Opinião: Herzem poderá ser um bom prefeito, mas não deve repetir os ciclos de 20 anos de poder em Conquista.

Posted on segunda-feira, 7 novembro 2016

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Já muito escrevi sobre isso, desde antes de isso começar. Não quero escrever nada, agora que acaba.

Talvez eu escreva sobre o ciclo que começa em janeiro de 2017.

Mas, não há razão para crer em novo ciclo de 20 anos. Não há um grupo, sequer um líder catalisador. Herzem tem méritos, pessoais e políticos, mas não há nele e nem em seu partido, os elementos fundadores e sustentadores de um desses ciclos como havia no MDB de Pedral – e nele mesmo – e no PT de Guilherme e, em menor grau, então, no mesmo.

José Pedral Sampaio começou aquela história com 33 anos, em 1958. Disputou a eleição com um parente de Herzem, Gerson Gusmão, ganhando em todas as urnas da cidade e perdendo nos distritos. Numa estratégia que contou com a inteligência e a capacidade de articulação do deputado Padre Palmeira, foram emancipados vários distritos e Pedral voltou em 1962, aos 37, para vencer. Cassado pela ditadura, virou mito. Nessa condição, aos 47 anos, ajudou a eleger, apesar do conflito emedebista que se prolongou pela vida toda, o médico Jadiel Matos. Pedral ficou no poder até 31 de dezembro de 1996. Deixou o cargo de prefeito para não mais vencer outra eleição, com 71 anos de idade. A idade de Guilherme hoje.

Guilherme disputou sua primeira eleição de prefeito em 1992, com 49 anos. Sairá em 31 de dezembro com 73 anos, idade que Herzem alcançará um ano após seu primeiro mandato, em 2 de junho de 2020. Junto dele, há muitos jovens, mas poucos com estofo – pelo menos neste momento – para liderar um processo político que construa ou consolide um ciclo.
Diria que se o projeto do PT cai de cansado, o do PMDB já começa cansado. Mas, quero me decepcionar. Sério.

montagem-pedral-guilherme-e-herzem

O ciclo pedralista durou 20 anos (sem contar período de Jadiel Matos prefeito); O de Guilherme completará o mesmo tempo no fim deste ano e Herzem começa em janeiro. Será um novo ciclo?

Desejo que Herzem faça um governo tão bom que, havendo reeleição, ele repita o mandato (os sinais são de que, em quatro anos tudo o que ele fará será apenas completar o que Guilherme deixar, em termos de obras. Governará sob o peso da PEC 55 e da crise financeira que empurra os municípios para baixo e dificilmente terá tempo, em quatro anos, de deixar uma marca, além da de seu esforço e competência, que ele pode mostrar que tem. Não mais, por isso precisará de mais tempo).

Mas, não vejo como o grupo que amarra os cadarços dos sapatos para pisar no paço municipal possa dar início a um ciclo prolongado de poder. Ressalvo, entretanto, que pode levar muitos anos até que o grupo derrotado agora retorne à prefeitura, se isso ocorrer, porque – é o que penso – do ponto de vista de lideranças para tal empreitada, o PT e seus satélites estão em condição absolutamente semelhante ao PMDB e seus agregados. Ou seja: quase zerados de lideranças capazes de renovar e seduzir a população para projetos diferentes dos que os já conhecidos