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Sucessão em Conquista: cenário começa a clarear e candidaturas se definem

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Waldenor e Guilherme: conversa retomada

As posições tomadas, na última semana, pelos principais partidos com pretensão de eleger o próximo prefeito de Vitória da Conquista ajudam a clarear um cenário que esteve muito confuso no início do ano. Até o Partido dos Trabalhadores, onde parecia que a escolha do candidato seria uma “guerra de foice” no escuro, o redemoinho começa a se desfazer e tudo caminha para que a decisão sobre quem representará o PT e o prefeito Guilherme Menezes na sua sucessão saia antes de março, prazo dado pela direção nacional do partido.

No PMDB, que tem o radialista e deputado Herzem Gusmão como pré-candidato, tudo mantém-se como dantes no quartel de Abrantes*, depois que a divulgação de mensagens trocadas entre o presidente estadual do PMDB, Geddel Vieira Lima, e o ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, preso pela Lava Jato, acabou resvalando em Herzem. Tudo porque, na conversa com Pinheiro, Geddel pediu dinheiro para a campanha do então candidato a prefeito de Conquista, em 2012. Geddel disse que a OAS não deu o dinheiro. Herzem afirmou que nunca recebeu. E assim, pelo menos no curto prazo, o prejuízo parece ter sido mínimo.

O certo é que, além de recursos financeiros – que nem Herzem e nem os demais candidatos sabem de onde virão (por causa das restrições na lei atual) muito menos da OAS -, o que o pré-candidato a prefeito do PMDB, que liderava todas as pequisas até o fim do ano passado, mais precisa é definir um vice e obter a garantia de apoio dos partidos que, assim como o PMDB, fazem oposição ao PT e estão dentro do projeto de fazer ACM Neto governador em 2018. Não está fácil resolver isso. Das lideranças e partidos fortes que estiveram com Herzem na eleição passada só Esmeraldino não se lançou pré-candidato.

O DEM tem Marcelo Melo, e as bolsas de apostas dão como certa a sua candidatura. O PSDB terá Arlindo Rebouças. O PMN e o PRP estão no condomínio chamado Grupo Independente, que também promete lançar candidato.

Já a Frente Conquista Popular está se dissolvendo. O PCdoB já saiu e lançou o deputado Fabrício Falcão, cuja candidatura é considerada de grande potencial e que começa a agregar apoios importantes, como o do PDT, liderado na Bahia pelo deputado federal Félix Mendonça Júnior.

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PSB bate o martelo. Vai sair do governo e lançar Alexandre

Por sua vez, o PSB fez uma reunião ontem (quarta-feira), quando reafirmou o plano de ter candidato contra o PT e esclareceu de uma vez por todas que o nome é o do advogado e ex-presidente da Câmara de Vereadores, Alexandre Pereira, recém-egresso do PT. O vice-prefeito Joás Meira vai apenas coordenar a campanha.

O caso que ganhou maior repercussão foi o do PSDB. Depois de ter defenestrado da direção municipal o professor Claudionor Dutra, o Ticolô, e colocar à frente da comissão executiva o dono do Labo Laboratório, Onildo Oliveira Filho, o partido tucano também deu um jeito de afastá-lo. O presidente estadual João Gualberto, simplesmente desfez todos os planos e articulações que Onildo vinha fazendo em busca, segundo ele, de um projeto forte para a retomada de uma política de desenvolvimento sem donos e sem ícones, baseada em propostas transparentes.

Para a direção estadual, os movimentos de Onildo eram muito à esquerda e iam de encontro aos projetos do agrupamento formado em torno do projeto de retomar o poder na Bahia, com ACM Neto à frente. Há quem diga que o empresário se sentiu “violentado pela prostituição política” e que pretende nunca mais chegar perto de uma porta onde esteja escrito PSDB. À parte o exagero das afirmações ou de se tratar ou não de especulação, o chega pra lá do PSDB em Onildo também o afasta de Herzem Gusmão e de Marcelo Melo. Como ele já havia considerado que nenhuma das duas campanhas coadunava, pelo menos momentaneamente, com o seu projeto de política, é possível crer que ele fique longe de portas também com as siglas DEM e PMDB.

O BLOG vem tentando falar com Marcelo Melo. Ele alega que não tem tempo. (Mesma desculpa de Odir Freire). Nesta quinta-feira à noite o pré-candidato do DEM participa de um encontro de pré-candidatos a vereador, a partir das 19h30, na Auto Escola Trânsito Rápido, no Centro. O evento é uma confirmação de que Melo está em campo e agindo como candidato. Aliás, ele nunca negou essa condição e na última Festa do Bonfim, em Salvador, posou para fotos com o prefeito ACM Neto e postou nas redes sociais, reforçando que tem o apoio do maior líder do Democratas para se manter no páreo em Vitória da Conquista.

Por último, a notícia de que o prefeito Guilherme Menezes e o deputado federal Waldenor Pereira, com a intermediação do presidente Rudival Maturano, conversaram “por uma hora e meia de relógio”, na sede do PT de Conquista na manhã de quarta-feira (26), foi recebida, entre petistas e observadores atentos da política conquistense, como o sinal de que a briga no partido, se ocorrer, não terá como protagonistas os grupamentos guilhermista e raimundista. Só deve haver prévia se assim quiserem os pré-candidatos Márcio Matos e Marcelo Neves – que têm muito pouca chance, é obrigatório dizer.

Para quem acha que uma simples conversa entre Guilherme e Waldenor é apenas uma simples conversa entre prefeito e deputado ou de dois militantes preocupados com o partido, é importante lembrar que eles não conversavam há muito tempo. É também importante destacar que estava ausente da reunião de hoje o deputado José Raimundo Fontes, o nome que era preferido do partido até Guilherme “assinar embaixo” da pré-candidatura do secretário Odir Freire. José Raimundo está na Europa, mas Waldenor fala pelos dois. A expectativa agora é de que Guilherme também converse com o ex-prefeito. E que ninguém duvide de que, a partir dessas conversas, saia mais uma chapa puro-sangue do PT para a eleição de prefeito.

Amanhã em Conquista, o governador Rui Costa deve ser informado dessa articulação. E deve abençoar os movimentos dos dois lados, com um sorriso largo que disfarçará bem a decepção de ver PSB e PCdoB correndo por fora, colocando em risco a continuação do projeto que eles começaram juntos há 24 anos.

 

* Tudo como dantes no quartel d’Abrantes

Flávia Souto Maior

A frase surgiu no início do século 19, com a invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica. Portugal foi tomado pelas forças francesas, porque havia demorado a obedecer ao Bloqueio Continental, imposto por Napoleão, que obrigava o fechamento dos portos a qualquer navio inglês. Em 1807, uma das primeiras cidades a serem invadidas pelo general Jean Androche Junot, braço-direito de Napoleão, foi Abrantes, a 152 quilômetros de Lisboa, na margem do rio Tejo. Lá instalou seu quartel-general e, meses depois, se fez nomear duque d’Abrantes.

O general encontrou o país praticamente sem governo, já que o príncipe-regente dom João VI e toda a corte portuguesa haviam fugido para o Brasil. Durante a invasão, ninguém em Portugal ousou se opor ao duque. A tranqüilidade com que ele se mantinha no poder provocou o dito irônico. A quem perguntasse como iam as coisas, a resposta era sempre a mesma: “Esta tudo como dantes no quartel d’Abrantes”. Até hoje se usa a frase para indicar que nada mudou.

(Guia do Estudante – Aventuras na História, em http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/tudo-como-dantes-quartel-d-abrantes-433893.shtml)

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