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Grave: Jorge Solla diz que governo economiza com desassistência e que vigilância à saúde “está no chão”

 

Se o deputado Jorge Solla (PT) estiver certo o governador Rui Costa está passando informações erradas à população baiana e não conhece a verdadeira situação e o funcionamento da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Em entrevista a uma emissora de rádio de Salvador, Solla apresentou um quadro preocupante da saúde na Bahia, que, segundo ele, Rui Costa desconhece porque é informado de forma equivocada por sua assessoria.

Mesmo maneirando quando se referiu ao governador, o deputado e ex-secretário de Saúde no governo Wagner usou dados e números para desmentir que tenha havido desperdício e excesso de gastos na secretaria durante sua gestão, razão pela qual Rui Costa teria autorizado a Sesab a tomar medidas para economizar R$ 300 milhões. Para exemplificar as distorções, a Sesab afirmou que na gestão anterior (Solla e depois Washington Couto) cerca de mil jogos de cama (lençóis e fronhas) se perdiam, por mês, entre a lavanderia do Hospital Roberto Santos (HRS) e os quartos e enfermarias.

Jorge Solla
Jorge Solla, deputado federal (PT) e ex-secretário de Saúde

Para Solla, a história dos lençóis é um descalabro. “Para começo de conversa o Hospital Roberto Santos – qualquer pessoa que trabalha lá sabe disso – não tem travesseiros, não tem fronha. Não podem ter sumido mil fronhas em um hospital que nunca teve fronha, a não ser enxoval. O HRS, por procedimento interno, não utiliza travesseiro, portanto não compra fronha”. Solla também rebateu a informação de que somem mil lençóis por mês no hospital e garante que no final de 2014 o HRS 16 mil lençóis em estoque. “Ter perdido mil lençóis por mês no decurso de um ano é um absurdo, no mínimo um descalabro”.

Fábio Vilas-Boas
Fábio Vilas-Boas, secretário Estadual de Saúde Foto: Elói Corrêa/GOVBA

O prosaico bate e rebate sobre fronhas e lençóis, no entanto, é a menor batalha nessa guerra de informações, que, baseado no que disse Jorge Solla na entrevista, tem contornos muito graves e prejudica a população. Solla disse, por exemplo, que “a vigilância à saúde no estado da Bahia esta no chão”. E acusou o governo do Estado de estar economizando em detrimento do atendimento. “Como técnico não posso ficar calado numa situação dessas, de desassistência e fechamento de serviços. Nós estamos vivendo uma epidemia de dengue, zika e chikungunya gravíssima. Estamos com as Dires desmontadas e a vigilância à saúde no estado da Bahia esta no chão”.

O deputado critica as mudanças feitas na Secretaria de Saúde no começo do governo de Rui Costa. Para ele, foi feito um arremedo de reforma administrativa, que “não foi e nem voltou, ficou no meio do caminho. Hoje os técnicos das Dires só estão indo lá bater ponto porque não tem estrutura”. Para Jorge Solla, o governo não está economizando certo e afirma que alguns gastos aumentaram. “Com recursos próprios não teve economia nenhuma”, disse, citando a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) e complementou: “De recursos do Ministério da Saúde gastou 100 milhões a mais. Está gastando mais”. Solla citou o contrato com a Fundação José Silveira, que desde 2012 seria de R$ 4,8 milhões por mês, passou em dezembro de 2014 para R$ 5,8 milhões e em outubro de 2015 foi para R$ 7,286 milhões, quase R$ 2,5 milhões a mais que o último contrato de quando ele foi secretário.

FECHAMENTO DE UTIs NETONAIS

Várias vezes o ex-secretário e atual deputado federal repetiu que se está havendo economia na Sesab é economia na prestação do serviço e no atendimento. Solla mencionou equipamentos que deixaram de ser construídos, mesmo depois de licitados; equipamentos prontos, como a UPA de Vitória da Conquista, que não funcionam; unidades que foram licitadas e não receberam ordem de serviço e que terão que ser novamente licitadas, como a Maternidade Metropolitana de Camaçari; o fechamento de farmácias populares e até o fechamento de UTIs neonatais.

“O abastecimento foi crítico no ano inteiro, com falta de medicamentos. Todas as 28 farmácias da Rede de Farmácia Popular foram fechadas. Quase todos os laboratórios estão desabastecidos, porque o governo do Estado deixou de fornecer o nível de abastecimento que tinha antes”, criticou Solla, e for além: “Enquanto fechou as farmácias populares os gastos com cargos nomeados na Bahiafarma dobraram. No final de outubro foram fechados 63 leitos de obstetrícia e 29 leitos de UTI neonatal em Salvador, uma cidade que já funcionava em uma situação crítica. Todos os projetos da Rede Cegonha com recursos captados nenhum andou durante o ano de 2014. Não dá para fazer economia com desassistência”.

Rui Costa
No meio da guerra, Rui Costa, precisa dar solução ao conflito. (Foto: Raul Golinelli/GOVBA)

Há muito não se via uma guerra tão declarada entre um deputado federal e um secretário de Estado como esse crescente conflito envolvendo Solla e o secretário Fábio Vilas-Boas.  Ou Rui Costa ouve Solla e o convence dos acertos de Fábio Vilas-Boas (e vice-versa) ou a crise vai aumentar e mais do que derrubar Vilas-Boas pode causar estragos muito difíceis de consertar ao próprio governo. Porque, como se pode constatar das declarações do deputado, a situação é muito grave e afeta a população

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