Vice-prefeita de ACM Neto bate em Temer e, ao lado de Esmeraldino, diz que Herzem é o candidato dela

Posted on terça-feira, 24 maio 2016

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Célia Sacramento

Célia e Herzem (na ponta da mesa) no lançamento da pré-candidatura de Esmeraldino. Foto: Blog do Anderson

Na sexta-feira passada (20), a vice-prefeita de Salvador, parceira do prefeito ACM Neto na administração da capital baiana, foi a principal convidada para o evento de oficialização da pré-candidatura do coronel da reserva da PM, Esmeraldino Correia (PPL), além do presidente do partido na Bahia, Ubirací Dantas, e do deputado estadual Herzem Gusmão (PMDB), também pré-candidato a prefeito de Vitória da Conquista.

O PPL (Partido Pátria Livre) apresenta-se como forte nacionalista, “referenciado até em Tiradentes, que defende o modelo de nacional-desenvolvimentismo”. Segundo a Wikipedia, em texto que tem tudo para ter sido escrito por membro do partido, “a criação do PPL foi impulsionada por membros do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), uma organização revolucionária, de esquerda radical e guerrilheira, surgida em 1969 com o fim da Dissidência Guanabara (dissidentes do Partido Comunista Brasileiro do Rio de Janeiro) e que a partir dos anos 1980 passa a atuar como uma ala do Movimento Democrático Brasileiro (atual PMDB)”.

Nas eleições presidenciais de 2014, o PPL apoiou a candidatura de Marina Silva e aconselhou o voto nulo no segundo turno. E na atual fase, de Operação Lava Jato e de governo interino de Michel Temer, o PPL afirma que “a solução para a crise passará pela saída do poder destes traidores que são responsáveis pela crise” e que a trocar Dilma por Temer seria acender o estopim. A vice-prefeita de Salvador, ainda que longe do epicentro do furacão, colocou um pouco mais de fogo no estopim, em uma fala contundente que levou Herzem Gusmão a sair antes de o evento terminar, visivelmente constrangido.

Mas o constrangimento de Herzem não deve ter sido maior do que o do Coronel Esmeraldino. Embora estivesse ali para prestigiar o lançamento da pré-candidatura do correligionário, Célia Sacramento demonstrou mais de uma vez que o pré-candidato de sua preferência e, certamente, do seu partido, já que não foi contestada, é o radialista. E ela disse isso pelo menos três vezes, pelo menos por ironia. Na primeira, ao explicar porque faz parte do governo de Neto em Salvador e critica Temer com tanta veemência. Célia disse que o prefeito de Salvador, “ apesar de estar lá com Temer, ele, na cidade de Salvador, é diferente”, e disse mais: “ele está lá com Temer porque ele precisa, porque de agora em diante é a política da cuia”.

Foi a introdução para explicar porque, na opinião dela, Herzem Gusmão é o melhor candidato. Foi o primeiro momento em que ela o tratou como “nosso candidato”, ao invés de emprestar a Esmeraldino tal condição. Como Herzem é do mesmo partido de Temer, o PMDB, Célia Sacramento tentou fazer uma ressalva. “Graças a Deus que o nosso pré-candidato a prefeito, daqui da nossa cidade, o nosso deputado Esdras (sic) Gusmão, tem uma visão diferenciada, porque senão ia ser problema”. Se dirigindo ao peemedebista, disse: “O senhor é igual a ACM Neto”.

E prosseguiu: “Por exemplo: o melhor candidato hoje para Vitória da Conquista é o nosso pré-candidato Ésdrem (sic) Gusmão. (…) Por quê? Porque está na situação do presidente [Temer]. É ou não é? É, gente. Porque agora vai ser a política da cuia. Quem é amigo recebe. Porque esse presidente, ele acabou com a políticas públicas (…). Mas o doutor Ésder Gusmão é comprometido com essa política, ele vai lá e bate na porta: ‘Não presidente, eu preciso de recurso para construir a delegacia para a cidade”. E o recurso vem. Entendeu, pessoal, é assim. Quando tem política pública, não, independente de ser amiguinho, vai ter que vir”.

Célia Sacramento terminou o discurso dizendo que em Vitória da Conquista as pessoas descobriram que sozinhas não conseguirão apagar o fogo da floresta, “que vem pegando fogo há 20 anos”, referindo-se ao governo do PT. “Precisamos nos unir, porque vários beija-flores juntos formam uma chuva”. Conclamou a unidade dos partidos e pré-candidatos do mesmo campo, mas não disse que o pré-candidato do PPL, o partido inspirado no MR-8, é o Coronel Esmeraldino. Nem consertou o nome de Herzem, que foi embora visivelmente chateado, logo depois da fala de Ubirací Dantas. A presidente do PMDB e principal coordenadora de pré-campanha de Gusmão, Geanne Oliveira, saiu antes, durante a fala de Célia Sacramento. Os dois deixaram o evento à francesa, sem se despedir.

OUTRAS PÉROLAS DE SACRAMENTO:

Sobre ACM Neto:

“Vejam que cara inteligente. Sabe quantas secretárias ele tem? Três. A procuradora, a da Reparação e da Ordem Pública. Mas ele não podia ter só três e ainda trouxe a vice-prefeita”.

“Tem vários negros (no governo). Acho que tem três negros fazendo parte da gestão”. (Salvador é a cidade com a maior população negra do Brasil. Segundo o IBGE, somando os que se declaram negros e pardos, são 80% da população de quase 3 milhões de habitantes).

“Eu posso falar de Temer, mas o prefeito está bem lá com ele e os recursos vão chegar pra Salvador”.

Ouça o áudio com o trecho final do discurso da vice-prefeita de Salvador: