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Onildo: “Meu maior medo é tirarmos o PT e colocarmos uma outra via que pode ser tão autoritária quanto”

Entrevistei Onildo Pereira de Oliveira Filho, empresário rural, farmacêutico e herdeiro do Labo, um dos maiores laboratórios do interior da Bahia, na segunda-feira, 11, pela manhã, ao final de uma reunião do Grupo Independente, que reúne oito partidos, todos pequenos, e que passou a ter no PSDB, presidido por Onildo, a sua maior “estrela”. Nem Onildo nem Romilson Santos de Souza Filho, coordenador do grupo, aceitam a condição de estrela do PSDB – ou de qualquer partido. Mas, a verdade é que o aglomerado de siglas e lideranças ávidas para chegar ao poder, não tem nenhuma agremiação com histórico eleitoral e peso político capazes de influenciar em uma eleição tão complicada como parece que será a deste ano.

A não aceitação do estrelismo do PSDB ficou claro quando o coordenador do Grupo Independente ameaçou, muito irritado, que deixaria o encontro se alguns membros do PSDB que apresentaram Arlindo Rebouças como o pré-candidato dos tucanos, como estava programado de ser feito na reunião, insistissem nessa defesa. Onildo também não concorda com a colocação de um nome como “o” candidato. Na entrevista, ele repetiu várias vezes que trabalha para construir um projeto que deve anteceder à escolha do nome que deverá enfrentar o PT. E esse nome, disse, pode ser o de qualquer um, desde que abra mão da individualidade e aceite se submeter à discussão ampla.

Qualquer um, desde que não seja ele. Isso ficou claro na conversa que tive com Onildinho, como lhe chamam os amigos. Pode ser Herzem. Também poderia ser Marcelo Melo. A dificuldade de trabalhar e apoiar um dos dois nomes como candidato deriva, segundo Onildo, de suas próprias posturas. Ou de seus partidos. A Herzem faltaria assumir uma postura conciliatória e construtivista e Melo necessita demonstrar que tem autonomia. Talvez tenham sido essas as razões para que o PSDB abrisse espaço para conversações com dois partidos históricos da quase extinta Frente Conquista Popular, de sustentação do governo municipal: PSB, que ainda faz parte da administração, e PCdoB, que entregou os cargos na prefeitura em setembro do ano passado.

O partido dirigido por Onildo em Conquista, é a noiva que todos querem para um casamento de sucesso. O PSB quer o apoio do PSDB – e de Onildo, claro – para Alexandre Pereira, que deixou o PT há dois meses. O PCdoB quer que o PSDB apoie o deputado Fabrício Falcão. Os dois partidos oferecem o lugar de vice-prefeito na chapa. Onildo elogia os dois nomes. E como um sonhador, acha que os dois partidos podem convergir para uma terceira via juntamente com o Grupo Independente. E vai além: diz que apoiaria, tranquilamente, uma chapa para disputar a eleição de prefeito que tivesse Alexandre e Fabrício ou vice-versa. Explica seu posicionamento dizendo que não voltou à política partidária para defender partidos. “Eu sou Vitória da Conquista”, afirma com ênfase.

Nessa paixão, Onildo chega a citar Odir Freire e José Raimundo, principais candidatos do PT, como políticos com quem se sentaria para discutir Conquista, antes de escolher um candidato. Como, apesar de seu entusiasmo pelo diálogo amplo, irrestrito e contínuo, ele sabe que o PT é o outro lado, os que, na concepção original da oposição e do seu partido, não podem continuar e devem ser derrotados para nunca mais voltar, Onildo sonha que o Grupo Independente lance o melhor nome, consensuado a partir dos debates sobre Conquista e suas demandas, e não se prenda a discutir a partir de vários nomes. Um candidato que seja garantia de um desenvolvimento sustentável, preparado e aberto ao diálogo, de forma que, derrotado, o PT não volte mais. Onildo deseja que a discussão resulte em uma escolha tão segura que não permita que seja eleito um candidato que seja “tão tirânico quanto” ele acha que é o PT, como disse em uma mensagem enigmática que vai dar margem a muitas interpretações.

Gostei de entrevistar Onildo Filho. Não é a primeira vez que ele é lembrado como um nome que pode vencer uma eleição difícil e tirar o PT do poder municipal. Da outra vez, ele desvencilhou-se da pressão sem alarde e sem trauma. Agora, a diferença é que ele assumiu um partido que quer ganhar a eleição e que, segundo conta, apostou nele para a missão. Mas, ele mesmo questiona, por que seria Onildo? “Quase ninguém me conhece. Então, o meu nome é bom só pelo fato de eu ter sido bem sucedido nas minhas empresas? Isso me dá respaldo para ser prefeito de Conquista? Será que eu tenho capacidade emocional para isso?”

Leia abaixo a entrevista e tire suas conclusões.

Onildo
Onildo Filho, presidente do PSDB conquistense. (FOTO: BLOG DO RODRIGO FERRAZ)

BLOG – Qual seria a afinidade do PSDB, que é um partido forte e com bons nomes para disputar a eleição de prefeito, com o Grupo Independente?

ONILDO – Eu acho que a cidade é plural e ninguém é dono da verdade. Acho que para governador Vitória da Conquista, obrigatoriamente, você te, que pensar em todos as atividades políticas, os diversos pensamentos, para você construir o bem-estar da população como um todo. Eu vejo o grupo independente como uma proposta extremamente simpática, ele é extremamente plural e está conseguindo tirar de toda essa pluralidade uma unidade. E eu vejo que o PSDB tem muito a ganhar em estar participando desse conjunto todo. Se nós não tivermos capacidade de conviver com essa pluralidade que é o Grupo Independente, jamais teremos condição de postular a Prefeitura de Vitória da Conquista.

BLOG – Mas, considerando que o PSDB sempre teve uma identidade e uma ligação forte com os outros dois partidos que são predominantes no campo da oposição – e que não estão no Grupo Independente -, o PMDB, com Herzem Gusmão, que ainda está à frente das pesquisas, e o DEM, com Marcelo Melo, que pretende ser candidato, eu pergunto: por que o PSDB não optou por buscar a aglutinação dessas três forças, mas escolheu o Grupo Independente e, de alguma forma, isolou os dois partidos outrora parceiros?

ONILDO – Em primeiro lugar, o PSDB não isola nada, nem ninguém. Muito pelo contrário, ele entrou para aglutinar. O que eu acho é que o Marcelo é uma pessoa que vem se posicionando e transitando em todas as classes, em todos os posicionamentos da cidade, em toda a diversidade, ele, como pessoa, vem trabalhando nesse sentido, mas ele tem limitações [políticas]. Embora a pessoa dele seja extremamente independente, o vínculo político dele já não é tão independente. E o Herzem, por estar numa posição muito cômoda, porque ele construiu toda essa bagagem de votos sozinho, sem depender de ninguém, ele não tem se dado ao luxo de discutir com toda a cidade para criar, também, um projeto plural para Vitória da Conquista.

Eu acho que nós, em momento nenhum, queremos isolar Marcelo ou Herzem, muito pelo contrário. Desde que eu entrei para discutir a política de Conquista, estamos chamando todo mundo para aglutinar em cima de um projeto para Vitória da Conquista e desse projeto sair o candidato. Logicamente, hoje, se nós considerarmos quem é a pessoa mais bem posicionada é o Herzem. Eu acho que seria o grande beneficiado de construirmos esse projeto juntos, porque, na hora de decisão do candidato, se a decisão fosse hoje, por exemplo, ele teria toda a condição de ser. Mas, logicamente ele teria que estar submetido a toda essa diversidade cultural, diversidade de posicionamentos que a cidade de Vitória da Conquista tem. Eu não acredito que ninguém tenha condição de isoladamente se dizer o dono da verdade e se posicionar: “Eu sou o candidato e quem quiser que venha a reboque”. Eu penso exatamente no oposto.

BLOG – Mas, com sinceridade, o posicionamento do PSDB em relação ao Grupo Independente é, de alguma forma, uma mensagem para chamar a atenção de Herzem para a necessidade desse posicionamento a que você se referiu?

ONILDO –  Não. Estamos construindo aquilo que nós acreditamos. A cidade é plural e nós queremos ser plural. Acho que Herzem deve entrar nesse processo e construir realmente um projeto e quem estiver melhor posicionado vai ser o candidato. Eu não tenho a menor dúvida de que, se a decisão fosse hoje, ele seria o candidato. Só que um candidato não dele, Herzem, mas um candidato de Vitória da Conquista, em cima de um projeto para Vitória da Conquista; em cima de todas as pluralidades culturais e de posicionamentos políticos que estariam englobadas nesse projeto. O que eu vejo hoje, apesar de respeitar muito o companheiro Herzem, é que ele está numa posição muito de uma liderança e eu acho que Vitória da Conquista não precisa de uma liderança. Vitória da Conquista precisa de uma construção plural e desta construção plural vai precisar de uma pessoa que conduza essa nova proposta.

E eu não sou excludente de ninguém. Eu acho que todos devem vir para esse projeto. E participar das discussões e da sua construção. E ele [Herzem] seria extremamente bem-vindo. Eu não estou mandando recado. Estou fazendo, junto com meus companheiros, o que devemos fazer. Eu e o PSDB, sob a minha gestão, gente discute internamente e hoje ficou claro que existe divergência, inclusive, dentro do partido, mas acho que isso é que constrói.

BLOG – Você faz um discurso, que julgo verdadeiro, de humildade partidária, digamos, colocando um projeto plural acima das visões dos partidos e dos políticos. Mas, afinal, o PSDB quer ou não quer ter candidato a prefeito?

ONILDO –  O PSDB tem pré-candidatos a prefeito e vai ser protagonista do processo, não isoladamente. Eu digo de novo: eu acho que o PSDB, mais PSB, mais PCdoB, mais todos esses partidos que mostraram aqui que compõem junto conosco o Grupo Independente, nós temos que construir esse caminho para a Prefeitura de Vitória da Conquista. O meu maior medo hoje é tirarmos esta administração, com a qual eu não concordo, não concordo com a forma autoritária – que eles tiveram – de governar a cidade e colocar uma outra via que também pode ser tão autoritária quanto, que poderá cometer inúmeros erros por estar distante da sociedade do mesmo jeito, então, o meu maior medo hoje é isso.

O que me motivou a discutir a política partidária, a entrar novamente no PSDB e a discutir, é que eu acho que nós não temos direito de errar novamente e, muito menos, fazer uma administração ruim e permitir que esse grupo político que tanto mal fez a Conquista (logicamente acertaram em muitas coisas, mas que hoje tem sido o poder pelo poder, e poderíamos passar aqui 24 horas falando sobre os erros que tiveram, continuam tendo e que se agravariam se ganhassem novamente), que eles voltem e permaneçam mais 20 anos administrando de uma forma autoritária e prepotente.

BLOG – Mas, quem são os pré-candidatos do PSDB?

ONILDO – Nós temos três, quatro ou cinco pré-candidatos à Prefeitura de Vitória da Conquista. Eu acho que o PSDB é um partido cheio de nomes. Agora, nós não vamos impor o nome.

BLOG – Vocês ainda não têm um nome único, apesar de lideranças de seu partido terem lançado o do vereador Arlindo Rebouças no fim de semana?

ONILDO – Arlindo é um nome excelente. Nós estamos discutindo nos próximos dias. Entrarão mais dois nomes de pré-candidatos, o meu nome tem sido sugerido com frequência, mas nós não vamos impor um candidato do PSDB. Nós queremos discutir um projeto para Vitória da Conquista e desse projeto sair um nome que poderá ser do PSDB.

BLOG – Qual a sua dificuldade para, pessoalmente, assumir a pré-candidatura do partido, já que há um entendimento de que você teria capacidade de agregar? Qual a sua dificuldade para assumir a candidatura, depois de ter sido convidado pelas lideranças estaduais do PSDB? O que você teme?

ONILDO – Não é questão de temer. A questão é que eu acho que nenhuma política, seja do município, seja do estado, seja federal, possa ser construída a partir de pessoas. O que eu sou contra é você dizer que será Onildo, Arlindo, Pedro, Manuel, Francisco, Herzem, quem quer seja e todo mundo se aglutinar em cima do nome da pessoa. É essa maneira de fazer política que eu sou contra. Eu acho que a gente tem que partir para discutir um projeto, para aglutinar pessoas, aglutinar pensamentos em torno dele. Só a partir daí é que deve sair o nome.

Por que o nome de Onildo é um bom nome? Quase ninguém me conhece. Então, o meu nome é bom só pelo fato de eu ter sido bem sucedido nas minhas empresas? Isso me dá respaldo para ser prefeito de Conquista? Será que eu tenho capacidade emocional para isso? Na minha maneira de ver, isso é uma visão errada da política. A política deve se exatamente oposta. Vamos sentar e discutir os principais problemas de Vitória da Conquista e ver como é que é. Eu, Arlindo, Alexandre, Herzem ou, sei lá, até o Odir ou Zé Raimundo, vamos sentar todo mundo e ver o pensamento de cada um e dentro desse conjunto sair um projeto e quem essas pessoas que ajudaram a construir indicam o melhor nome para conduzir o projeto. Essa é a minha maneira de ver. Eu sou completamente contra sair do nome para o projeto. Deve ser do projeto para se construir o nome.

BLOG – Mas quando você sai do projeto para o nome, você já precisa ter as opções colocadas, não se inventa um nome.

ONILDO – Se inventa… No próprio processo de construção vão aparecer várias pessoas, que de repente estão apagadas ou não tiveram oportunidade de aparecer e que se posicionem tão bem que ganhem a confiança do conjunto. O que eu acho errado é você partir de um nome, qualquer que seja ele. Vamos botar a hipótese de que seja Arlindo. Aí a gente parte para discutir o projeto todo e no meio do projeto você inibe novas lideranças surgirem ou você já entra o próprio grupo inibido porque já existe um nome pré-apresentado.

BLOG – Então, me desculpe a insistência, o PSDB não tem um pré-candidato. Nem Arlindo e nem Onildo?

ONILDO – Eu me nego a discutir um nome. Eu acho que nós estamos num momento de debate. Nós temos mais um mês, o tempo é curto, mas temos um mês, um mês e meio para discutir Vitória da Conquista. Eu me nego a partir de nomes. Participei das discussões internas no meu partido, o PSDB, onde Arlindo foi lançado como candidato, onde lançaram meu nome como pré-candidato e eu fui voto vencido, mas me nego a discutir o projeto nessas condições.

BLOG – Você foi voto vencido em relação a Arlindo?

ONILDO – Não. Eu fui voto vencido em relação a ter nome e depois o projeto. Primeiro: eu acho que o PSDB não deve, não tem o direito de sair isoladamente, querendo ser o salvador da pátria, tendo um projeto para Vitória da Conquista. Eu já começo por aí. Eu acho que a gente tem que discutir Conquista, não o interesse do PSDB, o interesse do PSB , do PCdoB, do PP ou o interesse de quem quer que seja.

BLOG – Sobre essa questão de o PSDB ter candidato ou não, farei a última pergunta. Considerando o que você defende, de sair do projeto para o indivíduo e não da pessoa para o projeto, você não vê a possibilidade, da dinâmica da política e do diálogo, de todas essas discussões feitas no Grupo Independente, de que você é o melhor nome para a disputa, você aceitaria?

ONILDO – Eu acho que essa antecipação faz mal ao processo… Eu entendo que essa questão dos dois nomes que estão postos, o nome do PT – e o mais forte seria o Zé Raimundo – e o nome de Herzem – que é o mais forte à eleição -, eles pecam por serem os nomes. Um é imposto – Zé Raimundo está tendo uma briga aí, com Guilherme, para ver quem vai ser, Odir ou ele, mas qualquer um dos dois será imposto -, e o Herzem também está sendo imposto pelo PMDB. Eu me recuso a entrar nesse processo.

BLOG – Você, pessoalmente e representando o PSDB, tem conversado com dois partidos que não estão no Grupo Independente. Um deles, inclusive não é mesmo independente, porque ainda está no governo municipal, tem o vice-prefeito, secretários, etc., que é o PSB. O outro é o PCdoB, partido do qual você já fez parte, de Alice Portugal, que foi sua colega de faculdade, de Daniel Almeida, que tem uma relação próxima ao deputado federal João Gualberto, presidente estadual do PSDB, e você mesmo tem conversado com Fabrício. Você também tem uma relação excelente com Alexandre Pereira, do PSB, que foi seu colega no curso de Direito. Qual é o sentido, então, das conversas com o Grupo Independente, se o mais provável é que decisão do seu partido sobre a eleição de prefeito seja determinada pelas conversas com PSB e PCdoB, com um dos quais acredita-se que o PSDB marchará?

ONILDO – Primeiro lugar o seguinte: a gente falou o tempo todo em ser plural. Eu entrei não para discutir partido político, entrei para discutir Vitória da Conquista. Considero Alexandre uma pessoa excepcional; considero Fabrício outra pessoa fantástica e considero Herzem, como pessoa, também. O cara está fazendo um excelente mandato como deputado. Acho que temos a possibilidade de construir uma candidatura plural para Vitória da Conquista. Hoje mesmo conversei com Romilson [Filho, coordenador do Grupo Independente] e disse: “Romilson, eu que quero sentar com todo mundo e quero você do lado, velho. As pessoas estão me procurando pela ligação pessoal que têm comigo e é fundamental você estar junto”. Então, em nenhum momento, eu estou excluindo ou escondendo, não é nada disso. É tudo extremamente transparente. Em nenhuma das reuniões eu escondo nossos motivos.

BLOG – Mas são três grupamentos com modos de pensar e agir bem diferentes…

ONILDO – Eu acredito, e acredito sinceramente, estou fazendo todo o possível para Conquista ter um projeto de Conquista. Que não seja um projeto de PCdoB, do PSB, do PSDB ou do PMDB, mas um projeto de Conquista, que não haja interferência dos gestores. Para eu entrar no PSDB, a primeira exigência que eu fiz foi: o diretório de Conquista tem independência para decidir sobre política de Conquista. E isso eu acho fundamental nesse processo. Por que, de repente, nós não podemos sair com uma grande composição como alternativa para Vitória da Conquista? Acredito, sinceramente, que seja possível isso e é nisso que eu trabalho.

BLOG – Na sua cabeça boa e pouco partidária, com pensamento completamente diferente dos encaminhamentos políticos feitos até aqui pelos partidos…

ONILDO (interrompendo) – Concordo [com a afirmação de que os modos de fazer política são distintos].

BLOG – E 2018, como é que fica nesse processo? O PSDB baiano, que está dentro do projeto de ACM Neto governador, vai permitir ou autorizar essa movimentação do PSDB local na direção de partidos como o PSB e PCdoB, por exemplo?

ONILDO (com ênfase e pausadamente) – Eu sou Vitória da Conquista.

BLOG – O PSDB é Vitória da Conquista?

ONILDO – A atual composição do PSDB entrou para ser Vitória da Conquista. A questão da eleição para governador do Estado, a questão da eleição para a presidência da República hoje, ao meu ver, são irrelevantes, em cima do posicionamento que nós temos de reconstruir um projeto sustentável para Vitória da Conquista.

BLOG – Considerando que vocês têm conversas amiúde com PCdoB e com o PSB, o PSDB aceitaria, por exemplo, uma chapa que tenha só nomes dos dois partidos? Você recomendaria a seu partido uma chapa com Alexandre e Fabrício?

ONILDO – Por que não? Eu não vejo a menor dificuldade, desde que seja em cima de um projeto construído, apresentado, em que todo mundo assume toda essa responsabilidade por seguir o projeto e a proposta de governo seja participativo, não esse governo participativo inventado, de mentirinha que o PT fez. O prefeito e o vice-prefeito, eles são parte de uma engrenagem que tem vários secretários e colaboradores, então essa composição é que tem que ser vista. Eu não acredito que se possa governar Conquista sem um conselho consultivo, com representantes dos diversos segmentos da sociedade, com pessoas dos diversos bairros, dos distritos. Eu não acredito que alguém possa governar bem Vitória da Conquista sem uma interlocução, pelo menos mensal ou bi-mensal, com a comunidade. Eu acho que o PT se perdeu exatamente no seu distanciamento da população.

Então, desde quando quem quer seja, independente de em que partido esteja, se houver um comprometimento público com tudo isso, antecipado à decisão de quem serão os candidatos; um comprometimento aberto, em cima de um discurso do qual a pessoa não possa voltar atrás, eu, plenamente, sou favorável. Eu sou, neste momento, Vitória da Conquista. E eu acho que o PSDB, pelo menos boa parte das pessoas que estão convivendo nesse processo junto comigo, é Vitória da Conquista. A nossa preocupação não é ter maioria na Câmara de Vereadores, nem é influir decisivamente no governo do estado, hoje nós queremos um projeto para viabilizar Vitória da Conquista de forma sustentável nos próximos anos.

BLOG – Então, é possível inferir que o PSDB, provavelmente, não terá candidato a prefeito de Conquista?

ONILDO – De novo rejeito inteiramente esse direcionamento. O PSDB tem pré-candidatos à prefeitura, vai articular e participar ativamente do processo. O PSDB pode ser cabeça de chapa, desde que, neste projeto, o nosso candidato seja, na opinião do grosso das pessoas, entendido como o melhor candidato. Nós não estamos partindo apenas para apoio, estamos discutindo um projeto e dentro dessa composição, nós podemos ser cabeça de chapa, nós podemos ser vice e nós podemos apoiar o projeto como um todo, sem estar na chapa. Eu tenho certeza de que o PSDB sairá ganhando, independente de em que posição estiver nesse caminho.

20160111_092050[1]
Onildo fala em reunião do Grupo Independente, segunda, 11.
 

 

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