Especialistas analisam cenário político em Conquista e divergem quanto à eleição de prefeito

Posted on segunda-feira, 18 janeiro 2016

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Em grupos de WhatsApp, comentários em redes sociais ou conversas entre amigos, quatro dos mais conhecidos analistas da política conquistense têm se manifestado sobre a movimentação de partidos e pré-candidatos a prefeito de Vitória da Conquista e opinando sobre as chances de cada um. O servidor federal e ex-radialista Jânio Freitas, o professor universitário e diretor da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Elias Dourado, o advogado e jornalista Paulo Nunes e o jornalista e assessor parlamentar Fábio Sena, são sempre ouvidos quando se trata de eleição em Vitória da Conquista, mas nem sempre concordam. No atual cenário, mantém opiniões diferentes, mas com muitos pontos em comum.

Jânio Freitas e Paulo Nunes, por exemplo, apesar de ainda faltarem sete meses para o início oficial da campanha e 268 dias para a eleição, acham que o PT se mantém no poder municipal. Jânio acha que a vitória se dá mais fácil se o candidato do PT for o ex-prefeito e atual deputado José Raimundo Fontes; já Paulo Nunes tem afirmado, categoricamente, que o nome indicado pelo prefeito Guilherme Menezes será o vencedor, pela força do governo e da imagem de Guilherme. Paulo não diz abertamente, mas acha que não é preciso que o candidato seja José Raimundo, para o PT ganhar.

Paulo Nunes

Paulo Nunes

Paulo Nunes demonstra que ainda não acredita muito na candidatura do deputado Herzem Gusmão. Na sua visão, problemas jurídicos (Herzem assumiu o mandato de deputado sob liminar) podem tirar o radialista da disputa. Mas, segundo Paulo, não é isso o que importa. “Historicamente Herzem tem os votos que são dele, no primeiro turno os votos serão dele, e no segundo turno ele teria os votos da direita, que podem chegar a 40% dos votos. Então, acredito que se houver uma candidatura do PSDB (bem como a de Marcelo Melo – DEM) esse percentual de votos de Herzem cairá drasticamente”, prevê Paulo Nunes, que dá como confirmadíssimo o nome de Odir Freire na relação dos candidatos que tentarão a eleição em 2 de outubro.

Jânio

Jânio Freitas

Jânio Freitas acha que ainda haverá muita negociação no diretório local do PT, mas não crê que o governador Rui Costa e o diretório estadual interfiram no processo interno para convencer o partido – e o prefeito Guilherme Menezes, de que o melhor seria marchar com José Raimundo. Há quem diga que o governador Rui Costa deverá fazer articulações neste sentido quando vier a Conquista, no dia 28 ou 29, inaugurar o CEU, mas Jânio duvida que isso aconteça. Jânio analisa as opções também nos demais partidos, além do PT. Na tarde desta segunda-feira ele postou mensagem de áudio no grupo Política Conquista, no WhatsApp, em que faz um vaticínio: o PSB e o PSDB sairão juntos, com Alexandre Pereira (PSB) como candidato a prefeito e o empresário Onildo Filho, presidente do PSDB, na vice.

Elias Dourado é um dos militantes mais antigos do PCdoB e, nessa condição, defende a candidatura do deputado estadual Fabrício Falcão, que tem pontuado bem nas pesquisas e mostra que é um nome viável para o segundo turno. Para Elias, depois de 20 anos, a polarização se dará entre nomes novos e um deles deve ser Fabrício. Fábio Sena é PSB, mas não demonstra muita fé que algum dos pré-candidatos do partido tenha chance. O jornalista acredita que a eleição será polarizada em torno do projeto 2018, ou seja, os candidatos locais vão se ajustar à necessidade dos consórcios liderados pelo PT e pelo DEM.

Fábio Sena

Fábio Sena

O raciocínio de Fábio Sena é de que “Vitória da Conquista experimentará, neste 2016, uma eleição de natureza fundamentalmente estadualizada. As articulações e alianças partidárias obedecerão a uma lógica comezinha: estarão em disputa dois projetos antagônicos e irreconciliáveis – o governista, simbolizado pela figura do governador Rui Costa, e o da oposição, calçado na imagem do prefeito ACM Neto”, que teria em Conquista o melhor caminho para consolidação de posição em Herzem Gusmão. Enquanto Rui precisaria não apenas do PT, com qualquer que seja o candidato, mas do fortalecimento dos demais partidos – unidos, de preferência.

Elias Dourado

Elias Dourado

Do alto de sua experiência, Elias afirma que as eleições deste ano em Conquista inauguram um tempo novo. “Penso que depois de 20 anos, a polarização se dará entre nomes novos. Nem ACM Neto, nem o governador Rui Costa, conseguirão unificar suas bases no primeiro turno. Quem apostar num nome só, poderá perder seu espaço por ser derrotado num primeiro turno”, argumenta Elias Dourado, para quem haverá muitos candidatos na disputa, “o que será bom pra Conquista. Isso é democrático”. Elias diz que não há retorno na candidatura de Fabrício e que o PCdoB vai disputar com seus aliados de forma respeitosa, “mas independente do governo atual”.