Crise nacional, fim da Frente Conquista Popular e crescimento de Herzem levam PT a chapa puro-sangue

Posted on sábado, 19 março 2016

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O bate-chapa no Partido dos Trabalhadores de Vitória da Conquista para escolher o candidato a prefeito não deve acontecer. Petistas muito próximos dos dois grupos revelaram ao BLOG, sob a condição do anonimato, que análises internas levam à conclusão de que o cenário não permite alongar a fissura no partido e a definição deve ser pela chapa puro-sangue. Contribuem para essa análise a crise nacional que afeta o partido, com as ameaças de prisão do ex-presidente Lula e de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a debandada dos partidos que faziam parte da Frente Conquista Popular, PSB e o PCdoB tendo anunciado candidatos próprios, e o crescimento da preferência popular pela candidatura do radialista e deputado estadual Herzem Gusmão (PMDB).

A ideia da chapa puramente petista vinha sendo considerada desde a primeira reunião de que participaram o prefeito Guilherme Menezes e o deputado federal Waldenor Pereira, companheiro de José Raimundo no coletivo Reencantar. Segundo uma das fontes do BLOG, as entrevistas concedidas por Guilherme e por José Raimundo também serviram para fortalecer a proposta de os dois grupos desistirem da prévia. O prefeito reclamou que não estava sendo ouvido, que o clima de disputa estava resvalando para um conflito maior e naquela condição ele não participaria da campanha. Guilherme também cobrou reciprocidade de José Raimundo e Waldenor, a quem ele teria ajudado eleitoralmente, às vezes com sacrifício de interesses pessoais. De volta, José Raimundo apresentou um histórico de sua atuação no PT, enumerando momentos em que também teria ido para o sacrifício e fez um apelo de paz a Guilherme (leia aqui).

Mas o amadurecimento da chapa puro-sangue teve início no dia em que Lula foi alvo da condução coercitiva determinada pelo juiz Sérgio Moro, em razão da Lava Jato. Na opinião de um petista local foi quando as lideranças do partido em Conquista acordaram para a realidade e viram que a guerra de palavras e o embate prolongado só prejudica o PT, “que já tem inimigos demais para ainda ficar trocando fogo amigo”. A exigência do momento, segundo as fontes, é a unidade para que o partido possa se defender, evitando a exposição das feridas internas, que já estava se tornando prejudicial demais para o PT local. No ato em defesa do ex-presidente Lula e da presidente Dilma, ocorrido na sexta-feira, os principais líderes do partido em Conquista se encontraram e deram demonstrações de que estão mesmo a caminho de um entendimento.

Outro fator que estaria apressando esse entendimento é a saída anunciada do PSB do governo, tornando mais sólida a pré-candidatura do advogado e ex-petista Alexandre Pereira. O PSB entregou carta ao prefeito Guilherme Menezes, abrindo mão dos cargos que detém no governo. O prazo para a saída é o dia 31, apenas o tempo de fazer a transição, já que os nomeados do PSB tocam setores com projetos em andamento. Como o PCdoB já havia saído, em agosto do ano passado, e o PV dá sinais de que deve seguir outra candidatura, o PT se viu sem alternativa forte para vice e os líderes estão chegando à conclusão que a chapa puro-sangue resolve esse problema e ainda encerra a briga interna, fortalecendo o partido para enfrentar a oposição, que tem em Herzem Gusmão seu principal nome, líder em todas as pesquisas de intenção de voto.

A chapa pura do PT de Conquista deverá ter o ex-prefeito José Raimundo Fontes na cabeça, com o Chefe de Gabinete do prefeito, Odir Freire, na vice. Desse modo, como disse uma das fontes, entre mortos e feridos salvam-se todos. Ainda não se sabe como encaram essa hipótese os demais pré-candidatos, o professor Marcelo Neves e o dirigente do MST, Márcio Matos.

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