O PT conquistense precisa rever o projeto atual. A gestão precisa voltar-se à esquerda, afirma o petista Sonkha

Posted on quarta-feira, 30 março 2016

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Herberson Sonkha

O militante petista Heberson Sonkha, conhecido pelo preparo, inteligência e posturas um tanto radicais, tem mantido com o editor do BLOG um embate em que ele acusa o jornalista de ser comercial e publicar inverdades sobre o PT, em especial sobre as negociações que resultaram na escolha do ex-prefeito e atual deputado estadual José Raimundo como o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores à Prefeitura de Vitória da Conquista. Pessoalmente, tive pouco contato com Herberson nesses meus anos de Conquista. Sabia dele apenas que é um dos líderes de uma ala mais à esquerda no PT e de sua contundência verbal na defesa de seus paradigmas e convicções. Sem qualquer menção, de quem quer que seja, que atacasse sua conduta e caráter, ressalto.

Antes da reação de Sonkha à matéria que dava conta das articulações internas do PT e suas consequências (leia mais), eu o havia entrevistado – logo após uma reunião que ele, seu grupamento, mais os deputados José Raimundo e Waldenor Pereira tiveram para discutir os caminhos que estavam à disposição dos coletivos e do partido, ante a prévia eleitoral que se avizinhava, em razão de o prefeito Guilherme Menezes ter lançado e sustentado (até poucos dias atrás) o nome de seu secretário e amigo Odir Freire como pré-candidato, afastando, então, a possibilidade de um consenso em torno de José Raimundo.

Para fugir da delonga e do risco de emitir algum juízo ou escrever algo que dê a Sonkha mais motivos para me combater, publico a entrevista. Por dificuldades diversas, a conversa não foi transcrita a tempo de publicar antes do já conhecido desenlace petista que colocou José Raimundo como o pré-candidato do PT, com as desistências dos outros três que estava na disputa interna: Márcio Matos, Odir e Marcelo Neves, este apoiado por Herberson. Alguns pontos da entrevista foram superados pelo tempo e pelo acordo a que chegou o PT conquistense, mas servem para que o leitor possa ter uma compreensão maior da dinâmica petista e do pensamento de um de seus intelectuais e militantes mais preparados.

BLOG -Herberson, na possibilidade do grupamento Encantar e do grupo Guilhermista, que eu nem alcançarem o entendimento de um apoiar o candidato apresentado pelo outro, Zé Raimundo e Odir, respectivamente, as tendência que apoiam candidaturas de Marcelo Neves e Márcio Matos se comportariam como? Apoiariam, fariam uma campanha com tranquilidade, ou vocês vão fazer um enfrentamento até o final do prazo da resolução do PT nacional?

SONKA – Inicialmente, a gente tem um entendimento de que o projeto precede o nome, a gente tá trabalhando com essa possibilidade. Objetivamente, essas duas candidaturas tanto de Márcio como a de Marcelo, têm em mente discutir a ação programática de governo. Nos interessa, no primeiro momento, nós estamos olhando no médio e no longo prazo estes dois campos. Do ponto de vista da correlação de forças internas, obviamente, do ponto de vista numérico, o resultado tá dado. Ou poderá ser uma candidatura do campo da Encantar ou poderá ser uma candidatura do campo do prefeito Guilherme Menezes. Só que no PT, nó temos algumas condições para além do número, que é o que nós chamamos de minoria qualificada. Essas duas candidaturas (de Marcelo e Márcio) têm feito um tensionamento para que o governo comece a fazer autocrítica e redirecione o governo à esquerda. Não há a menor possibilidade de, nestas eleições, uma chapa do PT se apresentar como sempre se apresentou. Há uma agenda e é preciso dar conta dessa agenda nova, de uma cidade que não é mesma, de um projeto que apresenta ruídos, desgaste na engrenagem. Então, é preciso atualizar. O nosso compromisso é no tensionamento. Nós queremos ser convencidos desse processo e até o momento, ainda não fomos. Não havendo esse convencimento, cumpra-se o Estatuto. O Estatuto é claro: nós temos as instancias até chegar às prévias e todas elas serão esgotadas, caso não se tenha um consenso em torno de uma nova programática para disputar as eleições de 2016. Nesse sentido, tanto a candidatura de Marcelo como de Márcio estão postas até o apagar das luzes.

BLOG – A sua resposta dá entender que o candidato será um dos dois, Odir ou Zé Raimundo, nesse caso, qual seria a vantagem do PT nesse tensionamento? O que é que o PT ganha com esse posicionamento dos dois grupamentos que se uniram em favor de uma discussão interna de um debate mais à esquerda do partido? O que vocês imaginam que pode acontecer o quê?

SONKA – Primeir: o candidato não é nenhum dos cinco [Eram Odir, Zé Raimundo, Márcio, Marcelo e Waldenor Pereira, que retirou o pleito em favor de Zé], o candidato é do PT, o candidato será aquele que obtiver as condições internas e externas favoráveis à sua candidatura. Então, não é o nome. Essa candidatura passa necessariamente por uma programática, que é o que nos preocupa e que nós estamos prontos a discutir. Obviamente, a gente não faz a conta dos números somente, é preciso entender que o Partido dos Trabalhadores é uma organização com a capilaridade, muito grande. O PT que nós imaginamos, enquanto campo de esquerda, é um PT que tem aí próximo de 60% da sua militância que precisa vir pro debate, e no marco que tá ela não vem.

Esse PT, o PT que tá posto, o PT que tá aí, o PT que foi dirigido até o momento, ele não dá conta de convencer essas pessoas pra virem pro debate, esse campo nosso tem essa possibilidade. Primeiro, porque é resgate da base social do partido, é o resgate de uma orientação à esquerda e é o resgate de um projeto que nasce de uma formulação teórica do Partido dos Trabalhadores, que é o modo petista de governar. Obviamente que esse modo petista forjado nos anos 80, se ele não for atualizado, ele é anacrônico, e é por isso que nós estamos chamando para a atualização. Nós precisamos disputar as eleições em Vitória da Conquista entendendo que nós temos um ganho, mas entendemos também, que a população de Vitória da Conquista quer algo novo. Ela foi atendida num primeiro momento por esse projeto, mas o projeto dá marca de desgaste e é preciso ver. Vivemos um momento muito ruim pro PT infelizmente, o PT vive um momento eu diria que muito complicado, o PT sangra nacionalmente, o PT vem vivendo um momento de desgaste. Esse desgaste, a perda desse desgaste, é perda do campo hegemônico, não é a perda das forças internas da esquerda do partido. A força interna do partido à esquerda é o que nós chamamos de minoria qualificada, que é o sal do PT, sem essa esquerda, o PT virou um PMDB da vida, não tenho dúvida disso. Então é assim a única garantia de que as eleições de Vitória da Conquista 2016 ocorrerão num cenário com agenda nova programática, discutindo todas as estruturas de poder, o funcionamento, o seu papel e orientação para a organização das pessoas, com políticas voltadas para as populações em situação de vulnerabilidade.

BLOG – Você fala que é necessário uma renovação, você vê essa renovação nos nomes colocados além dos de Márcio e de Marcelo? Você admite que é possível renovar com Zé Raimundo ou Odir, ou você não vê essa possibilidade?

SONKA – Qualquer nome que disputar as eleições pelo nome ele não representa o conjunto das forças internas do partido, mas qualquer nome que seja resultado de uma discussão da unidade coletiva programática, dará conta. Imaginemos uma conjuntura por exemplo, em que o candidato seja José Raimundo. Se o candidato José Raimundo não estiver apoiado numa plataforma de governo que represente o conjunto dos interesses político-ideológicos do PT o nome de José Raimundo será qualquer nome, porque o diferencial não é nome, o diferencial é o Partido dos Trabalhadores e a unidade do Partido dos Trabalhadores. Esse critério se aplica também tanto a Márcio como a Marcelo. Se não houver um entendimento na unidade, um projeto político, um envolvimento, também será um nome tal qual qualquer outro. O que nós chamamos a atenção é que nome é o menos importante, o nome é consequência de uma unidade que a gente espera construir até o dia 27 [de fevereiro].

BLOG – Você acha que esse projeto que o PT começou a realizar em 97 atingiu o seu ápice, ou seja, o ciclo se encerra, e aí é preciso refazer o direcionamento não apenas da política mas da gestão?

SONKA – Bem, se a gente pensar que esse projeto foi discutido amplamente com os movimentos sociais, com os sindicatos, com o movimento estudantil, com partidos de centro-esquerda, e que esse projeto cumpriu uma agenda que era uma agenda de Vitória da Conquista, uma agenda pautada basicamente em três pilares: educação, saúde e o fortalecimento e vitalidade do comércio, ele cumpriu uma etapa, a restruturação da cidade é um. O que nós estamos discutindo é que nós estamos 20 anos no governo e nós não conseguimos em Vitória da Conquista discutir, por exemplo avanços na educação. Vamos dar o exemplo clássico da educação. Se a gente for observar, a educação a partir do Ideb, nós temos uma média, aí, de entendimento de que esse projeto não deu resposta. Não é que o projeto foi ruim, é que o projeto falta uma proposta pedagógica que dê conta de um avanço.

Se a gente entender que não só na educação, como na saúde e todas as áreas, que esse projeto está a serviço da organização das pessoas que estão fora da inclusão e organização de sua força produtiva, nós cumprimos o papel. Só que a cidade não compra mais esse projeto, por quê? Porque a cidade tá pensando outras coisas, é uma cidade grande, é uma cidade que abriu, uma cidade que tem outro horizonte, e o PT precisa atualizar sua programática. Então, quando você, por exemplo, percebe que esse projeto não consegue aglutinar alguns setores que estão da esquerda ao centro, é porque precisa repensar. Se você admite a possibilidade de ter que repensar, você admite que esse ciclo precisa ser renovado. Nesse sentido esse programa precisa ser.

Inclusive, nós precisamos trazer o PT e esse governo para a esquerda. O que do modo petista de governar nós conseguimos emplacar? O orçamento participativo, que deve ser um dos pilares, que foi a porta de debate do Brasil, inclusive da Europa, mas agora ele não passa de uma organização envelhecida; tem pessoas que vão completar 20 anos lá dentro. Ele não cumpre mais o papel revolucionário que cumpria, a cidade não entende mais que o orçamento participativo é uma ferramenta para discutir a democratização das finanças. Até porque nós precisamos avançar, esse modelo já foi. Nós precisamos saber é o seguinte: esse orçamento que tá aí, dá conta de discutir o espelho financeiro do município? Então esse é um debate. É preciso que a gente entenda esse novo momento que Conquista vive.

BLOG – Você não acha que existe um risco da direita incorporar ou interpretar essa mesma situação sobre o que você agora faz uma leitura, e aí inverter as posições? Ou seja: mesmo não esquerdizando o projeto, mas do ponto de vista da realidade do orçamento participativo, da educação da infraestrutura, a direita incorporar este discurso, conseguir seduzir a população e esse projeto se encerrar de uma vez por todas?

SONKA – Se você entender que a disputa eleitoral é um processo que ele se define no curso, e que qualquer um pode ganhar as eleições, então, não está descartado perder as eleições, como também não está descartado ganhar as eleições. A direita tem uma agenda. Nós temos um perfil da direit, a direita orgânica, aquela que é liberal, e que é neoliberal, tem uma agenda e ela segue. O Brasil tá entendendo qual é a agenda, nós temos aquela direita que é resultado das relações da política tradicional, da troca de votos, pela barganha, tanto uma quanto a outra, ela é incompatível com o projeto de governo de centro e de esquerda. Por exemplo, quando a gente fez a inversão de prioridade, quando a gente assumiu em 97, quando fez o choque de gestão, quando criou o banco popular, quando criou todas as políticas de programa do SUAS, isso é a agenda da esquerda. Que é o quê? Primeiro, fazer empoderamento das populações; segundo, dar visibilidade a essas populações.

A direita de Vitória da Conquista, por exemplo, é conservadora, homofóbica, racista, lesbofóbica e essa agenda não dela. Muito pelo contrário, nós estamos vendo aí a direita do Brasil bater palma quando o governo faz um corte justamente nas áreas de políticas sociais, não interessa à direita de lugar nenhum que as forças de esquerda cresçam. Interessa ao patrão que o trabalhador esteja numa condição de miséria para se submeter a um salário qualquer, essa é a lógica da direita, não podemos fugir disso. Agora, em que medida a direita pode tornar eficiente sua gestão? Porque aqui não há uma discussão de eficiência, há uma discussão de projeto, quem é que tem projeto pra quem. Vitória da Conquista, até janeiro de 97, tinha uma agenda que era a agenda da oligarquia, sustentada pelo desenvolvimento da cafeicultura, que colocava seus filhos para estudar medicina em Salvador e depois voltavam para dirigir Conquista, a partir de novembro de 97, nós podemos constatar por exemplo uma inversão. Hoje você vê no mesmo aeroporto, preto, gay e mulher viajando. É uma nova realidade. Você vê, por exemplo, filho de pobre chegando na universidade em curso que era curso de ponta, restrito à elite, esse é um projeto de esquerda.

Então, dificilmente essa direita de Vitória da Conquista, que é conservadora não só no sentido da tradição, mas do ponto de vista da orientação política, ela dificilmente ela assimilará todas as agendas que hoje Vitória da Conquista tem. Muito pelo contrário. se você pegar agora os anúncios que já estamos escutando por aí, os programas de governo que nós temos por aí, o que nós assistimos é a tentativa de enxugar a máquina. A direita de Vitória da Conquista orgânica e não orgânica tá falando em enxugar a máquina, enxugar a máquina é cortar mais de 30 programas da Secretaria de Desenvolvimento Social; é reduzir a Secretaria de Saúde; é tirar a política de saúde das comunidades quilombolas, então assim, são agendas incompatíveis A direita de Vitória da Conquista mais do que nunca tem se mostrado com sua agenda própria, com sua cara própria, e é por isso que eu acho que nem por osmose a direita vai assimilar a agenda que é a agenda de esquerda.

BLOG – Ok, então eu lhe peço por favor que você me diga o que se encerra nesse ciclo do governo petista hoje, o que é que falta ajustar, o que é que precisa ser refeito, o que que precisa começar para que a direita ou qualquer outro campo não ganhe a eleição e assuma a administração.

SONKA – Quando você estuda a Teoria da Pirâmide você compreende que as primeiras necessidades do ser humano são a alimentação e a moradia pra segurança e  quando você atende essa demanda normalmente vem uma segunda necessidade, aí você precisa de escola, depois da escola você asfalta uma rua, aí você quer outra demanda…  Essa necessidade contínua do ser humano, ela é uma agenda que precisa discutir. Quando a gente diz que esse modelo está esgotado é quando a cidade entende que o Porto Seco de Vitória da Conquista não foi construído; quando ela entende que esta política de mobilidade passa por uma revitalização do Centro Comercial de Vitória da Conquista. Conquista é uma cidade que tem a terceira maior frota de veículos do estado e se você pega o seu carro no horário de pico, que a gente chama de retorno ou de ida, você fica chateado, porque, porque é preciso pensar uma cidade que dá conta do seu crescimento.  Quer queira quer não – e aí a gente vai contradizer a direita de Vitória da Conquista – nós tivemos um crescimento material na base da pirâmide, que permite o crescimento de consumo, quando você vê a terceira frota de carros, de motos, de veículos, então percebemos a necessidade  de que a prefeitura repense para atender essas demandas, que são contínuas. Quando a gente resolver o problema do curso de medicina, nós vamos resolver o problema de pós-doutorado de quem aqui tá no curso de medicina ou de qualquer outro curso. A cidade, ela tá um processo de dilatação, a Vitória da Conquista provinciana pensada na oligarquia cafeeira, essa cumpriu o seu papel. Se você pensar que a zona comerciall de Vitória da Conquista tinha famílias tomando conta e hoje você tem os meninos que estão se formando no curso de Administração da UESB, você percebe que há um processo de retorno desses pensadores cientistas porque estão na academia pra operar na cidade. A pessoa não precisa sair de Vitória da Conquista para fazer procedimento de alta complexidade em Salvador, as pessoas não precisam sair de Vitória da Conquista pra fazer algumas verticalizações de pós-graduação A cidade está crescendo, a cidade tem melhorado o seu portfólio de serviços. Não dá mais para pensar, por exemplo, que um trabalhador em Vitória da Conquista fique com medo de entrar com representação na Justiça do Trabalho porque ele tem medo de não entrar em outra empresa, porque as empresas que estão aqui chegando aqui – porque Vitória da Conquista é um empreendimento viável – têm a informação de que o sindicato é uma necessidade de organização da classe trabalhadora, então, elas já vêm pra cá compreendendo que, todo trabalhador que se sentir lesado nos seus direitos poderá, naturalmente, reclamar.

BLOG – Como você avalia a decisão tomada por partidos da Frente Conquista Popular (PSB, PV e PCdoB) de terem candidatos próprios para prefeito?

SONKA – Primeiro, as essências dos partidos pressupõem que os partidos têm o direito de disputar outro pleito. Via de regra, todas as candidaturas são legítimas. Obviamente que nenhum partido vai querer ser partido pequeno a vida toda, né? O partido tem um programa.

BLOG – Sejamos pragmáticos e vamos olhar a perspectiva eleitoral: o campo da esquerda, chamemos assim, formado pela Frente Conquista Popular, se dilui com a candidatura de Fabrício (PCdoB), com a candidatura de Alexandre (PSB) e até Mão Branca (PV) diz que pode ser candidato. Isso não amplia o risco de o projeto que você considera vitorioso, se desfazer de vez, com uma derrota na eleição?

SONKA – Na verdade é assim, os partidos que estão fazendo sua caminhada, como a gente costuma dizer, sua carreira solo. É um risco? É um risco, claro que é um risco. Mas é um risco que a gente perca as eleições, como é um risco que a gente ganhe as eleições, entendeu? Agora, pra nós do coletivo é preciso entender o que é uma concepção do partido, as decisões, instâncias, e o que nós pensamos enquanto força interna. Primeiro, nós não fazemos política com o estômago e nós não somos imediatistas, na verdade, nós acreditamos numa outra sociedade, nosso objetivo de longo prazo, de médio e curto prazo é a construção pra organização da classe trabalhadora, pra organização dos movimentos sociais. Se isso implica em ter que disputar o estado, nós o faremos, claro. Agora, nós não podemos, concreta e sinceramente, atribuir a este ou aquele partido, a vitória ou a derrota Existe uma conjuntura de fatores, a gente pode ter o melhor elenco numa partida de futebol e perder, ou pode ter o melhor e ganhar a partida. Na verdade o que faz ganhar é só chutar no gol, mas você tem uma estratégia estabelecida para que se chute no gol. O PT tem uma estratégia, vai disputar, e merecem o nosso respeito os outros partidos, o companheiro Alexandre, o companheiro Fabrício. São candidaturas legítimas e nós achamos que  temos muito a construir. Claro que eu gostaria que estivéssemos construindo juntos, mas eles entendem que a caminhada deles com a gente encerrou, respeitamos. Quem sabe a gente não consegue fazer uma disputa no segundo turno e que estejamos todos juntos?

BLOG – Voltando à disputa interna para a escolha do candidato do PT. Sei que você apoia Marcelo Neves, prioritariamente, e admite a candidatura de Márcio de modo secundário, mas admite que pode ser outro o candidato a prefeito, desde que o essencial seja o projeto, a revisão programática do governo, mas, havendo um entendimento qual das pré-candidaturas oferece uma perspectiva eleitoral mais favorável, quem seria mais forte na disputa com a oposição?

SONKA – Bem, se a gente entender que nós temos um ex-prefeito na disputa, e que naturalmente ele tem um capital político e que isso pesa na discussão, que É o professor José Raimundo. Se pensarmos que temos a candidatura do companheiro Odir, que mesmo não tendo sido prefeito, foi secretário, tá nessa caminhada desde 97, concluímos que quem vai determinar isso é a cidade. Acho que o PT deve fazer em breve uma pesquisa, nós precisamos entender o que está acontecendo na cidade. Eu acho que na boa guerra é imprescindível entender o cenário e as variações do cenário. E eu lhe asseguro, com a maior tranquilidade, que esse campo de esquerda não será responsável pela derrota eleitoral do PT, mas esse campo de esquerda é responsável pelos avanços programáticos que esse governo fará, e fará com qualquer um dos cinco nomes. Agora, obviamente, essa pesquisa nos dará tranquilidade. Se a gente for para eleições com o companheiro Odir, vamos para as eleições, mas vamos para as eleições com projetos claros e definidos, o companheiro é que tem cumprir com as exigências legais. Você não disputa, na verdade, um programa, você tem que ter um nome, então assim, essa exigência será cumprida, vamos à disputa. Será apresentado a Vitória da Conquista, talvez,  um dos programas mais ousados, que dá conta de cumprir mais uma tarefa de conduzir os destinos do município, a gente espera isso com a nossa contribuição.

BLOG – Você disse que se não tivessem colocado o pé na parede não teria acontecido isso.

SONKA – Nós não teríamos invertido a lógica. Qual era lógica? A lógica era definir o nome, e depois a gente discute, quando der, a programática. O primeiro a registrar a candidatura foi o companheiro Márcio, o segundo fomos nós. Primeiro, Márcio, segundo nós, Marcelo; depois Odir, depois Waldenor e Zé Raimundo. Então assim, a nossa presença alterou a ordem da discussão, nós saímos da condição de nome para projeto. Se você anda em Conquista, e eu ando, você sabe o que Conquista pede, entendeu? Conquista pede, primeiro, um candidato que continue com as políticas públicas de inclusão social. Se a gente for considerar a última pesquisa que nós temos aí, o companheiro bem pontuado é Zé Raimundo.

Na verdade nós não somos profissionais da política, nós somos militantes, e nosso papel nessa construção é de qualificar. E não é só nosso, nós temos algumas forças que não estão aqui, mas que poderão vir para contribuir, forças importantes. Junto com outras forças da esquerda temos o papel de qualificar o debate, de trazer o PT pro seu eixo, que é o campo de esquerda, trazer os movimentos, conseguir que o governo tenha a capacidade de pactuar com os movimentos sociais um programa de inclusão; que a gente consolide e aprofunde a democracia participativa, e que nós tenhamos uma renovação dos controles sociais das políticas públicas, renovação do orçamento e empoderamento, sobretudo dos movimentos das populações excluídas do processo histórico.

BLOG – Agora, por favor, qualifique Herberson Sonka.

SONKA – Eu sou Herberson Souza Silva. Eu sou professor, na verdade não de formação, pois minha área de estudo é economia. Milito no movimento social desde 1986. Sou militante nacional do Movimento Negro, atuo no PT no Coletivo Eco Socialista. Iniciei minha militância em Jequié, no PCdoB, tendo saído do partido nos anos 90. Dois anos depois recebi um convite para ingressar no Partido dos Trabalhadores, feito por Geraldo Reis. Levei um tempo no PT tentando me afinar com a força e descubro uma reorganização do Coletivo Eco Socialista, onde eu milito, são companheiros de mais de 20 anos militância. Então, aqui ajudando a construir o movimento.