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Guilherme Menezes: “Eu tenho a independência de dizer que fico enquanto o ambiente estiver me comportando”

“José Raimundo não anda sem Guilherme, mas Guilherme não é nada sem o PT”. Ouvi isso há alguns dias de um petista “capa preta estadual” sobre o posicionamento do prefeito de Vitória da Conquista no processo eleitoral no Partido dos Trabalhadores. A frase é a clara expressão da preferência da direção estadual do partido pela candidatura do ex-prefeito José Raimundo Fontes, em detrimento do nome indicado por Guilherme, Odir Freire. Odir, José Raimundo, o professor universitário Marcelo Neves e o dirigente do MST, Márcio Matos, são os pré-candidatos do PT, que disputarão uma eleição prévia interna ainda neste mês de março. Waldenor, que era um dos pré-candidatos, abriu mão para focar na candidatura de José Raimundo.

20160301_084334[1]Na manhã de ontem, o prefeito concedeu uma entrevista à imprensa para reafirmar seu apoio a Odir e explicar porque mantém a disposição de ir até o fim na defesa do nome amigo e secretário no embate partidário. De forma indireta, a entrevista de Guilherme foi uma resposta aos que defendem que ele desista da defesa da candidatura de Odir e aceite José Raimundo como o único capaz de enfrentar Herzem Gusmão, Fabrício e demais candidaturas que ameaçam tirar o PT da gerência do município. Indireta, mas claramente, o prefeito de Conquista disse: se quiserem que eu coloque minha força nesta eleição façam como eu, assinem embaixo do nome de Odir.

Embora tenha voltado a realçar as qualidades técnicas e morais de Odir, a principal linha de argumentação do prefeito para que sua indicação seja aceita pelo partido, repetida mais de uma vez na conversa com os jornalistas, foi: ele sempre aceitou o que o PT lhe propôs. Disse que abriu mão de interesses pessoais e familiares para enfrentar os desafios que o partido colocou sob sua responsabilidade e deixou entender que, agora, espera ajuda para eleger o sucessor que escolheu.

Guilherme fez questão de dizer que não cobra gratidão, em referência aos deputados José Raimundo e Waldenor Pereira, no entanto, ao enfatizar os momentos em que ficou ao lado dos dois, quando poderia ter ficado contra, ele indica que ainda aguarda reciprocidade. E se ela não vier? Para isso o prefeito deu várias respostas, todas ao mesmo tempo claras e enigmáticas, num paradoxo compreensível quando se trata de Guilherme. O BLOG deixa ao leitor a interpretação de cada resposta.

Até a semana passada a palavra de ordem no PT era consenso. Isso até o último sábado, 27, quando o diretório municipal, depois de uma reunião tensa, chegou à conclusão de que não haverá fumaça branca sem bate-chapa. Aos jornalistas, Guilherme disse que foi ele quem provocou a prévia. “Houve essa disputa interna e para mim foi uma dificuldade porque eu nunca articulei campanha, eu sempre fui convidado a enfrentar desafios pelo partido, desde 1992. É a primeira vez que eu estou contribuindo com isso (uma indicação de nome para candidato a prefeito) e sugeri prévia justamente adiantar o processo, inclusive pra gente ter chance de estar discutindo com companheiros de outros partidos, de outras agremiações”.

E SEM ODIR, O QUE FARÁ?

“Mas, e se não der Odir na prévia, o PT marchará unido para apoiar o vencedor, quem quer que seja?”, perguntou o radialista Luis Carlos Dudé.

Resposta de Guilherme: “Tudo vai depender de como essa escolha vai ser feita. Se for na base da briga, da discussão insossa, sem substância, aí já sai enfraquecido qualquer nome. Porque não combina com um partido que gosta de debater todos os temas, às vezes debate até demais, um partido que não tem dono, não é monolítico e deve ser assim. Nós não podemos estar obedecendo a algum chefe, a alguma mente iluminada ou pretensamente iluminada”.

“E caso Odir não vença a prévia e o debate ocorra dessa maneira que o senhor condenou, com brigas, com discussões agressivas, o senhor tem um plano B, um segundo nome, de pegar algum nome novo, filiar a um partido da base e lançá-lo?”, quis saber Rodrigo Ferraz, do Blog do Rodrigo Ferraz.

Guilherme respondeu: “Eu não sei. Eu ouço muito o grupo, o coletivo. Eu acho que várias cabeças pensantes, às vezes, terminam dando ideias, inclusive de outros partidos. Eu tenho ouvido muito. Mas, se [a prévia] for uma coisa, como eu disse, de menor qualidade, aí eu vou fazer tudo para não estar participando. Porque desgasta e não leva a nada. Mas eu estou conversando com pessoas de qualquer partido, porque o que me interessa, e aí sem nenhum proselitismo, porque eu já estou terminando este ano, então não estou aqui para fazer nenhuma politicalha, o que me interessa é o desenvolvimento de Vitória da Conquista. O que eu quero é dizer: ‘Bem, está chegando a boas mãos. É isso o que interessa, a cidade merece’”.

SOBRE SAIR OU FICAR NO PT

BLOG – Mas, o senhor sairia do partido, há uma possibilidade de isso ocorrer?

GUILHERME – Não. Olha, entrar e sair de um partido acho que é uma escolha muito pessoal. Um dia eu entrei. Não quer dizer que é para toda vida. Eu gosto. Entrei por uma decisão e opção pessoal, confio e sou muito honrado em Lula ter assinado a minha ficha. Não que [Lula] viesse aqui para assinar, ele estava de passagem, na Caravana da Cidadania, quando ele e Zilton Rocha, que era deputado estadual na época, assinaram. Isso foi em 1993. Eu confio. Não é porque o partido está fragilizado que eu vou achar que tenho que sair. Agora, aqui em Conquista, havendo um lugar, me cabendo, eu entro, eu estou presente.

POUCO OUVIDO

20160301_084409[1]Como para a maioria de nós mortais, o bom entendimento nem sempre se dá com poucas palavras, Guilherme disse mais uma vez que acha que não está recebendo do PT, local e estadual, o devido valor, considerando a sua trajetória e experiência. “Então, num momento como este, que está havendo uma discussão, se eu pudesse ser ouvido um pouquinho eu acho que não seria prejuízo para o partido, porque queira ou não a gente vai acumulando experiência através dos tempos”, destacou o prefeito de Vitória da Conquista, que, mais na frente, disse ainda, referindo-se aos deputados Waldenor Pereira e José Raimundo:  “Então, o partido e essas pessoas davam algum prestígio à minha participação naquele momento e eu não vejo porque, hoje, essa participação não significar mais nada para o partido”.

A seguir, trechos escolhidos da entrevista em que o prefeito reforça a sua confiança em Odir e na sua escolha como candidato a prefeito do PT e faz um desabafo, relatando momentos que seriam motivos suficientes para que, de acordo com ele, o partido e, em especial Waldenor e José Raimundo, abram mão do pleito da candidatura do segundo, em favor do nome que ele apresenta.

SOBRE O TAMANHO DE ODIR NO PT

“O partido é formado por tendências, que são baseadas em teses, e nesse sentido há uma luta para que cada um, cada candidatura seja disputada dentro do partido. A candidatura de Odir, é possível que seja minoritária. Nós não consultamos, ainda, os filiados. Se não me engano, são quase três mil filiados, digamos que dois mil votem, então precisamos fazer esse balanço. Eu não tenho esses endereços, nunca tive. Mas, estou muito tranquilo. O nome dele ajuda na disputa e é uma referência, para mim”.

BLOG – Há informação de que a reunião de sábado foi muito tensa e só há um registro de situação parecida, que foi na escolha do seu vice, em 2000, quando cinco nomes chegaram a ser apresentados e a escolha recaiu sobre o nome de José Raimundo, e essa decisão pacificou e uniu o partido para a disputa. O senhor acredita que pode se dar o mesmo agora: toda essa disputa acabar redundando em um entendimento que fortaleça o partido e a campanha? Ou o senhor teme que essa tensão crie um desânimo ou reação negativa de parte de quem não obtiver a vitória, deixando de acompanhar o nome vencedor da prévia?

GUILHERME – São momentos diferentes. Em 2000 foi vitória com uma frente inquestionável, perante dois outros candidatos e nós insistimos muito para que o professor José Raimundo aceitasse ser o vice e continuou o meu nome como candidato a prefeito.

Em 2002, vários partidos e vários políticos vieram a Conquista para eu sair candidato a governador. O próprio Jaques Wagner chegou a dizer que queria ser o meu vice e eu disse para ele que ele não queria ser vice de ninguém, ele queria ser o titular, e já eu não queria e disse que a minha responsabilidade era com Vitória da Conquista. Depois que ele aceitou ser candidato a governador, eu me lembro que convidei Geraldo Reis, que hoje é secretário  de Justiça e Direitos Humanos do estado e perguntei, lá em casa: “Quem será o prefeito de Vitória da Conquista daqui a dois anos?”. Aí foi que eu resolvi sair candidato a deputado federal pra Zé Raimundo ficar em meu lugar e conseguir ter densidade eleitoral . Me lembro que Walmir Assunção – e outras pessoas – disseram que era uma loucura deixar terceira maior cidade da Bahia e sair deputado sem base. Porque eu não conhecia os outros municípios, mesmo assim eu falei: “Eu saio de bicicleta, a pé, de ônibus, porque não temos dinheiro, e vou fazer essa campanha para ver se o projeto tem continuidade”.

Mas o partido foi crescendo e surgindo novas lideranças. Então, são momentos diferentes. Eu fico preocupado se isso descambar, digamos, para ofensas pessoais, porque aí deixa de ser política. Deixa de ser debate político. Não se pode estar ganhando no grito e achar que ganhou.

BLOG – O senhor disse que em 2000 a escolha de Zé Raimundo foi sua e que durante todos esses anos e eleições o senhor foi o catalizador do partido, o nome que era escolhido para enfrentar os desafios. José Raimundo foi seu candidato em 2004 e foi um prefeito muito bem avaliado. A escolha de Odir se deu mais ou menos ali em agosto ou setembro e antes o nome de José Raimundo já era colocado, tanto dentro do PT como por gente de fora. Feitas essas considerações, eu lhe pergunto: José Raimundo não teria essa mesma condição de tocar o projeto? Por que ele não pode ser o candidato? Qual a necessidade da candidatura de Odir?

GUILHERME – Ninguém nega que o professor José Raimundo é um excelente nome. Eu o apoiei desde 1992, quando ele foi candidato a vice na chapa em que eu fui candidato a prefeito. Temos divergências dentro do partido, mas são divergências naturais, não no campo ético, porque aí seriam divergências inconciliáveis, mas temos que ter opções e apresentar essas opções de forma clara. Mesmo ele sendo um grande nome – e hoje ele é deputado estadual de prestígio – eu acho que é importante novos nomes dentro do Partido dos Trabalhadores. Não fui que escolhi o nome de Odir Freire, me foi trazido por companheiros do governo e do partido. Por insistência ele aceitou colocar o nome. E por duas vezes eu disse que assinaria – como continuo assinando – embaixo do nome de Odir, mas sem nenhum demérito à candidatura do professor José Raimundo.

DA LEALDADE AO PARTIDO E AOS COMPANHEIROS

– WALDENOR

“Eu me lembro de 2002, por exemplo, quando eu abdiquei de ser prefeito de Conquista, para Zé Raimundo assumir a prefeitura. O professor Waldenor, quando viu que eu ia sair candidato a deputado federal, levou a tese para dentro do partido de que ele sairia estadual, mas, se o comitê fosse Guilherme-Waldenor, Waldenor-Guilherme. Lembro que nem Zilton Rocha, meu amigo desde a adolescência, teve direito de colocar um santinho dentro do comitê. Então, o partido e essas pessoas davam algum prestígio à minha participação naquele momento e eu não vejo porque, hoje, essa participação não significar mais nada para o partido”.

– JOSÉ RAIMUNDO

“Abdiquei de ser prefeito em 2002, para Zé Raimundo ficar conhecido. Ele só era conhecido na universidade não tinha densidade eleitoral. Ele não tinha densidade para ganhar aquelas eleições de 2004, todo mundo sabe disso. Se eu não tivesse saído, o que foi para muta gente uma loucura, de deixar uma cidade para fazer uma campanha sem a mínima condição, o projeto, com certeza não teria acontecido, o professor Waldenor não teria sido eleito, porque eu tenho pesquisas daquela época e ele também não era conhecido, a não ser no âmbito do partido e da universidade, não tinha densidade”.

PELO PARTIDO

“Muitas vezes pensei em não me candidatar mais. Em 2008, mesmo, eu não aceitava de maneira nenhuma. Eu já me casei com uma certa idade e eu tinha filhos pequenos. Por exemplo, dois anos depois que eu era deputado estadual, meus filhos matriculados em Salvador, lá vai o partido: ‘Agora você tem de voltar para disputar a Prefeitura de Conquista’. Aí, em 2002, eu mesmo falei: ‘Ou eu saio agora ou o projeto será barrado’. Porque quem ganha, entra um novo projeto. Lá vou eu pra Brasília, com filhos adolescentes. Depois retorno para disputar em 2008 e os filhos já ficam lá. Então, há uma desarrumação na vida da própria família e um momento houve uma decisão na família de que eu não aceitasse mais”.

BLOG – A partir desses relatos que o senhor faz, mencionando o apoio a Waldenor em 2002 e a José Raimundo em 2004, e ao fato de o senhor nunca ter determinado, como diz, que o candidato teria que ser o senhor mesmo, sendo sempre chamado pelo partido, etc., diria que há uma ingratidão da parte de José Raimundo e Waldenor? O senhor cobra reciprocidade deles e não obtém?  Pergunto porque o senhor cita isso várias vezes…

GUILHERME – De maneira nenhuma. Eu não vou cobrar isso de ninguém. Eu participo. E as pessoas se manifestem de maneira que queriam se manifestar. Eu creio que cumpri responsabilidades que o partido colocou pra mim, aceitei como adulto, uma pessoa consciente. Quando eu disse que abandonei, deixei, inclusive, a medicina não estou me lamentando por isso, acho que valeu a pena a caminhada política. Mas foram desafios, para mim e para a minha família, não estou cobrando nada de ninguém sobre isso não. Eu assumi e dê no que der, a responsabilidade é minha. Por isso que eu tenho essa independência de dizer que eu fico enquanto o ambiente estiver me comportando. Se for essa luta que a gente construiu até aqui, para mim está de bom tamanho. Não sendo, eu vou ficar numa posição mais discreta.

SEM HIPOCRISIA

“Durante algum tempo, eu cumpri uma função dentro do PT e para isso, não vou dizer que foi sacrifício, eu larguei até a medicina, porque foi uma dedicação absoluta, de domingo a domingo, saindo de um mandato para outro. Foram sete mandatos e nesse tempo não havia discussão”.

“É importante que novos nomes sejam colocados também para avaliação, tanto do partido quanto da comunidade. E o nome de Odir deve ser avaliado pela soma de benefícios e contribuições que ele tem prestado ao governo desde primeiro de janeiro de 1997”.

“Mas, é claro que eu não entraria onde eu não me sentiria bem, mesmo sendo o caso do Partido dos Trabalhadores. Eu não vou ser hipócrita com ninguém”.

“Então, eu não vou fazer de conta, nem com vocês [da imprensa], nem com todos os segmentos de Vitória da Conquista. Se não der para eu entrar, já estou numa idade muito boa de ler meus livros…”.

“Eu sou petista por convicção. Pela primeira vez na história, o Brasil saiu do Mapa da Fome. O Bolsa Família resultou na mudança de vida de milhões de pessoas. Vitória da Conquista é a 1ª de Norte e Nordeste em saneamento. Então é um projeto político voltado para a melhoria da qualidade de vida de quem mais precisa”.

“Eu espero contribuir, se esse espaço existir dentro do partido para mim, senão, eu acho que, com 20 anos de administração, eu já cumpri, de alguma forma, minha responsabilidade em nome do projeto”.

“Estamos esperando, para este mês, uma nova usina de asfalto, porque  tem muito dinheiro para gastar com infraestrutura e a velha usina não está dando conta”. 

“Nós nos planejamos e temos muitas obras. Por exemplo, temos oito creches para ser entregues, tem escolas. Nesses anos foram mais de 170 escolas completamente reformadas e algumas, como a da Estiva, que fizemos no primeiro mandato com duas salas e agora vamos entregar uma outra escola, no mesmo lugar, com dez salas”.

“Eu assumi e dê no que der, a responsabilidade é minha. Por isso que eu tenho essa independência de dizer que eu fico enquanto o ambiente estiver me comportando. Se for essa luta que a gente construiu até aqui para mim está de bom tamanho. Não sendo, eu vou ficar numa posição mais discreta”.

 

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