Campanha Eleitoral

Pedido de ajuda feito por Geddel a empreiteiro preso na Lava Jato afeta campanha de Herzem. Ele nega recebimento

Na quarta-feira (20), um personagem que está muito longe de Vitória da Conquista, em uma prisão localizada a 1.859 quilômetros, causou o primeiro impacto significativo em uma das pré-candidaturas mais fortes na disputa pelo lugar ocupado hoje por Guilherme Menezes. O jornal Globo (do Rio de Janeiro) tornou público o conteúdo de mensagens trocadas entre o ex-presidente da construtora OAS, Leo Pinheiro, o personagem que está preso em Curitiba (PR) por conta da Operação Lava Jato, com o presidente estadual do PMDB, Geddel Vieira Lima. As mensagens constam de relatório da Polícia Federal que foi divulgado na quarta-feira.

Geddel

Geddel Vieira Lima

Leo Pinheiro

Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, preso pela Lava Jato

Leo Pinheiro era presidente da OAS em 2012, quando a conversa com Geddel se deu. Em uma das mensagens trocadas entre o presidente do PMDB baiano e o executivo da empreiteira registra-se um pedido de recursos financeiros para a campanha de Vitória da Conquista. Naquele ano, o candidato do partido dirigido por Geddel Vieira Lima foi o atual deputado estadual Herzem Gusmão. Bastou esse registro histórico para que, em grupos de WhatsApp e redes sociais, a notícia se espalhasse, quase sempre associada com uma foto em que aparecem Herzem, Geddel e o irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima.

Apesar de a matéria de O Globo ter sido reproduzida pela maioria dos blogs da cidade e mencionada em programas de rádio, sempre com citação ao nome de Herzem, o deputado e pré-candidato a prefeito pelo PMDB não emitiu nenhuma nota sobre o assunto. Respondeu apenas a blogs de Salvador. Ontem, tentamos ouvir alguma manifestação do mesmo no seu programa na Rádio Clube, mas a emissora estava fora do ar no horário da Resenha Geral. Hoje Herzem não tratou do assunto.

BLOG enviou e-mail ao deputado com o seguinte teor: “Herzem, por favor, me mande algo escrito, ou me telefone para eu gravar, sobre esse episódio Geddel – Leo Pinheiro – OAS. Quero tocar no assunto, por questão de coerência jornalística, mas não quero fazê-lo sem ouvir você antes. Publicarei amanhã, até as 10 horas.” E recebeu de volta a seguinte resposta: “Caro Giorlando, O ex-ministro Geddel já manifestou nacionalmente a sua posição. Informo que não ocorreu repasse de recursos da OAS para a minha campanha de 2012, conforme prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral. Fraterno abraço, Herzem”.

Herzem

Herzem Gusmão: O imbróglio envolvendo Geddel e Leo Pinheiro atinge sua campanha?

Em seguida enviei outro questionamento: “E o que diz da larga divulgação da notícia em Conquista, algumas fazendo citação a você, embora por via indireta, ou, no caso das redes sociais e dos grupos de WhatsApp, a associação feita com fotografia em que você aparece com Geddel?”. Herzem respondeu apenas: “Claro que vc sabe qual a verdadeira intenção das divulgações”.

O Blog do Anderson, reproduzindo postagem do Bocão News, de Salvador, informa que “Herzem não recebeu dinheiro diretamente da empreiteira, contudo, o diretório estadual do PMDB repassou R$ 575 mil dos R$ 743,529 totais arrecadados na campanha. A OAS doou ao diretório R$ 300 mil. Na eleição de 2012 não havia ainda o registro do rastro do recurso, ou seja, não é possível identificar se parte do dinheiro repassado pela direção estadual para a campanha de Herzem era do montante recebido pela OAS. “Nós não recebemos dinheiro da OAS. O que recebemos foi do diretório estadual. Há ai também uma outra informação importante porque doação é diferente de propina. Não foi propina. Precisamos entender que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Não dá para fazer ilação com o que não existe”, afirmou Herzem”.

Com todas as explicações dadas, no entanto, ninguém pode negar que o episódio provocou um balanço, não tão leve, no barco com o qual Herzem vem navegando no processo sucessório municipal. Embora não haja pesquisas recentes, ele pontuava na frente em todos os levantamentos feitos no segundo semestre do ano passado – e com boa vantagem sobre os demais pré-candidatos, incluindo José Raimundo, do PT. Certamente, Herzem acredita que tem gordura para queimar e prefere não dar respostas ao que tem sido dito de negativo sobre ele, direta ou indiretamente.

Herzem preferiu não responder ao vereador Florisvaldo  Bittencourt (PT), que o acusou de ser o braço em Conquista do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). E ficou em silêncio também quando o presidente do PSDB, Onildo Pereira Filho, outrora um dos nomes com os quais Herzem contava para a sua campanha, disse que o peemedebista está em uma posição cômoda e que não se submete ao debate com a cidade. O silêncio e o distanciamento do deputado do PMDB no trato com a imprensa local talvez seja a confirmação de que Onildo esteja certo.

Mas tudo pode não passar de uma tática. Na lan house onde escrevo este artigo encontrei uma amiga, produtora cultural e editora de revista, que abordou o cenário político local. A certa altura, ela explicou o porquê de Herzem Gusmão não estar falando de tudo ou se explicando: “É estratégia. Ele viu que na eleição passada falou muito e deu no que deu, agora, está se preservando para não se desgastar”. Ela é eleitora de Herzem, e para justificar seu argumento disse ainda: “Veja que Fabrício também parou de falar”.

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