Desaparecimentos

Sumiços: casos sem explicação criam ceticismo, mas solidariedade virtual se mantém

Os blogs de Vitória da Conquista trazem duas notícias de desaparecimento. O empresário conquistense Romerson Guimarães e Aroldo Correia, 69 anos, morador do Bairro Vila Serrana. O primeiro está sumido desde ontem pela manhã, segundo mensagem da filha dele, postada no perfil do empresário no Facebook. Aroldo não dá notícia há um mês. As duas famílias divulgaram telefones para o caso de alguém ter informação sobre paredeiro dos dois.

Aroldo: (77) 98829 0968 ou (77)3202 5062. Romerson: (77) 98805 4650.

Quando notícias como essas aparecem nos sites e nas redes sociais centenas de pessoas compartilham e muitas se mobilizam preocupadas em ajudar as famílias. Mas os que não se mexem e não dão atenção aos apelos. O problema é que estão se tornando repetitivos os casos em que pessoas “desaparecem”, as famílias e os amigos fazem apelos, muitas vezes desesperados, em sua busca e algum tempo depois as pessoas sumidas reaparecem, tranquilas, sãs e salvas. E pior: ninguém se preocupa em explicar o que houve.

Em 2015 foram vários casos assim. Em agosto as redes sociais trouxeram um apelo feito pelo irmão de uma adolescente que havia sumido logo depois de pegar um ônibus. “Gente, minha irmã (LUANA ALMEIDA) está desaparecida desde hoje pela manhã (06h30min), quando saiu de casa para ir para a escola Adélia Teixeira onde ela estuda, ela pegou o ônibus Guarani X Centro com minha mãe e depois pegou o Vila Serrana X UESB sozinha. Já tentamos contato com amigas/escola mas nada. Qualquer notícia ou alguém que tenha visto ela me comunicar por aqui ou pelos telefones (77) xxxx-5216 ou (77) xxxx-2462. Ela estava vestindo um moletom preto de bolinha, uma calça jeans escura, de sandália e uma mochila verde clara estampada. Por favor compartilhem!!!

Algumas horas depois o irmão da menina voltou a postar, informando que ela havia sido encontrada. Falou em sequestro. Mais nada. Nunca mais. “Minha irmã foi encontrada agora pela manhã na escola, descalço e sem a mochila, agora já está em casa com a família e está bem; Aparentemente foi uma tentativa de sequestro. Muito obrigado a todos que compartilharam a foto, fizeram orações e torceram por mim e por minha família”.

Em novembro, foi a vez do jovem Matheus Soares, estudante da Escola Padre Cícero, em Vitória da Conquista, ser dado como desaparecido. com foto e tudo nos blogs. O rapaz sumira na manhã do dia 19 de novembro. Na manhã do dia 20 informaram que ele reaparecera. Não mais. Esperamos que ele esteja realmente bem.

Já no final do ano, dois casos chamaram a atenção. Depois de dar um grande susto na famílias, nos amigos e em muita gente que acompanhou os casos pelos blogs, duas mulheres sumiram e reapareceram sem que ninguém tenha explicado o que, efetivamente houve. Pelo menos não saiu nada nos sites que noticiaram os desaparecimentos.

Primeiro foi a notícia de que a professora Eliane Silva da Paixão Menezes estava desaparecida desde o dia 28 de dezembro. Ela teria sido vista pela ultima entrando em um ônibus no bairro Miro Cairo, com destino ao centro, em Vitória da Conquista. O sumiço de Eliane mobilizou muita gente. Os blogs informaram que irmãos de fé da professora, que é da Assembleia de Deus, se uniram em corrente de oração. A polícia foi acionada, telefone foram divulgados para quem pudesse ajudar com informações sobre o paradeiro dela.

Depois de 5 dias desaparecida, a professora Eliane Silva da Paixão Menezes foi encontrada. O motivo do sumiço da profissional da educação ainda não foi revelado por familiares e amigos“, trouxe o Blog do Rodrigo Ferraz.

O outro caso que gerou muita controvérsia envolve uma moça de Itambé, que sumiu após deixar o Hospital São Geraldo, na capital do Sudoeste baiano, na manhã do dia 29 de dezembro. Ela tinha vindo a Vitória da Conquista para exames médicos, pois estaria grávida. Pelo menos teria sido isso o que ela disse à mãe quando a deixou, informando que iria comprar remédios.

O sumiço de Jéssica Cerqueira Paixão comoveu amigos, parentes e internautas. A polícia entrou no caso, que foi noticiado largamente, em rádios e sites, como o da professora Eliene. No dia seguinte, Jéssica apareceu. Veja como o Blog do Rodrigo Ferraz deu a boa notícia: “Segundo familiares, a jovem acabou ligando para um amigo informando que estava em um hotel na Rio-Bahia. Ainda de acordo com pessoas ligadas a família, Jéssica não estava grávida, o que pode ter motivado o seu sumiço”.

Todo mundo que recebe essas notícias de desaparecimento torce para que a pessoa sumida seja encontrada sã e salva. Parece ter sido o que aconteceu com os casos narrados. O problema é que a banalização do aviso de desaparecimento e o desespero de familiares que, ao invés de checar motivações, relações de amizade ou o histórico recente das pessoas que “desaparecem”, recorrem logo às redes sociais com apelos compreensivelmente dramáticos, e o silêncio que se faz depois, sem explicações ou justificativas, leva muita gente a ficar desconfiada com esses sumiços.

A maioria das pessoas vai continuar compartilhando no Facebook ou repercutindo os blogs, com a intenção de ajudar. Essa solidariedade, ainda que mais virtual, é sincera e importante, mas é hora de quem anuncia os desaparecimentos dar mais um tempo, dar mais subsídios, fazer as suas buscas privadas, nas redes familiares e de amizade e, quando o caso se resolver, por favor, dar uma satisfação aos que se preocuparam e se empenharam em ajudar.

Vamos ajudar a achar Aroldo e Romerson e orar para que estejam bem.

AGORA, LEIA ABAIXO O TEXTO QUE POSTEI NO FACEBOOK, A PROPÓSITO DO DESAPARECIMENTO DA ESTUDANTE DO ADÉLIA TEIXEIRA – E DE OUTROS SUMIÇOS – EM AGOSTO DO ANO PASSADO.
 
SOBRE DESAPARECIMENTOS MEIO ESTRANHOS

Depois do Whatsapp as notícias de desaparecimento de pessoas, especialmente adolescentes e jovens, aumentaram muito aqui no Facebook.
 
Ontem mesmo uma menina “desapareceu” no ônibus indo para a escola, em Vitória da Conquista, Bahia. Preocupadas, centenas de pessoas compartilharam, ajudaram a procurar, oraram… Felizmente, eis que, horas depois, a menina posta uma selfie e a família avisa: “Gente, ela apareceu. Está na escola”.
 
Aí, fico a perguntar se não foram lá procurar e como se pode perder de vista assim uma adolescente que “ainda está se criando”. E minha imaginação responde: o celular deve ter ficado sem bateria ou sem sinal de internet, assim, a quase única forma de comunicação que se está usando hoje em dia, o Whatsapp, não funcionou.

 
Não é piada. Compreendo os pais. Ainda me angustio quando os contatos com meus dois filhos adultos parecem rarear, principalmente quando eles estão em deslocamento de uma cidade a outra. Nem era piada a preocupação com o sumiço de um tanto gente que desapareceu nos últimos dias e que reapareceu, graças a Deus, nas situações mais normais: na casa da avó, na escola, na casa da colega, da namorada ou namorado, no trailer da praça da Escola Normal fazendo um lanche.
 
Talvez seja a hora de o governo garantir – com a prioridade que antes do Google era das bibliotecas – carregadores de celular nas escolas, no transporte público, nas praças… Ah, e sinal WiFi aberto por toda a cidade.

 
Não vejo problema em sermos solidários, compartilhar e ajudar a procurar esses jovens e adolescentes que somem por muitas horas e reaparecem rindo da celebridade repentina (como o sumiço e o reaparecimento) que adquirem e, graças a Deus de novo, sãos e salvos. Ou, pelo menos, salvos. Solidariedade é remédio para quem pratica e não tem contra-indicação, mas susto pode matar avós, mães, pais…

Ufa! Ainda bem que ela está na escola. Não desapareceu no ônibus, como publicaram blogs da cidade, como se meninas e meninos evaporassem. Ou ônibus fossem naves espaciais com extraterrestres que abduzem jovens absortos.

Meninos e meninas: tenham juízo. Ah, e saiam com a bateria do celular carregada e, se possível, com um algum crédito para chamadas telefônicas – elas ainda são úteis.

Pais e mães: mesmo nesses tempos modernos de liberdade e “maturidade antecipada” ainda é uma boa ideia conhecer hábitos, rotinas e roteiros dos filhos. Não é patrulhar. É melhor o “mico” do filho ou da filha com os amigos quando o pai liga ou quando a mãe pede – pelo Whatsapp, claro – informação sobre ondeele ou ela está, do que o susto virar pesadelo e a breve celebridade virar notícia de tragédia nos blogs-obituários da cidade.

P.S.: Quanto a outros desaparecimentos, tristes, dolorosos e reais, vamos continuar ajudando a pais e amigos que se desesperam. Mas é bom sempre dar uma olhadinha na história. Dia desses, vi uma postagem da foto de um garoto com um texto dizendo que ele estava sozinho e sem orientação em tal praça ou hospital ou estação rodoviária de cidades diferentes, de estados distantes, como Petrolina/Pernambuco e Brumado/Bahia. Haja ubiquidade.
Sem contar a repetição de casos de quatro ou cinco anos atrás, de pessoas que já foram encontradas e devem tomar um grande susto quando alguém a vê e grita: “Ainda bem que te encontrei”. Ou se assusta ou ri. Sei lá.

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