Pré-campanha modorrenta de Conquista se agita com polêmica entre PSD e Grupo Independente

Posted on sábado, 9 abril 2016

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Em entrevista ao programa Agito Geral, comandado por Pedro Massinha na Melodia FM, ontem, o prefeito Guilherme Menezes tratou de mais do mesmo: que o PT inteiro vai apoiar José Raimundo e as portas ainda estão abertas para PSB e PCdoB, que saíram do governo municipal e já lançaram seus pré-candidatos a prefeito, respectivamente Alexandre Pereira e Fabrício Falcão. O mais do mesmo vem sendo a marca dessa pré-campanha sem novidades desde o dia 23 de março, quando Guilherme veio a público dar conhecimento de que tomara uma atitude estadista, aceitou os sinais dados pelas sondagens eleitorais e pela reação popular e decidiu retirar o nome de Odir Freire, propiciando o consenso pelo apoio a José Raimundo.

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Guilherme e Zé se entenderam e marcharão juntos

Tudo o que o Partido dos Trabalhadores está fazendo agora são conversas separadas, quase sigilosas, com representantes de outros partidos, levando o discurso da importância de continuar o projeto que vem sendo desenvolvido nesses 20 anos e a perspectiva de um lugar de vice na chapa. Por enquanto, quem o PT realmente quer na vice disse não ou pediu tempo e quem sinalizou que quer o PT pediu para esperar, na ideia de que a vice deve ser cedida a partido ou nome que agregue, segundo as palavras do prefeito Guilherme na entrevista a Massinha, ou, em palavras mais claras, leve voto que o PT teria dificuldade de buscar sozinho.

OS MOVIMENTOS DA OPOSIÇÃO

Da parte do PMDB, considerando que Herzem Gusmão é de todos os pré-candidatos o que tem um palanque eletrônico diário para exposição do seu nome e divulgação do seu trabalho, seria compreensível que ele só fizesse isso. Fez mais um pouco. Reagindo à propagação de que ele não dialogava, não ouvia os parceiros, o pré-candidato peemedebista reuniu alguns nomes proeminentes das diversas áreas produtivas e pediu que o ajudassem a conversar com setores e pessoas que demonstravam alguma resistência a sua candidatura. Ao mesmo tempo esse grupo tem buscado a colaboração de profissionais respeitados e influentes da cidade no sentido de formatar um plano de ação para ser apresentado ao eleitor na campanha. Médicos, advogados, empresários, muitos já foram procurados e se dispuseram a ajudar.

Nesse ritmo, Herzem, que dispõe da tribuna da Assembleia Legislativa para se manifestar sobre questões locais e estaduais, gerando notícias para a imprensa; que tem o microfone da Rádio Clube à disposição e conseguiu montar um núcleo de apoio político que está fazendo conversas e defesa do projeto em nome dele, vai conseguindo manter a dianteira nas pesquisas de intenção de voto que tem desde que começaram as discussões sobre a eleição de prefeito. Mesmo assim, ainda que ele disponha da rádio como palanque, pouca novidade tem apresentado e toda a movimentação dos seus apoiadores e as articulações em defesa de seu nome como candidato único da oposição não geram novidade para o público, que sabe hoje o mesmo que sabia quando o ano começou.

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Arlindo (em cima), Marcelo e Herzem (foto maior): dos três pode ficar só um.

Arlindo Rebouças (PSDB) e Marcelo Melo (DEM) estão confiantes, mas sabem que a chamada ‘estratégia 2018’ pode atropelá-los. O BLOG ouviu de pelo menos duas pessoas que têm grande afinidade com a política local que Arlindo já avisou que será candidato de qualquer jeito, nem que para isso tenha que entrar na justiça. Mas uma das coisas consideradas mais certas de acontecer é o apoio do PSDB a Herzem Gusmão. O mesmo ocorreria com o Democratas, de Marcelo Melo, que seria o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo PMDB. Eu não ouvi Arlindo sobre o comentário de que já há um plano para afastá-lo da disputa, nem sobre sua intenção de pleitear o direito de ser candidato na justiça. De Marcelo ouvi que ele “ainda” é pré-candidato, admitindo, mesmo que implicitamente, a possibilidade de uma mudança que quase todo mundo prevê.

COMPASSO DE ESPERA

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Fabrício e Alexandre: em compasso de espera, mas confirmados

O PSB e o PCdoB declaram, por todos os porta-vozes possíveis, que manterão seus candidatos no páreo, recusando admitir a possibilidade de um retorno à Frente Conquista Popular ainda no primeiro turno. Tendo os nomes de Alexandre Pereira (PSB) e de Fabrício Falcão (PCdoB) colocados no tabuleiro, os dois partidos preferem a coerência, ainda que exponham os antigos parceiros a uma derrota ainda no dia 2 de outubro. O PCdoB saiu da administração municipal, onde tinham dois secretários e outros cargos, em julho do ano passado. O PSB se afastou no fim do mês de março, deixando uma secretaria e várias coordenações.

Uma volta atrás arranharia significativamente a imagem dos dois partidos e de suas principais lideranças, por isso, eles cruzam os dedos, pedem ajuda aos santos para que ocorra o segundo turno, mas afirmam que vão manter a coerência e ficarão longe do PT no primeiro turno, considerando a posteridade. Assim, os dois partidos mantêm-se discretos, sem grandes movimentações e, exceto a saída de Gildelson e Cia. do governo, nada de novo apresentam. Uma razão para essa significativa parada nas ações é a votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma, marcado para o dia 17, na Câmara. Até lá as discussões ficam em compasso de espera. O resultado do processo é capaz de mudar tudo na política brasileira, com reflexos importante em Conquista.

Há outros pré-candidatos, como Armênio Santos (PPS), que é um dos que mais andam, se reapresentando à sociedade e ao eleitor, depois de anos fora da política local, mas não há notícia de atos, eventos, manifestação, discurso ou articulação que gere algum impacto. Outro que se disse pré-candidato a prefeito foi o ex-deputado Clóvis Ferraz (PSD), que transferiu seu domicílio eleitoral de Tremedal para Vitória da Conquista, realimentando um sonho antigo de ser candidato a prefeito neste município. Considerando que Clóvis é amigo e assessor do senador Otto Alencar, que é quem manda no PSD na Bahia, pode até ser que o senador libere uma candidatura própria a prefeito em Conquista, mas o próprio Clóvis disse ao Blog do Anderson que ele quer mesmo é ser vice de José Raimundo. Falou isso se queixando porque Zé deu entrevista dizendo que ainda procura apoio do PSB e do PCdoB e não falou o nome do partido dele.

O DISSE ME DISSE NO GI

Foi a deixa para que entrasse em cena a figura que, de vez em quando, balança o coreto da política conquistense nestes tempos de discussão sobre a sucessão do prefeito Guilherme Menezes: Romilson de Souza Filho, líder do Grupo Independente (GI), um condomínio de partidos que acredita poder lançar um candidato a prefeito forte o suficiente para quebrar a polarização PT x PMDB. Romilson, que recentemente assumiu a comissão provisória do PDT, passando à frente do deputado Fabrício Falcão, a quem Félix Mendonça, deputado federal e presidente estadual, havia sinalizado que entregaria o partido, reclamou que ao procurar José Raimundo e oferecer apoio Clóvis Ferraz (que Herzem chamava de Chun Chan Chin, em referência à ligeira semelhança do ex-deputado com um chinês lutador de Kung Fu) traiu um acordo que haviam feito, de que o PSD se incorporaria ao GI e apoiaria o candidato que saísse do grupo.

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Romilson Filho

Romilson, que tem a impetuosidade na mesma medida da capacidade de articulação, subiu o tom em reuniões e divulgou uma nota em que desautoriza Clóvis Ferraz a falar em nome dos partidos que compõem o GI, especialmente o PDT (o que, na verdade, Clóvis não fez, falando apenas de si e do seu PSD). Segundo Romilson, se o PSD e o PP, partidos que estão andando juntos (o primeiro tem o presidente da Câmara de Vereadores Gilzete Moreira como presidente e o segundo tem o filho dele, Rodrigo, à frente) quiserem fazer parte do Grupo Independente devem seguir uma regra pétrea: apoiar candidatura originada do grupo, “preferencialmente capitaneada pelo PDT”.

O BLOG destaca dois trechos da nota de Romilson, aquele que vem fazendo subir o calor de uma pré-campanha modorrenta.

– As legendas do PSD e do PP cogitaram fazer parte do Grupo Independente, todavia, devemos deixar claro que se o fizerem, terão de, democraticamente, participar da discussão dos nomes defendidos pela frente partidária para enfrentar as próximas eleições em Conquista, cuja pretensão, outra não é, senão a de ter candidatura própria, preferencialmente capitaneada pelo PDT;

– Com todo respeito que merece o ex-deputado, Clóvis Ferraz não foi autorizado e nem fala em nome do PDT, muito menos para sinalizar aliança, apoio ou a integração na chapa liderada pelo PT (qualquer que seja o nome da referida agremiação posto para as eleições), porque esta posição é diametralmente oposta ao que defendem os integrantes do Grupo Independente.