Zé Raimundo: Sei que a população está chateada, mas espero que analise os valores de cada um

Posted on sexta-feira, 21 outubro 2016

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img_2380Entrevistei Zé Raimundo na quinta-feira (20), três dias depois que conversei com Herzem Gusmão. Cheguei atrasado 15 minutos à sede do PT, na Rua Jackson Prado, no bairro Recreio e temi que ele tivesse desistido de me conceder a entrevista. Mas, ao contrário do que ocorreu na semana passada, quando fiquei 45 minutos esperando – sem sucesso – ser chamado para falar com o prefeito Guilherme Menezes, que havia marcado comigo, disseram que eu podia entrar e Zé Raimundo estava me esperando. Teria uma reunião com os advogados, mas só depois de conversar comigo. Tossia, gripado, mas estava com a cara boa. À zero hora daquele dia o blog Bocão News havia publicado o resultado da primeira pesquisa do 2º turno, apontando uma possível vitória de Herzem Gusmão, com 65% contra 35% de Zé Raimundo. Era para ele estar abatido. Mas, fora os sinais da gripe e a tosse frequente, não havia o menor sinal de abatimento no rosto do candidato do PT.

Entrevistei Zé Raimundo duas vezes na pré-campanha. Na primeira conversa ele ainda não se afirmava candidato e esperava um entendimento dentro do partido. Na segunda vez, ele já estava mais disposto a sair candidato, mas ainda aguardava posicionamento do prefeito Guilherme Menezes. Hoje tem quem afirme que o conflito interno no partido, a demora no entendimento entre as principais lideranças petistas em Conquista, leia-se Guilherme Menezes, o deputado federal Waldenor Pereira e o próprio Zé Raimundo, pode ser uma das razões para o desempenho aquém do esperado no primeiro turno. Mas, hoje, todos juntos na luta pelo voto, dá para virar? Esta seria a minha primeira pergunta, naturalmente, principalmente depois do resultado da pesquisa. Zé Raimundo, claro, acredita que sim, é possível virar. E reapresenta os seus argumentos, tendo à frente o histórico de realizações dos governos dele e de Guilherme nos 20 anos de poder petista em Conquista.

Mas, sem demonstrar alteração ou deixar perceber mágoa, Zé Raimundo, se queixa de estar sendo vítima de uma campanha injusta da parte do seu adversário. Pede que o eleitor analise o histórico político, administrativo e pessoal, os valores. E não só isso. Sereno, o petista faz uma espécie de mea culpa e reconhece que o projeto iniciado em 1997 pode ter cansado e que ouviu isso nas ruas, a população chateada e pedindo mudança. E ele garante que fará essas mudanças, porque, segundo ele, o eleitor é soberano e indica um caminho a seguir. Disposto a continuar sendo o guia da população nesse caminho, Zé Raimundo diz que vai criar novos canais de comunicação e de aproximação da prefeitura da sociedade, para que todos possam participar mais do que agora. Ele entende que com o tempo a gestão foi cansando, levando à rotina, que é preciso ser alterada. Mas, faz questão de dizer que essa mudança, a percepção de que há uma acomodação a ser alterada, não é uma referência a qualquer pessoa, é um conceito de gestão.

Como a de Herzem, esta entrevista de Zé Raimundo tomará cerca de meia hora do seu tempo. Se você tem vontade de votar em Zé, vale a pena ler a entrevista; se é contra também vale a pena para conhecer melhor os argumentos com os quais ele combate o seu candidato e se você está em dúvida, aí é que vale mesmo ler as duas entrevistas.

BLOG – Dá para virar essa eleição?

ZÉ RAIMUNDO – Em primeiro lugar, gostaria de dizer que é um prazer voltar a ser entrevistado pelo seu blog, que é um veículo que procura tratar os temas da política com mais profundidade, com mais análise, e é também oportunidade pra gente discutir e colocar as nossas visões sobre a questão eleitoral e sobre a cidade.

Eu já tenho algum tempo que participo de eleições municipais, estaduais e federais e evidentemente que em um processo de campanha a gente vai ouvindo, sentindo o clima e percebendo os estímulos que recebemos, as críticas, as aprovações… Eu tenho, nestes meses de campanha, desde o mês de julho, sempre recebido da opinião pública de Conquista um reconhecimento da minha trajetória, da minha história e do meu trabalho na cidade, como prefeito, como deputado atual e como mesmo, anteriormente, militante dos movimentos sociais. Então, eu concluo dizendo que a minha receptividade tem sido muito boa. É claro que entre o que o eleitor pensa do candidato e o voto há uma diferença; entre a cabeça do eleitor e a urna são muitas as motivações que levam à decisão final. Mas, tenho andado neste segundo turno, tenho tido tempo para esclarecer alguns pontos de vista no programa de televisão, inclusive sobre essa situação nacional em relação ao nosso partido.

Senti, realmente, no eleitor uma certa crítica, uma certa recusa à visão geral do PT, em função até da mídia, a massificação que se fez contra o nosso partido e isso, evidentemente, tem influenciado muitos eleitores. Mas, acho que podemos mudar isso um pouco, reafirmando nossos valores.

Qual é a nossa visão? Isso está dito nos nossos programas. É de que Vitória da Conquista nunca teve nenhum envolvimento (com as denúncias contra o PT nacional). As minhas gestões e s gestões de Guilherme e dos nossos companheiros da Câmara de Vereadores, dos nossos deputados, sempre foram mandatos e representações que tiveram a maior responsabilidade com o dinheiro público, com a ética. E foram mandatos e gestões que contribuíram, efetivamente, com o desenvolvimento da cidade. Conquista, sem nenhum tipo de arrogância ou autoelogio, não seria a cidade que é sem esse esforço coletivo dos últimos anos. E é isso o que nós temos dito ao eleitor.

Então, do ponto de vista da ética, não há nada negativo que possa ser atribuído a Vitória da Conquista. E nós temos dito que todos os erros, aqueles que cometeram assumam a responsabilidade e que paguem. De todos os partidos, inclusive do PMDB. E já começa a vir à tona uma série de ações contra o PMDB, na medida em que um de seus líderes, o ex-presidente da Câmara (Eduardo Cunha), um dos responsáveis pelo impeachment da presidente da Dilma, foi preso e indiciado.

A outra questão que a gente tem comentado na cidade é que muitas obras que atrasaram e que a cidade cobra, como o aeroporto, a barragem do Catolé, a urgência e a emergência na saúde, a malha urbana, o transporte coletivo, o transporte público, esses temas todos estão sendo equacionados. O aeroporto já teve a sua pista concluída, o edital de licitação está pronto, da mesma forma a barragem do Catolé; o problema da água teve uma resposta com a adutora do Catolé, mais a obra da adutora complementar no Rio Gaviãozinho e, evidentemente, que a cidade como um todo tem reconhecido isso. Por isso eu digo, sendo mais objetivo, que eu tenho recebido com muita ênfase um apoio das ruas e eu espero até o último dia manter esse ritmo, manter essa energia, com mobilizações, com reuniões e, no programa de televisão, debatendo esse tema, da ética na política e das obras e dos projetos para a cidade, considerando as obras que estão em andamento e o projeto futuro para a cidade.

Temos condição, sim, de virar esse jogo, com apoio do PSB e do PCdoB e de outros candidatos que apoiaram outras coligações, a nossa firmeza na campanha, na defesa dos princípios, é de que nós vamos, até o dia eleição, nós vamos virar esse jogo e ganhar a eleição.

BLOG – Perguntei para o candidato Herzem Gusmão se ao focar a campanha focando na saída do PT, na, digamos, assim, expulsão do PT do governo, não poderia sombrear o mérito ou a capacidade dele nesse desejo de mudança tão propalado, ou seja, se o eleitor não estaria apenas votando contra o PT e não porque é ele o candidato. Por outro lado, lhe pergunto: você acha que a população, mesmo reconhecendo seus méritos e sabendo, como você diz, que você e Guilherme têm uma trajetória diferenciada, no caso de o resultado do 1º turno se confirmar, seria uma injustiça perder essa eleição por causa do desgaste do partido?

ZÉ RAIMUNDO – Veja, o eleitor é soberano e tem muitas razões para definir o seu voto. Qualquer que seja o resultado eleitoral, ninguém pode culpar o eleitor, porque, de fato, a soberania é um princípio da democracia. E o princípio da delegação do poder, através do voto e da representação, foi um grande ganho na história da humanidade porque tornou todos os homens iguais diante do poder e na hora do voto todos podem se manifestar. O que nós estamos buscando é convencer esse eleitor que os valores que nós praticamos na política, que o nosso cuidado com a coisa pública e a nossa história de vida configuram um campo ético que, ao nosso ver, tem muito do que pensa a média do eleitorado, que quer o quê? Trabalho, seriedade, realizações; a humanização da cidade; que quer uma cidade que se desenvolva e gere qualidade de vida, que possa, crescentemente, criar condições para que você possa ter em todos os bairros, escola, saúde, como nós fizemos nestes anos. A cidade cresceu, nossos problemas surgiram, mas nós estamos dizendo que temos condições de equacionar esses problemas e continuar à frente do projeto.

Mas, o resultado final é o julgamento do eleitor, para isso, o debate político deve ser um debate com argumentos de convencimento ou de convencimento com argumento. Nós temos feito isso, ao longo desses três meses, sobretudo, porque o momento eleitoral é o momento em que toda população se abre para ouvir para discutir. Embora, no dia a dia, também, se forma opinião. É claro que há outros lugares e  momentos em que o eleitor forma sua opinião, não só no momento da política e ao nosso ver este foi o nosso grande problema, porque tivemos contra nós a mídia nacional e parte da mídia local, sobretudo o candidato do PMDB, que durante dois anos, fez uso de duas horas de programa de rádio, o tempo todo falando e dizendo o que queria, bem ao seu modo, e sem que pudéssemos ter espaço também para discutir na mesma intensidade ou mais ou menos numa mesma proporção as nossas ideias, veiculando aquilo que temos realizado. Mas, nesse desfecho final, nos próximos dias há tempo e eu tenho certeza de que a população vai entender nossas mensagens e vai votar com esses valores.

Eu sei que a população está muito chateada com o PT nacional, mas também os outros partidos estão envolvidos e é isso o que nós estamos dizendo. Então, se é valor por valor, eu acho que eu tenho condições de ser representante da maioria do povo de Vitória da Conquista, que quer um povo sério e atuante.

É claro que tem desafios, o próprio ritmo, a própria dinâmica da administração, a própria relação da administração com a cidade, com os grupos sociais precisamos dar uma renovada nisso e também criar mecanismos de maior aproximação com os setores da sociedade. Nós temos vários conselhos, conferências, várias instâncias de participação popular, mas há grupos sociais que não vão para esses espaços, portanto é preciso ampliar e criar novos espaços de convivência com a cidade, para ouvir, debater e criar a sensação, de fato, de que o que nós fazemos, a prefeitura e o governo fazem, as demandas da cidade, estão sendo encaminhadas com a opinião pública, com a maioria do pensamento da cidade.

BLOG – Você acha que, além do problema nacional do PT e de Herzem Gusmão, como você disse, ter tido um espaço permanente de propaganda, a dificuldade da sua campanha neste momento estaria associada a uma falta de diálogo no atual governo, como se queixaram os aliados PSB e PCdoB como justificativa para ter candidatos próprios à prefeitura? Faltou maior envolvimento governamental com a sociedade nesses últimos anos?

ZÉ RAIMUNDO – Veja: é natural que as pessoas queiram sempre algo de novo. É do ser humano você trabalhar e desejar o ausente. O que move o ser humano é exatamente o desejo, o que não tem. O que se tem, a vida normal, ela estando equilibrada, as pessoas não valorizam; muitas vezes não valorizam aquilo que já conquistaram, pois vira rotina e o desejo de futuro é que move as pessoas. E é natural que as pessoas, como um todo, ouvindo a mídia, tenham desejos novos e o papel nosso é exatamente sinalizar em termos de que fizemos muito, realizamos muito e podemos fazer muito mais.

E no caso específico dos aliados eu não gostaria de entrar em detalhes, porque tem coisa subjetiva, mas achei que é natural que os parceiros que estiveram com a gente durante esses anos pudessem traçar suas candidaturas próprias. Até porque são partidos que têm identidades e ao meu ver foram críticos, mas não foram agressivos, não deixaram de reconhecer os avanços que ocorreram nesses anos, inclusive com a participação deles. Por isso, eu quero falar do meu estilo, da minha maneira de governar e de liderar que é sempre essa. Nos meus primeiros governos fizemos vários fóruns, várias discussões, nos reunimos. E o Governo Participativo (de Guilherme) vem fazendo, mas com sua própria dinâmica, o seu jeito, o seu estilo. O meu estilo é mais de intensificar essas práticas, como foi o Congresso da Cidade, como foi com o Orçamento Participativo, que reuniu mais de 30 mil pessoas… Então, tem momentos que você precisa avaliar e recomeçar a partir daquilo que foi diagnosticado. E hoje, o que os nossos parceiros – no caso o PSB, o PCdoB e algumas outras lideranças – colocam é a necessidade de nós oxigenarmos mais o governo no que diz respeito, sobretudo a essa relação política com os partidos, com lideranças e com os setores organizados da sociedade. Esse é o meu compromisso.

Se Deus me permitir que eu ganhe as eleições e o povo de Conquista me confiar eu vou, efetivamente, dar uma renovada nessas práticas, que já vêm sendo feitas, mas precisam de uma oxigenação e disso a gente não abre mão. Não quer dizer que tudo o que fizemos não tenha validade, pelo contrário: fizemos muita coisa, abrimos muitos espaços. Mas, o próprio tempo, às vezes, vai cansando, vai levando a uma rotina, que é preciso ser alterada.

BLOG – A população percebe esses movimentos de uma melhor inserção junto à sociedade, do diálogo, da conversa política, mas ela tem também exigência do que é visível, do que é mais palpável, as obras em si. Você citou que essas obras fundamentais que Vitória da Conquista vêm cobrando como o aeroporto, a barragem, a conclusão da perimetral, as obras de mobilidade urbana vão ser resolvidas e grande parte poderá ser resolvida ainda antes de Guilherme sair. Quando prefeito, você imprimiu um ritmo à administração que até então ela não tinha, já que a prioridade inicial foi cuidar das questões da saúde, da educação, e fez obras como a Juracy Magalhães, a duplicação da Olívia Flores, etc. O novo seu governo, caso seja eleito, terá algum diferencial em relação ao anterior? O que não será continuação de Guilherme, o que você fará de novidade?

ZÉ RAIMUNDO – Veja, no meu mandato de 2005/2008, nós já vínhamos maturando uma série de ações. Quais foram os grandes vetores da nossa administração? Primeiro eu concluí uma série de projetos e de ações que vinham sendo implementados na área de infraestrutura social. Se nós pegarmos os dados de construção de escolas, de salas de aula, unidades de saúde e de estruturas para a saúde, veremos que nós vínhamos maturando projetos do governo federal e estadual, naquele momento (2004, 2005 e 2006) muito mais do governo federal, pois só em 2007 que eu contei com o governo estadual. Eu contei só dois anos com o governo Wagner, em 2007 e 2008, até então o nosso governo teve como base a estrutura local, a capacidade nossa de investir e de trabalhar em parceria com o governo federal. Aí, nós concluímos essa parte social, e ali em 2004 e 2005, havia um sentimento na cidade de que nós precisávamos avançar para a estrutura urbana, com fator não só de melhoria da cidade, do urbanismo, das ruas, das avenidas, do trânsito, mas também ter essas atividades de infraestrutura como fator de crescimento econômico e de reespacialização dos vetores de crescimento na cidade. E nós planejamos isso, desde o final de 2003 para 2004, nós corremos atrás de projetos. Aí vieram a Rio-Bahia, a Juracy Magalhães, a Olívia Flores, já no final do meu governo a Avenida Brumado, a Avenida Paraná, a Avenida Ulisses Guimarães que a gente fala pouco e aquela que vai da rodoviária à Juracy Magalhães, a avenida Felícia, que liga o corredor ali do Jardim Guanabara até a Morada dos Pássaros, a questão do mercados, da feira, de algumas praças que nós revitalizamos, ou seja, um pouco desse olhar da plástica, da estética da cidade que era uma demanda e que ali nós fomos digamos assim, com uma intensidade maior.

Nessa nossa perspectiva de futuro, a mesma coisa eu reafirmo, há projetos que estão em andamento do governo atual, do prefeito Guilherme, como a Avenida Perimetral, o novo aeroporto, a barragem de Anagé, que são parcerias federais e estaduais, mas há também o potencial de ação da prefeitura porque já há contratos em andamento, por exemplo, essa questão das grandes avenidas da cidade, para as vias de ônibus. Ora, isso já tem contrato com a Caixa, são 15 milhões de reais que já estão na Caixa Econômica para poder ser implementado. O terminal Lauro de Freitas também já tem 5 milhões de reais contatados pela Caixa.

Então foram obras que infelizmente atrasaram, e a população se ressente disso. Obras que foram sinalizadas em projetos anteriores, mas que não se realizaram. Agora além dessas obras, nós temos também plenas condições de realizar e enfrentar novos desafios, por exemplo, a conclusão dessas avenidas: a Avenida Perimetral ela para na Olivia Flores, vamos concluir até chegar à Getúlio Vargas na saída da Barra.

Da mesma forma – e o governador do estado já se comprometeu comigo -, a gente vai fazer a saída da Barra até o Anel Viário, então será feita uma ligação completa, saindo da Avenida Brumado, indo até o anel Viário e seguindo até a Getúlio Vargas, portanto dando praticamente uma radial, uma volta na cidade, com grandes vias, gerando desenvolvimento econômico. A Marginal do Rio Verruga: na minha gestão já estava no Plano Diretor a ideia, agora já tem projeto, que é a última saída do centro da cidade para uma grande avenida, ligando a Bartolomeu de Gusmão à Luiz Eduardo Magalhães pela marginal do Rio Verruga, prolongando depois até a Avenida Perimetral e depois também indo até o Bem-Querer. O que que nós tínhamos feito anteriormente? Nós entramos com uma ação na Justiça para a garantir aquele espaço como domínio público, que são as áreas próximas ao Rio Verruga e do antigo Aguão, então nós estamos discutindo e já há um parecer favorável que 30 metros da marginal do Verruga de lado a lado, portanto são 60 metros com o Verruga passando no meio, a partir daí, se preservaria 60 metros fazendo tipo um parque e a partir daí as avenidas marginais que sairiam ligando a Luiz Eduardo e posteriormente, claro isso é um projeto, iria desenvolvendo. E ainda em termos de futuro, nós temos uma avenida que liga Jadiel Matos, que prolonga pelo Campinho e Simão ligando ao novo aeroporto de Vitória da Conquista, uma avenida direta sem passar pela Rio-Bahia. São projetos estruturantes para cidade. Evidentemente que isso vai demandar muitas articulações, muito esforço coletivo, com nossa bancada estadual, bancada federal, emenda de orçamentos, para poder a gente conseguir essas obras, além de feiras e mercados que precisam de revitalização, como eu fiz na feirinha lá do bairro Brasil, como fiz no mercado de carnes, o novo Ceasa, para o que eu deixei sete hectares da prefeitura para construir o novo mercado de hortifrutigranjeiros, a central de abastecimento, e o governo municipal, inclusive, já começou um galpão de pequenos produtores. Aí, a ideia é fazer uma PPP – Parceria Público Privada, para os atacadistas e os varejistas menores se instalarem, dando condição para você fazer o comércio regional, que é a característica de Conquista, que ela recebe produtores de toda a região.

BLOG – A PEC 241 estabelece o congelamento das despesas do governo federal, da união por vinte anos, isso evidentemente implica redução de investimentos do governo federal nos municípios. Além disso o governo federal é do PMDB e se nada ocorrer até lá, você terá pelo menos dois anos de Michel Temer na presidência, desfaz-se definitivamente esse cordão umbilical positivo que Conquista tinha com o governo federal nos governos de Lula e Dilma. Você acha mesmo possível esse boom, tudo isso que você projeta ou você vê dificuldades? E como você imagina que essas dificuldades poderão ser superadas num cenário de PEC 241, Michel Temer, Geddel e etc. no governo federal?

ZÉ RAIMUNDO – Olha, a PEC 241 é um desafio para todos os gestores municipais e estaduais, para a administração pública como um todo, porque de fato vai haver restrição sobretudo na área social, saúde e educação, e muito provavelmente as chamadas transferências voluntárias, que são aqueles projetos soltos que você batalha, consegue junto aos ministérios haverá também restrição. Mas o que é que nós estamos dizendo? Em primeiro lugar contra a PEC 241, sem deixar de reconhecer que o equilíbrio fiscal é necessário e é um ponto de qualquer gestão pública, seja municipal, estadual e federal, nós precisamos de fato de uma gestão que seja equilibrada.

O problema é que da forma com a  PEC 241 está sendo feita você penaliza sobretudo a grande massa das pessoas que precisa de um serviço público de qualidade, saúde e educação.

Evidentemente haverá uma parada digamos assim, na capacidade de investimentos. Mas, a nossa agenda de projetos que estamos realizando para Vitória da Conquista, só isso aí daria para nós tocarmos muitas obras durante um ano e meio, praticamente dois anos. Simultaneamente, nós temos a parceria com o Governo do Estado também até 2018, com o governador Rui Costa – e eu tenho certeza de que temos todas as condições de reelegê-lo para o próximo período – que, mesmo passando por dificuldades, tem tocado projetos aqui em Vitória da Conquista, na parceria como, por exemplo, com a Embasa, nós somos a primeira cidade no Norte e Nordeste em saneamento, todas as obras de infraestrutura hídrica estão sendo encaminhadas e vão ser concluídas. Então, nós temos essa parceria com o Governo do Estado e temos ainda, através de nossa bancada federal, a capacidade de colocar emendas parlamentares dos deputados e senadores do nosso partido e de todos os partidos para tocarmos ações importantes na vida da cidade.

Mas, de qualquer sorte, será desafiadora a situação a partir do próximo ano, aí nós temos que trabalhar na nossa estrutura interna, racionalizando, melhorando o desempenho da prefeitura, informatizando, ou seja, tendo uma racionalidade no custeio, na manutenção, para sobrar para obras e investimentos.

E mesmo nos serviços que já estão estruturados na saúde e na educação, melhorarmos a qualidade dos procedimentos administrativos, para nós termos um ganho na ponta para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

BLOG – Eu tenho visto que as duas campanhas no Rádio e na TV estão trabalhando muito esta tentativa identificar ou associar definitivamente os candidatos aos defeitos dos partidos e lideranças em nível nacional. Por exemplo, Herzem ao PMDB de Temer, à PEC, à Lava jato, e da parte de Herzem, a associação do PT local você ao PT nacional, petróleo, mensalão, etc., até com ilações policiais, etc. Você não acha a campanha chegou num nível que impede o eleitor de ver o melhor das propostas dos dois candidatos? O eleitor não está sendo prejudicado por uma competitividade um pouco mais nociva do que o normal?

ZÉ RAIMUNDO – O candidato do PMDB foi o primeiro a descer o nível da campanha, dizendo que o PT nacional tem problema ético, e que eu fazia parte desse PT nacional, portanto, levando à conclusão de que se o PT nacional tem problemas, eu também tenho problemas. Ora, o que que a população diz, a população reconhece sem nenhum tipo de vaidade, é que a minha administração foi uma das melhores de Vitória da Conquista, que eu realizei muito. E quanto à minha pessoa não há nenhum tipo de crítica no plano da moral, no plano da utilização dos recursos públicos, do respeito. Portanto, não há nenhum tipo de corrupção instalado em Vitória da Conquista, tanto a mim como Guilherme ou nosso candidato. Na medida que o candidato faz isso, ele traz pro debate também a vinculação dele com o grupo que está no poder, por isso que nós entramos nesse debate que nós queríamos entrar, ora, qual é moral que tem o PMDB para criticar o PT? Em primeiro lugar porque eles fizeram parte. O PMDB fez parte e ocupou importantes estruturas no governo federal, inclusive estruturas onde se instalaram verdadeiros esquemas para beneficiar o PMDB, na Petrobras e em outras estruturas do governo federal.

Então, o PMDB não tem moral para discutir a questão da ética, é isso que nós estamos dizendo à população, e que todos apure-se e puna-se os envolvidos, como disse o presidente Lula, a presidenta Dilma – que aliás foi no nosso governo, no governo federal, que se valorizou a Polícia Federal, o Ministério Público, toda a legislação que tem sido responsável pelas delações e também a ação da Controladoria Geral da União, todas essas ações, todas essas normas foram criadas e instituídas nos governos do PT. É claro que a população se influencia pelo que chega na sua retina e o que chega nos seu tímpanos, quer dizer, o que ela vê e o que ela ouve, e como houve esse massacre da mídia sem levar a um debate crítico, a população tende a estar chateada, e é até normal isso, com o que tá acontecendo no Brasil. Mas o debate entre a conduta do PMDB e do PT de Conquista é para também ajudar a população a pensar nisso. Se nós temos alguns problemas nacionais e temos tido, o PMDB o PSDB, todos os outros paridos, praticamente, a não ser um ou outro partido menor, todos estão envolvidos. E o sistema eleitoral político brasileiro, infelizmente, está aí e esses partidos não querem renovar.

Então, para concluir, eu diria que na verdade, nós não baixamos o nível, fomos para esse debate para mostrar também à população que o candidato do PMDB não tem condição de tratar desse tema como ele está querendo tratar, se colocando entre os anjos da política brasileira. Aliás, os parceiros deles, está muito claro, fazem parte de muitas confusões, de muitos processos, de muitas questões que estão sendo tratadas lá, no âmbito federal. E ele próprio está aí, também, nesse ambiente, diferente da minha pessoa, de Guilherme e de outros companheiros daqui de Vitória da Conquista.

BLOG – Zé Raimundo estamos a dez dias da eleição, pensemos que, você diante está diante de um eleitor, num cenário em que você esteja disputando de forma igual, com chance de ganhar, claro, mas precisando daquele voto, daquele único voto, o que você diria para esse eleitor para que ele se convença de sua volta à prefeitura é mais importante do que abrir espaço para o seu adversário?

ZÉ RAIMUNDO – O que nós temos conversado nas ruas é dizendo que cada eleitor compare o que nós fizemos na cidade, compare a biografia, a conduta ética, moral; compare a minha administração e também o nosso grupo político. O nosso grupo político tem plenas condições de continuar transformando a vida de Vitória da Conquista, no plano ético, no plano da moral e no plano da gestão pública. Não se trata de autoelogio, mas, amadurecemos muito nesses anos, além da minha experiência anterior como prefeito e agora como deputado estadual, de colaborador de várias prefeituras que nós ajudamos eleger como deputado nos últimos dois pleitos municipais, sobretudo naquele pleito em que nós fizemos mais de 15 prefeitos na região. Nós acompanhamos essas prefeituras e temos hoje uma visão muito mais apurada, eu diria, muito mais condizente com os desafios que estão ai.

Então, eu queria que o eleitor olhasse na sua consciência: se não há restrição pessoal ao candidato Zé Raimundo, se não há restrição política às administrações de Vitória da Conquista, se não há restrição do ponto de vista do que nós fizemos e o que nós fizemos ajudou a cidade, a pergunta é, por que não votar em Zé?

BLOG – Você fez uma fala dizendo que vai mudar pessoas, mexer na estrutura, levando novas pessoas para a administração, porque já haveria uma acomodação. Como você imagina que pode ser essa renovação, já que, praticamente os quadros que estão associados ao seu governo, ao governo do PT, ao governo de Guilherme já estão hoje, ou colaborando com o governo municipal, ou colaborando com o governo estadual? E o que é para você a acomodação da qual você diz que é preciso se livrar no novo governo?

img_2373ZÉ RAIMUNDO – Veja: é natural na vida e nas instituições as mudanças, é natural. Incorporamos nesse segundo turno parceiros como o PCdoB e o PSB; ouvimos nas ruas o reconhecimento às nossas administrações, mas ouvimos também que é necessário se dar um aquecimento, se dinamizar a gestão pública. Veja, por exemplo, que há muitas queixas com relação a alvarás, procedimentos burocráticos, ou seja, às vezes até não é atribuição da prefeitura, mas o cidadão não sabe disso. Então você modernizar a administração, dar resposta rápida para a população é importante. Na área da saúde há uma constatação de que o sistema nosso é um sistema que evoluiu de forma extraordinária, mas qual é a queixa principal hoje? O tempo de realização dos exames. Então você precisa pensar em novos fluxos, em nova forma de gestão. Ora, se há, de fato, a constatação e isso é verdadeiro, que essa demora cria um obstáculo para o cidadão ao ponto de ele julgar a administração só por essa experiência dele de levar dois ou três meses, que às vezes também até nos planos de saúde, você leva um mês, um mês e meio, mas no plano de saúde o cara sabe que está contratando, ele não julga o plano de saúde, ele sai do plano e vai buscar outro, o eleitor, não. O eleitor que precisa do SUS, ao invés de sair do plano de saúde, ele quer se livrar do governo. Então é preciso que você vá atenuando esses níveis de insatisfação. E há a possibilidade de se modernizar, dar uma sacudida como eu disse. E o próprio governo de Guilherme fez mudanças naturais na sua administração, ao longo desse governo, então é natural mudar a administração, mesmo porque temos parceiros que não estavam. Isso não é ligar essa fala a nenhum tipo de questão pessoal, é a concepção de que nós precisamos dar uma oxigenada, uma renovada, uma reenergização no governo.

BLOG – Considerando que você tem um quadro de servidores estáveis o projeto seria emular esse pessoal para prestar um serviço melhor, de forma mais dinâmica, tirando essa acomodação natural de quem fica 20 anos vendo os processos ocorrerem até de forma exitosa, mas sem imaginar que eles poderiam ser melhorados?

Zé Raimundo – Uma reengenharia, criar, discutir, dinamizar, conversar, promover encontros, diagnósticos, pensar em novos fluxos. Por exemplo, eu discuti com o pessoal da área da saúde, é possível se fazer uma equipe de especialistas para a gente ir em Inhobim, ir em Zé Gonçalves e Bate Pé, dentro de uma estrutura móvel com cardiologista, com outros especialistas, com diagnóstico de imagens? É. Custa caro? Não. Então é a gente pensar em outras alternativas que não estavam colocadas quando nós começamos a implantar o SUS, já estamos indo aí para quase 18, 17 anos do SUS implantado em Conquista, 98, 99. Por isso digo que é preciso revermos alguns procedimentos. E eu diria também que em outros setores da administração você precisa renovar, a questão aí não são, necessariamente, as pessoas, mas a concepção geral. E por que eu me refiro às universidades e aos empresários? Para que eles possam ter uma convivência e um debate sobre cidade e a administração pública.

Por exemplo, se você perguntar a um cidadão quanto custa o lixo da cidade, quanto custa um quilômetro de asfalto, ele não sabe, assim, a primeira vista. Quer dizer uma cidade como Conquista que arrecada 14 milhões de IPTU ao ano, que não dá para pagar o lixo da cidade, é um debate que você tem que fazer e que a administração pública tem também que colocar mecanismos – e já está sendo feito um diagnóstico – para atualizar as plantas, sem absolutamente aumentar impostos. Ou seja, é discutir a cidade e colocar a prefeitura junto com a população para que a população entenda como funciona o governo, como funciona o poder.

Então, basicamente é essa concepção, oito anos de governos atual, uma nova gestão chega e é natural que essa nova gestão queira colocar novas ideias, novas pessoas, novos conceitos para responder essa sensação da população de que é preciso dinamizar a administração pública.

BLOG – Por favor, faça as suas considerações finais.

ZÉ RAIMUNDO  – Eu quero agradecer mais uma vez ao Blog de Giorlando Lima que me coloca a possibilidade fazer essa reflexão sobre a administração pública. Então, estaremos aí até o dia 30, de porta em porta, conversando com as pessoas, com lideranças, mostrando essa trajetória e dizer que a democracia permite um amplo debate sobre os destinos coletivos.

E neste momento, a minha candidatura, o meu programa, é para reforçar a democracia em Vitória da Conquista, reforçar uma cidade plural que respeite todas as religiões, respeite todas as diversidades, que respeite todos os segmentos sociais e também que esses segmentos sociais, empresariais, classe média, os intelectuais, além dos movimentos sociais e das pessoas mais humildes, que todos conheçam e participem do destino da cidade.

Não tem como a vida coletiva existir sem a política, a política é a única forma de estarmos juntos, quer ela seja tocada por projetos elitistas, conservadores, quer seja ela tocada pelos projetos mais democráticos, mais justos que buscam a igualdade social, a política sempre vai existir. O que nós estamos dizendo é que a nossa candidatura representa essa segunda alternativa, de uma cidade mais igual, mais fraterna, que possa incluir todos os cidadãos nos destinos coletivos.