Eron votou contra Cunha, mas… Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Maldita Geni!

Posted on terça-feira, 14 junho 2016

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Para começar, deixa eu dizer que fui e sou contra o impeachment, acho o deputado Eduardo Cunha um bandido e me impressiona, ainda, que ele consiga ter essa força, que era a mesma com Dilma e Lula, que com ele negociavam, “dentro da normalidade política”. Jamais votaria nele e também contesto quem o apoia ou a outros políticos como ele. Faço-o no debate, no exercício do meu direito de expressão e de pensamento, com o esforço do respeito pessoal e humano. Eu estava entre os que queriam que Tia Eron votasse a favor do pedido de cassação de Cunha no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Como estou entre os que pressionam para que o plenário o afaste de uma vez e que os tribunais determinem sua inelegibilidade. Mas…

Há um setor da política e do pensamento nacional que se tem por ungido. Um grupo se acha o único e fiel depositário da verdade e da honestidade. Quem faz parte desse grupo – que não é pequeno – entende que tudo pode, especialmente dizer o que quiser sobre quem quer que seja. A depender do que está em pauta, pessoas não são mais pessoas, são coisas abjetas, esculhambáveis a 150 decibéis ou letras garrafais, letreiros de puteiro.

Tia Eron

Deputada fez o que se esperava dela, mas ainda é alvo de ataques

Pela sua posição política e por, provavelmente, ter sentido medo como qualquer humano, pisaram na deputada Eronildes Vasconcelos Carvalho, a Tia Eron, como se pisa em uma bimba de cigarro mesmo que ela já esteja na poça de água suja. Juízes da história alheia, deram à mulher epítetos equivalentes aos tiros de AR-15 que o louco disparou na Pulse.
 

Talvez ferida ou talvez porque tratada para suportar, a deputada foi lá e votou como todo mundo queria, embora aquele grupo ungido de que trato no início não acreditasse que ela o faria, por tê-la como maldita. Eronildes fez, dando início à condenação de Cunha. Porém, depois de ter votado contra aquele a quem considerava amigo (e por isso era atacada), ela não obteve, com seu voto no Conselho de Ética da Câmara, a sua própria absolvição. Afinal, ela votou como todo mundo queria, mas ainda é a mulher negra que a esquerda, o feminismo e a intelectualidade do topo do ranking dos bons, sérios e capazes, disseram que não podia falar como mulher, nem como negra, nem como nordestina, pois parece ser de direita, de um partidinho desses que se vendem, votou a favor do impeachment e, condenação final, é evangélica… da Universal.

Ainda está sendo cuspida e pisada a tal da Tia Eron, nos twitters dos cérebros privilegiados, da casta política nacional, esta detentora absoluta da verdade e da razão. Me lembra Geni e o Zepellim considerando que onde se fala em asco se pudesse falar em prazer, pois a deputada estava do lado do mau, o que não desfaz a analogia e nem explica essa animalidade que se viu contra Eronildes e que se espalha como bactéria nas redes sociais e classifica as pessoas, na política e, por extensão, na vida, como bons e maus, entendendo-se como ser mau ter opinião diferente e defender uma posição na qual se acredita, ainda que do lado tido como errado, seja pela mídia ou pelas cartilhas partidárias.
 

Vota contra Cunha, vai, Eron!
Vota contra Cunha, vai, Eron!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Maldita Eron!
 

Joga pedra na Eron!
Joga bosta na Eron!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Eron!
 

A letra de Chico, completa.

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato

E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: “Mudei de ideia!”

Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir

Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro

Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco

Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado

Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!