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Rogério Brito: duas décadas em defesa de quem vive ou trabalha nas ruas. Eu conheço ele.

Vi a foto de Rogério no site da prefeitura, como parte de uma campanha de valorização dos servidores que a Secom faz. Copiei o texto e colei aqui, sem ler. Eu conheço Rogério. Posso dizer que somos amigos, embora tenha ficado sem vê-lo por muitos anos. Voltei a encontrá-lo na inauguração das novas instalações do Creas Central, na Bartolomeu de Gusmão, no início de dezembro passado. A mesma cara e aquele sorriso de quem está com toda a disposição para ajudar. De diferente só o cabelo branco. Até a barriga grande não estava muito diferente daquele 1986, quando eu o recebi em minha equipe, na avelha Assessoria de Imprensa  da administração boa de José Pedral Sampaio.

Rogério trabalhava com pesquisa. Eu criei uma equipe que rodava a cidade e a zona rural levantando opiniões da população sobre o governo, seus programas e, claro, sobre política. A correção do trabalho de Rogério – e daquela turma, que incluía Mércia Andrade, Rose Castilhano, Jordélia, Marivaldo e outros – ajudou muito nos acertos da administração J. Pedral/Hélio Ribeiro. E ajuda agora, na administração de Guilherme Menezes. Ajuda o governo ajudando a cidade e ajuda a cidade ajudando quem mais precisa. Daqui ou passantes. E com aquela disposição que no seu sorriso naquela tarde dezembro.

Toda vez que publico um release da prefeitura eu faço alterações. Em todos. Nem sempre com a pretensão de melhorar o texto, mas para dar adequar ao meu estilo e do BLOG. Mas este sobre Rogério publicarei na íntegra, porque está muito bem escrito. Parabenizo Rogério e à jornalista que o descreveu tão bem.

Sinto orgulho de ver uma pessoa que gosto sendo reconhecida por seu trabalho e esforço.

Rogério
“É pela garantia de direitos. É a vontade de que eles tenham garantidos os mesmos direitos que todos nós temos. Cada um dele tem uma história.”

Já é final de tarde e parece haver pouco movimento na sede do Serviço de Abordagem Social, divisão ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. De repente, o gerente do setor, Rogério Sousa Brito, recebe do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) a informação de que um homem, aparentemente com transtornos mentais, chegou ao serviço alegando estar em viagem desde Pernambuco, em busca de supostos familiares que estariam num lugar ignorado.

Com mais de vinte anos de experiência nesse tipo de trabalho, Rogério já sabe o que sua equipe deve fazer: entrar em contato com outros órgãos que fazem parte da rede socioassistencial da Prefeitura de Vitória da Conquista, ou que colaboram com ela, a fim de evitar que o indivíduo fique desassistido nas ruas enquanto estiver na cidade.

Provavelmente, ele será encaminhado à Casa do Andarilho, e lá ficará até que a equipe de profissionais faça a triagem que apontará a solução do problema. Novos contatos também poderão ser feitos com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) ou com o próprio Cras. Se fosse uma criança ou adolescente, o contato seria com o Conselho Tutelar e com o Centro Pop – Criança e Adolescente. E, no caso, como se trata de um adulto em trânsito pela cidade, uma passagem de ônibus poderá ser providenciada para que ele siga seu caminho em segurança.

Preocupações como essas passam diariamente pela cabeça de Rogério desde 1992, ano em que ele começou a trabalhar em programas socioassistenciais mantidos pela Prefeitura. Quase sempre atuando como educador social, Rogério acompanhou de perto a estruturação de iniciativas que estão aí até hoje, como o programa Conquista Criança e a Casa de Acolhimento. “Melhorou cem por cento. Antes disso, as políticas sociais praticamente não existiam em Vitória da Conquista”, afirma o educador.

‘Tem que gostar’ – Atualmente, ele gerencia a equipe de abordagem social. Seu público-alvo, como ele mesmo o define, é formado por “toda e qualquer pessoa que faz da rua o seu meio de sobrevivência ou moradia”. Isso inclui crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. O trabalho do grupo consiste em ir às ruas, identificar as pessoas que estão nessa situação e encaminhá-las para os serviços oferecidos pela Prefeitura, como o Centro Pop em suas versões “Adulto” e “Criança e Adolescente”.

Rogério reconhece que, “para trabalhar nessa atividade, tem que gostar”. Além de monitorar as pessoas que vivem em situação de rua, a equipe se empenha para envolvê-las em atividades lúdicas. Em 2015, por exemplo, foi bem-sucedida a realização de jogos de futsal entre os usuários no Ginásio de Esportes. A experiência deverá ser repetida em 2016. Também estão previstas atividades recreativas entre os usuários nas próprias vias públicas, a exemplo de capoeira e hip hop.

‘Garantia de direitos’ – Assim, os resultados aparecem. E gente como Rogério, que trabalha nisso há anos, acaba identificando-os com o tempo. “Gratificante é você encontrar um adolescente com quem você trabalhou, que vivia em situação de rua, e ver que ele está trabalhando, tem sua casa e tem autonomia, sem precisar de ninguém”, explica o educador, que frequentemente é reconhecido e cumprimentado nas ruas por homens adultos que, quando crianças ou adolescentes, foram alvos de seu trabalho. “Não é caridade o nosso trabalho com eles”, avisa Rogério. “É pela garantia de direitos. É a vontade de que eles tenham garantidos os mesmos direitos que todos nós temos. Cada um deles tem uma história”.

‘O público que eu gosto’ – Aos 53 anos, nascido em Jequié e criado em Poções, e tendo vivido muitos anos em São Paulo, Rogério é um conquistense por adoção. Chegou à cidade em 1986, e aqui formou sua família. É casado há 28 anos e tem um filho de 27. Ele evita pensar em aposentadoria e se define como um homem não muito afeito a planejamentos de longo prazo.

Deseja, como na música, que a vida o leve, desde que o mantenha na atividade que exerce há tantos anos, e na qual encontrou – e continua a encontrar – prazer, a ponto de extrair dela a inspiração para os estudos. Por conta da experiência nos serviços socioassistenciais da Prefeitura, ele se interessou por estudar Serviço Social numa faculdade de ensino à distância. Atualmente, está no penúltimo semestre do curso.

“Não sou de planejar o futuro. Não fico preocupado com isso”, explica. “Cada dia é cada dia, e a gente vai levando a vida. Quero continuar trabalhando com o público que eu gosto, que é a população em situação de rua”.

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