Herzem: Meu governo não vai olhar para trás; não vou perseguir ninguém.

Posted on sexta-feira, 21 outubro 2016

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Fui encontrar Herzem no núcleo de produção dos programas de rádio e TV, na Vila Emurc, na segunda-feira, às 15h30. Ele era a própria estampa da confiança. Aliás, o ambiente era todo confiança, nenhuma das pessoas lá parecia ter dúvida da vitória do seu candidato. Natural, afinal Herzem Gusmão venceu o primeiro turno com mais de 26 mil votos sobre o seu principal adversário, o deputado estadual e ex-prefeito José Raimundo Fontes, candidato do PT. Seria natural também que a primeira pergunta feita ao candidato do PMDB fosse essa confiança na vitória. Herzem poderia dizer que a eleição está ganha, porque a maioria do pessoal que o segue não esconde a fé de que a vitória são favas contadas (isso antes mesmo da pesquisa da Painel Brasil que dá a Herzem 65% contra 35% de Zé Raimundo), mas ele preferiu ser comedido e, sem abrir mão da confiança, falou da expectativa da ganhar a eleição, considerando, em especial, os apoios que recebeu de candidatos que concorreram por outros partidos. Isso sem subir no salto alto, como se diz.

Cada vez que converso com Herzem mais tenho certeza de que ele mudou muito desde a sua primeira eleição para prefeito, em 2008. É um político mais experiente e mais leve. Ainda reclama, aqui e ali, de uma manchete do BLOG, de uma análise, mas nunca pede reparo. Fala com intensidade crítica sobre os adversários, mas percebo que evita escorregar demais na emoção, para não atacar a honra, como nega que faça. Sobre o município que ele pretende governar, Herzem demonstra conhecimento dos problemas e da sua geografia. Já andou muito. E para continuar falando de naturalidade, nada mais natural que demonstre intimidade com a Vitória da Conquista pela qual tanto briga. Nesta  entrevista, Herzem falou mais de ações para resolver problemas do que de projetos novos. E, claro, desancou sem qualquer dó o Partido dos Trabalhadores, controlado em Conquista pelo prefeito Guilherme Menezes e ao qual pertence o seu adversário José Raimundo. Nada mais natural, a essa altura do terremoto político nacional e da tsunami que está sendo esta eleição. E defendeu Temer ao seu modo. Reconheceu que o presidente não é popular, mas disse que tem credibilidade. Natural.

As entrevistas do BLOG são demoradas porque eu tento obter o máximo de informação, análise e sentimentos do entrevistado. Esta de Herzem durou 41 minutos e 26 segundos, incluindo aí “as conversas paralelas”, as risadas e os comentários que não serão publicados. Se você segue Herzem e tem vontade de votar nele, vale a pena ler a entrevista. Se é contra também vale a pena para conhecer melhor os argumentos com os quais ele combate o seu candidato. E se você está em dúvida, aí é que vale mesmo ler as duas, a de Herzem e a de Zé Raimundo, que está logo depois. São menos de 20 perguntas e respostas, em meia hora dá para ler tudo. Depois, comente. Obrigado.

BLOG – Herzem, a eleição está ganha?

HERZEM – Veja bem, nós disputamos uma eleição no primeiro turno e faltou muito pouco para que vencêssemos lá, mas agora nós temos uma outra eleição, não tem nada ganho. Eu, aliás, tive esse cuidado de falar: ganhamos bem, Conquista votou em sintonia com o Brasil, 70% dos conquistenses disseram não ao PT, em sintonia com o Brasil, mas o segundo turno é uma nova eleição, daí a importância de buscarmos – e nós estamos buscando – mais e mais adesões. E temos recebido importantes apoios. Nós recebemos aqui adesões de uma dissidência importante do PCdoB, dois vereadores do PCdoB, (Joaquim) Libarino e Nelson de Vivi; outros dois candidatos bem votados do PCdoB também estão com a gente, Marquinhos e o delegado Odilson Pereira; recebemos o apoio do PV, com o (Paulo) Maurício, o PV inteiro veio nos apoiar; o PTN está formando, eu não diria uma dissidência, mas um racha com o comando de Salvador, e o PTN veio todo pra gente, inclusive o presidente Natan; recebemos o apoio importantíssimo do PSDB, com Arlindo Rebouças e figuras de expressão nacional, que gravaram para nós, a exemplo do ministro Serra, do Aécio Neves, do senador Anastasia, do deputado Imbasahy, de outras lideranças que vão estar gravando apoio para nossa candidatura; do DEM recebemos o apoio de Marcelo Melo aqui em Conquista e de ACM Neto, o melhor prefeito do Brasil, um apoio substancial e importantíssimo. Portanto, observo que a nossa campanha, a nossa candidatura neste segundo turno está ganhando esse reforço substancial, por isso nós estamos acreditando na vitória.

Não queremos falar que a eleição está ganha, porque a eleição será definida no dia 30, nós estamos com muito cuidado e respeito. Eu tenho dito, porque eu sou homem de fé, que Deus está provendo, Deus está no comando e nós acreditamos mesmo na vitória.

BLOG – Você falou  que Vitória da Conquista votou de acordo com o sentimento nacional de rejeição ao PT e que 70% demonstraram que não querem o PT. Você acha que a sua eleição, se acontecer, se dará porque o PT está sendo rejeitado? Essa avaliação não reduziria um pouco a importância do candidato em si?

HERZEM -Veja bem: Conquista não tá sinalizando que veio derrotar o PT agora, eu diria que a sinalização de Conquista nesse sentido foi primeiro que a do Brasil. Alckmin ganhou aqui, Serra ganhou aqui, Aécio ganhou aqui, então Vitória da Conquista vem sinalizando a rejeição ao PT desde 2008. Aliás, nós demos um susto no PT  naquela eleição, porque o PT não queria que eu me aproximasse de Esmeraldino (Correia, que disputou pelo PDT e teve 19.015 votos ) e eu obtive mais de 43 mil votos e Esmeraldino praticamente 20 mil, a diferença para o prefeito eleito não foi grande e se nós chegássemos juntos – e o PT trabalhou para evitar isso – o resultado da eleição seria outro. Já em 2012, nós provocamos o segundo turno, e Conquista sabe como o PT jogou sujo para ganhar aquelas eleições. Então, eu entendo que Conquista votou em sintonia com o Brasil, mas Conquista vem negando, dizendo não ao PT antes da decisão nacional.

BLOG – O resultado do primeiro turno deve-se em maior parte à rejeição ao PT ou ao reconhecimento da sua liderança política? Se não fosse Herzem o resultado seria o mesmo?

HERZEM – Eu já respondi isso, quando disse que Conquista sinaliza essa mudança desde 2008. Vitória da Conquista ao votar em sintonia com o Brasil, reforça, avaliza o impeachment da presidente Dilma. Conquista vai na mesma marcha do país, com o que o Brasil fez agora, quando varreu o PT e ficou só uma mancha vermelha lá no Acre, somente no Acre. Então, essa mancha vermelha que nós temos aqui há 20 anos, ela está com os dias contados, porque Conquista votou com um novo projeto no primeiro turno, e haverá de confirmar no segundo turno.

Claro que a sua indagação eu entendo. A nossa escolha é resultado do que nós estamos falando, o que nós estamos pregando, as nossas diretrizes simples. Conquista assimilou, ela vem assimilando, não foi agora. E também o meu nome não nasceu agora, você sabe disso, ele vem sendo construído há muito tempo.

A campanha é um aprendizado, como a gente aprende, como a gente se envolve, como você caminha, como você fica conhecendo mais a cidade. E antes do PT nacional fracassar o daqui fracassou, e não sou eu que estou falando. O mapa da violência do Instituto Sangari denota que Conquista é uma das cidades mais violentas do Brasil, como se isso não bastasse, uma ONG mexicana, com reconhecimento da ONU e com manchete na FP Francesa, colocou Conquista dentre as cinquenta cidades mais violentas do mundo. Quando você olha pro SUS, vê que a nota do SUS de Conquista é inferior à média nacional –  que é pífia, é 5,48; vê que é menor do que a média do estado que é 5,36, e nós estamos com 5,01. E não sou eu que estou avaliando o SUS, o SUS de Conquista é avaliado pelo Ministério da Saúde.

Quando você vai para a educação, o PT nunca conseguiu bater uma meta do IDEB, isso é lamentável, sob todos os aspectos. Então, você pode observar: educação, saúde, segurança pública, tudo abaixo da média. Conquista não avança em mobilidade urbana, eles não aceitam nenhuma possibilidade de você debater VLT, BRT. Eles acham que é um ET que a gente está querendo trazer para Conquista, sendo que Sobral (CE) implantou VLT em 2006, com 180 mil habitantes. Você precisa pensar novo e não ficar pensando de modo atrasado. Feira de Santana, Zé Ronaldo quis, pensou, 100 milhões de reais e está implantando lá o BRT, mas Conquista não pensa, Conquista não avança.

Então, eu diria que há um cansaço natural, há uma desmotivação do PT, e Conquista quer algo novo, um pensamento novo. Eles interromperam o diálogo, não existe diálogo, eles estão governando Conquista sem planejamento, na improvisação, por isso que erram

como erraram o projeto de um dos locais que deveria ser um dos mais belos para Vitória da Conquista, porque além de servir para o lazer, um ponto de local de convivência, era uma estação, um estágio para a descida das águas que caem na serra do Periperi. Na Lagoa das Bateias o projeto era exatamente para que a água chegasse ali, sofresse uma desaceleração e pudesse descer o curso natural, normal, em direção a Campinhos e Simão. Portanto, eu entendo que Conquista foi muito mal avaliada pelo que eu citei, e não é uma avaliação que eu estou fazendo, é um desempenho medido – um desempenho pífio – por órgãos oficiais.

BLOG – Você está fazendo política há 50 anos em Vitória da conquista e teve relações políticas em diversos graus, inclusive com o PT. Numa última entrevista minha você fez questão de dizer que havia diferença entre o PT nacional no ponto de vista corrupção e o PT local…

HERZEM – Em termos de corrupção?

BLOG – De corrupção.

HERZEM – Não, eu não disse isso.

Com certeza, o PT daqui não é diferente, o PT daqui é igual ao PT nacional, não é diferente a filosofia do partido etc. Claro que, naturalmente, os escândalos recentes do petróleo, o escândalo do mensalão não é o PT de Conquista que é o protagonista, é o PT que comanda o país, o PT que comanda o Brasil. Mas o PT de Conquista é o mesmo PT.

BLOG – Isso significa que eleito você fará uma auditoria e denunciar o que eventualmente for encontrado? Como é que você vai fazer, sucedendo na prefeitura um governante cujo partido você considera corrupto?

img_2360HERZEM – Olha só, nós não pretendemos chegar numa prefeitura para ficar olhando para trás, para vingar quem quer que seja, mas eu tenho responsabilidade diante da minha cidade, eu preciso saber o que eu vou encontrar, uma auditoria, isso é natural, normal. Eu não posso assumir uma prefeitura sem um levantamento, porque eu passo a me responsabilizar. Eu não tenho conhecimento técnico-científico para examinar as contas sozinho, mas nós vamos contratar uma empresa para saber o que que nós haveremos de encontrar lá. Claro que eu tenho que fazer isso, e preciso fazer uma visita ao Tribunal de contas da União, para saber a relação do TCU com Vitória da Conquista, a remessa dos recursos, os convênios firmados, para saber como é que está a vida da Prefeitura com o Tribunal, vou lá fazer uma visita se ganharmos as eleições. Vou fazer uma visita também ao Tribunal de Contas dos Municípios. Isso não é uma revanche, não quero vingar quem quer que seja, mas haveremos de tomar conhecimento através de uma auditoria.

BLOG – Você fala que você não vai fazer um governo de vingança, de caça às bruxas, já me falou que fará um aproveitamento o máximo possível dos servidores qualificados, de quem fizer um bom trabalho e que não vai chegar fazendo uma política de perseguição. Já o candidato do PT fez na sua propaganda uma meia culpa, semelhante à de Guilherme em 2012, dizendo que se ele ganhar vai fazer mudanças, que vai levar gente nova para o governo, onde não caberá acomodação. O que você diz sobre isso?

HERZEM – Eles disseminaram dentro da prefeitura que eu vou mudar, que eu vou perseguir, eles é que estão falando que vai mudar tudo. O próprio candidato do PT disse isso, como disse também que reconheceu o recado das urnas, de que Conquista quer uma mudança. O eu tenho dito e você também já deve ter comentado isso com alguém, você chegar assim numa Caixa Econômica, e dizer: “Rapaz, aquele rapaz ali, superintendente da Caixa, ele era contínuo, foi caixa, gerente e hoje assumiu a superintendência”. Ora, se isso é possível na Caixa Econômica, na Receita Federal, no Banco do Brasil, porque não pode ser possível na prefeitura? O momento de você garimpar o voto é agora, quando eu chegar na prefeitura, eu não vou procurar petistas, nem peemedebistas, nem demistas, eu vou procurar os bons técnicos, e os bons técnicos eles haverão de permanecer em determinadas funções, em determinados cargos. Claro que você, ao governar, vai governar com a sua equipe, com os cargos de confiança, mas nós não iremos perseguir quem quer que seja. Não só os concursados, com os concursados você poderá promover a meritocracia, o bom desempenho. Você pode premiar o cidadão que está sentado numa mesa, numa carteira da prefeitura, na mesma função, há não sei quantos anos, e ele poderá receber uma promoção, assumir uma coordenação, uma diretoria. Vamos entender, primeiro, a engrenagem da prefeitura ao chegar, mas posso dizer que isso é possível, isso é viável. E até os contratados, porque eles estão disseminando que nós vamos demitir os contratados. Claro que se você demitir os contratados você para a máquina, porque tem contratados que prestam relevantes serviços na Secretaria da Saúde, na Secretaria de Educação, a não ser que você esteja querendo parar a prefeitura, o que não é o nosso caso.

Digo, tenho falado e quero reafirmar, para você deixar gravado nos arquivos do Blog de Giorlando Lima: não vou perseguir quem quer que seja, nem funcionários e nem as empresas, os fornecedores da prefeitura. Quem está pensando que eu vou perseguir, saiba que não vou perseguir quem quer que seja.

E digo mais: até esses dias eu estava falando, citando exemplos, dizendo o seguinte: eu soube que tem determinados prédios alugados pela prefeitura que pertencem a parentes de petistas, de comunistas, mas eu não vou perseguir. Aí eu vou querer saber – porque não pertence a mim, o dinheiro público é coisa séria, como é o contrato. Vamos imaginar que o prédio público que está alugado serve para a prefeitura. Está servindo? Está. É bem localizado? É. Quanto é o aluguel? O aluguel é 15 mil por mês. Vale quanto, o que o mercado diz? Que vale os 15. Então, fica lá. Se o mercado disser o seguinte, olha aquele prédio está alugado a 30, a 20, mas só vale 10, nós haveremos de chamar o proprietário, não vamos saber em quem ele votou, se ele é parente ou não de adversários, e vamos dizer: nós precisamos do prédio, a prefeitura precisa? Precisa; o que é que diz o mercado? O mercado diz que vale 10, nós haveremos de chamar o proprietário ou a proprietária e renegociar para, se for o caso, renovar o contrato. Eu entendo que a gente não pode chegar numa prefeitura disseminando o ódio, a vingança, a revanche e a perseguição. O medo que se instalou aqui há vinte anos, porque o PT construiu, nós sabemos onde o medo está, ele está no gabinete do prefeito. Se ganharmos as eleições haveremos de entrar de maneira delicada, e que o medo bata em retirada, porque nós teremos uma gestão do diálogo, do entendimento, com o envolvimento de Conquista na administração pública.

BLOG – Falando em medo, qual é área da prefeitura, da gestão, que lhe preocupa mais, na área financeira, de contrato, licitações, etc.? Se for eleito, onde você acha que vai ter mais trabalho no começo?

HERZEM – Saúde e educação. Eu diria que, pela ordem, educação e saúde são duas secretarias problemáticas, que têm desempenho pífio. Nós teremos que dar atenção a todas as secretarias, mas essas duas secretarias nós precisamos ter um cuidado especial, porque é uma grita na cidade, temos uma pesquisa mostrando a insatisfação de Conquista a grita de Vitória da Conquista em relação à saúde e também em relação à educação. Não só essas duas secretarias, nós entendemos que em Conquista nós precisamos de um choque de gestão. Se eu for eleito, Giorlando, Conquista vai se surpreender, haveremos de governar com os melhores, uma prefeitura enxuta; não vamos desperdiçar nada, absolutamente nada. Quando eu convidei o conselho e formei o Conselho Consultivo Popular é que eles terão um assento dentro da prefeitura, estaremos estabelecendo metas, planejando a cidade, e eles estarão cobrando a cada 90 dias o desempenho do prefeito e também o desempenho dos secretários.

BLOG – A campanha do seu adversário trabalha muito a questão da inexperiência e, de alguma forma, tenta reduzir você a um radialista sem condição de governar. O forrozeiro – e também radialista – Onildo Barbosa, no primeiro programa de rádio do PT do 2º turno tratou-o de “um simples radialista”. Isso o incomoda, você tem uma resposta para essa cobrança da experiência?

HERZEM – Eu sou um simples radialista, eu gosto da minha profissão. Através do microfone eu conseguir uma vitória extraordinária, eu eduquei três filhos, em casa eu tenho uma psicóloga, um médico e uma veterinária, graças a Deus. O microfone só me deu alegria, e me deu embasamento da minha cidade, eu conheço Conquista por causa da Resenha Geral.

E eu desafio um político que não passou pela Resenha Geral, pela Rádio Clube e não ganhou projeção. Nenhum político ganhou projeção em Conquista sem passar pela Rádio Clube, eu desafio. Todos foram projetados pela Rádio Clube, eu tenho essa convicção, com exceção de Régis Pacheco, porque foi ele quem trouxe a Rádio Clube, mas, todos inclusive o atual, que não saia da casa de João Melo para começar a se tornar conhecido e ganhar projeção em Conquista.

Em relação a inexperiência ou experiência, isso é tão relativo, porque veja você, meu pai me ensinou a trabalhar. Eu fui gerente de banco e você sabe que gestar dinheiro é complicado, eu era auditado constantemente. Fui da Aspeb, Casaforte e Banco Econômico, eu aprendi a trabalhar. E como um simples radialista, fui um parlamentar e Conquista aprovou o nosso desempenho de apenas um ano e meio, porque eu estava lá como suplente do deputado Bruno Reis. Eu me destaquei na Assembleia ao participar de seis comissões temáticas – e trabalhei. Mostrei a Conquista que eu não fui para Salvador para ficar lá e integrar a bancada da irresponsabilidade e da omissão como os dois deputados que nós temos aqui em Vitória da Conquista. Eu briguei em defesa de Conquista, eu lutei por Vitória da Conquista.

Mas, em relação a experiência, primeiro eu não vou governar só, vamos governar com os melhores. Veja o nosso Conselho Consultivo. Claro que eu não estou dizendo aqui que o conselho vai governar comigo, vai ajudar a governar, o conselho é consultivo apenas. A nossa equipe eu não tenho comentado sobre a formação do meu secretariado nem em casa, no meu lar, com minha esposa, filhos e minha mãe, não comento isso em casa. Agora veja como isso é relativo: ACM Neto não tinha experiência administrativa e é o melhor prefeito do Brasil, ele foi deputado federal. Neto assumiu a Prefeitura de Salvador com uma grande equipe, enxugou a máquina, poucas secretarias, eficiência é a bandeira da administração. E eu conversei muito com ele, eu estive em Salvador duas semanas atrás, e ele já abriu as portas da prefeitura. Antes do mandato de deputado, eu só vivia visitando secretarias em Salvador. Conhecendo. Fiquei impressionado com o trabalho do Bellintani na educação, então, eu não me sinto inexperiente. O próprio prefeito de Conquista atual não tinha experiência. O candidato do PT, um professor de universidade, que ganhou um presente lá atrás, num acidente de percurso ele virou prefeito. Então, isso é muito relativo, não vou governar só, vou governar dialogando com minha cidade. Vamos elaborar e implantar na prefeitura um ritmo de trabalho com uma equipe de excelência. Estou muito confiante, muito tranquilo e muito seguro.

BLOG – A campanha adversária diz que sua eventual eleição seria um retrocesso, associando a governos anteriores do PMDB, o que você diz disso?

HERZEM – Quem fez parte de governo do PMDB foi o atual prefeito. Ele foi secretário de saúde, quem lançou ele foi Armênio (Santos, ex-secretário de Saúde de 1983 a 1986). Naquela eleição de Waldir Pires (1996), Pedral foi convocado como coordenador da campanha, Armênio era gerente da campanha e quando saiu escolheu o atual prefeito como secretário de saúde.

Mas, o que Conquista está preocupada é o seguinte: Conquista não quer é que o PT do mensalão continue governando Conquista; o PT do petrolão, o PT que afundou a Petrobrás, o PT que infelicitou o Brasil, o PT que gerou 12 milhões de desempregados. E esse PT é o mesmo PT que Conquista não quer mais.

BLOG – Não há possibilidade de retrocesso com você?

HERZEM – Com certeza, nós vamos é olhar para a frente. Retrocesso é quem admite que o VLT é um monstro, que o BRT é um bicho-papão, é quem não pensa no amanhã. Nós haveremos – se for vontade do Senhor – de fazer uma administração moderna na nossa cidade, a cidade espera por isso, a gente não tem o direito de decepcionar cidade.

BLOG – Você está com a eleição muito mais perto do que esteve em 2012, os números das pesquisas conhecidos mostram que é mais provável a sua eleição do que a de Zé Raimundo, e você falou várias vezes nessa conversa de VLT. O VLT ainda é um projeto a ser implantado por você ou você migrou para o BRT?

HERZEM – Veja bem, no meu programa eu não falo que nós vamos implantar BRT e VLT. Nós estamos falando que precisamos preservar os caminhos existentes, que são poucos. Tem pouco tempo que um ônibus da Vitoria, um ônibus articulado de 19 metros, 20 metros, não teve com circular nas ruas de Conquista porque no centro ele ficaria entalado. Ora, é bom a gente falar em VLT e BRT porque é futuro. Eu confesso a você, se pudermos nós iremos tentar implantar, mas eu não estou dizendo que vou implantar. Também em 2012 eu dizia que nós precisávamos preservar os caminhos existentes, e precisamos. Em relação a esses caminhos existentes, essa obra agora que é o corredor perimetral, o PT faz muito isso: na época da eleição eles lançam uma obra e eles abandonam a obra, pois nós, ganhando as eleições, haveremos de concluir essa obra, porque essa obra é importantíssima, não foi uma obra pensada pelo PT, essa obra foi pensada há muito tempo atrás Eu vi técnicos, engenheiros, o CREA debatendo essa alternativa de Vitória da Conquista, mas eu garanto que o PT ia deixar – como deixou a Bahiafarma, como deixou o aeroporto, como eles deixaram duas barragens – só na promessa. Mas eu tenho certeza que nós haveremos de concluir essa obra, porque é uma obra importante. Portanto, nós não vamos ficar olhando para trás, pensando para trás, precisamos pensar no futuro. Hoje o PT tem uma alergia a parceiros da iniciativa privada. Em Salvador, Neto implementou uma estação da Lapa que custou aos cofres da prefeitura 60 milhões. Em função das parcerias, a nova Lapa custou muito pouco ou quase nada aos cofres da prefeitura e nós haveremos de buscar esses parceiros, quem sabe, poderemos encontrar um parceiro para implantar o VLT? Isso é fácil, é difícil é para o PT, mas não é difícil para quem quer fazer.

BLOG – No que essa campanha do segundo turno difere do primeiro turno, e o que você acha que de 2012 para 2016 ocorreu – ou está ocorrendo – que lhe dá mais confiança na vitória?

HERZEM – Veja só, a diferença de lá para cá é que hoje nós temos mais apoios aqui em Conquista. Eu estou sentindo a cidade, o sentimento de mudança cresceu e está mais fortalecido. Eu diria que as pessoas estão falando mais na necessidade de dar uma oportunidade ao meu governo. E temos hoje o apoio do governo federal.

É importante ressaltar que eu nunca critiquei alinhamento político, o prefeito de Conquista com o governo do estado e com a ex-presidente Dilma, eu sempre critiquei o resultado, porque eles não souberam aproveitar a presidente Dilma Rousseff para canalizar os recursos para Conquista. Já nós não iremos perder essa chance.

Eu senti agora, numa visita à Brasília, que as portas dos ministérios estão escancaradas, aguardando a nossa vitória. Estive no Ministério da Integração Nacional e conversei lá com o ministro Helder Barbalho; estive no Ministério das Cidades, com Bruno Araújo, conversamos com ele, com o ministro Padilha, Geddel Vieira Lima, que é o baiano que vai resolver muita coisa pra gente, como resolveu o BRT em Salvador. Neto ficou esperando todo o governo de Dilma e ela só prometendo, só foi Dilma cair que Geddel Vieira Lima conseguiu liberar logo R$ 418 milhões de um projeto de mais de R$ 800 milhões. Portanto, você ter um governo federal num alinhamento com Conquista e você com prestígio, e eu senti as portas escancaradas, realmente isso faz uma grande diferença.

BLOG – Essa ênfase que você dá ao apoio do governo federal lhe associa de uma forma bem direta e clara a Temer, que é o Presidente da República e é do seu partido, e a propaganda política do seu adversário vem nessa linha de criticar Temer e a PEC 241, você acha que isso afeta a sua campanha? Qual posicionamento você tem com relação a isso?

HERZEM – O presidente Temer não tem popularidade, nós estamos vendo aí, mas tem credibilidade. O que que ele faz acalmou o mercado, interno e externo, a bolsa subiu, o dólar caiu. Os deputados da Bahia e o governo da Bahia que tomaram de maneira irresponsável milhões e milhões de dólares emprestados quando o dólar estava a mais de quatro reais, vejam o que que estas medidas já fizeram com o estado da Bahia, um estado quebrado. O PT não quebrou só o Brasil, quebrou também a Bahia, que não consegue pagar a terceirizados. Só estamos vendo agora e isso é histórico: a Petrobrás quebrada, arruinada no governo Dilma, agora já está anunciando o preço do diesel e da gasolina e também do GLP baixar. Com a taxa Selic, a taxa de juros, ninguém consegue ter um cheque especial e operar o cartão de crédito, mas você está vendo que isso está mudando. Portanto, enquanto a PEC que limita os gastos públicos, o PT quer a gastança, a irresponsabilidade. Eles enfiaram a mão, gastaram mal, foram irresponsáveis. Uma empresa pública, a EBC, tinha lá marajás recebendo os chamados salários caviar, 18 mil reais, e o cara nem comparecia lá. Então, o PT não é mais exemplo pra ninguém. Eles não têm condições morais de cobrar nada, absolutamente nada, e isso o Brasil entendeu. O Brasil, ao fortalecer o Congresso Nacional, o Brasil comemorou a saída de Dilma Rousseff, o impeachment, e agora o Brasil votou com a convicção que o PT estava fazendo grande mal para a nação brasileira. Nessa história de tentar confundir com a opinião pública eles vão mais além, dizem que eu vou acabar com o Bolsa Família, é como se eu fosse um prefeito federal, que eu vou acabar o Minha Casa Minha Vida, que eu vou mexer na vida dos trabalhadores brasileiros, dos aposentados… Isso é desespero de um partido que sente que a cidade rechaçou o seu projeto no primeiro turno e nós esperamos a confirmação no segundo.

BLOG – Me fale sobre esse debate em que o PT tenta associar você ao PMDB nacional, ao qual acusa de golpistas e criadores da PEC da maldade, e ao mesmo tempo você insiste que o PT daqui não tem diferença do PT nacional. O quanto lhe incomoda ser ligado ao PMDB de Temer?

HERZEM – Primeiro vamos lembrar que eles mesmo, em 2012, eram do time de Lula e agora não são mais. E em 2012, PT e o PMDB eram parceiros nacionais. Mas o PMDB de Vitória da Conquista deu um grito de independência em relação ao PT há muito tempo. O PMDB de Conquista nunca foi PT. Na Bahia, Geddel foi o primeiro que deu o grito de independência. Então, nós estamos à vontade para falar que o PT realmente decepcionou o povo brasileiro e o povo brasileiro baniu o PT. E nós – nós que, inclusive, fomos responsáveis pela chegada do PT aqui, ajudando a composição da chapa Clóvis Assis, do PSDB, com o atual prefeito, que foi a chapa para ganhar as eleições e eles iniciaram o governo em 1997 – graças a Deus não estamos mais nessa situação. Há dez anos eu entendi, eu vi o risco, e passei a conhecer o PT. Isso dez anos atrás, não foi agora.

BLOG – Você disse que de 2012 para cá mudaram os apoios e mudou a história política no nacional, com o PT em uma fase de desgaste, mas o homem Herzem, de lá para cá houve uma mudança? O que você diria de você, olhando no olho do eleitor?

HERZEM – A gente muda a todo instante. Em 2008, 2012 e agora em 2016 busquei um mandato de prefeito, disputei uma eleição em 2010 para deputado federal e em 2014 para deputado estadual, todos esses momentos foram de aprendizado. Você aprende a todo instante: você aprende com os partidos políticos que estão aliados com você; você aprende com os adversários a ter uma postura do enfrentamento, a saber entender o que eles querem, qual é o jogo que eles querem jogar; aprendemos demais com cada cidadão, com cada cidadã; aprendemos com as crianças, e como eu tenho aprendido com as crianças!

As crianças me surpreendem, elas estão em sintonia com os problemas, elas também pedem, elas também pedem socorro, elas também sentem o desgoverno. Então a campanha política é um aprendizado e nós estamos abertos a aprender a cada dia. Eu diria que mesmo já com 68 anos, todo dia tenho algo a aprender.

BLOG – Você disse para mim que gostou de ter sido deputado, eu também acho que, decididamente, você também foi um bom deputado. Você conheceu mais de perto a política baiana e a política baiana o conheceu mais de perto, existe algum risco de, condições criadas, chamados externos, você optar pelo parlamentarismo daqui a dois anos, no meio do seu mandato?

HERZEM – Se eleito, nós iremos respeitar Conquista e governar pelos quatro anos. O prefeito atual, quando Conquista renovou o mandato dele, dois anos depois, ele disse que tinha um projeto como deputado federal, que era um projeto político maior e foi embora para Brasília. Em Brasília, ele disse que tinha um outro projeto para voltar para ser prefeito de Conquista e voltou. Fica esse jogo, é prefeito, é deputado, é prefeito, mas eu, se eleito, haverei de cumprir os quatro anos, os quatro anos.

BLOG – Você acha que em quatro anos dá para fazer essas modificações que propõe, essa nova projeção de Vitória da Conquista?

HERZEM – Eu acho que pelo estrago que o PT causou a Conquista nós vamos ter que trabalhar muito. Eles falam que Conquista cresceu, que Conquista é desenvolvida, mas isso é fruto da iniciativa privada. Do batente da prefeitura para fora, tudo está acontecendo, do batente pra dentro não sai um alvará. As crianças são reprovadas pelo Ideb, a culpa é da prefeitura; os professores estão desmotivados, não têm um plano de cargos e salários, não há um projeto pedagógico arrojado, a merenda é ruim, o transporte é ruim, mas o orçamento é de R$ 215 milhões. Então, do batente da prefeitura pra dentro nada acontece; pra fora você tá vendo aí a construção civil, a iniciativa privada, o empreendedorismo natural de Vitória da Conquista. Mas quando você vai precisar do poder público, cadê as barragens? Pra você não achar que estou com má vontade com o PT, eu pergunto: cadê o aeroporto? Eles não tiveram a competência de terminar a pista, quem canalizou os recursos foi Antônio Carlos Magalhães Júnior, o pai de ACM Neto, quando era senador. Eles não conseguiram sequer concluir a pista, tem a pista, o asfalto, mas ela não está concluída. Não conseguiram entregar o aeroporto, nem as duas barragens. E nós voltamos aqui ao histórico, uma cidade que está convivendo com o racionamento.

Portanto, eu entendo que o período do PT se esgotou em nossa cidade. Seria importante a alternância de poder, que faz muito bem, isso a ciência política recomenda, preconiza, mas Conquista não precisa só de alternância, ela precisa de uma libertação. Conquista precisa ser uma cidade livre. E ninguém vai se sentir perseguido na nova gestão que, se for da vontade de Deus, nós pretendemos inaugurar em 1º de janeiro.