns dias parte da comunidade da UESB, incluindo professores, estudantes e funcionários, se queixou de que o senhor e o deputado José Raimundo, tendo construído parte de sua trajetória política a partir da universidade, teria abandonado os seus pleitos. Mais recentemente, quando da discussão na Assembleia Legislativa de projeto do Governo do Estado alterando vantagens de servidores estaduais, houve reclamação quando à postura do deputado José Raimundo, que teria, inclusive, discutido rispidamente com professores. Quando o senhor se depara com esse tipo de reclamação, como se sente? Considera-se injustiçado?

WALDENOR – Em primeiro lugar, não é verdade a afirmação de que abandonei a UESB. Quando eu era deputado estadual e líder do governo Jaques Wagner na Assembleia Legislativa intermediei, pessoalmente, várias demandas das universidades estaduais e posso destacar uma vitória das associações de docentes, que foi a incorporação aos salários de 70% de CET, que era uma condição especial de trabalho, uma gratificação. Participei de uma série de reuniões, coordenei as reuniões entre o Governo do Estado e as associações docentes e participei, ainda, de uma série de reuniões de debates em defesa dos servidores técnico-administrativos das universidades estaduais e em especial da Universidade do Sudoeste. Como parlamentar, tenho trabalhado, firmemente, na defesa da universidade. Agora, por exemplo, destinamos em torno de R$ 5 milhões em emendas parlamentares para melhorar as condições de funcionamento da UESB. Com este recurso foi recentemente adquirida uma nova frota de veículos (ônibus, vans e caminhonetes), também estão sendo adquiridas câmeras para o sistema de segurança dos três campi e equipamentos para reestruturação de vários laboratórios. E destinamos mais R$ 2 milhões para de centro de pesquisa e centro de extensão para a UESB.
Quanto a esse episódio mais recente, pessoalmente quero me posicionar e lhe agradeço essa oportunidade. Eu acho que alguns dos benefícios que estão sendo alvo da reforma têm que se aperfeiçoados e falo especialmente da questão da estabilidade no emprego, mas considero que a apresentação desse projeto, neste momento, foi muito inoportuna. Acho que momento de ajuste fiscal e de recessão econômica não é momento para apresentar projeto que altere direitos trabalhistas. Apesar de reconhecer a necessidade de alguma adequação desses benefícios. Sou contra, por exemplo, se estivesse lá votaria contra o fim da licença sabática, que é uma matéria de exclusividade da instituição universitária e que pouca relevância tem do ponto de vista financeiro, mas que tem uma grande relevância do ponto de vista do incentivo ao desenvolvimento da pesquisa dentro da universidade. Como disse, considero que a apresentação desse projeto, pelo governador Rui Costa, aconteceu num momento inoportuno, em face do momento de ajuste fiscal, de recessão econômica, quando não se recomenda a apresentação de propostas que altere ou que reduza, e até extinga direitos trabalhistas.
E para completar, acho uma injustiça em relação ao deputado Zé Raimundo. Em conversa que tivemos ele me disse que pensa como eu. A reclamação que os docentes estão fazendo é de que ele não tivesse intermediado junto à Polícia Militar, para evitar a ação que impediu a participação dos docentes nas galerias, ou mesmo o acesso à Assembleia Legislativa. Mas não há nenhum registro de que o deputado Zé Raimundo tivesse defendido o projeto apresentado pelo governo. Eu não posso falar por ele, mas tenho impressão de que ele deva estar em um momento de grande dificuldade na apreciação desse projeto. Até porque, o deputado Zé Raimundo foi o primeiro presidente da ADUSB (Associação dos docentes da Universidade estadual do Sudoeste da Bahia), como eu também fiz parte da primeira direção da entidade, ele é um parlamentar comprometido com a universidade, de uma forma geral e especialmente com a UESB, e não me consta que ele tenha adotado qualquer postura que ferisse os interesses da associação de docentes, de que nós fazemos parte.

BLOG – O senhor foi reitor da UESB e teve duas gestões muito elogiadas, alguns consideram que a sua administração tenha sido a melhor até agora, por ter conseguido avanços que fortaleceram a universidade. O senhor não tinha dificuldade de dialogar com o governo, tratado como de direita, e tratou diretamente com o governador e com o secretário de Educação na época e os resultados foram visíveis. À parte sua relação política e de amizade com o ex-governador Jaques Wagner e com o governador Rui Costa, o senhor diria que hoje o Governo do Estado é tão bom, melhor ou pior para a universidade do que no seu tempo de reitor?

WALDENOR – Do ponto de vista orçamentário, é importante destacar que quando governador Jaques Wagner assumiu o governo do Estado, o orçamento do ano anterior tinha sido de R$ 385 milhões, hoje o orçamento das universidades ultrapassa R$ 1 bilhão. Então, se você comparar o crescimento orçamentário, ele foi de mais de 150%, enquanto a inflação do mesmo período não deve ultrapassar 50%. Portanto, do ponto de vista financeiro e orçamentário os nossos governos, eu não tenho dúvida de afirmar, destinaram bem mais recursos às universidades estaduais que os governos anteriores. Tanto é que naquela oportunidade, quando eu fui reitor, nós lutávamos para defender o percentual de 3,82% da receita corrente líquida para as universidades estaduais, hoje esse percentual ultrapassa 5% – e 5 por cento sobre um orçamento bem maior.
Todavia, de forma muito honesta, eu tive oportunidade de falar para o governador Wagner e já afirmei, mais de uma vez, para o governador Rui Costa, da necessidade do Governo do Estado dar uma atenção maior às nossas universidades estaduais, que cresceram, ampliaram substancialmente o número de cursos e, por consequência, o número de docentes, de estudantes e funcionários; elas cumprem um papel extraordinário, não só do ponto de vista da formação, mas também do desenvolvimento da pesquisa e na área extensionista, tanto é que as regiões onde as universidades estão localizadas deram um salto extraordinário de qualidade, a exemplo de Vitória da Conquista e toda essa microrregião, e eu acho que o Governo do Estado dá pouca atenção à importância que essas instituições representam para o desenvolvimento do estado. Já sugeri ao governador Rui Costa a constituição de uma equipe especial para repensar as universidades, claro que uma comissão paritária que envolvesse os docentes, as entidades representativas, dos reitores e também representações do governo. Particularmente, sou favorável a mudanças na estrutura organizacional das instituições, porque elas têm capacidade de serem mais eficientes no cumprimento de seus objetivos e acho, também, que falta muito diálogo, entre o governo e as universidades, governo e reitores, governo e entidades de representação dos docentes, dos servidores e dos estudantes. Temos feito um esforço grande nesse sentido, eu e o deputado Zé Raimundo. Já nos reunimos com o governador, com os secretários de Educação e de Administração, dentro dessa perspectiva de maior aproximação do governo, para podermos pensar o futuro das nossas universidades. A universidade, no seu particular, tem que se libertar do corporativismo, porque há uma necessidade, de fato, de elas se adequarem aos novos tempos, às novas demandas da sociedade, em face de toda essa nova realidade vivida. E do seu lado o governo também. O governo tem que se deter mais sobre a realidade das universidades, ouvir mais as reitorias, os segmentos organizados da sociedade, debatendo com as universidades projetos como esse que está tramitando agora na Assembleia Legislativa. Esse projeto poderia ter sido mais debatido com as universidades antes de ser encaminhado para votação. Não tenho nenhuma dificuldade de me posicionar nesse sentido.

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1 comentário em “Waldenor diz que prévias podem prejudicar a unidade do PT na sucessão de Guilherme: “Sem unidade é suicídio”.

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