Guilherme quer saber de Zé Raimundo qual será a participação do grupo na campanha e na administração

Posted on terça-feira, 19 abril 2016

0


20160301_084409[1]A entrevista com o prefeito Guilherme Menezes que o BLOG publica abaixo foi feita na quinta-feira (14), três dias antes da votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma na Câmara.  Guilherme demonstrou grande preocupação com a situação política e econômica do Brasil a partir do domingo em que os deputados decidiram que o processo de impedimento da presidente deve prosseguir no Senado. O prefeito disse que já determinou um esforço da equipe para economizar, em razão da instabilidade nacional. “Nós temos reservas e vamos pisando devagar, como quem anda num terreno minado, por conta desta instabilidade que eu acabei de falar, ninguém sabe o que é que vai acontecer desse próximo domingo em diante”.

Apesar do pé no freio e do temor de a instabilidade econômica aumentar , Guilherme assegurou que a prefeitura não vai reduzir os investimentos que vem fazendo na infraestrutura, até porque os recursos são do PAC e já estão disponíveis, e nem as ações na área social. O prefeito também destacou os acordos feitos com os servidores garantindo aumento real de salários, enquanto os agentes políticos (cargos de confiança) ficaram sem ajuste em seus vencimentos.

Na conversa, o prefeito comentou sobre a situação a que chegou a política de brasileira, o choque que vem se verificando entre defensores de cada lado, quando o simples uso de uma roupa vermelha pode levar a uma agressão. Para ele há risco de perda importantes para a vida dos brasileiros e também a retomada de ações contrárias ao interesse nacional, como a privatização do patrimônio nacional que resta, como a Petrobrás, a Caixa e o Banco do Brasil. “O jogo não é apenas o PSDB ir para o poder e tirar o PT, o que está em jogo são as nossas riquezas, para fazerem como a Vale do Rio Doce, que já foi torrada a preço de banana. Com certeza, eles vão continuar com essa onda de entrega das nossas riquezas naturais, é disso que se trata”.

Incisivo na defesa do seu partido e das conquistas obtidas durante os governos Lula e Dilma, Guilherme, no entanto, reconhece que houve erros. Aponta um: “Achar que podia haver conciliação de classes, trazer os mais ricos do país, ou seja, ou poder real do capital, para se harmonizar com distribuição de renda para aqueles que antes não tinham condição. É um erro que vem desde o início do governo Lula essa ideia de conciliação de classes”.

E critica a pouca mobilização do PT local na campanha em defesa da presidente Dilma e contra o impeachment. “O PT devia estar avançando mais. Não só o PT, as pessoas que estão entendendo a realidade. Agora, que a mídia influencia, influencia, infelizmente. Os partidos ditos progressistas, como o próprio PT, deviam estar realmente convocando a população, não por conta de partido, mas por conta dos avanços que o Brasil precisa ter”.

Como sempre, o BLOG provocou o prefeito de Conquista a falar de temas políticos locais que não são comentados por ele com frequência. Por que Odir deixou de ser pré-candidato a prefeito? Ele será vice? E Guilherme, vai coordenar a campanha de José Raimundo? Está empolgado com a campanha? “Agora eu quero conversar com ele, dizer quais as minhas expectativas de participação, não sou somente eu, é um grande grupo, tanto na campanha quanto num possível futuro governo. Mas com muito respeito”.

“Quando eu citei Odir foi porque Zé Raimundo já tem mandato, e é um bom deputado estadual, seria um prejuízo [a saída da Assembleia]. Mas, como me parece que ele é o nome que, digamos assim, tem mais apoio, até porque é conhecido, foi prefeito, então pra gente não existe trauma com relação a isso”.

BLOG – Prefeito, vamos começar por uma avaliação da gestão do ponto de vista econômico. No ano passado, a prefeitura teve duas ou três modificações de horário de funcionamento, especialmente nas unidades de saúde e fez um recesso e final de ano. Na época, o senhor explicou que isso se dava por necessidade de um ajuste em razão da queda de arrecadação. Neste aspecto, qual é a situação município hoje? A redução da arrecadação e dos repasses pode comprometer investimentos e ações da prefeitura em alguma área?

GUILHERME – Nós trabalhamos com o planejamento necessário para não sermos apanhados de surpresa. É muito ruim um governo trabalhar na base da improvisação, então, nós temos um planejamento constante. Houve, realmente, a redução de horas de trabalho nas unidades de saúde, sem prejuízo da população. Honramos, por exemplo, toda negociação que tivemos com todos os servidores com relação a aumento de salário, e demos aumento para todos acima da inflação, por tanto, um aumento real. Tanto para o servidor geral, para o professor, para os agentes comunitários de saúde. Só quem não teve aumento nenhum foi o prefeito e os agentes públicos, ou seja, os cargos de confiança, os secretários… reunimos e ninguém se queixou, ninguém ficou triste. Isso é o que nós entendemos que é o papel do governo nesse instante, que deve honrar justamente os trabalhadores da prefeitura, que o governo passa, mas eles ficam. Seria um prejuízo se a gente não honrasse isso.

Tanto que você é comunicador, e você não viu nas ruas nenhuma manifestação de nenhum servidor, porque não houve greve e nem manifestação, porque as negociações foram as mais abertas, foram rápidas e houve a concordância, eles entenderam também a própria situação que o Brasil vive, uma instabilidade política, complicando para o Brasil já em uma crise econômica mundial que o Brasil tinha tudo para estar ultrapassando muito bem, mas essa instabilidade política, gerada no Congresso Nacional, fez com que também o próprio governo federal segurasse, contingenciasse muitos recursos. Tem muitos municípios passando muitas dificuldades, que o município é onde as pessoas vivem e onde os problemas aparecem. Mas enfim, estamos trabalhando com esse planejamento e torcendo para que este ano não venham surpresas desagradáveis no campo político, afetando mais ainda as receitas do município.

BLOG – No caso específico de Conquista há previsão de prejuízo a alguma atividade? Os investimentos que serão mantidos?

GUILHERME – Como nós temos reservas nós vamos pisando devagar, como quem anda num terreno minado, por conta desta instabilidade que eu acabei de falar. Ninguém sabe o que é que vai ser desse próximo domingo em diante, mas nós estamos seguros com uma equipe muito equilibrada, muito afinada. Tanto que escolhi pessoas aqui de dentro, tanto na Secretaria de Finanças, Tesouraria, Administração, um pessoal que vai continuar aqui, são os servidores que têm mais interesse, além do governo, de preservar o governo, têm mais interesse de preservar o executivo municipal. Então eu tenho tido como as informações, as mais necessárias, pra gente ver onde segura um pouquinho, mas não tem risco de corte de investimento na infraestrutura. Nós estamos esperando uma usina de asfalto – que já compramos e já era para ter sido entregue até 30 de março e não foi, ficou para meados do mês de abril -, porque temos recursos para continuar fazendo as obras do PAC. Só dois municípios na Bahia conseguiram recursos do PAC e Vitória da Conquista conseguiu pela credibilidade que a prefeitura tem perante a esfera tanto do estado, quanto a esfera federal.

Mas a população fique tranquila, porque é caminho sem volta: essas creches vão ser entregues com equipe, com mobiliário e para festa das famílias, porque é muito importante o pai e a mãe deixar a criança num lugar seguro, como tem sido as nossas creches

BLOG – O prefeito falou em algumas entrevistas que creches para entregar, algumas escolas, quadras poliesportivas, escolas. Essas obras ainda não foram entregues em razão das dificuldades de dinheiro ou porque é um cronograma que está muito baseado no fato de ser este um ano eleitoral?

GUILHERME – Nós estamos fazendo creches, quadras poliesportivas excelentes, como no Vila América, que tem a quadra aberta só com alambrado, assim como estamos outras totalmente cobertas, como no Panorama, como no Miro Cairo. Veja, para trabalhar nessas creches, nós estamos formando as equipes, porque não é qualquer pessoa que pode tomar conta de criança, tem que ser pedagogos, psicólogos, pessoas qualificadas para essa tarefa. Além da construção, que é com recursos que conseguimos com o governo federal e contrapartida municipal, toda manutenção é por parte do município. E nós estamos estruturando essas equipes sempre com olho na Lei de Responsabilidade Fiscal – que ela não flexibiliza – para que a gente possa entregar sem nenhum trauma. Além disso, estamos providenciando a mobília, que todo o mobiliário dessas creches é específico. Já abrimos a licitação, e licitação demora, a Lei 8.666 é diferente: às vezes quem tem uma pequena empresa privada, que é empresário, ele sabe que bota a mão no bolso e compra; no setor público não, a gente abre a licitação, concorrência, e às vezes demora, mesmo depois que conclui a licitação, até a entrega desse material. Tudo isso são ajustes que estamos fazendo. Mas a população fique tranquila, porque é caminho sem volta: essas creches vão ser entregues com equipe, com mobiliário e para festa das famílias, porque é muito importante o pai e a mãe deixar a criança num lugar seguro, como tem sido as nossas creches.

BLOG – O senhor tem uma ideia em que mês elas estarão prontas?

GUILHERME – Possivelmente no segundo semestre, a partir do segundo semestre.

Então, está um momento que requer muito cuidado, requer o uso da nossa inteligência nacional, da população, para ver se o Brasil não entra num retrocesso profundo.

BLOG – Vamos trazer um pouco a questão política. O prefeito destacou que não sabemos o que vai acontecer no país, com reflexos em todas as instâncias, municípios e cidades, a partir de domingo. Qual o seu sentimento em relação ao que pode acontecer com esse pedido de impeachment?

GUILHERME – Eu estou preocupado. Porque existe um jogo pesado ali que está acontecendo com todos 513 deputados. O presidente da Câmara vai começar a votação, segundo eu soube, pelos deputados do sul do país, é onde tem a maior garantia de votação pelo afastamento da presidenta. Inclusive, ele alterou o regimento da Câmara em certos pontos para favorecer o resultado que ele está esperando. E a minha tristeza, como alguém disse, usando até a frase de Rui Barbosa, é que é uma verdadeira ruína moral comandando o processo do afastamento de uma presidenta contra a qual não existe nenhuma acusação, quanto mais crime de responsabilidade. Isso está espantando o mundo todo, o próprio jornal New York Times colocou matéria nesta semana exaltando a figura de Dilma, que contra ela não existe nenhum crime, nenhuma acusação e ainda que seja afastada por alguém que tem tantos crimes, inclusive em âmbito internacional, com contas não declaradas em paraísos fiscais, recebimento de propinas, distribuição de propinas. Então é uma coisa muito perigosa para o Brasil.

O que a grande mídia tem feito é disseminar ódio entre os brasileiros. Às vezes uma pessoa que está com uma camisa vermelha pode sofrer uma agressão. Eu soube, outro dia, que um apresentador de televisão foi obrigado a tirar uma gravata que era vermelha porque aquela estação de televisão disse que tinha que ser imparcial. Imagine a que ponto nós chegamos. Então, é uma coisa vergonhosa, é um retrocesso que a gente está vendo aí, pregando para todos os brasileiros. Existe uma pensadora que disse que a liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente de nós, que se todos nós pensamos mais ou menos igual a gente não está respeitando a liberdade de ninguém, a liberdade está justamente em respeitar aqueles que pensam diferentemente. E são justamente essas diferenças que fazem com que as pessoas avancem, cresçam no confronto das ideias, mas não é isso que está acontecendo no Brasil. As pessoas, até crianças, se estiverem com um boné vermelho ou alguma coisa, o pai já é ironizado na rua e pode haver até violência física por conta disso. Então, está um momento que requer muito cuidado, requer o uso da nossa inteligência nacional, da população, para ver se o Brasil não entra num retrocesso profundo.

BLOG – Proponho um exercício: tiremos a presidente Dilma do cenário, consideremos que não há essa discussão sobre o impeachment. O senhor diria que há algo a avaliar, um mea culpa partidário para que a situação chegasse onde chegou ou tudo isso seria uma fantasia de Sérgio Moro e da grande mídia? O senhor acha que o PT tem alguma culpa nesse processo de desgaste nacional? Como o senhor vê a notícia de que há até parlamentares falando do desejo de deixar o partido?

GUILHERME – Eu acho que há erros, sim. Mas eu não abandonaria o partido. Se eu sair do PT eu saio da política, porque eu me afino com o projeto do partido, um partido que tirou tanta gente da miséria, que está acabando com a pobreza. Nós estamos num Nordeste que acabou com o flagelado da seca, com os retirantes, os mortos da seca; que abriu universidades públicas para todos os jovens, os mais humildes, que tradicionalmente eram os mais discriminados e hoje podem, inclusive, estudar fora do país, pelo Ciências Sem Fronteiras, bancado pelo governo nacional do país, o governo federal. É claro que o projeto que se harmoniza com aquilo que eu acho que deve ser a política.

Mas houve muitos erros, inclusive, achando poder haver conciliação de classes, trazer os mais ricos do país, ou seja, ou poder real do capital, para se harmonizar com distribuição de renda para aqueles que antes não tinham condição, para valorizar a empregada doméstica, o afrodescendente, o índio, a questão da violência doméstica contra a mulher, contra a criança. Então, é um erro que vem desde o início do governo Lula essa ideia de conciliação de classes. É como diz Luiz Fernando Veríssimo, que eu cito um trecho, governar para os mais pobres, é uma afronta para o poder real, para o poder do grande capital. E a gente está vendo essa afronta, porque são bilhões e bilhões. Só o Bolsa Família, no ano passado, foram mais de 23 de reais nas mãos das mulheres mais humildes do Brasil. Agora, quantos bilhões no Minha Casa Minha Vida, extensão de redes elétricas com o Luz Para Todos, melhorando a qualidade de vida? Assim como o Plano Safra, o Pronaf, que eram só dois bilhões de reais em 2002 e ficava no sul do país, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, hoje são 24 bilhões de reais, inclusive aqui em Vitória da Conquista, com mais de 400 mil reais contratados por pequenos produtores rurais. Então o risco é o país perder isso, a população perder e a população voltar àquela situação de desemprego, de fome, de miséria e de abandono dessa população.

Eu acho que há erros, sim. Mas eu não abandonaria o partido. Se eu sair do PT eu saio da política, porque eu me afino com o projeto do partido, um partido que tirou tanta gente da miséria, que está acabando com a pobreza.

BLOG – O ex- presidente Lula disse que se a presidente Dilma for afastada ele não vai sair das ruas. Qual seria o comportamento o PT numa cidade Vitória da Conquista, de uma liderança como Guilherme Menezes, que posicionamento o senhor teria diante de um impeachment da presidente?

GUILHERME – Pois é, eu vejo com muita esperança a reunião de tantos intelectuais, de artistas, de sindicalistas, de lideranças rurais, da juventude, sobretudo da juventude, quando diz que não vai ter golpe, vai ter luta. A luta, se houver o afastamento da presidente, é a luta para que se continue brigando a boa briga, não com derramamento de sangue, mas pela democracia. Porque nós sabemos que desde Pedro Alvares Cabral, em 516 anos, nós não tivemos 50 anos de democracia, só um pedaço de democracia. Quando o povo começa a gostar de se organizar, a colocar suas demandas, tanto para o poder local, quanto para outras esferas de governos, e o Brasil começar a levantar a cabeça, aí os golpistas de plantão dão outro golpe, ou com as Forças Armadas ou o chamado golpe branco, com parte do Ministério Público, parte do Judiciário, parte da Polícia Federal e da grande mídia, como está acontecendo no Brasil.

É muito interessante que a nossa luta continue, no sentido de que as pessoas usem a sua inteligência, não economizem seus neurônios, parece que tem gente só usa dois neurônios, um para ouvir a notícia no jornal da televisão e outro para sair espalhando. Já tem gente usando três, o terceiro é para jogar no WhatsApp e no Facebook rapidamente e os outros todos ali adormecidos, com preguiça, tem gente que se ler um texto de cinco minutos já dá sono, os neurônios não estão acostumados, não têm sido chamados a refletir sobre as famílias, as condições de vida dessas famílias. Quanta gente que melhorou de condição… E às vezes as pessoas não estão olhando para dentro da própria vida, pra dentro da própria família e ver o quanto de possibilidade que há, de podermos dizer hoje, e neste município de Vitória da Conquista, que só não estuda quem não quer, as condições estão dadas. Pode se formar em Direito, Medicina, Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, em muitas outras áreas sem sair de Vitória da Conquista – e há poucos anos não era assim. Você vê que em oito anos de Fernando Henrique, um sociólogo, um professor, doutor reconhecido dentro e fora do Brasil, não se construiu uma universidade federal, os oito anos de Lula, que era dito o bruto, analfabeto, ele construiu 14 universidades federais, mais de 200 escolas técnicas, mais de 40 campus de extensões de universidades, como o campus de Vitória da Conquista, Anísio Teixeira, que já está caminhando para o vestibular de medicina, que é o primeiro passo para a Universidade Federal de Vitória da Conquista e do Sudoeste, do centro-sul da Bahia.

Então, são avanços inquestionáveis. Eu acho que tudo isso deve nos chamar à reflexão, para quem gosta de política, para quem não gosta. Pra gente não interessa. “Ah eu gosto do PT” ou “não gosto do PT”, um é coxinha o outro é petralha, isso é bobagem. O que interessa é a vida dos nossos filhos, são as nossas vidas, melhorar a qualidade de vida de todo mundo, é isso o que me preocupa. Eu estou vendo a inteligência nacional, a juventude como eu disse, grandes artistas, defendendo isso. É claro que entre Chico Buarque e Lobão, eu fico com Chico Buarque.

BLOG – O senhor já ouviu Lobão?

GUILHERME – Não conheço nenhuma música dele, não. Agora de Chico conheço todas, ouço  e gosto. É um operário em construção, como tantos outros, Aldir Blanc, com João Bosco, por exemplo. Como você vê nos movimentos do Rio (de Janeiro), é de encher os olhos, tanta inteligência, tanta criatividade, tanta arte. Será que este povo está errado? Será que eles estão querendo poder, eles que passaram pelo golpe de 64? Quanta gente foi espancada, foi presa, como dizia Aldir Blanc, quanta gente que sumiu no rabo de foguete, isso pra nunca mais. Mas é isso, é um país hoje que é diferente de 64. Agora, que angustia a gente angustia. É a dúvida do que possa acontecer domingo a partir de domingo. E não era para ter dúvida.

As pessoas têm que atentar para isso e esquecer essa coisa de coxinha contra petralha, isso é bestagem, parece um bocado de crianças e adolescentes abobalhadas, só nos leva ao enfraquecimento.

BLOG – Por que o que está acontecendo Rio de Janeiro não ocorre no restante do país com a mesma intensidade? Em Vitória da Conquista, à exceção daquela grande caminhada do dia 18 de março, não se vê uma ação mais forte do próprio Partido dos Trabalhadores, que está silencioso aqui em Conquista, ou pelo menos não está fazendo uma pressão social, um diálogo mais efetivo com a sociedade. O senhor acha que a mídia já influenciou a população, mesmo a população mais simples, de forma tal que as pessoas estão tomadas pela dúvida ou pelo medo e se calaram?

GUILHERME – Eu acho que o PT devia estar avançando mais. Não só o PT, as pessoas que estão entendendo a realidade. Agora, que a mídia influencia, influencia, infelizmente. São poucas famílias que comandam a grande mídia no Brasil, a maior concentração de poder de informação do mundo. E não adianta, você vê que a mídia em 64 ajudou a planejar e fazer aquele golpe, e depois de tantas mortes, sob tortura, e desaparecidos, de tantas pessoas que, mesmo depois de terem sobrevivido às torturas, se mataram, até fora do Brasil, porque o peso da lembrança era cruel, cinquenta anos depois a televisão põe um âncora para reconhecer que participou do golpe, e já começa a organizar um outro golpe. Então se a população não entende isso, é uma tristeza muito grande. E os partidos ditos progressistas, como o próprio PT, deviam estar realmente convocando a população, não por conta de partido, mas por conta dos avanços que o Brasil precisa ter, porque o Brasil é um paraíso na terra.

Hoje mesmo eu estava vendo uma reportagem feita na Rússia (tem um jornalista brasileiro lá, em São Petersburgo): durante todo ano tem apenas 79 dias de sol, o Brasil tem o ano todo, com esse reator atômico chamado sol gerando energia o tempo todo; são oito milhões de quilômetros quadrados de terra fértil, de água, de gente para trabalhar. Então, isso é um paraíso na terra, com petróleo, agora com o pré-sal, com a Petrobrás, que detém a melhor e maior de tecnologia de prospecção em águas profundas. Os Estados Unidos, por exemplo, eles não têm uma reserva de petróleo, aí agora encharcaram o mundo de petróleo, Estados Unidos, Iraque e Arábia Saudita jogaram o preço lá para baixo, para atingir as economias da Rússia e da Venezuela, que detêm as maiores reservas de petróleo do mundo, além de gás natural e carvão.

O jogo não é apenas o PSDB ir para o poder e tirar o PT, o que está em jogo são as nossas riquezas, para fazerem como a Vale do Rio Doce, que já foi torrada a preço de banana e ninguém viu nenhum avanço quando perdemos dito maior patrimônio mineral da terra, que foi a Vale do Rio Doce; o que fizeram com a Siderúrgica Nacional, a Telebrás, com o sistema elétrico brasileiro, gerando renda lá para a Espanha, tudo torrado nos cobres. Com certeza, eles vão continuar com essa onda de entrega das nossas riquezas naturais, é disso que se trata. O que está em jogo é a Petrobrás, que eles já tinham um nome, Petrobrax, e o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, por exemplo. Então, as pessoas têm que atentar para isso e esquecer essa coisa de coxinha contra petralha, isso é bestagem, parece um bocado de crianças e adolescentes abobalhadas, só nos leva ao enfraquecimento.

BLOG – A gente tem que concordar que num país onde a imensa maioria das pessoas não tem o hábito da leitura, não tem o hábito da informação ampla, a preocupação maior é com o imediato. É difícil você explicar, com todo o respeito a um morador da zona rural ou de um bairro mais periférico, que a vida dele vai mudar para pior se a Caixa ou o Banco do Brasil forem vendidos, porque do ponto de vista do dia a dia, mesmo com a Vale do Rio Doce sendo vendida a preço de banana, a vida dele melhorou. Quando Lula entrou tudo já estava vendido e, como o senhor mesmo diz, tudo melhorou no Brasil.

GUILHERME – E Lula não vendeu nem uma salinha 3×4, nada, nada do patrimônio nacional. Libertou o Brasil do FMI. Os visitadores do FMI quando chegavam aqui diziam que vinham ver se o governo estava fazendo o dever de casa, imagina, como se o governo brasileiro fosse um adolescente irresponsável. O presidente falou: “Não, quem tem que conduzir a nossa economia somos nós. Quanto é que deve?” Tanto. E de devedor o Brasil passou a ser credor do FMI. A gente tem que entender isso e os prejuízos que nós podemos ter. Refletir e ler naquele sentido que Paulo Freire ensinava: saber ler é entender o que está lendo, não é apenas ker as palavras ali e depois não entender nada. A gente tem que refletir realmente, fazer uma leitura crítica e ver com desconfiança que cada notícia que vem pela televisão, pelo rádio, pelo jornal, porque ali tem interesses dos mais ricos. Imagine uma família que detém, cada um 50 bilhões reais de fortuna, nunca entrou nem na casa de família da classe média, não sabe a vida de um desempregado, de um trabalhador rural, de alguém que sonha em ver um filho estudar e não pode. Então, são interesses totalmente diversos, e às vezes leva a população a achar que eles estão, que a grande mídia está na defesa do povo brasileiro.

BLOG – O senhor acredita que essa má fase nacional e a influência da mídia ajudaram a modificar a intenção de votar da população?  Acha, por exemplo, que a população de Vitória da Conquista está pensando em votar contra o PT em outubro?

GUILHERME – [O objetivo da mídia] É essencialmente isso, mudar, aliás, castrar o poder de decisão do povo brasileiro e influenciar para um lado. O grande medo que eles têm é Lula em 2018. Lula, por causa de uma canoa que D. Marisa deu pra ele, de quatro mil reais, um barquinho de alumínio, e um pedalinho que ela comprou por dois mil reais pros netos. Isso vale mais do que os bilhões e bilhões que estão aí fora do Brasil pela corrupção. Desde o Banestado, que foram mais de 120 bilhões de reais, naquela época, que era mais do que as reservas cambiais que o Brasil tinha e morreu tudo, ninguém investigou. Essa Lava Jato, eu tenho certeza, que se a presidente Dilma cair, vai morrer, porque tem muita gente poderosa no Brasil implicada ali, tai o Panamá Papers, essas offshores, essas empresas fajutas que se criam para lavar dinheiro. Claro que eles vão sepultar tudo aquilo, só interessou pegar gente do Partido dos Trabalhadores e alguns empresários, para destruir, inclusive, as empresas de construção civil no Brasil, quando quem está errado é o empresário e ele devia ser punido, não a empresa. Mas tem muita coisa aí que entristece a gente, toda essa luta é evitar, em grande parte, Lula em 2018. Você viu agora ele com 22% de intenção de voto e Michel Temer com 1%, mesmo depois de todo massacre, de todas as críticas, e a discriminação contra o nordestino, que é muito grande.

BLOG – Mas trazendo pro nosso cenário, dá para medir a influência dessa campanha toda em relação à população de Conquista, na avaliação, por exemplo, do seu governo ou da candidatura do PT?

GUILHERME  – Eu acho que pode influenciar. Mas a população de Conquista é uma população, eu não diria bairrista, mas ela delimita muito o processo eleitoral para o município e para outras esferas do governo. Até porque ela sabe que quem ganha ou perde eleição não é candidato, é a população. Se ela escolhe errado o candidato vai continuar sua vida e a população é que vai pagar caro em mortalidade, como era antes a mortalidade infantil em Conquista; no alfabetismo; na infraestrutura da cidade; no desemprego. Então a população de Conquista pensa assim, pelo menos até agora foi assim. É importante que a população não perca de vista isso e escolha o melhor projeto que os partidos e os candidatos vão apresentar este ano.

BLOG – Com a eleição de Zé Raimundo, em 2002, mais a de prefeito que o senhor disputou em 1992 e as de deputado, foram nove eleições com sua participação direta…

GUILHERME – Foram sete eleições que nós vencemos, foram quatro para prefeito, duas para federal e uma para estadual. Em 92, foi para gente uma surpresa, que era para ter 2000 votos e tivemos quase 14 mil votos.

BLOG – A eleição deste ano me parece já ser a mais difícil de todas que o senhor já enfrentou, concorda?

GUILHERME – É a mais diferente, porque muito mais curta, é um tempo muito menor, eu não sou candidato, vou continuar prefeito, apoiando o nosso candidato, os nossos candidatos. E teve a dispersão da Frente Popular, que foi uma frente vitoriosa, durou 24 anos, e agora todo partido da frente tem todo direito de apresentar suas candidaturas. Mas eu acredito que no segundo turno estaremos juntos, porque os nossos projetos eles se afinam em muitos pontos. Não queremos é que alguém, digamos, algum partido que não tenha um projeto que seja bem assimilado pela população de Conquista chegue à prefeitura, porque é uma prefeitura dificílima, não é um piquenique, aqui o trabalho é de domingo a domingo, com muita atenção, com uma equipe que precisa estar totalmente afinada. Não se pode estar fazendo leilão de cargos, de secretarias, porque, sempre eu digo, nós não temos nem água, tem municípios aí que têm royalties de petróleo altíssimos, com polo petroquímico, com ISS e ICMS lá em cima, já nós não temos nada disso. Então, requer um rigor muito grande do próximo prefeito, do próximo governo que chegar aqui. Nós queremos entregar a prefeitura da melhor forma. E, vamos apresentar com certeza o nosso projeto mais uma vez, mas cabe a cada um, a cada uma, escolher o melhor projeto que a sua consciência mandar.

Odir voltou-se para o grupo que o tinha colocado e, mais uma vez, disse que não queria participar de prévias, até porque não havia condições dele ganhar as prévias entre os filiados. Ele falou: se nós perdermos temos que respeitar o resultado, então se é para respeitar o resultado, antecipa logo e acaba com qualquer divergência interna com relação a isso.

BLOG – O que levou a decisão de apoio a Zé Raimundo, eu pergunto isso porque – não apenas pelo que o senhor falava, mas por históricos e pelas interpretações permitidas – era considerado praticamente certo que o senhor não iria apoiar Zé Raimundo, e se chegou a comentar na cidade, o senhor não fez muita questão de omitir isso, que o senhor poderia até deixar a política ou partido se Zé Raimundo fosse candidato. Qual a razão da mudança de posição? Foi a situação nacional ou foi o fato de que Herzem está bem à frente?

GUILHERME – Não, não houve isso. Eu cheguei a dizer que se eu saísse do PT – porque se gente entra no partido tem o momento de entrar e o momento de sair – eu estaria saindo da política. Se alguma contribuição eu trouxe para Conquista, o meu tempo eu acredito que chegou a um bom limite. Mas jamais cheguei para o partido e disse: eu quero sair, me desfiliar, isso nunca houve. Segundo, divergências políticas com o deputado Waldenor, com o deputado Zé Raimundo, sempre tivemos, há muito tempo, mas não no campo ético, porque no campo ético é irreversível: “não lhe apoio porque você é isso aquilo, usa de desonestidade com recursos públicos”, isso nunca houve. Quando a gente tem divergências no campo político e o partido tem muitas tendências – e eu sou até contrário, isso já disse -, isso não implica em não apoiá-lo.

Como você sabe, já havia dois nomes lançados como pré-candidatos a prefeito e eu lancei o nome de Odir, porque foi um grupo que me trouxe o nome de Odir, pelo conhecimento que ele contém do governo e pela sua reconhecida honestidade. É como povo brinca, pode dar ouro em pó que ele devolve com todos os grãozinhos. E também pela austeridade que ele tem com as contas públicas, então eu coloquei o nome dele. Não seria um candidato tradicional, como eu também nunca fui. Depois que eu coloquei o nome dele acordou um pouco o partido; como demorou novamente, eu propus prévias, aí o partido tornou a acordar e cada candidato foi à busca dos filiados para ter votação. Depois eu me reuni, principalmente com Zé Raimundo, porque o próprio Odir voltou-se para o grupo que o tinha colocado e, mais uma vez, disse que não queria participar de prévias, até porque não havia condições dele ganhar as prévias entre os filiados. Ele falou: se nós perdermos temos que respeitar o resultado, então se é para respeitar o resultado, antecipa logo e acaba com qualquer divergência interna com relação a isso e vamos trabalhar a pré-candidatura, estamos em um momento de pré-candidatura, e deixar o povo de Vitória da Conquista decidir sem trauma.

2016-03-08 22.34.59

Guilherme quer acertar os ponteiros com Zé Raimundo

BLOG – Qual é o seu nível de empolgação com a candidatura de Zé Raimundo, considerando que ele não era o seu candidato inicial?

GUILHERME – Agora eu quero conversar com ele, dizer quais as minhas expectativas de participação, não sou somente eu, é um grande grupo, tanto na campanha quanto num possível futuro governo. Mas com muito respeito.

BLOG – O senhor tem vontade ou toparia ser o coordenador da campanha de Zé Raimundo?

GUILHERME – Não, eu não seria um bom coordenador, eu nunca coordenei, eu sempre fui convidado a ser candidato pelo partido e aceitei esses desafios. Eu não seria um bom coordenador, eu reconheço isso. Agora, quando eu citei Odir foi porque Zé Raimundo já tem mandato, e é um bom deputado estadual, seria um prejuízo [a saída da Assembleia]. Mas, como me parece que ele é o nome que, digamos assim, tem mais apoio, até porque é conhecido, foi prefeito, então pra gente não existe trauma com relação a isso.

11 - DSC_4674

Odir ainda pode ser o vice. Guilherme o queria candidato a prefeito

BLOG – Então, Odir foi quem primeiro decidiu que não disputaria a prévia, ou seja Odir foi o grande estimulador da conversa que gerou a unidade?

GUILHERME – Foi. Mesmo no primeiro momento em que foi indicado ele não aceitou. Ele falou: “Nunca fui candidato, não me interessa, eu gosto é de ajudar”. Como sempre eu disse, eu sou carregador de piano, eu não sou concertista, tem que ter um bom concertista pra gente botar o piano no lugar devido, é o caso dele também. Então, a gente está trabalhando. Tornou o mesmo grupo a trazer para dentro partido o nome dele para uma vice, ser vice de Zé Raimundo, e ele está analisando, se chegar esse momento, se ele aceita ou não.

BLOG – Pelo que eu sei todo mundo quer, inclusive Zé Raimundo, só faltaria Odir dizer sim?

GUILHERME – É, ele tem ponderado também com relação a isso. Poucos conhecem esse governo como Odir Freire. E tem o seu rigor também, e tudo isso ajuda. O conhecimento da máquina ajuda muito quem vai administrar o município.

Com relação a retaliação à minha pessoa ao nosso governo, eu não sei. Eu não retaliei governos passados, nunca citei, por exemplo, o nome do ex-prefeito anterior a mim em nenhuma entrevista.

BLOG – Prefeito, qual seria o seu maior temor se o PT perdesse a eleição e o eleito fosse, por exemplo, Herzem Gusmão? Se o PMDB ganhasse a eleição, o senhor acha que o ritmo da ação social desenvolvida pela prefeitura seria quebrado? Teme uma retaliação de alguém que entre na prefeitura e queira perseguir os membros do governo anterior? O que senhor imagina que pode acontecer se o PT perder a eleição?

GUILHERME – Veja, Conquista hoje é uma cidade muito mais organizada do que era, os movimentos sociais, o orçamento participativo… Você viu o último congresso, 11º Congresso do OP, a empolgação, o vigor e o orgulho daqueles delegados estarem apresentando as prioridades dos seus povoados, de seus bairros. Então, se quem entrar aqui tiver uma boa relação com esses movimentos já sai ganhando muito. Se não, se houver um isolamento, eu acredito que vai ser um prejuízo. É claro que a sociedade organizada vai exigir dos seus governantes o máximo de atenção.

Com relação a retaliação à minha pessoa ao nosso governo, eu não sei. Eu não retaliei governos passados, nunca citei, por exemplo, o nome do ex-prefeito anterior a mim em nenhuma entrevista. O que eu tinha dúvida eu entrei com ação da forma a mais discreta, e deixei que a Justiça definisse para que lado eu devia ir – e esbarrou aí. Mas eu sei os riscos que corre quem entra na política, quem ganha uma prefeitura tão difícil e sai com a consciência tranquila. Para mim, o meu principal juiz é a minha consciência.

É possível que eu tenha errado muito, pela minha característica. Como eu disse, eu não tenho nada do político tradicional, gostaria até de ter, estar conversando, andando mais, indo pelas ruas visitar as pessoas, mas eu não tenho tempo.

BLOG – Prefeito, tanto o PCdoB quanto o PSB, e também a oposição, todos eles usam o mesmo argumento para explicar porque são candidatos e querem a mudança. Eles argumentam que o senhor dialoga pouco, que houve excessiva centralidade e um poder de decisão concentrado no senhor. Isso o PSB disse recentemente, Alexandre disse, Gildelson disse, Fabrício tem dito. O senhor se sente responsável pela dispersão da Frente, ou acha que há uma grande injustiça nisso?

GUILHERME – Veja: desde 1992 a Frente teria como responsabilidade criar o Conselho da Frente, cada partido com representantes para estar dialogando com o governo, isso nunca foi criado. O prefeito – eu não estou aqui me defendendo -, mas o prefeito de uma cidade como Conquista, ou qualquer cidade, ele tem que dar conta de todas as informações, de todos os setores, isso eu procuro fazer, com cada gerente, cada coordenador, cada secretário, com cada servidor que me procura. Isso não é centralizar, eu tenho que saber que cada secretário está fazendo e como está fazendo também. Mas, a relação entre as pessoas não é fácil dentro de uma família, imagine dentro de um governo tão amplo quanto é o nosso. E respeito a posição.

É possível que eu tenha errado muito, pela minha característica. Como eu disse, eu não tenho nada do político tradicional, gostaria até de ter, estar conversando, andando mais, indo pelas ruas visitar as pessoas, mas eu não tenho tempo. Corro a cidade toda manhã, mas de uma forma mais silenciosa, vejo as coisas e vou ligando para os secretários. Eu acho que eu não tenho que fazer sucesso, é o governo que tem que aparecer, não é o gestor. Mas, enfim, são formas diferentes de lidar com a administração pública. Mas, respeito profundamente todas essas opiniões, todas as críticas, eu colho e procuro melhorar, que é a partir dessas críticas honestas que a gente pode melhorar um pouquinho a vida da gente.

BLOG – O senhor admitiria que o diálogo político, ouvir os parceiros para encaminhar o governo, ficou mais distante, mais esporádico? Os que observam isso não o fazem comparando com um período anterior da sua própria administração, em que o senhor talvez tenha sido mais aglutinador, ouvia mais?

GUILHERME – Eu acho que até que são as rotinas, são os riscos. Você não imagina o que é lidar com tantos percalços, dificuldades: Tribunal de Contas dos Municípios, Ministério Público – cada um cumprindo com o seu trabalho -, uma receita tão pequena para demandas tão grandes, e você tem que dar conta e as contas fecharem. Isso toma muito trabalho do gestor. Eu nunca tive férias, desde 92, pra você ter uma ideia. Nunca, enquanto prefeito, porque o prefeito ele não tem direito nem a férias, nem a décimo-terceiro, nem nada, é trabalho direto, direto, então isso às vezes isola a gente até dos outros parceiros. Mas, tenho por eles a maior consideração, mesmo aqueles que, às vezes, me direcionam críticas ásperas, mas eu gosto de aprender com as críticas.