De sapatos, pantufas e pesquisas. Em um ano quase nada mudou na preferência do eleitor em Conquista

Posted on segunda-feira, 25 julho 2016

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sapatosEm julho de 2015 fui apresentado a um enigma. Em certa parte de uma casa, me deparei com os sapatos de alguém que calçava 37. Os sapatos estavam sobre um velho rádio, que ainda chiava. Era o maior par de sapatos na prateleira, que tinha mais quatro calçados, além de um porta-retrato e duas etiquetas de preço amareladas pelo tempo. O mais perto dele pertencia a alguém que ainda tinha 19 anos, portanto já poderia votar e ser votado, mas tinha dificuldade, apesar de seus amigos trabalharem na prefeitura. Tinha também uma pantufa enfeitada com martelo e foice, provavelmente pertencente a uma criança de seis anos. Podia-se ver, quase que empilhado na pantufa, um chinelo que era usado por um meninote apelidado na casa de Corifeu e que não tinha mais que cinco anos.

Na sequência, um par de sapatinhos azuis claros, com o formato de orelhas de Coelho. Pelo tamanho, era de uma criança na faixa de seus três anos. Atrás desses sapatos, no porta-retrato, a foto de um antigo militar de guerras ainda mais antigas. Dava para ver as medalhas do coronel e pelo seu porte calcular a sua altura: 1,7 metro. Por fim, as etiquetas de preço. Uma era do livro Marcelo, Marmelo e Martelo, de Ruth Rocha, por incríveis 1,5 moedas. E outra do CD de Arlindo Cruz por 1,2 mil reais. Como não acreditei, olhei de novo, pois eu sabia que por aquele valor poderia comprar uns 30 CDs do excelente sambista, que eu adoro. Não sabia porque aquele exagero no preço. Além de mim, contei 19 pessoas que não sabiam o porquê daquilo e cinco que anularam a sua vontade de opinar

Este ano, um amigo me enviou uma página de um livro ilustrado com uma história parecida. De curioso, fiquei espantado com o que pude perceber.

O mesmo sapato que aparecia logo de cara no primeiro enigma, encolhera, provavelmente por causa do calor provocado pelo El Niño, que fez Conquista ter seus dias mais quentes no verão passado: medido de longe, não passava de 34. Aqueles outros sapatos que eram usados pelo jovem de 19 anos passaram para o irmão de 17, em cujos pés cabiam. As pantufas se desbotaram um pouco e, encolhidas, mal caberia nos pés de uma criança de cinco anos. Procurei pelo calçado do Corifeu e havia desaparecido, assim como o sapatinho com orelhas de Coelho e a foto do coronel. Mas lá estavam o CD do sambista, mais caro, na faixa de R$ 3,0 mil, e o livro infantil, em liquidação por 1 real, pode-se dizer que na mesma margem de preço.

Nos desenhos da página que meu amigo enviou apareciam, de novidade, um pastor que combate formigas e gigantes, com uma funda e três pedras na mão e uma mulher com a camiseta de Brizola, rindo com apenas uma rosa na mão.

Volto os olhos ao começo da história nova. E vejo que nada mudou. Fora o “converseiro”.

 

* Este artigo foi iniciado há dois dias, no dia 23 de julho, por conta do Facebook, que me avisou, pelo app Neste Dia, que um ano atrás o Blog da Resenha Geral publicava uma pesquisa feita pelo respeitado instituto P.A., um dos mais requisitados do Nordeste, que mostrava o quadro eleitoral no município naquele mês. Os números de então guardam enorme coincidência com aqueles que devem ser publicados nos próximos dias, de levantamento do instituto NaFonte, sob os auspícios do site Política Livre e inspiração do PMDB estadual.

Se você ficou não entendeu nada, pergunte a Gildelson Felício, do PSB, que é matemático, ou a Wilton Cunha (PT), que é professor de Metodologia da Pesquisa. Ou clique no link e verifique no BLOG DA RESENHA GERAL. Ou associe os nomes aos valores/números e procure se lembrar de quando estudou porcentagem.