Guilherme faz esforço, mas ausência de Zé Raimundo é sentida

Posted on terça-feira, 14 junho 2016

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No início desta noite, o prefeito Guilherme Menezes chamou ao Salão Dom Vital, anexo à Catedral de Nossa Senhora das Vitórias, os detentores dos cargos em comissão no governo, conhecidos como cargos de confiança. O assunto da reunião, dita informal, foi política. Guilherme está preocupado com o futuro do país, temeroso que a crise política se alongue, interferindo na economia e prejudicando as finanças municipais. Quer terminar bem seu mandato, sem deixar pepinos para o sucessor – e nem para si, já que, como ele mesmo diz, poderá ficar sendo notificado por tribunais por um tempo depois de sair do mandato de prefeito.

Na saída da reunião, alguns dos participantes disseram que o prefeito estava bem-humorado e quis chamar a atenção da equipe para as dificuldades e a necessidade de manter o esforço para economizar e não parar os serviços e projetos em andamento. Quem pôde se desviar da pergunta se a reunião havia tratado de sucessão municipal o fez. Sem muito sucesso, porque, afinal, era, ao fim e ao cabo, a maior preocupação. Nem Guilherme nem qualquer um dos cargos de confiança querem entregar a administração à oposição, seja ela a hard, representada por Herzem Gusmão, ou a soft, representada pelo PCdoB de Fabrício Falcão, ou PSB, de Alexandre Pereira.

Segundo uma fonte que transita no gabinete e no PT, ficou definido que o deputado estadual José Raimundo Fontes, pré-candidato a prefeito pelo partido, deve ser convidado para todo e qualquer evento do governo, principalmente aqueles que tiverem público e, em especial, gente da administração. A decisão, do próprio prefeito, cumpriria alguns objetivos importantes: demonstrar para o público interno e externo que as duas lideranças (Zé e Guilherme) estão harmonizadas; ajudar na exposição e visibilidade do candidato e propiciar um clima de entusiasmo na clientela interna, com vistas à (difícil) disputa de dois de outubro. A a reunião desta noite no salão paroquial, a segunda reunião com o pessoal de frente do governo este mês, seria uma dessas oportunidades. Mas, votação importante de interesse do governo estadual na Assembleia Legislativa obrigou Zé Raimundo a faltar.

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Convite de Zé Raimundo para ato em Jânio Quadros

Zé Raimundo discursa em Jânio Quadros

Zé Raimundo discursa em Jânio Quadros, sob olhar atento de Waldenor (10 de junho de 2016)

Mas, Zé tem faltado mais, dizem alguns. Na reunião anterior,no mesmo Salão Dom Vital, ele também não esteve, embora fosse quinta-feira e ele estivesse na cidade. Ou não. E aí surge a contrariedade, ainda que silenciosa, do pessoal que quer ver a campanha ganhar intensidade e dinamismo, afinal, a lei eleitoral reformada permite isso. Zé Raimundo tem sido deputado, muito mais, e não consegue ser pré-candidato como se espera. “Vive para cima e para baixo, em eventos em outros municípios, com Waldenor”, resmungou um petista bem robusto. E ele não inventa nem reclama sozinho. Basta dar uma olhada nas páginas do Facebook dos dois deputados para ver a predominância da agenda regional em detrimento da local.

Claro que a queixa contém o exagero e a ansiedade de quem está preocupado com a sequência de atos e notícias dando conta da atividade de pré-campanha dos adversários, Herzem Gusmão, em especial. Zé Raimundo compareceu – e falou – em eventos como a Conferência das Cidades e de comemoração da Semana do Meio Ambiente. Mas o pessoal parece querer um pouquinho mais de pique. Afinal, a coisa não está fácil. Uma pesquisa encomendada pelo governo estadual e realizada na semana passada mostra que o inimigo avança sobre as trincheiras.