Eleição em Conquista: Uma campanha para esquecer. Ainda bem que está acabando.

Posted on sexta-feira, 28 outubro 2016

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Eleitor, não faça guerra. Eles podem se reencontrar e rir. Não perca amizades por causa de campanha eleitoral.

Só hoje soube que o advogado e jornalista Paulo Nunes chegou a ser ameaçado de morte por causa de seus posicionamentos nesta campanha eleitoral de Vitória da Conquista. Paulo disse que uma pessoa o procurou armado dizendo que o mataria. O também jornalista Ernesto Marques foi outro que teve a vida ameaçada pelas redes sociais. Sei dessas duas histórias porque Paulo Nunes gravou um áudio para um grupo de WhatsApp em que afirma ter sido vítima de tentativa de homicídio, pedi confirmação, ele confirmou e explicou que o assunto está na Justiça. Ernesto é meu amigo e me mostrou a postagem – feita também em um grupo de WhatsApp – em que um homem diz que daria cabo da sua vida.

Os dois, Paulo e Ernesto, defendem o PT. Imagino que do lado do PMDB haja histórias parecidas. Na tarde desta sexta-feira, a polícia foi chamada porque, segundo informações, militantes do PT impediam que profissionais que trabalham na campanha de Herzem Gusmão e visitantes tivessem acesso livre ao escritório político do candidato, localizado no edifício Hormindo Barros, na praça Barão do Rio Branco. Há pouco, ao atender a ligação telefônica de um outro amigo, este eleitor de Herzem, e lhe contar sobre o que estava escrevendo, ele disse que na segunda-feira, ao comentar em um bar que votaria no PMDB e era contra a ocupação da UESB por estudantes protestando contra a PEC 241 foi xingado e ameaçado de “tomar porrada na urna e na cara”.

Sei que este clima de guerra não é apenas por conta da eleição, da disputa do voto. Reflete a insanidade política que se instalou no Brasil desde a eleição presidencial de 2014 e todo o desgaste posterior, que chegou ao afastamento da presidente Dilma Rousseff e continua diante da sanha aparentemente incontrolável para prender o ex-presidente Lula, por um lado, e, por outro, apear do cargo o presidente Michel Temer, os dois representações faciais e política dessa confusão toda que o Brasil atravessa. Mas, apesar da situação nacional e das justificativas de cada lado, legítimas ou não, em Vitória da Conquista, neste segundo turno o caldo chegou perto de entornar. As campanhas estimularam, mais do que nunca, uma guerra verbal – e quase corporal – entre militantes de cada lado.

Na TV eu vi uma campanha feia. Maldosa. Irresponsável. Vergonhosa. Não importa que a maior parte do tempo de propaganda foi utilizada para falar de propostas (?). Cada segundo gasto na desconstrução do adversário e no uso de uma verborragia violenta e desrespeitosa – com os adversários e com o eleitor, você e este que vos fala – manchou todo o resto. Nas redes sociais os emoticons de vômito e de raiva (grr) acabaram aparecendo mais que os elogios. Tanto serviram a um lado como para outro. E, na maioria das vezes, foram justos.

Ainda serão dois dias antes de darmos por encerrada esta campanha digna de esquecimento. Neste sábado, Herzem Gusmão faz carreata e Zé Raimundo faz caminhada, e no domingo, mesmo proibida, a boca de urna vai tentar buscar os indecisos. O risco é esses apaixonados e acéfalos que agridem e ameaçam os que lhes contestam quererem tirar o voto do adversário na marra. Data vênia, se eu fosse o juiz eleitoral  – que deixou a propaganda correr solta na direção contrária do artigo 53 (caput e parágrafos primeiro e segundo) da Resolução 23.457 – proibiria a venda de bebidas alcoólicas entre as 7 da manhã e as 18 horas, pelo menos.

Enfim, amanhã ainda tem campanha, incluindo carro de som e comício, domingo não deve ter, mas terá, mas a propaganda na TV e no rádio se encerra hoje à meia-noite. O debate desta noite na TV Sudoeste é a última grande oportunidade que os candidatos têm para sair dos ataques, da insistência em se chamarem de mentirosos, para reforçar as suas propostas (o que não se viu neste segundo turno) e demonstrar que têm capacidade de governar Vitória da Conquista, conduzindo a administração pública deste que é o terceiro maior município do estado e um dos maiores e mais importantes do Brasil. Será que eles conseguem?

Espero que, mesmo que os candidatos não consigam sair do ringue e entender que estão entrando nas casas das pessoas, o que pede cavalheirismo e respeito, os seguidores de cada um compreendam que depois de domingo as pessoas continuarão a viver na mesma cidade, atravessar as mesmas ruas e precisam conviver.

Vitória da Conquista vai continuar sendo um lugar de todos, não de um ou de outro lado, apenas. Quer seja Herzem quer seja Zé Raimundo o prefeito eleito.