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Entrevista Esporte Futebol Vitória da Conquista

Entrevista com Ederlane Amorim: quem é o cara por trás (ou à frente) do vice-campeão baiano. PARTE II

Nesta parte da entrevista, Ederlane comenta o caso da briga com o ex-treinador do time, Fael Júnior  – demitido na véspera de um jogo contra o Bahia, pela Copa Governador do Estado -, e fala também do futebol conquistense, da falta de apoio do poder público, da sua relação, e também do clube, com a politica, além de fala abertamente sobre si mesmo, numa autocrítica corajosa e honesta sobre o seu próprio temperamento. Ederlane expõe o coração e várias facetas do futebol, na representação do seu clube, seu sonho e paixão.

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A primeira parte da entrevista está AQUI.

BLOG – Vitória da Conquista já teve muitos e bons times profissionais (Humaitá, Serrano, Conquista, Serranense, Vitória da Conquista) e bons jogadores de futebol, que ainda hoje são lembrados, como Piolho, Naldo, Zó, Kel, o campeão Claudir, Pena, Elias, entre outros. Essa história é positiva para o seu clube? Fale do apoio e da participação dos jogadores que defenderam os clubes anteriores ao ECPP. Podemos ter certeza de Esses ex-atletas torcem para o Vitória da Conquista?
EDELVANE – Nenhum deles teve aproximação maior com o clube. Nenhum. Claudir é hoje treinador, Kel é treinador, chegaram a procurar o clube, buscando uma oportunidade em A ou B momento na história do clube e ela não se deu, porque era um momento inoportuno ainda. Nós tínhamos um quadro completo e não tínhamos, por exemplo, uma divisão de base que precisasse de dois, três treinadores. Elias ficava no profissional e Guilhermino Lima, que também foi jogador profissional, já vem, há dez anos, cuidando da base do clube. O problema é que não aconteceu a oportunidade, nem a necessidade de incorporar aqueles profissionais.
Eu prefiro acreditar que eles torcem para o Vitória da Conquista. São nossos conhecidos, pessoas que lidam no dia a dia com o esporte, que conversam sobre futebol, que ainda vivem o futebol. Se fosse o contrário, eu estaria torcendo pelo bem comum. Creio que eles pensam assim também. Mas, você me fez uma pergunta que eu nunca tinha parado para pensar, se eles torcem mesmo. Eu prefiro acreditar que sim. Mesmo porque, se eu pensar diferente, vai haver um desgaste e não vale a pena. Vamos olhar para a frente.

BLOG – E a questão do poder público. Você disse que não é bom estar dependente do poder público, porque ele muda, mas, no período de um campeonato, a participação da prefeitura pode ajudar. Em algum momento o Vitória da Conquista contou com alguma colaboração financeira – não apenas apoio logístico ou uma ajuda esporádica em um projeto estrutural?
EDERLANE – Não. Nunca.

BLOG – Isso por que você nunca pediu ou por que eles nunca quiseram dar?
EDERLANE – Sempre procuramos, desde a época de Zé Raimundo, chegando a Guilherme. Esbarra na questão técnica. Chegamos a conversar com os procuradores, com a procuradoria, tentando fazer ver que o Fluminense de Feira tem apoio, que bota o brasão do município no uniforme e isso pode entrar como se fosse um investimento em publicidade, em divulgação do município, como se colocasse a marca da prefeitura em um outdoor ou em outra propaganda; se você não puder fazer com o profissional, faz com a base. Mas, não conseguimos. Até o ISS aqui é descontado da arrecadação do clube. Isso também a prefeitura não pode deixar de cobrar, tecnicamente, mas poderia devolver em serviço. Agora, por exemplo, nós fomos jogar a Copa São Paulo de Juniores e precisamos de ônibus e não conseguimos com a prefeitura, sob a alegação de que já estava fazendo um investimento alto no estádio.
Um apoio que destaco da prefeitura, que foi uma contribuição financeira indireta, aconteceu agora no governo de Guilherme Menezes, que autorizou a cessão do equipamento e da mão-de-obra para a terraplanagem dos dois campos da Toca do Bode, que seria de um custo altíssimo se nós fôssemos pagar. E, também, no campeonato juvenil do ano retrasado, nós conseguimos duas ou três viagens para Salvador, porque chegamos praticamente na final do campeonato juvenil e eles nos proporcionaram essas viagens.
Então, nesses dez anos de clubes, mede-se aí, no equilíbrio dessa balança, quem ofereceu mais a quem. Nós tivemos da prefeitura apenas o que mencionei. Claro que foi muito importante o apoio ao CT, da parte do prefeito Guilherme, mas você vê o que tem o Fluminense de Feira. Nós dirigentes conversamos, todos os clubes conversam. O Fluminense, para a 2ª Divisão, recebeu um aporte de R$ 150 mil do poder público, se lá pode por que aqui não pode?
Tivemos uma reunião na Câmara de Vereadores, no começo do ano passado para tentar convencer os vereadores a colocar no orçamento uma verba destinada ao esporte profissional da cidade, não precisaria ser só para o clube, mas ao esporte profissional que existe, mas isso ficou só no papel, não teve andamento. A gente sabe que não vai contar, não tem como contar, então que nos ofereçam, pelo menos, essa estrutura física que já vêm oferecendo, essas melhorias no estádio, que a gente sabe que são feitas mais pelo rigor da lei, pela exigência dos estatutos do esporte, do que pela própria iniciativa, porque é um estádio praticamente abandonado, são 50 anos quase, de fundação, e agora é que veio trocar o gramado. E ainda há mais coisas para fazer, como melhorar os vestiários, por exemplo, que são muito antigos.
Esses estádios mais antigos da Bahia, não é exclusividade de Conquista, todos passam pela mesma dificuldade. Com o advento da internet, em especial, todo mundo é comentarista, todo mundo sabe falar de tudo, então com essa iniciativa de se fazer arenas, todo mundo compara esses estádios mais antigos com as arenas, mas é uma comparação totalmente desleal, absurda. Sabemos que o Lomantão é um estádio antigo que, para se fazer reforma, teria que ser uma que contemplasse todo o estádio ou reformas pontuais, como a prefeitura vem fazendo, não só aqui, como em Feira de Santana, em Juazeiro. Nenhum dos times do interior, da 1ª Divisão, vai mandar todos os seus jogos em sua casa, apenas o Colo Colo e o Jacobina que conseguiram a liberação do estádio no apagar das luzes. Dos outros times ninguém, Feira, Juazeiro, Senhor do Bonfim, ninguém.

BLOG – Mas a prefeitura não libera a publicidade dentro do estádio para o clube?
EDERLANE – Libera. Isso é um ponto positivo, porque ela poderia cobrar o direito de uso do solo. Só faltava essa, a gente ter que pagar por isso. Já basta o ISS. É uma coisa cultural, não é um privilégio nosso. Nunca foi cobrado de nenhum clube o uso dos espaços de publicidade no Lomanto Júnior, então por que cobrariam da gente? Já cobram o ISS, que é 5%. Se a renda é R$ 100 mil, os R$ 5 mil um funcionário da prefeitura já está lá na boca do caixa, não espera nem a gente levar. Mas, é justo lembrar que a prefeitura também não cobra o aluguel do estádio, que poderia cobrar, a Fonte Nova cobra, Pituaçu cobra, que normalmente é 10% da bilheteria e seria mais um custo difícil da gente arcar.

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BLOG – E os políticos? Há políticos que tentam se aproximar, dar apoio e obter visibilidade, ou o Vitória da Conquista prefere manter-se independente e deixar esse pessoal mais afastado? Este ano teremos eleições de prefeito e vereador, tem candidato se aproximando? Como é a sua relação com a política?
EDERLANE – Nossa relação é apenas profissional. Isso até ajuda na imagem que tenho de arrogante, de boçal, de dono de clube, mas na verdade não é assim. É timidez, sou sisudo de nascença, por natureza, quem me conhece e convive comigo sabe das minhas qualidades e dos meus defeitos, que todos têm. Mas, a política sempre foi secundária dentro do Vitória da Conquista. Nós temos um vice-presidente que é político, Eduardo Moraes, que já foi candidato a vereador, é do PCdoB, mas ele é político lá no partido dele, dentro do Vitória da Conquista não. Nós temos um diretor, Luiz Alberto Selmann, que é secretário municipal, que é um dos fundadores do clube, e veja a dificuldade que nós temos de conseguir mais apoio da prefeitura. Foi até graças a ele que conseguimos essa segunda ajuda da prefeitura, na terraplanagem do CT, mas nunca tivemos privilégios.
Tem políticos que tentam se aproximar, me convidam para me candidatar a vereador, mas a gente sabe qual a verdadeira intenção, que é a aproximação com o clube porque o clube tem acesso à torcida e se você dividir é voto, ou as escolinhas que têm no clube, os pais, tudo isso é um caminho para conseguir voto. Hoje em dia essa procura diminuiu bastante, porque a maioria já sabe que o nosso comportamento lá é apolítico. Muita gente fala que perdemos por isso, mas eu prefiro trilhar dessa maneira para não ficar refém de uma situação.
Mas, claro que não é anormal ter políticos em clubes. Muitos clubes grandes têm políticos à frente. Há vários clubes que têm deputados gerindo. A Juazeirense, por exemplo, quem toca é o deputado estadual Roberto Carlos. O Jacobina teve a participação do deputado Manassés. Aqui mesmo tivemos deputado presidente de clube, como foi o Vonca, eu fui funcionário dele, como jogador, como treinador e até hoje ainda tenho dinheiro para receber do clube que ele dirigiu. Prefiro trabalhar como venho trabalhando, mesmo sabendo que o apoio diminui por não ser esse político e por não permitir que a política invada o nosso clube. Tem dado certo assim, mesmo com dificuldade.

BLOG – Você falou que há quem o veja como uma pessoa arrogante, mas sabemos que há muita mais gente que o tem como uma pessoa bacana, destacando que você é sério e lutador. Você acha que mesmo as pessoas sabendo que você gerencia os recursos do clube com critério, com honestidade e capacidade administrativa, existe uma resistência de alguns em ajudar o Vitória da Conquista porque você seria intempestivo, um tanto rude? Isso impediria mais gente de se aproximar para ajudar o clube?
EDERLANE – Eu acho que isso contribui, sim. Mas, como disse anteriormente, apenas quando as pessoas não me conhecem. O ser humano tem a mania de fazer juízo e não gostar de outros mesmo sem conhecer. Eu confesso que eu mesmo sou assim. Eu olho para Rogério Ceni e digo: “Eu não vou com a cara dele”. Mas, por quê? Porque eu não gosto da maneira que ele fala, da maneira que eu imagino que ele trata as pessoas. Então, a gente fica fazendo avaliação. A gente vê um jogador falando, gera uma simpatia e já vê outros que não despertam o mesmo sentimento. Acho que isso é do ser humano mesmo, de estar julgando as pessoas. E quando você é pessoa pública, você passa por essa sabatina, não tem como evitar. Uma vez Herzem Gusmão me disse uma coisa no estúdio que eu não vou esquecer. Ele disse: “Metade da população te ama e metade te odeia”.
Como é que eu me intitulo? Eu sou uma pessoa super justa, super honesta, não abro mão disso, e sou muito determinado. Como o Vitória da Conquista foi uma coisa que eu criei, que eu fundei, é como se fosse um filho meu. Então, às vezes, esse temperamento é mais pelo lado emocional da coisa, do que pela razão. E é uma luta diária para eu me controlar sobre esse aspecto. Eu preciso me policiar. Eu não vejo nenhum presidente que tenha contato tão direto com os jogadores como eu tenho. Então, se o jogador chega atrasado ao treino, se o jogador tem algum comportamento que não faz parte do que está previsto, eu é que vou lá. Mas, eu não chego lá gritando. Vou cobrar do cara, “rapaz, não faça mais isso, aqui é um clube assim, assim, assim”, aí vai depender muito da reação do atleta. A minha ação vai depender da reação dele. Não estou falando de violência, mas de firmeza.
Eu mesmo me envolvo com essas questões e às vezes tem até discussão, porque eu não quero envolver outras pessoas. Eu tenho um gerente de futebol, um supervisor chamado José Roberto, e às vezes vêm me dizer que quando ele foi falar com um atleta o atleta gritou com ele, aí é motivo para eu chamar o cara. Isso eu levo para todas as esferas, então não é bom. Quando eu jogava futebol muita gente me falava sobre o meu temperamento. Quem me vê aqui e me vê jogando futebol, são duas pessoas totalmente diferentes. No campo, eu sou muito nervoso, mas onde é o meu nervosismo? Não é porque eu não aceitava perder, era porque eu não gostava de injustiça. Essa injustiça que eu não gosto aqui, eu não gosto lá dentro. Tem um cara bem fraco no meu time, aí vem um cara lá fortão e dá uma pancada no mais fraco, aí eu nem preciso saber quem é. Falo: “Não faça isso com o cara, não, rapaz, dá em mim então”. Deu para entender como é? É mais ou menos por aí. Então, isso aí ainda é muito primitivo, a gente tem que ir podando.

BLOG – Você acha que isso influencia externamente e afasta pessoas do clube?
EDERLANE – Eu acho que sim.

BLOG – Então, não seria o caso de você começar a pensar em profissionalizar esse setor de comercialização e atração de parceiros para o Vitória da Conquista?
EDERLANE – Já tem. Quando eu vou a algum contato, para uma conversa nesse sentido, é porque as pessoas pedem para eu ir. Porque apesar desse propalado lado ruim, muitas vezes a pessoa quer me conhecer, quer saber quem sou eu, “quem é aquele cara, quais são os planos dele”? Hoje mesmo eu fui no Sicoob e o Valeriano levantou, na frente de todo mundo, e me disse: “Quero te parabenizar, rapaz. Parabéns pelo seu trabalho”. Nessas horas eu fico todo desconsertado, porque eu não quero trabalhar para isso. Esse reconhecimento em público me deixa sem jeito, fico tímido, começo a suar, isso já é da minha natureza mesmo. Sou um pouco “bicho do mato” nesse aspecto. Eu prefiro passar despercebido. E isso incomoda algumas pessoas, que acham que eu sou arrogante, mas não é essa a verdade, quem me conhece sabe que eu não arrogante. Eu prefiro passar totalmente no anonimato. Mas, no caso de Valeriano, ele fez questão de me parar, aí veio o Flori, da Evolution Jeans, que também estava lá e também me parabenizou. Isso me deixa sem graça, mas claro, me honra. Não tem preço e é o que importa.
Mas há pessoas que talvez não gostem do meu jeito. É assim, principalmente, se você dá um não. No meu dicionário autenticidade ainda é uma virtude. E isso não é comum, porque na vida hoje, em quase todos os sentidos, a pessoa tem que ser vaselina, para não perder um patrocínio, para o cara não fechar a porta na tua cara. Enfim, a pessoa atua. E eu não sei muito atuar assim, ou o cara vai pelo que ele está vendo aqui ou vai ser difícil, porque eu não vou falar um discurso ali ou concordar com ele só porque eu estou querendo um patrocínio. Talvez isso aí pese um pouquinho nessa atividade, para a minha vida não. E eu passo esses valores para os meus filhos, para as pessoas que me são caras: você não precisa ficar refém de ninguém, defenda o que você pensa. Ouça, claro, porque você não é dono da verdade, mas defenda o que você pensa. Se o cara lhe convencer que você está errado, beleza, mas não mude sem convicção. Eu acho que isso é um grande passo para você manter-se honrado.

BLOG – Finalmente, o que aconteceu mesmo entre você e o técnico Fael Júnior, que foi demitido na véspera do jogo contra o Bahia, na Copa Governador do Estado, no ano passado? Dizem que vocês brigaram e teria ocorrido agressão física.
EDERLANE – Eu nem gostaria de falar disso, mas vou relatar o que aconteceu. Não houve nenhuma agressão física. Jamais. Tanto é que se eu tivesse feito isso ele teria tomado as providências cabíveis, como eu faria também. Houve uma discussão muito ríspida, como jamais houve. O fato é que ele não aceitou a demissão, que foi motivada pelo mau resultado. Tivemos uma discussão no jantar, lá em Feira de Santana, quando ele veio me cobrar porque eu não levei mais jogadores para o jogo contra o Bahia, que aconteceria em Salvador. Não levei por causa daquela dificuldade que já falei: quando vamos jogar fora conta tudo e precisa pensar nos custos. Até dois anos atrás, o máximo de jogadores que poderiam ficar no banco era 18, hoje você pode colocar até 22. Quando é jogo em casa a gente coloca, mas quando é fora, por causa de custo a gente reduz, ainda mais em um Copa Governador do Estado que a gente banca tudo do bolso, não teve apoio nenhum. Você computa hotel, refeição, etc. e acaba pesado, considerando até o cumprimento do pagamento dos salários.
No jogo aqui, em que empatamos com o Bahia de Feira, eu falei para ele: “Ô, Fael, nós fizemos um investimento altíssimo para essa competição, ninguém investiu como a gente e a gente empatou com o time dentro de casa e eles só trouxeram 16 jogadores, nem foram 18”. Aí ele me respondeu assim: “É, mas eles podiam ter trazido até 12, só jogam 11”. Aí, eu: “Tudo bem”. Deixei pra lá, pois vi que ele estava nervoso. Lá em Feira de Santana ele veio me cobrar porque eu não levei 22, aí eu respondi da mesma maneira. Então, ele disse que eu estava sendo irônico e começou a discussão ali. Só que da maneira que ele falou foi um tom muito agressivo e eu achei que ele foi desrespeitoso, principalmente porque foi na frente de todos os jogadores. E não foi porque era eu, a pessoa. Ele era um funcionário e desrespeitou o presidente da empresa diante de todo o quadro de funcionários. Inclusive tinha diretor comigo que falou assim: “Rapaz, você devia ter demitido ele era aqui, nem deixava ele ir no ônibus. Mandava ele ir embora daqui”. Eu disse: “Não, rapaz, é cabeça quente. A gente vai ter um jogo amanhã, então para não tumultuar o grupo vamos seguir”.
No ônibus, eu comecei a conversar, pelo WhatsApp com algumas lideranças do time, já temendo que se tirasse o treinador houvesse um baque no time. Eu não tinha a intenção de dispensá-lo antes do jogo. Como a gente precisava do resultado, conversei com Sílvio, que era o capitão, pedi que ele ouvisse outros jogadores, tudo pelo WhatsApp e ele me respondendo: “Ederlane, o pessoal está comemorando, pode tirar que ninguém gosta dele aqui”. Realmente já estava essa atmosfera entre o treinador e os jogadores. Então, fiquei mais tranquilo, conversei com alguns diretores, que disseram me apoiar na decisão que eu tomasse. Quando chegamos ao hotel, em Salvador, para resolver essa situação, nós chamamos ele do lado, eu e outro diretor, e comunicamos a sua dispensa . Ele não aceitou. Depois, passou a exigir que eu pagasse a ele ali mesmo. Eu argumentei que não tinha como, mas ele estava irredutível e houve uma discussão mais forte, ele se levantou, empurrou a mesa – isso foi tudo o que aconteceu – foi lá para a recepção. Pedi ao diretor que o acompanhasse, porque eu não deixei ele ficar no hotel. O problema todo foi esse. Ele saiu do hotel e foi para outro com o preparador físico. Só voltei a vê-lo aqui em Vitória da Conquista, já totalmente demitido.
À noite, me reuni o time no saguão do hotel, conversamos, num tom de harmonia, todo mundo entendeu, todo mundo parabenizou e graças a Deus que só ficou nisso, porque não caberia outro tipo de atitude, nem minha nem do treinador. Mas, foi uma coisa completamente atípica, que não deveria ter acontecido com uma delegação de futebol.

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BLOG – E hoje, estando tudo em paz, com um técnico de sua confiança, que está à frente do time pela terceira vez, o que o torcedor pode esperar do Bode? Das três competições que o time disputa – Campeonato Baiano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil – em qual pode chegar mais longe?
EDERLANE – Eu prefiro chegar mais longe no Campeonato Baiano. Preciso me preocupar mais com essa competição. A Copa do Nordeste só me dá retorno financeiro. Eu posso ser campeão da Copa do Nordeste e ser rebaixado no Baiano, aí o prejuízo vai ser grande, porque em 2017 eu posso ter um torneio apenas para disputar e não um campeonato. E a Copa do Brasil é claro que eu quero ser o campeão, quero ter o artilheiro, quero ter a defesa menos vazada, isso eu falo para todo o time, a obrigação nossa é pensar assim. Porém, voltando para a nossa realidade, a gente sabe que é muito difícil ser campeão da Copa do Brasil. Por exemplo, eu acho que o Náutico não é o Palmeiras, já me dá mais uma esperançazinha de passar, mas sou realista: ganhar de um time grande uma ou duas vezes a gente acredita, mas você ganhar de time grande cinco, seis vezes é mais complicado. E a constelação de times grandes na Copa do Brasil é imensa.
Mas futebol é futebol. O Criciúma já foi campeão da Copa do Brasil, o Santo André também e em cima do Flamengo, no Maracanã. E o Santo André hoje é um A2 de São Paulo, ou seja, um time do mesmo nível do nosso. Então, a gente sonha, mas mantendo o pé no chão. Não posso chegar e dizer que eu vou ser campeão da Copa do Brasil, da Copa do Nordeste e do Campeonato Baiano. Eu quero fazer uma boa competição em todas elas, manter o time no Campeonato Baiano e tentar classificar, de novo, para a Copa do Brasil e Copa do Nordeste do ano que vem.

BLOG – O Vitória da Conquista cair para a segunda divisão é uma hipótese remota…
EDERLANE – Remotíssima. Mas, o Serrano, por exemplo, disputou a Copa do Nordeste em 2014 e disputou o Campeonato Baiano, não fez uma boa Copa do Nordeste, foi eliminado na primeira fase e foi rebaixado do Baiano. É aquilo que eu falo da questão estrutural: o cansaço de viagens, de logística, o time jogar duas competições simultâneas sem estar preparado, sem ter condições estruturais para fazer bem essas competições. Por isso eu digo que se eu tiver que focar em uma ou outra competição, por mais que a Copa do Nordeste me dê um recurso maior, eu tenho que me preocupar com o Campeonato Baiano.

 

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