Joás Meira (PSB), sobre candidatura a prefeito contra PT e PMDB: “Não somos gafanhotos perto de gigantes”

Posted on terça-feira, 5 julho 2016

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Quem via o vice-prefeito de Vitória da Conquista, Joás Meira, em eventos políticos, nas mesas dos eventos oficiais, discreto, quase sempre calado, pode ter uma impressão errada da sua disposição para uma campanha eleitoral. O Joás que estava no auditório do CEMAE*, na quinta-feira passada, por exemplo, sentado ao lado do deputado José Raimundo Fontes, pré-candidato a prefeito do PT, era o vice-prefeito respeitoso, que quase todo mundo pensava que seria também vice na chapa de José Raimundo. Por isso ele optou por uma discrição maior ainda. Havia tomado uma importante decisão que não poderia demonstrar ali, de maneira acintosa. Tinha que esperar as próximas horas para desfazer as falsas expectativas. Por isso, ficou quase em silêncio.

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Joás (esquerda) deve marchar separado de Guilherme e Zé Raimundo. Pelo menos no 1º turno.

O mesmo Joás discursou para militantes do seu partido, o PSB, em reunião na noite de ontem. A diferença notável é que, diferente da postura vista no CEMAE, o político disposto a enfrentar batalhas difíceis pelo que acredita se apresentou. Sem arroubos, mas demonstrando grande confiança, Joás disse sim à candidatura a prefeito. Fez todas as ressalvas ao prefeito Guilherme Menezes, destacou quanto pôde o desempenho da administração e do projeto que já dura 20 anos; falou da necessidade de uma campanha respeitosa, sem “dar pauladas e sem fazer críticas vazias”, mas afirmou que Conquista precisa de “um plus, precisa algo mais”, que ele acredita que o PSB possa dar, pela “experiência administrativa acumulada” e porque pode “buscar experiências exitosas em outros municípios, mas, acima de tudo, ouvindo a população”.

Reunião PSB lança JoásA pré-candidatura do Joás Meira a prefeito pelo PSB foi aprovada por aclamação. O advogado Alexandre Pereira, que era o nome colocado até a semana passada, assegurou apoio a Joás. Alexandre disse na reunião que entrou no PSB para cumprir uma tarefa no sentido de construir uma cidade melhor. Segundo ele, a renovação política com um homem honrado como Joás, dignifica a política e faz crer que Conquista terá um prefeito sintonizado com os desafios de crescimento futuro, que são enormes. Alexandre garantiu que se integrará totalmente à campanha para eleger Joás.

O presidente do PSB, José Carlos Oliveira, destacou que a decisão do partido em seguir com candidato próprio levou em conta um manifesto desejo da população por uma alternativa política que ofereça ao município uma nova perspectiva de crescimento, que amplie as conquistas obtidas e avance no sentido do diálogo e de uma gestão efetivamente participativa, além da história de Joás, um político reconhecidamente sério e capaz de conduzir a cidade.

Sobre como ficará a relação com o prefeito Guilherme Menezes, Joás disse que será respeitosa e que não acredita em retaliação. “Digo para vocês que a hora que eu quiser ir à prefeitura as portas estarão abertas. Eu não vou ser proibido de circular por lá. Eu sou o vice-prefeito, não vai haver nenhuma retaliação. Nada há nada a temer, manterei a cabeça erguida e serei respeitável”, afirmou o pré-candidato do PSB a prefeito, explicando que teve conversa com Guilherme para comunicar sua decisão e que o prefeito respeitou sua posição.

“Eu fiz questão de comunicar a minha decisão. Não pedi permissão, como eu disse, não há subserviência. Eu fiz questão de comunicar face a face. Assim como o prefeito fez o convite a mim face a face, face a face eu o comuniquei da decisão do partido, da minha colocação dentro do processo. E houve respeito. E é assim que vai ser pautada essa campanha, a campanha do respeito, de ações propositivas”, garantiu Joás. Para ele, não há administração perfeita e a atual deixará um legado, “que pertence a todo povo de Conquista” e  não pode ser perdido, mas nem sempre se pode escolher previamente quem vai tomar conta do legado, por isso ele aceitou o desafio da candidatura.

“Tem problemas na administração? Claro que tem. Não existe um governo perfeito. Não existe um homem que possa fazer uma administração 100% perfeita, vão sempre ter coisas a serem construídas. As administrações anteriores construíram muita coisa. O desafio é grande porque nós não vamos administrar uma cidade que estava no caos, vamos administrar uma cidade que foi transformada, mas agora é preciso o plus”.

Para Joás, é possível construir a terceira via e chegar forte ao dia da eleição:”Ninguém tem mais de um voto. Todo mundo só tem o seu voto. Basta nós ganharmos a mente e os corações das pessoas que nós poderemos obter uma grande vitória”. Referindo-se a um episódio bíblico narrado no livro de Êxodo, quando os judeus fugiam do Egito em direção a Canaã, a Terra Prometida*, Joás disse que não se sente gafanhoto em meio a gigantes. “Porque se o outro e gigante e te vê como gafanhoto, é um problema, mas o pior é quando eu me vejo como gafanhoto perto do desafio, porque aí acabou. Então, nós não nos vemos como gafanhotos no meio desses gigantes. Nós vamos pra luta, para a conquista”.

 “Ofereço meu nome, ofereço minha história, ofereço a minha capacidade, ofereço as minhas fragilidades, porque eu não sou perfeito, mas me ofereço de coração, para que a gente possa dar a Vitória da Conquista uma outra opção, uma outra possibilidade, para dar continuidade, sim, porque esse legado não pode ser perdido”.

* Centro Municipal de Atenção Especializada. Avenida Olívia Flores, 3000, caminho da UESB.

* Números 13
17. Enviou-os, pois, Moisés a espiar a terra de Canaã; e disse-lhes: Subi por aqui para o lado do sul, e subi à montanha:
18. E vede que terra é, e o povo que nela habita; se é forte ou fraco; se pouco ou muito.
19. E como é a terra em que habita, se boa ou má; e quais são as cidades em que eles habitam; se em arraiais, ou em fortalezas.
20. Também como é a terra, se fértil ou estéril; se nela há árvores, ou não; e esforçai-vos, e tomai do fruto da terra. E eram aqueles dias os dias das primícias das uvas.

(…)

25. E eles voltaram de espiar a terra, ao fim de quarenta dias.
26. E caminharam, e vieram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel no deserto de Parã, em Cades; e deram-lhes notícias, a eles, e a toda a congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra.
27. E contaram-lhe, e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e verdadeiramente mana leite e mel, e este é o seu fruto.
28. O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades fortificadas e mui grandes; e também ali vimos os filhos de Anaque.
29. Os amalequitas habitam na terra do sul; e os heteus, e os jebuseus, e os amorreus habitam na montanha; e os cananeus habitam junto do mar, e pela margem do Jordão.
30. Então Calebe fez calar o povo perante Moisés, e disse: Certamente subiremos e a possuiremos em herança; porque seguramente prevaleceremos contra ela.
31. Porém, os homens que com ele subiram disseram: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.
32. E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura.
33. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.