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Zé Raimundo levanta a bandeira branca e ressalta a importância de Guilherme para o PT e para a eleição

Mas, deixa claro que não deve nenhum sacrifício ao prefeito

O jornalista Fábio Sena, que é, ao mesmo tempo, o melhor intérprete da cena política local e o melhor texto na imprensa conquistense, escreveu – em artigo sobre a entrevista em que o prefeito Guilherme Menezes, no primeiro dia de março, firmou posição de defesa do nome de Odir Freire como candidato do PT a prefeito – que a trilha sonora apropriada para a coletiva aos jornalistas seria a música Explode Coração, de Gonzaguinha, na voz de Maria Bethânia. Para este artigo, eu sugiro – inspirado na espirituosidade de Fábio – que a canção-tema seja Bandeira Branca, de Max Nunes e Laércio Alves, na voz de Dalva de Oliveira.

Quando entrevistei o deputado estadual José Raimundo Fontes pela primeira vez, em dezembro do ano passado, escrevi: “Não é fácil tirar do deputado estadual e ex-prefeito José Raimundo Fontes (PT) um posicionamento claro sobre a sucessão municipal. Com toda educação que lhe é peculiar, ele dá voltas, tangencia, desconversa e, mesmo diante de questionamentos muito objetivos, consegue deixar o entrevistador sem a resposta que espera”. Ao voltar a conversar com o deputado na semana passada eu lhe disse isso: “Zé, não dá para tirar uma manchete polêmica de você”. É que José Raimundo não fala sem pensar – pensar bem antes, creio – e fala sempre pensando na melhor reação do interlocutor.

unnamed (1)Mas, mesmo em seu estilo zen, tranquilo ao expressar seu ponto de vista sobre a polêmica envolvendo a escolha do candidato do PT para disputar com Herzem Gusmão, Fabrício, Armênio Santos, Arlindo Rebouças, Marcelo Melo, Alexandre Pereira e mais uns dois que se anunciam, José Raimundo não se esquivou de responder qualquer pergunta. E, no seu jeito, disse mais do que costumava dizer. Como Guilherme Menezes, que o colocou à frente da administração municipal em 2002, mas não o quer lá agora, José Raimundo também precisa ser interpretado. A diferença é que Guilherme propõe os enigmas, como os antigos charadistas e os repentistas do duplo sentido, cabendo ao público completar a embolada com os motes oferecidos. José Raimundo não economiza nas palavras, mas é parcimonioso nas dicas, dir-se-ia que escorrega e deixa o público esperando pela frase final de efeito.

Para facilitar, há uma palavra-chave, que ajudará a compreender o objetivo de José Raimundo, ao aceitar ser entrevistado por quatro blogs e dois programas de rádio no mesmo dia, 72 horas depois que o prefeito concedeu a coletiva que causou impacto: conversa. Foram 20 menções, como substantivo ou verbo. O deputado e pré-candidato disse apostar que o PT vai encontrar o consenso e chegar à unidade antes de expirar o prazo e só restar a prévia, a disputa, no voto, para ver quem será o candidato que representará o partido e o projeto político-administrativo que já dura 20 anos na eleição de 2 de outubro. E conversar, segundo José Raimundo, até com Guilherme, olho no olho.

O leitor vai perceber que, se o prefeito “meio que” colocou a mão na maçaneta da porta de saída (não se sabe direito do PT ou da campanha), José Raimundo escancarou portas e janelas para o companheiro, que mereceu um reconhecimento, que julguei sincero, do seu tamanho e da importância para o partido e para a trajetória na política recente do próprio José Raimundo. E, praticamente, faz um apelo para que Guilherme mantenha-se no PT e na campanha, qualquer que seja o resultado da disputa dentro do partido. “O companheiro Guilherme é um companheiro de construção partidária, que contribuiu muito com partido, com esse legado. É um nome conhecido nacionalmente, estadualmente muito respeitado, muito querido pelos militantes e ele tem essa responsabilidade de representar esse projeto também, em outras instâncias, em outros espaços. Da minha parte, eu espero que ele continue, sim, um grande militante do nosso partido”.

Dá para notar, no entanto, que ao reconhecer a importância de Guilherme na consolidação do projeto político-administrativo do PT e da Frente Conquista Popular, não significa que José Raimundo esteja admitindo alguma dívida para com o prefeito. Ele faz questão de destacar os momentos em que foi militante e leal ao partido e ao projeto, para deixar claro que também deu sua parcela de contribuição e que agora seriam “elas por elas”. “Eu fui o primeiro militante público em Vitória da Conquista (do PT). Em junho de 1980, em um debate na Faculdade de Formação de Professores”, lembrou José Raimundo. E disse mais:

“Sempre apoiamos candidatos, quando não era Guilherme, quando ele indicou. Apoiamos todas as candidaturas, inclusive para deputado federal em 1998. Ou seja, é um coletivo. Porque essa visão da dádiva e da reciprocidade ela deve ser vista como um conjunto das relações humanas. Eu diria que a participação de Guilherme foi decisiva na construção do projeto. Em alguns momentos, outros companheiros assumiram também um papel fundamental. E não quero dizer com isso que eu tenha sido fundamental, mas contribuímos também nas campanhas, como em 2008 e 2012 para a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Eu acho que aí é cada um, é a impressão individual que fica. Essa questão fica sujeita à sensibilidade de cada um”.

José Raimundo reforça a afirmação do seu papel e sua contribuição ao projeto do PT e ao próprio Guilherme com um retrospecto histórico, em que rememora o começo de sua trajetória no PT e as vezes em que, segundo ele, foi ao front da disputa eleitoral, apenas com o fim de fortalecer o partido em Vitória da Conquista até com perdas pessoais. “É a primeira vez, também, que estou colocando o meu nome para ser candidato. Nunca coloquei meu nome no sentido de uma aspiração pessoal. Em 1982 era um processo de fundação do partido, eu fui candidato a vereador. Na época o candidato a prefeito foi Rui Medeiros e Noeci Salgado o vice. Em 1985 e 1986 o partido passou por uma certa dificuldade e muitos companheiros saíram do partido, que ficou quase que à deriva. Em 1988, fui candidato a vice-prefeito, com Walter Pires, prefeito, (…) com a missão de assegurar a continuidade do partido”.

“Em 1992, seguindo a orientação nacional, de que o partido precisava se abrir para a sociedade, fizemos um grande debate no partido e ali surgiu a ideia de que o PT pudesse dialogar com outras forças, com outros segmentos da sociedade e surgiu aquela chapa com o companheiro Guilherme Menezes, prefeito, pelo PV, e eu vice pelo PT. Naquele momento eu estava fazendo doutorado na USP, tive que trancar o meu curso durante seis meses.”

Em um ponto há concordância entre José Raimundo e Guilherme. Diz respeito ao clima que deve prevalecer na disputa interna no PT. Na sua vez, Guilherme afirmou: “Eu tenho essa independência de dizer que eu fico enquanto o ambiente estiver me comportando. Se for essa luta que a gente construiu até aqui, para mim está de bom tamanho. Não sendo, eu vou ficar numa posição mais discreta.” José Raimundo acha que Guilherme está certo, o clima precisa ser bom. “Todo mundo quer estar em um ambiente bom, ninguém quer viver em ambiente hostil. Nem eu, nem ninguém. Nós queremos um ambiente partidário, um ambiente político, de convivência, que seja um ambiente prazeroso, satisfatório para a convivência humana. Então, independente do resultado da prévia, como militante, eu vou estar na campanha. Onde e como, vai depender também dessa ambiência”.

Completando as frases usando as palavras-chaves, José Raimundo também deu seu recado: ele conversa com Guilherme – e com qualquer um -, e acha que esse seria o caminho para a unidade, mas não abre mão da pré-candidatura, porque, como relembra, tem uma história no PT muito anterior ao que existe hoje.

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Comecei a entrevista perguntando o que todo mundo perguntaria depois: Você acredita que vai ser o candidato a prefeito do PT? (Na sexta-feira, 4, em que me concedeu a entrevista, o deputado falou para outros quatro blogs e dois programas de rádio. Fui o primeiro a entrevistá-lo e sou o último a publicar, porque ele disse a mesma coisa a todos e eu me senti na obrigação de demorar mais, para ficarem longe no tempo as demais matérias e para tentar achar uma abordagem que tornasse o artigo do BLOG interessante).

JOSÉ RAIMUNDO – Quando colocamos a nossa pré-candidatura, no dia 17 de dezembro, juntamente com a do nosso companheiro deputado federal Waldenor Pereira, foi resultado de uma reflexão que fizemos ao longo do segundo semestre ano passado, principalmente nos dois últimos meses. Nós tínhamos e temos um compromisso com a região, os nossos mandatos trabalham muito em apoio aos prefeitos, aos vereadores, e também um grande compromisso com Vitória da Conquista, não só através dos mandatos, nem só através da minha gestão de prefeito, mas, também, por toda uma vida de militante aqui na cidade. Examinando a conjuntura, o quadro da sucessão municipal, ouvindo, também, várias lideranças, vários companheiros, que insistiram que os nossos nomes deveriam ser colocados. Eu digo nossos nomes porque, naquele momento, a ideia era que eu e Waldenor nos dispuséssemos para que o partido avaliasse a conjuntura, o perfil de cada pretendente a ser candidato do PT, avaliando o sentimento da cidade e procurasse o perfil que pudesse corresponder a esse momento histórico, já que, digamos assim, aquele ciclo de candidaturas naturais está terminando agora, com o mandato do companheiro Guilherme Menezes. Por isso, que as nossas foram as últimas inscrições a serem feitas no partido. Até então, aguardávamos que houvesse algumas conversas internas, no sentido de se buscar a unidade, sem necessariamente, se iniciar uma espécie de pré-calendário das prévias. Por isso que nós colocamos o nosso nome.

E continuo insistindo na tese que defendi na reunião do diretório ampliada, na semana passada, de que o nosso objetivo é a unidade do partido. Nós temos a leitura, esse coletivo, que não é bem uma tendência, não é um grupo, que é o Reencantar, e nós surgimos em 2005, 2006, dentro do partido, essa articulação partidária, comigo, com Waldenor, com Joseildo Ramos, com Moema [Gramacho], com Carlinhos Brasileiro e outros companheiros, para poder permitir esse diálogo partidário, um ambiente de reflexão, de debate, de construção coletiva. Então, nosso nome está colocado muito em função dessa perspectiva. Observe bem: as candidaturas anteriores eu diria que seguiram um ritmo e um roteiro natural, sobretudo de 2006 em diante.

A TRAJETÓRIA QUE AVALIZA A PRETENSÃO

Então, é a primeira vez, também, que estou colocando o meu nome para ser candidato. Nunca coloquei meu nome no sentido de uma aspiração pessoal. Em 1982 era um processo de fundação do partido, eu fui candidato a vereador. Na época o candidato a prefeito foi Rui Medeiros e Noeci Salgado o vice. Em 1985 e 1986 o partido passou por uma certa dificuldade, uma crise aqui, e muitos companheiros saíram do partido, que ficou quase que à deriva. Em 1988, fui candidato a vice-prefeito, com Walter Pires prefeito e três candidatos à Câmara de Vereadores: Albertina Leal Vasconcelos, companheira e amiga de muitos anos, de militância, que já nos deixou; Noeci Salgado e Waldenor Pereira, cinco companheiros, com a missão de assegurar a continuidade do partido.

Em 1992, um novo momento, a cidade se desenvolvendo, mais urbanização, um novo perfil, a primeira vez que iria haver [propaganda na] televisão em Vitória da Conquista. Fizemos um grande laboratório e, seguindo a orientação nacional, de que o partido precisava se abrir para a sociedade, fizemos um grande debate no partido e ali surgiu a ideia de que o PT pudesse dialogar com outras forças, com outros segmentos da sociedade e surgiu aquela chapa com o companheiro Guilherme Menezes, prefeito, pelo PV, e eu vice pelo PT. Naquele momento, eu estava fazendo doutorado na USP, tive que trancar o meu curso durante seis meses. Porque, até então, o partido estava se estruturando, com a novidade boa de que Zé Novaes tinha voltado para Vitória da Conquista. Ele que era uma força dentro do movimento dos trabalhadores rurais, tinha sido secretário nacional da CUT e voltou com uma certa energia, o que permitiu uma mobilização e o debate interno no partido. Os pré-candidatos internos do partido eram nomes já militantes de muito tempo, mas ainda sem uma relação maior com a sociedade. Éramos: eu próprio, Wilton Cunha, Délcio Medeiros, o próprio Noeci Salgado… ou seja, companheiros que estavam muito mais numa militância partidária e naquele momento fizemos um grande laboratório para dialogar com a cidade. Aí surgiram nomes e eu destaco aqui a grande contribuição que o sociólogo e hoje secretário Geraldo Reis deu nesse debate, com uma visão mais cultural, uma leitura cultural de Vitória da Conquista, e partir dali fizemos aquela chapa, eu, Zé Novaes, Elias Dourado, Waldenor, Noeci, fomos procurar o companheiro Guilherme, que veio pro PV e fizemos aquela chapa que foi uma novidade na política conquistense. Aí veio, em seguida, 1996, quando eu participei dos debates internos do partido, participei da campanha, muito mais na universidade, nos movimentos sindicais, que eu tinha ainda uma presença com os companheiros, e nem sequer ia participar do governo de Guilherme, porque eu estava com uma agenda de fazer meu pós-doutorado, em 1997/1998. Mas, depois de uma consulta aos professores, fomos indicados para a secretaria de Educação, eu, a professora Heleusa e a professora Ana Izabel, e depois de uma discussão, eu não podendo assumir a secretaria, declinei e a professora Heleusa também. No final, concertamos com o prefeito Guilherme que eu e Heleusa assumiríamos. Eu deixei de ser secretário e fui ser assessor de Heleusa. Tive que me afastar por um período de quatro meses para fazer um compromisso acadêmico fora do Brasil. Mas, ali, fomos construindo.

Em 2000, sequer eu seria candidato a vice-prefeito, mas, novamente, o partido, através de um consenso, de discussões, me colocou como vice, e eu acabei, com a saída de Guilherme, assumindo no dia 5 de abril de 2002. Em 2004, na reeleição, chamei os companheiros através do partido, coloquei como desafio a minha candidatura, para que o partido fizesse o debate e examinasse se o meu perfil, naquele momento, se enquadraria. Estaria aberta a possibilidade de qualquer outro companheiro ser candidato também. E o partido, novamente, concluiu que o meu nome seria colocado para concorrer à Prefeitura de Conquista.

Terminei o mandato em 2008, voltei para a universidade e os companheiros me convocaram, fui eleito deputado estadual, reeleito e mais uma vez estamos aqui, nessa conjuntura, que merece a reflexão e o debate sobre os desafios da cidade, sobre os desafios da região e, evidentemente, também a conjuntura nacional, de dificuldade do ponto de vista econômico. Ou seja: no momento Guilherme termina o seu segundo mandato dessa fase agora, então, há uma abertura, porque não há candidato natural. Então, é preciso que o partido se debruce, olhe o sentimento da cidade, os desafios internos; que valores, que práticas, que orientações deve seguir e o meu nome está aí para construir a unidade. Eu sempre disse, e até em algumas entrevistas, que eu não participaria de prévia, mas é aquela prévia de disputa, de guerra, que não é o meu estilo, não é o meu perfil. Na verdade, eu ponho meu nome para uma consulta interna no partido e se essa consulta disser que meu nome está posto, vamos enfrentar esses desafios. Se o partido, majoritariamente disser: “Olha, há outras opções”, com tranquilidade, normalidade, como militante – como, sobretudo, sujeito construtor desse projeto vitorioso na Bahia e no Brasil, que é a nossa gestão em Conquista -, estaremos também à disposição do partido para qualquer que seja o desafio, qualquer que seja a missão.

DÁDIVA E RECIPROCIDADE. OU: “SE ELE SE DOOU EU TAMBEM ME DOEI”

BLOG – Na entrevista coletiva que concedeu, o prefeito Guilherme Menezes fez – uma ou duas vezes – menção a sacrifícios pessoais em razão de diretrizes partidárias, inclusive as candidaturas de vocês. Ele disse, por exemplo, que em 2002 se afastou não por interesse próprio, mas porque precisava ajudá-lo a ganhar densidade eleitoral, porque você não era conhecido além da universidade e do PT. Qual o seu sentimento em relação a isso que o prefeito falou? Acha que precisa retribuir isso a Guilherme?

JOSÉ RAIMUNDO – A política são relações sociais, relações humanas. São relações simbólicas, são relações entre as pessoas. São relações entre lugares, estados, prestígios, hierarquias, como todos os humanos: na família, numa empresa, numa organização, num time de futebol. Com divisão de tarefas, assunção de responsabilidade por cada um, por cada grupo. Então, numa situação humana em que o resultado final é um conjunto de relações, enumerar, digamos, o papel relevante de cada um muitas vezes é importante, mas muitas vezes pode soar como o não reconhecimento do outro. Eu diria que esse projeto que nós construímos em Vitória da Conquista é uma somatória de um grande esforço, desde o começo até o momento atual, numa sequência de conjunturas, numa sequência de momentos específicos que cada pessoa, cada grupo, cada coletivo, teve o seu papel extraordinário.

Veja que eu fui o primeiro militante público (do PT) em Vitória da Conquista. Foi em junho de 1980, em um debate na Faculdade de Formação de Professores. No outro dia, apareceram para conversar comigo Nivaldo, do Sindicato dos Eletricitários, Carlos Luna e Maxwel, que eram estudantes. Mas, já havia um grupo atuante: Wilton Cunha, Renan e outros companheiros do CEUSC, de Salvador, a exemplo de Jersulino Binho, que depois foi presidente da CAR, que vinham tocando. Mas, de fato, a construção inicial do partido, se não fosse a participação de Zé Novaes, de Rui Medeiros, das comunidades rurais, do sindicalismo rural, muito demoraria para que o partido pudesse surgir. Então, foi uma contribuição coletiva. As outras conjunturas não foram assim tão diferentes, com todos os dirigentes que alcançavam destaque público.
Se você me perguntar se a minha entrada no partido, a minha militância, visava um dia ter sido indicado para algum cargo, eu diria que não, a militância é um processo natural. Por exemplo, aos 26, 27 anos, fui nomeado diretor da Faculdade de Formação de Professores. Fui eleito por um colegiado, compus a lista, depois o secretário de Educação, Eraldo Tinoco me chamou e eu disse: “Não aceito, porque, por princípio e uma diretriz da minha corrente, só aceitaremos cargos eleitos diretamente”. Então, você estar aqui ou estar ali numa posição é muito do processo histórico. Neste sentido, eu diria que a minha ida para ser vice-prefeito, depois o apoio decisivo e importante de Guilherme, porque ele era a principal liderança, assim como o de outros companheiros, foi um processo coletivo. Da mesma forma que em todos os momentos em que nós apoiamos, coletivamente. Sempre apoiamos candidatos, quando não era Guilherme, quando ele indicou. Apoiamos todas as candidaturas, inclusive para deputado federal em 1998. Ou seja, é um coletivo. Porque essa visão da dádiva e da reciprocidade ela deve ser vista como um conjunto das relações humanas.

Eu diria que a participação de Guilherme foi decisiva na construção do projeto. Em alguns momentos, outros companheiros assumiram também um papel fundamental. E não quero dizer com isso que eu tenha sido fundamental, mas contribuímos também nas campanhas, como em 2008 e 2012 para a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Eu acho que aí é cada um, é a impressão individual que fica. Essa questão fica sujeita à sensibilidade de cada um. Eu tenho muito claro para mim: sou um militante, sou homem de projeto e a minha vida de militante foi numa vida coletiva, participando de todos os projetos, de todos os momentos decisivos do partido na cidade, do governo da cidade.

A APOSTA NO CONSENSO ATÉ A ÚLTIMA HORA

BLOG – Parece que se estabeleceu que o critério para a escolha do candidato do PT vai ser quem tem mais voto dentro do partido. Tanto o seu grupo como o grupo de Odir diz que seria melhor não chegar a essa situação, de disputa de prévia. Qual critério poderia ter sido usado para evitar esse embate prolongado?

JOSÉ RAIMUNDO – A rigor, pela resolução nacional, a partir de 5 de abril é que vai ser fixado o calendário das prévias, antes de 5 de abril vamos ter outros momentos de reuniões, encontros. E é nesse diálogo, sobretudo em função de orientação nacional e estadual, é que vamos tentar ainda construir uma agenda para o encontro e para as prévias. A prévia é uma consulta aos militantes, aí, é a cabeça do militante. Aí não tem critério. O militante escolhe aquele que achar que pode corresponder. Se fôssemos buscar, hoje, um consenso em termos de unidade, é que nós, os quatro pré-candidatos e as lideranças, com a executiva estadual, poderíamos, todos juntos, definir uma agenda, um rol de critérios, para saber qual é o candidato. Mas, isso não foi tocado e aí é muita conversa. A estadual e a nacional acompanham, mas, de fato, são os militantes de Conquista que vão decidir. Nós somos soberanos, somos autônomos e nenhuma solução virá de fora. Quem vai definir a candidatura de Conquista não são os pré-candidatos, mas todas as lideranças e o filiado, se tiver prévia. Se não tiver, em algum espaço coletivo vamos debater e chegar a esse consenso, pelo qual eu luto e aposto até o último segundo na unidade partidária.

BLOG – Não haver prévia significa que três dos pretendentes retirem suas pré-candidaturas. Acha mesmo isso possível?

JOSÉ RAIMUNDO – Não é retirar candidatura, mas, coletivamente, encontrar uma fórmula que signifique a unidade desses polos. São quatro polos. Tem um polo mais social, de Marcinho; tem o polo mais doutrinário e ideológico, de Marcelo; um polo mais de ação de governo, que é Odir e tem um polo das relações, ou pouco misto disso, pelo fato de eu já ter sido prefeito, de ser conhecido, que seria aqui do grupo Reencantar. Se nós encontrarmos uma… Eu ainda aposto, até o último minuto, na unidade partidária.

Veja: o que está em jogo agora não é a candidatura do secretário Odir Freire, não é a candidatura de Marcinho Matos, nem de Marcelo Neves ou Zé Raimundo. O que está em jogo agora, nessa minha visão coletiva, é saber qual de nós – qualquer um desses candidatos – pode representar o desafio desse momento. Porque repare: se nós trabalharmos com a visão bilateral a gente, a meu ver, estreita muito o dilema da política e das relações sociais. Eu vou insistir em que, neste momento, o nosso desafio é encontrar um clima, um ambiente e um companheiro destes quatro, que possa reunir energia, forças, para construir, eu diria, a capacidade coletiva política de tocar o projeto pra diante. E todas as lideranças são fundamentais, a participação do prefeito Guilherme Menezes, do deputado federal Waldenor Pereira, dos militantes rurais, dos nossos vereadores…

E em seguida temos outra missão, que é o diálogo com os partidos históricos da base. Nós sabemos que, em função até deste momento em que não havia, até então, uma candidatura natural dentro do nosso bloco, da nossa base, é natural, normal até, que os partidos – o PCdoB, o PSB – procurem seus espaços próprios. Mas, uma vez definida a nossa chapa, vamos todos procurar esses partidos, independente de quem seja, vamos todos procurar os partidos.

O meu nome está aí, volto a dizer, para ajudar a contribuir com a unidade e com o desafio de continuar trazendo para Vitória da Conquista novas ações, novos horizontes, mais transformações, além daquelas que já fizemos nesses quase 20 anos de governo na cidade. São 20 anos de grandes transformações na área social, na área econômica, no perfil urbano da cidade, a presença de instituições importantíssimas como uma universidade federal, ampliação dos nossos cursos na rede estadual, a presença do empreendedorismo em várias áreas, inclusive na área universitária, ou seja, eu acho que nós temos que olhar mais com essa perspectiva de futuro, para ver como a gente vai engrossar as forças sociais de Conquista, para continuarmos marchando e transformando a cidade.

O AMBIENTE PRECISA SER BOM

BLOG – O prefeito disse várias vezes que o ambiente não está bom para ele e que se piorar ele pode não participar do processo eleitoral. Ou seja, ele sinalizou que a condução dada até aqui o está levando a uma decisão radical. E você, qual será seu comportamento se as coisas não lhe forem favoráveis no processo interno do PT?

JOSÉ RAIMUNDO – Essa resposta, de certa maneira, já está dada na minha trajetória, na minha caminhada. Eu confesso que não li toda a entrevista do prefeito Guilherme, mas todo mundo quer estar em um ambiente bom, ninguém quer viver em ambiente hostil. Nem eu, nem ninguém. Nós queremos um ambiente partidário, um ambiente político, de convivência, que seja um ambiente prazeroso, satisfatório para a convivência humana. Então, independente do resultado da prévia, como militante, eu vou estar na campanha. Onde e como, vai depender também dessa ambiência.

Em 2012, no primeiro turno nós participamos nas ruas, apoiando candidato a vereador, apoiando a chapa majoritária; no segundo turno foi uma exigência maior, nos envolvemos com mais densidade na campanha. Da mesma forma em 2008 e em outros momentos também. Estamos à disposição da cidade, de contribuir com o desenvolvimento de Vitória da Conquista, junto ao governo federal e governo do estado, junto aos órgãos, com Waldenor, trazendo obras, sempre nos colocamos à disposição do governo (municipal). O fato de ter uma divergência eleitoral, como ocorreu em 2010 e agora em 2014, não tem, a meu ver, um peso decisivo para não estarmos juntos no processo de campanha. Isso está, vamos dizer assim, nos anais, está nos registros da nossa militância. Vamos estar, sim, juntos com os companheiros.
Agora, também concordo que é necessário um ambiente favorável para que se possa ter um envolvimento o mais qualificado e o mais denso possível, qualquer que seja o candidato que venha a ser escolhido, seja o Márcio, o Marcelo, ou Odir Freire. O meu nome está, portanto, não só como pré-candidato do partido, mas também como militante para a campanha eleitoral.

GUILHERME DEIXA UM LEGADO E EU TAMBÉM DEIXEI MINHA CONTRIBUIÇÃO

BLOG – O prefeito Guilherme Menezes sempre disse que tem uma divergência política com você e que ela não é ética, porque se fosse ética seria insanável, entretanto, há uma percepção de quem acompanha essa separação, de que há um estremecimento na relação pessoal, ou no mínimo certa incompatibilidade adquirida no decorrer da política. José Raimundo já procurou Guilherme ou vice-versa? Vocês tiveram uma conversa particular, em razão do partido, em função do projeto? Terão?

JOSÉ RAIMUNDO – Neste processo político interno do partido, nessa caminhada de pré-candidaturas, tivemos um debate, uma conversa entre os grupos, sob a orientação da executiva. Tivemos uma reunião de Waldenor com Guilherme, com Odir e com os companheiros do mandato. Da mesma forma eu estive com Guilherme, com Odir, com Márcio e com Marcelo, fazendo um debate, ouvindo, colocando nossas preocupações, porque é um processo coletivo. Mas, eu estou com disposição para conversar com qualquer companheiro, com Guilherme ou qualquer companheiro do partido se for necessário. Agora, quanto a essa questão da divergência política, é natural no partido. Historicamente, o PT sempre teve suas visões partidárias, de governo, é natural isso.

Também digo a mesma coisa: não tenho nenhuma divergência no campo ético, administrativo, no que Guilherme deixou de legado. Acho que também deixei uma boa contribuição para o projeto. Aí são elementos subjetivos, que cada um julga de acordo com seus sentimentos e até onde eu posso alcançar, no plano da política, estamos conversando. Porque é no plano da política que você está ou não está junto, desse ou daquele agrupamento, desse ou daquele partido e até no processo de alianças políticas também é assim. A convergência partidária, de ideais, de programas que levam você a compor uma frente política, uma aliança política. Internamente, no PT, em relação a essas divergências todas, no campo da política, precisamos ir construindo uma unidade que permita que, para além dos sentimentos pessoais, estejamos todos juntos na campanha agora, de 2016.

BLOG – Você fala de unidade, o prefeito Guilherme fala de unidade, os demais pré-candidatos também defendem a unidade. Afinal, o que tem impedido essa unidade no PT?

JOSÉ RAIMUNDO – Quando em 17 de dezembro a gente colocou o nosso nome, foi o último nome a ser colocado, porque esperávamos que até lá pudesse ter havido um laboratório, um ambiente para aprofundamento de conversas, de análise de conjuntura, de tática eleitoral, de perfis, e isso não ocorreu. Foi a partir dali que propiciou essa reflexão interna, que continua. O prazo é 5 de abril. A executiva tem um calendário: até 5 de abril tem que definir o regramento das prévias, os prazos, encontros, até lá é conversa é discussão. Tendo discussão e tendo conversa, a gente pode avançar e muito.

BLOG – Você não teme que o alongamento dessa discussão torne mais crítica a situação interna, com reflexo externo?

JOSÉ RAIMUNDO – Mas aí já é resolução nacional, quanto à prévia. Até lá podemos ter plenárias, encontros e conversas. Definindo o consenso, amanhã você sai com o pré-candidato do PT definitivo, aí as instâncias regimentais só fariam homologar esses nomes ou esse nome, se for chapa prefeito e vice; se não for, conversar para depois fechar com as outras forças.

A POSSIBILIDADE DA CHAPA PURO-SANGUE

BLOG – Você crê que o PT está caminhando para repetir 2000, que o entendimento pode ser a formação de uma chapa puro-sangue, a partir de uma composição entre os dois grupos hegemônicos nessa disputa?

JOSÉ RAIMUNDO – Nada do que depende da ação humana é impossível. Então, é conversa, é construção…

BLOG – Essa proposta de uma chapa completa do PT já surgiu?

JOSÉ RAIMUNDO – Na verdade, desde o início há uma orientação partidária, doutrinária, em termos de diretrizes do partido, que o grande objetivo é fazer chapas consensuais não só dentro do PT, mas também na base do governo. No caso de Vitória da Conquista, Feira e Salvador, como há dois turnos, a orientação permite – com tranquilidade também – que saiam candidaturas, a depender da leitura da tática eleitoral, como a do companheiro Jean Fabrício (PCdoB), que está na base. Aliás, para Salvador, a orientação é de que quanto mais chapas saírem na base do governo melhor, no primeiro turno, com o compromisso de no segundo turno possamos estar juntos para o embate. Então, nesse caso aí, eu considero legítima a pretensão do PSB, do PCdoB e de outros partidos que não definiram ainda candidaturas majoritárias, mas que estão conversando. Essa é a orientação do conselho político estadual da base do governo. Por isso é que eu acredito ainda que é possível, sim (a chapa puro-sangue).

MINHA DENSIDADE ELEITORAL NÃO ME TORNA ESCOLHA OBRIGATÓRIA

BLOG – Considerando que embora seja tratada como um projeto político, uma candidatura depende da vontade individual, gostaria de saber de você o que o move a ser candidato? Por que você quer voltar a ser prefeito de Vitória da Conquista e não ficar na Assembleia, continuar deputado, como o prefeito Guilherme Menezes sugeriu?

JOSÉ RAIMUNDO – O compromisso com os militantes partidários, as lideranças da cidade e, sobretudo, um compromisso com o projeto vitorioso, nestes anos, em Vitória da Conquista. Eu ponho meu nome porque estou percebendo que eu posso colaborar, que eu posso contribuir com o debate e com uma perspectiva de uma disputa de alto nível, que leve à continuidade do projeto. Não quero dizer, com isso, que os outros nomes também não possam contribuir. Renego, inclusive, não concordo com a tese – que seria até favorável à minha candidatura – de que por ser mais conhecido, por ter mais densidade que, obrigatoriamente, deveria ser eu o candidato. Tudo isso, na política, em algum momento, pode ajudar ou não.

O que me leva, efetivamente (a manter a pré-candidatura) é que o partido tem que manifestar coletivamente, de forma plural, de forma mais robusta, de forma mais participativa, qual é o candidato que o partido quer. Porque as conversas são importantes, as articulações são importantes, mas o militante, o cidadão que é filiado, ele tem o sentimento dele em relação à política, à cidade, aos nomes, em relação ao partido e é essa voz do partido que eu quero ouvir, para dizer se não me quer ou não sendo candidato. É claro, também, que eu tenho, modéstia à parte, conversado, ouvido e tenho sido estimulado, não só pelos filiados, mas também pelo cidadão comum. Por isso, eu estou colocando o meu nome, para ajudar a clarificar o atual momento político em Vitória da Conquista e ajudar a enxergar e a compreender que desafios nós temos para uma nova etapa do processo político e social de Vitória da Conquista.

MAS… A DENSIDADE ELEITORAL PODERIA SER UM CRITÉRIO

BLOG – Sua pré-candidatura não estaria baseada no sentimento de que a possibilidade de eleição seria maior com você do que com os outros candidatos, como sugerido por alguns militantes? Ou você acha que qualquer um dos nomes pode adquirir densidade eleitoral para chegar à vitória?

JOSÉ RAIMUNDO – Todas essas variáveis é que, a meu ver, devem estar na apreciação do partido. O partido vai observar a potencialidade de cada um, as dificuldades de cada um e os desafios e definir qual é o candidato que reúne maiores potencialidades para a disputa eleitoral. Por isso é que eu acho que se eu retiro o meu nome, o partido vai ficar sem uma opção de perfil. (O meu nome) É mais um perfil, é mais um elemento, é mais uma variável, é mais uma contribuição para o partido se enriquecer e definir qual é o caminho que ele vai escolher. É claro que as lideranças contam, a participação dos nossos pré-candidatos também, tudo isso é fundamental, mas que quero ouvir o militante do partido, o filiado do partido que, em última análise, pode definir, se tiver a prévia. E se não tiver a prévia, os grupos que estão apoiando as candidaturas também devem olhar para esse cenário.

Eu me coloco, mais uma vez, como uma ferramenta, um instrumento da unidade partidária e de uma possibilidade de continuarmos dirigindo Vitória da Conquista, com todos os desafios que nós sabemos que estão colocados na conjuntura, no plano da economia, no plano da política, no plano da mentalidade, enfim, até da desconfiança do eleitorado em relação ao mundo da política. Tudo isso eu compreendo que é uma situação desafiadora, por isso eu coloco o meu nome para ajudar.

É MUITO IMPORTANTE QUE GUILHERME FIQUE NO PT

BLOG – Você acredita que o prefeito Guilherme Menezes possa deixar o partido ou abrir mão de participar da campanha, se o candidato escolhido for você?

JOSÉ RAIMUNDO – Isso aí é muito pessoal, é muito subjetivo. Não tem como eu avaliar. Mas, de qualquer sorte, o companheiro Guilherme é um companheiro de construção partidária, que contribuiu muito com partido, com esse legado. É um nome conhecido nacionalmente, estadualmente muito respeitado, muito querido pelos militantes e ele tem essa responsabilidade de representar esse projeto também, em outras instâncias, em outros espaços. Mas eu não li a entrevista, não vi, não sei em que nível e com significado essas palavras atribuídas a ele quiseram dizer. Da minha parte, eu espero que ele continue, sim, um grande militante do nosso partido.

ESPERANÇA DE RECOMPOR A FRENTE CONQUISTA POPULAR

BLOG – Analisando o cenário político qual seria a ameaça à continuidade do projeto do PT: O crescimento de Herzem Gusmão, a influência da política nacional, a fadiga dos 20 anos de poder…?

JOSÉ RAIMUNDO – É natural que um projeto que já dura um bom tempo que ele seja questionado. Até porque uma fração significativa do eleitorado não vivenciou Vitória da Conquista antes e nem acompanhou aquelas medidas impactantes do final dos anos 1990 e início dos anos 2000 (2004, 2005 e 2006). Imagine que quem nasceu quatro anos depois da eleição de 1996, há dezesseis anos, portanto, não conhecia a cidade e hoje já pode votar. Nesses 16 anos essa pessoa só teve contato mais sensível com a cidade nos últimos quatro, cinco, seis anos, a partir dos 12, 13, 14 anos de idade. Há uma parcela do eleitorado que não conheceu a Vitória da Conquista daquele momento de transformações. E mesmo o eleitorado que usufruiu daquelas transformações que fizemos, já esqueceu.

Então, um desafio é esse: recordar um pouco essa herança, ver como a cidade evoluiu e mapear os desejos, os desafios, os problemas, porque por mais que tenhamos feito há muito o que fazer, isso é próprio da vida de qualquer cidade. O outro desafio é que o eleitorado está sem um contato maior com a realidade, em função do mundo virtual, então acho que a campanha tem que dialogar mais concretamente com as pessoas e fazê-las entrar em contato com a realidade.

Evidentemente, que esses são dois elementos de natureza subjetiva, mas é a militância, o arco de alianças políticas, recompor a Frente Conquista Popular, se não no primeiro turno, mas no segundo turno, se houver. Eu ainda aposto que é possível se fazer uma recomposição da frente ainda no primeiro turno, para fortalecer politicamente o projeto, incluindo o PCdoB, o PSB e do próprio PV, que tem discutido candidatura própria. Ainda é possível, eu aposto nisso.

BLOG – Você não crê que o desgaste pelo longo tempo do projeto político-administrativo, que tem 20 anos, pode afetar o desempenho eleitoral do PT, mesmo sendo José Raimundo o candidato? O fato de ter sido prefeito é uma condição favorável ou potencializante da sua condição de candidato ou o eleitor pode não querer mais votar em você porque você já foi prefeito duas vezes?

JOSÉ RAIMUNDO – Olha, se “já foi” for impedimento para estar na vida política 90% dos políticos do Brasil não seriam mais. Agora, se o “já foi” é uma boa lembrança, isso ajuda. Confesso que eu não sei o que eleitorado pensa hoje do período em que eu fui prefeito. Eu acredito que o fato de eu ter sido prefeito pode ajudar, sim.

O GOVERNO DEVE SER UM ARTICULADOR DE SOLUÇÕES

BLOG – O que faltou você fazer quando prefeito e que, se voltar, dará continuidade?

JOSÉ RAIMUNDO – Eu acho que uma administração ela tem a rotina, os desafios, as tarefas rotineiras em qualquer nível de escala de cidade, de pequena, média e grande, como a saúde, a educação, a manutenção da cidade, o dia a dia da cidade, e num segundo plano, não em prioridade, mas na agenda diária, o prefeito tem aquelas potencialidades da cidade, os desafios maiores da cidade. Eu acredito que qualquer gestor que venha a assumir Vitória da Conquista no próximo ano vai reforçar tudo o que nós já construímos, na área social, na área da educação, na área da saúde, nos programas do governo federal, na atenção ao homem do campo, a continuidade das obras estruturantes na cidade, como pavimentação, esgotamento sanitário, em que Conquista está entre as melhores cidades do Brasil, 14ª cidade, mas está vindo aí a possibilidade de mais recursos e iríamos ficar, provavelmente, entre as dez, oito cidades do Brasil em saneamento. E, também, observando os desafios que nós temos, por exemplo, na área da segurança pública, na área da geração de emprego e renda, que são temas que o gestor municipal não tem o controle das variáveis, mas ele pode contribuir, induzir, articulando ações do governo municipal com os governos estadual e federal, com os parceiros empreendedores.

Diria que ainda é cedo para definir o que pode acontecer a partir de 2017. Mas, eu iria reunir, naturalmente, todo um coletivo de atores sociais para laborarmos nesse horizonte, de manutenção da cidade e descobrirmos novos caminhos, por sabermos que a cidade continua sendo uma cidade que cresce e se desenvolve, com grande potencialidade econômica na área do serviço, por exemplo. A educação está aí, a universidade federal, o IFBA, a nossa grande meta é transformar o campus da UFBA em uma universidade do Sudoeste; além de buscar ofertar mais infraestrutura urbana e, nessa crise econômica, desenvolver um grande esforço para manutenção de emprego e renda na cidade.

O CAMINHO: RESGATAR A HISTÓRIA DO PROJETO

BLOG – Vamos dividir a pergunta seguinte em dois momentos hipotéticos. O primeiro é o da prévia e a sua preleção para os filiados. Que argumento você usará para que os militantes escolham você, independente das ligações com o prefeito Guilherme, com Odir, Marcio ou Marcelo? O segundo momento é o pós-prévia, a campanha, considerando que seja você o escolhido. Consideremos que Herzem Gusmão continue forte e crescendo; o desgaste dos 20 anos de poder, a campanha contra Lula e contra o governo Dilma. O que você dirá à população de Vitória da Conquista para que ela vote em você?

JOSÉ RAIMUNDO – Para os militantes, eu quero tranquilizar a todos os amigos e amigas, os companheiros e companheiras do PT, dizendo que a minha candidatura é para somar, que é uma candidatura de um filiado, de um militante que, por acaso, foi prefeito e hoje é deputado estadual. A minha pré-candidatura é uma consulta, eu quero que os militantes, livremente, de forma tranquila, escolham aquele que melhor representar os seus desejos, os seus sonhos e a sua identidade. Eu serei o Zé Raimundo de sempre, com simplicidade, com tranquilidade, para poder dialogar, mostrar o que nós construímos, reconhecendo a contribuição de todos os companheiros do partido, a grande contribuição do companheiro Guilherme, para poder afirmar esse partido aqui em Vitória da Conquista, na Bahia e na região; reconhecendo a participação de todos os grupos internos do partido, num ambiente afetivo, respeitoso, solidário, fraterno, para que a gente possa, sendo eu o candidato escolhido, permitir esse ambiente também na campanha.

Respondendo à segunda parte, a gente tem que contar nossa história para a cidade, a história do projeto. Temos que ouvir a cidade naquilo que ela deseja, nos desafios; mostrar os limites de uma sociedade excludente; centralizar o compromisso de que só o combate às desigualdades, só construindo um país mais justo e igualitário nós vamos, também, diminuir a força de determinadas situações, como a questão da segurança pública, a violência; só reforçando políticas sociais muito fortes de combate à exclusão, é que nós evitaremos situações graves como o tráfico e as drogas. Vamos mostrar que só dotando o poder municipal com a capacidade gerencial e econômica nós conseguiremos investimentos mais robustos, como fizemos na nossa gestão, em infraestrutura da cidade, continuando muita coisa que ainda está em andamento da atual gestão do prefeito Guilherme, mas também abrindo um leque de diálogo com o futuro. E, principalmente, mostrar para a cidade que terá um governo aberto, democrático, para o qual ela possa contribuir; um governo, como sempre fizemos, transparente, ético, compromissado com a maioria da população.

BLOG – Se você não fosse pré-candidato votaria em Odir na prévia?

JOSÉ RAIMUNDO – Eu votaria em Odir, em Márcio, em Marcelo, em qualquer candidato que representasse o maior consenso partidário possível. Votaria em qualquer candidato que tenha circularidade entre o governo, o partido e a população. Portanto, volto a dizer, que o problema não é de nome, é de como você constrói esse nome e como você arregimenta as forças internas do partido para fazer campanha e governar a cidade.

DISPOSIÇÃO PARA CONVERSAR COM QUALQUER UM

BLOG – Para terminar: todas as conversas, digamos “oficiais” para tentar chegar à unidade no PT têm sido coletivas, na sede do partido. Há possibilidade de uma conversa apenas entre os quatro pré-candidatos ou sua com Guilherme e Odir, ou toda reunião nesse processo precisa de testemunha?

JOSÉ RAIMUNDO – A meu ver, a melhor forma de discussão da política é exatamente em espaços coletivos e abertos, como, aliás, era a tradição da democracia direta na Grécia. Mas, às vezes, são necessários momentos mais restritos, para que você possa estabelecer questionamentos. Eu me coloco à disposição de qualquer companheiro que solicitar e eu mesmo posso solicitar algumas conversas particulares. Vamos ver como a coisa anda a partir de agora. Mas, as conversas abertas foram extremamente ricas. Eu sou defensor do método e da crítica e autocrítica, do centralismo democrático, da tradição dos movimentos sociais. Não é bom que se faça crítica fora, para a sociedade, para outros grupos, se você não fez essa crítica interna, por isso é que, ás vezes, a conversa coletiva é muito mais enriquecedora do que uma conversa a dois, tête-à-tête, bilateralmente. É bom no coletivo porque todos testemunham, contribuem, enriquecem e permite que os pontos de vista contraditórios apareçam e que as sínteses sejam feitas coletivamente.

Por fim, volto dizer, todas as conversas necessárias eu farei, inclusive com o prefeito Guilherme Menezes.

2016-03-08 22.34.59

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1 comentário em “Zé Raimundo levanta a bandeira branca e ressalta a importância de Guilherme para o PT e para a eleição

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