Biografia

Uma conversa sobre Conquista, amizade, família e política com Odir, o candidato preferido de Guilherme

Uma das razões de ser deste BLOG é oferecer elementos que possam ajudar o leitor a entender o cenário político e conhecer as diversas opções de pré-candidaturas existentes e poder balizar a sua escolha. Neste sentido já foram entrevistados alguns dos principais nomes que estão no tabuleiro da sucessão municipal de Vitória da Conquista: José Raimundo, Herzem Gusmão, Fabrício Falcão e Waldenor Pereira. Se houver tempo e disposição dos demais nomes, incluindo Marcelo Melo, Arlindo Rebouças e Armênio Santos, o BLOG entrevistará todos os possíveis candidatos a prefeito. Muito mais para mostrar seus pontos de vista, sua visão da cidade e dos seus problemas, do que para questioná-los. O objetivo não é inquisitório, mas esclarecedor.

No início do mês eu conversei com Odir Freire, 62 anos, secretário de Agricultura e pré-candidato lançado pelo prefeito Guilherme Menezes para o debate interno no Partido dos Trabalhadores, que ainda tem o professor Marcelo Neves, o dirigente do MST Márcio Matos e os deputados José Raimundo e Waldenor Pereira. Não foi uma entrevista, propriamente dita. Nunca tive qualquer acesso a Odir e a conversa serviria para que eu o conhecesse e pudesse traçar um perfil dele. Demorei em tomar a decisão de publicar, mas, por fim, considerei que não seria honesto ter tomado mais de uma hora dele, que tem muitas tarefas a cumprir, e não transformar o bate-papo em um material que pudesse interessar também ao leitor do BLOG.

Para começar, eu diria que Odir me pareceu afável e cavalheiro. Cheguei ao nosso encontro prevendo uma conversa difícil, com um cara durão, que não sorriria em nenhum momento e que ficaria o tempo todo dando sinais para encerrar a conversa. Isso não aconteceu. E confesso: se não fosse a minha incompetência como entrevistador e noção de responsabilidade dele – que tinha compromissos como secretário de Agricultura e chefe de Gabinete do prefeito Guilherme Menezes – teríamos levado mais uma hora conversando.

Afável, cavalheiro e discreto. Discreto no sentido de não falar muito e de não se elogiar. Ele se diz tímido e quem o conhece de perto confirma que, pelo menos do ponto de vista social, ele é mesmo tímido. Não é dado a aparições e muita festa. Mas, dizem os amigos e testemunham os que andam com ele, quando é para desempenhar uma tarefa, resolver um problema como administrador, Odir vira um trator. O prefeito Guilherme diz dele mais ou menos isso, quando fala que tem que dar muito trabalho a Odir, “porque tudo ele resolve”. E pelo histórico obtido da conversa com o próprio Odir, com o prefeito e com os amigos dos dois, foi essa característica de dar respostas aos desafios e oferecer soluções para os problemas apresentados, o que consolidou a ligação entre o prefeito e o auxiliar.

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Odir conversa com Guilherme em evento político, tendo a primeira-dama, Josete Menezes, de testeunha

Odir e Guilherme já eram conhecidos de muito tempo quando o governo começou, em 1997. As famílias dos dois eram próximas e, ainda entrando na adolescência, Odir prestava atenção no jeito de ser, “sempre muito avançado” de Guilherme, já na idade jovem. A diferença de idade entre eles é de 10 anos. A admiração, segundo Odir, ainda é a mesma e ele conta um caso para ilustrar isso. “Me lembro de uma vez que Guilherme disse que ia para Salvador participar de um movimento político lá e minha mãe falou com ele: ‘Lelinho, não viaja não, não vai lá não, que está tendo greve’. E ele: ‘Não, Dona Biduda, eu vou. Porque eu tenho que participar daquela mobilização que está acontecendo em Salvador’. Então, é um ser humano inquestionável. Nem teria palavras para definir o cara que é Guilherme”.

A amizade de mais de meio século, no entanto, nunca rendeu privilégio na política ou no governo, segundo Odir. E o histórico confirma. A família de Odir já residia em Conquista quando Guilherme foi confirmado candidato a prefeito pela Frente Conquista Popular (PT, PSB, PCdoB e PV), acrescentada do PSDB. Eleito, o prefeito o levou para a administração, mas, a despeito das ligações antigas e da amizade familiar, o cargo que coube ao amigo de Iguaí foi o de chefe da Divisão de Compras, no terceiro escalão. Para chegar à atual condição, em que responde por duas secretarias e é o nome indicado e referendado por Guilherme para ser o candidato a prefeito do PT, Odir teve que passar por vários outros cargos de segundo escalão, imprimindo seu jeito de ser e sem fazer alarde. E isso, segundo o prefeito, é uma das coisas que mais contaram na hora que ele escolheu o nome de Odir para “assinar embaixo”.

“E eu me sinto bem com isso. Comecei como chefe de divisão e hoje estou secretário. Ele até brinca que tem que botar muito serviço para mim, porque dou conta. E é verdade que eu não tive privilégio nenhum. O único privilégio que eu tive foi trabalhar junto com ele, ter esse prazer de aprender e, a todo momento, quando precisa estou com a mesma disposição de sempre”, diz, referindo-se ao prefeito.

O COMEÇO NA PREFEITURA

Do período em que foi chefe da Divisão de Compras Odir guarda a lembrança das dificuldades. O grupo assumiu, ele conta, quando a prefeitura não tinha mais nenhum crédito na praça. Para recuperar a confiança dos comerciantes, cada um teve que usar de sua própria credibilidade – e diplomacia. “Quando eu assumi a chefia de divisão eu fui para a rua buscar credibilidade dos fornecedores, juntamente com Nailton, que era o coordenador de compras do município. A gente foi incutir na cabeça dos fornecedores que o processo tinha mudado, que a credibilidade seria outra. Naquela época, a prefeitura comprava, mas os comerciantes só entregavam a mercadoria quando recebiam o cheque. E tinha comerciante que ainda esperava o cheque compensar para só depois entregar a mercadoria. Aí nós começamos a incutir na cabeça dos comerciantes que não era bem assim, que o processo seria: cotação, depois empenho, empenhando o processo, a mercadoria deveria ser entregue e o pagamento feito em seguida. Como todo o processo era cumprido, a gente foi conquistando, pouco a pouco, a credibilidade dos comerciantes”.

“Foi um trabalho muito bonito. Eu me lembro que teve um dia que chovia muito e a população estava assustada, porque no passado houve até morte de criança que foi arrastada pela enxurrada, e Guilherme queria porque queria arrumar uma boca de lobo numa certa região e o material era vendido por um único comerciante – que existe até hoje – e ele não vendia para a prefeitura. E ele não quis de jeito nenhum vender o ferro e aquele ferro só tinha naquela loja. Ele não queria vender nem fiado nem a dinheiro, não queria saber de prefeitura. Aí, o que é que ocorreu? Eu procurei o gerente dele, que era meu conhecido e comprava também na mão dele, quando eu morava em Iguaí, e conversei com ele:  ‘Moço, mudou a administração, agora tem credibilidade, você pode vender’. Enfim, depois de muita conversa, como eu não o convencia, o que é que eu fiz? Dei um cheque meu, levei o material e depois do processo todo pronto, voltei com o empenho, com o cheque da prefeitura e ele devolveu o meu”.

O GRANDE DESAFIO

Credibilidade adquirida para a administração, credibilidade aumentada para Odir. Como comentou outro membro do governo que participou daquela época, ele mostrava a Guilherme que o velho amigo seria um grande colaborador.  E a atitude colaborativa e o empenho em dar as respostas que o prefeito pedia teria sido a principal razão para que Odir saísse de chefe de divisão, no terceiro escalão, para coordenador de patrimônio, coordenador de agricultura, tesoureiro, secretário de Planejamento, secretário particular, secretário de Assuntos Distritais, presidente da Emurc, chefe de Gabinete, secretário de Finanças e, atualmente, secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural. De todas as funções que exerceu nesses 20 anos de administração petista, Odir, é visível, se identifica muito com o trabalho que faz no campo. No total, com dois intervalos, já são seis anos na pasta da Agricultura, que ele assumiu a primeira vez em 1999, quando era chamada de secretaria de Assuntos Distritais. Mas, o grande desafio, segundo ele, foi a secretaria de Finanças.

“Em 2009 chegou o grande desafio da minha vida. Naquele ano, estava bem impregnado nas pessoas que para assumir a secretaria de finanças tinha que ter cacife, ser um nome forte no PT. Naquela época, só figurão assumia essa secretaria. Mas, quando chegou dezembro de 2008, no Natal, Guilherme senta comigo, quando estava praticamente certo de que eu seria o chefe de Gabinete, e me diz que havia convidado algumas pessoas do grupo para ser secretário de finanças e essas pessoas não aceitaram. Aí ele virou pra mim e falou: ‘Odir, você vai ser o secretário de finanças’. Eu falei: ‘Rapaz, você acha que dá certo?’. Ele: ‘Dá. Você conhece Dona Mércia, você conhece Vera, você conhece Teresa (que está aí até hoje)’. Então, eu falei: ‘Tudo bem, já vou pra casa de Vera, conversar com Vera agora mesmo’. Cheguei lá, bati um papo com Vera, fiz uma sondagem com Vera e ela já me meteu logo, assim, um susto, mas eu já estava predisposto a assumir a secretaria, como assumi.

“Fiquei na secretaria de Finanças até o início de 2010. Foi uma época difícil, porque foi aquela época da crise econômica mundial. E eu sei que fiz um trabalho muito importante na secretaria, deixando numa situação bem confortável. Quando passei para Mércia, que foi (a secretaria) em seguida, ela assumiu já com as finanças estabilizadas. Fiz um trabalho de recadastramento imobiliário só com a prata da casa e deu muito certo. Naquela época, Mizael [Bispo, que também foi secretário de Finanças] comentou que a gente mudou o ano com superávit, o que nunca tinha acontecido, que ele nunca tinha visto aquilo”.

A CONFIANÇA

É essa experiência que dá segurança ao prefeito Guilherme Menezes de que Odir será um bom sucessor. Odir também acha isso. Ele acredita que o aprendizado desses 20 anos na prefeitura lhe possibilitará fazer uma boa administração. Uma coisa ele garante: vai trabalhar com mais afinco ainda e com a mesma seriedade que apontam nele. “Me acho bem honesto no trabalho e sério nas coisas que faço”. Mas, até lá, há duas batalhas a serem vencidas, uma dentro do PT, outra na eleição, propriamente dita, se o partido confirmar sua escolha. Perguntei se ele sente que já tem dentro do PT uma aceitação maior do que tinha em dezembro quando Guilherme colocou o seu nome na disputa. ”Sinto. Os companheiros me procuram e falam que darão apoio ao meu nome. Assim como sinto isso fora do partido, com pessoas de vários segmentos da cidade”.

Em um dos momentos da conversa em que se mostra mais à vontade, ele solta um confiante “Eu espero que dê Odir na cabeça!”, para depois dizer que quando pessoas de fora do partido o procuram para saber se ele será mesmo o candidato, ele explica todo o processo. “Olha, meu nome foi indicado por um grupo de dentro do PT, avalizado pelo prefeito Guilherme, mas nós temos que obedecer a regras internas, ainda tem discussão dentro do partido. Ainda não tem cristalizado pelo Partido dos Trabalhadores que eu sou candidato”. E se o partido decidir que o candidato não será Odir, ele ficará magoado? Diz que não. “De jeito nenhum. Meu nome está à disposição do partido, tenho orgulho de ser indicado, de ter sido avalizado pelo companheiro Guilherme, mas é o partido que vai decidir. Para mim não será decepção nenhuma se não for eu o escolhido. É uma situação com a qual a gente tem que conviver”.

Ainda há reações, internas e externas ao nome dele como candidato do PT para disputar a eleição de prefeito no dia dois de outubro. Ainda é grande a quantidade de militantes e de eleitores que acha mais fácil ganhar a eleição com o ex-prefeito e atual deputado José Raimundo Fontes. Isso incomoda Odir? Quando seu nome foi colocado no cenário pelo prefeito houve uma reação em vários setores, principalmente no PT, de pessoas que acharam que era um equívoco de Guilherme e que José Raimundo deveria ser o nome. Essa reação lhe causou algum incômodo? “Não. Eu acho que Zé Raimundo é o nome mais lembrado por já ter sido prefeito, por ser deputado, é um grande nome do Partido dos Trabalhadores, mas em momento algum eu fiquei incomodado com quem acha que deve ser ele e não eu. Não me causa qualquer desconforto”.

Recentemente, uma reunião com a presença do prefeito e do deputado Waldenor Pereira de outros pré-candidatos foi o primeiro passo para definir o nome de consenso. José Raimundo não participou porque estava fora da cidade. Logo depois do encontro, Waldenor refirmou seu apoio a José Raimundo, mas disse que não teria dificuldade de fazer campanha se Odir for o escolhido. Odir diz que a reciproca é verdadeira. Waldenor ressaltou qualidades técnicas e morais de Odir, que retribui, lembrando que conhece o deputado petista há muitos anos. “Waldenor e Zé Raimundo são companheiros valorosos. O cunhado de Waldenor foi prefeito de Iguaí, que foi Dr. Laidinor. E nós nos encontramos em Iguaí bem antes de eu me mudar para Conquista. Uma dessas vezes foi na casa do sogro de Dr. Laidinor, seu Anatálio Schettini, isso há mais de 30 anos. Então, eu conheço Nonô há muito tempo. E sinto que posso ter dele a mesma confiança que hoje tenho de Guilherme”.

CONHECENDO MAIS CONQUISTA

Para ser candidato, Odir precisa conquistar o partido, mais do que Guilherme, José Raimundo e Waldenor. E conquistados estes terá que conquistar a maioria dos 230 mil eleitores do município. Para isso terá que andar muito e conversar com muita gente, muito mais do que costuma falar. Odir diz que isso não é problema e que já está nessa levada há um bom tempo. “Eu estou com toda disposição e já estou fazendo isso. Já estou andando e falando com as pessoas – e com muita vontade”. Para ele, a forma de conversar com os moradores da zona urbana não difere do diálogo que já mantém com a população do campo, com quem ele mantém contato constante há tanto tempo.

“Sem dúvida, eu tenho um envolvimento maior com o pessoal da zona rural, até pelo contato frequente, pelo atendimento. Minha identidade com a zona rural é muito grande. A comunidade da zona rural é uma comunidade agradável, que realmente dá prazer você trabalhar com eles. As pessoas, quando me procuram, elas sabem como eu sou. Elas falam: ‘Se Odir disser que vai fazer, ele faz; mas se ele falar que não dá pra fazer, ele não faz’. Por toda a minha vida eu tenho procurado trabalhar com muita seriedade e respeito às pessoas. Às vezes sou até tachado de grosseiro, de bruto, mas a verdade é porque eu sou muito claro com as minhas ações. Mas eu acho que não precisa mudar nada. Basta que a gente tenha mais convivência com os problemas da cidade, com as questões da cidade, na verdade. É ouvir mais, para poder falar com conhecimento e com proposta clara, que possa ser realizada”.

Para Odir uma questão muito importante é a questão social, por envolver atenção a quem mais precisa, com uma política de proteção social que mantenha a prioridade e o cuidado à criança, ao adolescente, à juventude, às mulheres, aos idosos . “A sensibilidade que o prefeito Guilherme demonstra ter com o ser humano é impressionante. Isso faz a gente refletir e investir, cada vez mais, no tratamento da questão social da comunidade de Vitória da Conquista”. Outro ponto indicado por Odir é a infraestrutura, que, segundo ele, tem melhorado cada vez mais , principalmente nos últimos oito anos, com vários serviços realizados. “Eu acho que essa é uma grande responsabilidade de quem vai assumir o lugar de Guilherme: manter essa política de desenvolvimento social, que é referência nacional, e consolidar os investimentos na infraestrutura, com ampliação das áreas atendidas com saneamento e pavimentação e o estímulo ao desenvolvimento de todas as regiões, inclusive a zona rural”.

Já que ele tocou no assunto, o BLOG quis saber se o fato de ter quem o considere um tanto rude, às vezes, causa algum incômodo e se ele teme que nesse processo eleitoral adversários utilizem isso, de alguma forma, para diminuir a sua relação com o eleitor. Ele responde que quem o conhece sabe que ele não é bruto ou antipático e que à medida que ele for se aproximando as pessoas saberão quem é o verdadeiro Odir. “Na verdade, é só a primeira impressão. Depois que as pessoas me conhecem, elas vão vendo que eu não sou bem assim como alguns, às vezes, falam. Eu tenho passado por todos os setores da Prefeitura de Vitória da Conquista, e você pode sair e perguntar quem é o Odir, que eles vão te dizer. Realmente, eu tenho minha sensibilidade, não sou tão duro assim. Me acho bem honesto no trabalho e sério nas coisas que faço”.

FAMÍLIA E VIOLÃO

Uma colega de trabalho de Odir explica que a dificuldade que ele tem de se fazer conhecer é porque é tímido e não é dado a salamaleques ou arroubos de vaidade. Ele diz que isso é mais ou menos verdade. “Essa é a parta tímida de Odir. Eu, particularmente, me acho tímido. Eu não sou de chegar falando muito, aparecendo. Por exemplo, eu gosto de tocar uma musicazinhas ao violão, que aprendi a tocar com Guilherme, lá em Iguaí, e o pouco que eu toco eu gosto de tocar lá em casa, com a meninada; com o filho mais velho, que mora em Belo Horizonte, que é mais apreciador da música e aí a gente canta. Mas a parte tímida de Odir é que prevalece em público”.

E o que a parte não tímida de Odir faz, além de tocar violão em família? “Trabalhar. Muito. Meu dia começa às cinco e meia da manhã, quando faço atividades físicas, me preparando para a batalha do dia. Tomo café e às oito estou no local de trabalho. Trabalho de dez a doze horas por dia, isso quando não tem reuniões ou atividades noturnas. Aí a gente vai até a hora que terminar a atividade. Gosto de trabalhar e ver o resultado”.

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Odir e família. Na foto de cima, com Sônia e os filhos pequenos. Na de baixo, com esposa, filhos, nora e uma neta.

Antes de terminar Odir diz que é cristão, mas não frequenta uma igreja determinada. “Eu fui criado numa família católica, a minha família toda é católica. A minha esposa, Sônia, é evangélica. No meu relacionamento com ela eu passei a ter uma outra visão da religião, mas não me entreguei totalmente à prática evangélica. Ela sempre diz que para ser evangélico tem que frequentar a igreja, sempre em atividade e eu nunca fui assíduo”. Odir nasceu em Salvador, foi criado em Iguaí, retornou à capital aos 16 anos para estudar, formando-se Químico Industrial, na UFBA, em 1979. Está casado há 33 anos, com Sônia Meiry. Tem dois filhos, de 30 e de 31 anos. O primeiro mora em Conquista e cursa Educação Física. O outro mora em Belo Horizonte e é médico. Tem três netas. Entre os amigos da administração Odir é tido como um homem de soluções, que planeja e só assume o que dá para realizar. Dizem que ele é do tipo “de casa para o trabalho e do trabalho para casa”, e tem a família como a base de tudo. Primeiro a família, em seguida vem o trabalho, os amigos e depois cantar.

“Gosto de cantar, nem que seja só para mim mesmo e para minha família”. Gosta do cancioneiro mais antigo: Dilermando Reis, Ataulfo Alves, Dorival Caymmi, Nelson Gonçalves, Lupicínio Rodrigues. “Tenho na minha casa uma coleção de discos de 78 rotações, que foi de um tio meu, que era dono de A Voz de Iguaí, um sistema de alto-falantes que era a rádio da cidade naquele tempo”. Mas, tem “a cabeça aberta para a música mais moderna”. E esse hobby musical o aproxima mais de Guilherme, aumenta a identificação dos dois?  “Aprendi a tocar violão com Guilherme. E às vezes, quando a gente tem tempo, a gente ainda toca alguma coisa juntos. Se o ambiente tem um violão, eu e ele tocamos. Ele diz: ‘Toca aí, Odir, Morena do Rio Vermelho, umbora cantar’. Ele toca eu canto, eu toco ele canta”.

ODIR, POR ODIR:

IMG-20150902-WA0020[1]Meu nome é Odir Freire Júnior. Sou natural de Salvador, vivi minha vida no município de Iguaí, voltei para Salvador com 16 anos, para fazer o Científico*1.  Me graduei em Química Industrial, pela Universidade Federal da Bahia, em agosto de 1979. Em novembro de 1979 já estava sendo ingressado na Nestlé, que é a antiga Coprodal, de Itabuna. Entrei como auxiliar de serviços gerais. Seu Nogueira*2, dizia: “Não se incomode com o que está escrito na sua carteira, pense no futuro, pense no futuro”. O resultado é que dois anos depois eu já era encarregado do laboratório de leite e em 1984 eu já estava como chefe de laboratório, quando fui transferido para a cidade de Montes Claros, em Minas Gerais.

“Fiquei três anos em Montes Claros e em 1987 eu retornei por questões familiares. Minha mãe faleceu e sete meses depois meu pai também faleceu. Retornando, assumi os dois laboratórios das duas fábricas da Nestlé, que eram a de leite e a de cacau. Passei a fazer esse trabalho de controle de qualidade, assinando também como químico responsável pela empresa em Itabuna. Em 1990, teve aquele programa de demissão voluntária. Aí eu já estava sem meu pai e sem minha mãe, então me desliguei pelo PDV e voltei para Iguaí, para assumir as coisas da família, o comércio que meu pai deixou, que depois eu transformei em panificação. Nessa época eu já era casado, me casei em 1983, antes de ir para Montes Claros.

“Chegando 1996, os meninos já com a idade avançando, precisando ter uma formação escolar melhor, sendo Vitória da Conquista o polo que sempre foi, a capital do interior, decidimos que eles deveriam estudar aqui. Já naquele tempo, era tudo em Conquista. Na hora do exame era Vitória da Conquista, na hora de comprar roupa era Vitória da Conquista, na hora de fazer as coisas melhores era em Vitória da Conquista. E seguindo esse princípio, em janeiro de 1996 a minha família veio morar em Vitória da Conquista. Eu ainda precisei ficar em Iguaí um tempo, tomando conta do comércio e todo final de semana eu vinha passar com a família, retornando na segunda-feira. Em 1997, com a vitória do prefeito Guilherme, ele me convidou para que eu pudesse assumir a chefia de divisão de compras da prefeitura”.

*1 – Até o final dos anos 1960, quando terminava o primeiro grau, hoje ensino fundamental, o estudante fazia o primeiro ano básico e depois escolhia entre o clássico e científico.

*2 – Primeiro gerente da Companhia Produtora de Alimentos – Coprodal, de Itabuna, que fabricava leite e chocolate em pó para Nestlé.

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1 resposta »

  1. Todas as qualidades que um grande homem deve ter nos dias de hoje, este traz de berço.
    Homem de caráter ilibando, responsável e o seu princípio basilar é a família.
    Vitória da Conquista está de parabéns pela grande escolha.

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