Como pensa Eures Ribeiro, o administrador que Herzem mais cita como exemplo, depois de ACM Neto e Melguizo

Posted on terça-feira, 20 dezembro 2016

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Quem acompanha as entrevistas do prefeito eleito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão (PMDB), deve ter percebido que ele menciona muito o nome do colombiano Jorge Melguizo (e seu projeto que transformou Medellín de uma das cidades mais violentas do mundo em uma das mais pacíficas) e a administração do prefeito de Salvador, ACM Neto, como referência que ele vai seguir no governo que iniciará em janeiro do próximo ano. Mas, Herzem tem citado muito outro prefeito, o de Bom Jesus da Lapa. O futuro administrador municipal de Conquista repete que assistiu uma entrevista de Eures Ribeiro (PSD) na qual o prefeito da Lapa explica o sucesso de sua administração, considerada uma das mais realizadores do estado da Bahia, que lhe propiciou uma reeleição com 78% dos votos válidos. Em 2012, na primeira eleição, Eures Ribeiro teve 58,54% dos votos.

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Neto, Melguizo e Eures, referências que Herzem promete seguir

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Giorlando, Leninha, Val Cabral, um assessor e Eures (que não bebeu nada) falando de seu amor pela Lapa

Em agosto de 2015 fui a Bom Jesus da Lapa a convite do radialista e blogueiro Val Cabral, de Itabuna, acompanhados da então pré-candidata a prefeita do município do Sul da Bahia, Leninha Cavalcanti. A pedido de Val, que iria publicá-la em jornal da cidade dele, fiz uma entrevista com o prefeito Eures, na varanda de sua casa simples na Lapa. O que impactou Herzem, jornalistas e políticos que viram a entrevista do prefeito na TV, nós conhecemos naquele bate-papo. Uma entrevista que vale a pena ler. O que Eures diz serve como manual para que nós, cidadãos e eleitores, possamos cobrar os prefeitos eleitos em nossos municípios.

Herzem Gusmão diz que quer implantar em Vitória da Conquista muito da metodologia de gestão de ACM Neto e que pretende agir, também, como Eures. Não sei quanto ao primeiro exemplo, já que Neto administra uma capital, com cerca de três milhões de habitantes, área, topografia, problemas, recursos e muitas outras coisas diferentes. A diferença entre Conquista e Salvador é gigantesca, mas o mesmo não se pode dizer na comparação com Bom Jesus da Lapa, por isso, Eures e sua gestão, sim, podem servir de lições para o futuro governo municipal de Vitória da Conquista. Tomara que Herzem não esqueça os exemplos no exercício de seu mandato. Conquista vai agradecer.

Leia a entrevista completa:

BLOG – Prefeito, por favor, fale-nos do estado em que encontrou a cidade quando assumiu.
EURES – Encontrei a cidade, de uma certa forma, muito desorganizada e despreparada, especificamente no campo do acolhimento ao turista e de políticas voltadas ao desenvolvimento do turismo. Bom Jesus da Lapa é  uma cidade que se desenvolveu em função da romaria, que é um dos fatores mais pujantes da nossa economia, depois da agricultura irrigada, mesmo assim o turismo era uma área com pouco investimento. Aqui, o poder público nunca cuidou de melhorar a limpeza pública, a iluminação e a segurança, ou seja, a infraestrutura para que o turista que viesse para cá encontrasse melhor comodidade e qualidade na sua estadia, enquanto estivesse por aqui.

Desde que eu assumi a prefeitura tenho me preocupado com isso, melhorando a limpeza pública e no período de romaria, reforçando a logística da limpeza pública, da segurança. Cobramos do Governo do Estado mais investimento, tanto que o efetivo policial deste ano [2015] foi muito maior do que foi em todas as romarias anteriores, num aumento que vem ocorrendo desde 2013. Cada ano a gente tem cobrado aumentar mais, para diminuir a incidência de roubos, de furtos, dos quais sempre foram vítimas os turistas que vinham para cá.

Nós pensamos em tudo isso.

Fizemos a melhoria da Praça da Bandeira, com a retirada das barracas, para dar mais espaço para os visitantes e, no caso do mercado municipal, o outro ponto mais visitado pelos turistas, depois do santuário, era uma questão de saúde pública gritante, com muita sujeira e imundície, tornando o ambiente desumano, então nós demolimos e já estamos construindo de um novo mercado. E a rodoviária também. Já vamos começar a obra da nova estação rodoviária.

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Obra do mercado (foto de fevereiro/2016)

Trabalhamos pensando em fortalecer essa veia da economia que é o turismo, que sempre foi importante para o município, mas os governantes, infelizmente, nunca tiveram essa preocupação.

BLOG – Para chegar a isso é necessário ter a máquina pública ajustada, com uma gestão organizada, especialmente na questão dos recursos públicos. Esta é a situação da Prefeitura de Bom Jesus da Lapa?
EURES – Nós somos uma administração que trabalha com reserva financeira, o que é muito difícil numa crise econômica. E além de estarmos adimplentes, temos saldo financeiro em conta. Para ter uma ideia, hoje [6 de agosto de 2015] temos quase R$ 7 milhões em caixa, em plena crise econômica. Uma parte de recursos próprios, outra da Educação, outra da Saúde. Então, você soma a isso um esforço de planejamento.

É uma prefeitura enxuta, a nossa folha de pagamento não corresponde nem a 47% da arrecadação, muito abaixo do limite definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), isso é prova de que estamos com a saúde financeira controlada: dinheiro em caixa, salários de servidor em dia, fornecedores em dia… Nós pagamos os salários até o último dia útil do mês, às vezes antes, no dia 25, sem esperar os repasses que chegam no dia 30, como acontece em outras prefeituras, em que o gestor espera, muitas vezes, a entrada dos repasses do dia 10 ou do dia 20 do mês subsequente.

Aqui na Lapa é diferente. Para se ter uma ideia, estamos no meio do ano e já pagamos a metade do 13% dos servidores que se paga no final do ano e eu já mandei pagar agora. E olha que nós pagamos salários bons. Nosso professor recebe um dos melhores salários da Bahia. Temos professores de 40 horas, com graduação e tempo avançado na atividade, que recebem quase R$ 4 mil.

BLOG – Seria interessante que você dissesse como conseguiu manter a folha de pagamento de salários bem abaixo do limite de 54% definidos pela LRF, quando a maioria dos gestores diz que isso hoje é quase impossível.
EURES – Há um vício histórico, não apenas de Bom Jesus da Lapa, mas do Brasil, com o servidor público efetivo. Uma grande parte não gosta de trabalhar ou tem quatro, cinco empregos e passeia em cada um deles. Então, depois que assumi eu fiz uma campanha muito dura para acabar com esses vícios, cobrando, exigindo o cumprimento dos horários, a presença. Nós tínhamos servidor aqui que morava em outro estado e pagava a outra pessoa para exercer a função dele aqui. Quando eu assumi, quase 300 tiveram que pedir demissão ou licença sem vencimentos, porque nós jogamos duro, fizemos e fazemos todos os anos chamada pública; a conferência do servidor; fazemos recadastramento, um em cima do outro, para poder conferir quem está vindo trabalhar; exigimos o ponto e tomamos todas as medidas de controle que impedem que o servidor que não quer nada, que não more na cidade ou que fica fazendo jeitinho para prestar o serviço continue na máquina pública.

Com isso conseguimos enxugar a prefeitura. Porque quem não quer nada sai fora. Quem tem outro emprego ou fica aqui ou fica em outro município. Não dava para manter servidor que mora em outro município na folha enquanto outra pessoa trabalhava em seu lugar. Nós tínhamos servidor aqui que tinha seis concursos e um deles era Bom Jesus da Lapa e todos os empregadores eram enganados por esse servidor, o que ocorre em todos os municípios do Brasil. Então, o gestor tem que ter coerência e firmeza para ir para cima, pois isso enxuga a máquina pública, ficando nela somente quem trabalhar e produzir em prol do município.

BLOG – Neste tempo, qual o maior desafio enfrentado?
EURES – Meu maior desafio foi ajudar a população da Lapa a entender que a coisa pública é diferente da coisa privada e que a coisa pública tem dono. Infelizmente, aqui sempre houve o costume de misturar as coisas, As pessoas invadem a rua, acham que são donas, ocupam o solo público e acham que aquele solo público é um direito deles. Mas nós conseguimos quebrar isso, tirar as pessoas da rua, quando todos diziam que não conseguiríamos tirar; tirar as pessoas do mercado, mostrando que aquilo pertence ao poder público e tem que estar à disposição do povo e não do interesse particular de quem quer seja. Eu acredito que esse foi o meu desafio: fazer as pessoas entenderem.

Avançamos, mas ainda tem muito para transformar nessa área. Aqui, não apenas as ruas, as vias públicas, mas o patrimônio público sempre foi ocupado pelo privado. Nós temos hoje em Bom Jesus da Lapa 1.100 terrenos pertencentes ao Município e que estavam todos invadidos e nós retomamos, um por um, derrubando muro, derrubando cerca e retomando a propriedade. Agora dia 20 (agosto) vamos realizar um leilão dessas áreas para reverter em recursos em prol da sociedade,

Foi e está sendo um desafio vencer isso. Um vício que foi colocado na população, há muito tempo, e que estamos conseguindo quebrar, com firmeza, demonstrando que o que é público não é do privado.

BLOG – Prefeito, nós ouvimos moradores da cidade e algumas disseram que você estaria dando continuidade a um bom trabalho que já havia, especialmente na área da saúde, que teria sido bem tocada pela administração anterior à sua. Isso procede?
EURES – Não, não procede, porque meu antecessor gastava 15% do orçamento com a saúde e eu aplico 28%. Então não há nada contínuo. Investir 15% na saúde é investir o que é constitucional, já fazer mais que isso é exatamente não ser continuidade. Pegamos um hospital municipal sucateado, onde não existia nada de positivo, onde a máquina pública não funcionava, com equipamentos de 30, 40 anos atrás. Para você ter uma ideia, na primeira cirurgia feita no hospital, logo depois que eu assumi, uma maca caiu com a pessoa aberta. Era tudo velho, enferrujado, sem condição de funcionamento. E nós tiramos isso tudo, não aproveitamos nada do que tinha, tudo o que havia de material e equipamento que havia no hospital foi substituído e nós vamos fazer um leilão para o ferro velho. Modernizamos o hospital, com nova estrutura, novos equipamentos, novos servidores contratados. Hoje funciona melhor do que há 20 anos, quando era administrado pelo governo federal. Nós temos seis cirurgiões e fazemos 200 cirurgias por mês, o que muitos hospitais regionais da Bahia, que recebem cinco vezes mais do que nós recebemos, conseguem produzir.

Então, há um investimento muito grande, diferente de como era antes e de como eu encontrei. Quando eu assumi a prefeitura era de 60% a cobertura do PSF (Programa Saúde Família) e hoje estamos em 90%; o hospital estava sucateado e agora tem tudo novo, adquirido com recursos próprios; a prefeitura não tinha uma maternidade, as mulheres tinham medo de ganhar neném aqui porque os índices de mortalidade materno e infantil eram gritantes, e hoje nós conseguimos praticamente zerar a mortalidade materna e diminuir grandemente a mortalidade infantil. Quando eu assumi a prefeitura as mulheres daqui iam para Guanambi para ter seus filhos, hoje é o povo de Guanambi e da região que vem ter filho aqui, pelo sucesso da nossa maternidade depois dos investimentos que fizemos.

Então, eu não diria que é uma continuidade, nem que a saúde é resultado de um trabalho que encontrei. Eu diria que nós tivemos que fazer a saúde renascer do zero e se tornar eficiente em nosso município.

BLOG – O hospital atende apenas média complexidade?
EURES – Sim, atende a pequena e a média complexidade.  Para atender a demanda de alta complexidade da Lapa, nós montamos uma casa em Salvador e todos os casos nós regulamos para a capital. Quando é emergência enviamos os pacientes para o hospital de Guanambi ou de Barreiras, que são regionais para atender a alta complexidade. Nós dobramos a quantidade de ambulâncias que a Prefeitura dispunha e compramos ambulâncias mais adequadas e colocamos à disposição da população. O que não pode ser resolvido aqui, nós transferimos de imediato para um grande ou médio centro de saúde.

BLOG – Agora, falando de investimentos em obras, percebemos que há muitas sendo realizadas na cidade, não apenas pela prefeitura, mas pelo Estado e pela União. Isso decorre de sua boa relação com essas esferas administrativas? Fale dessa relação com os governos estadual e federal e parlamentares.
EURES – O município tem que estar pronto para receber verbas e investimentos federais. O primeiro passo é estar adimplente, com suas certidões e prestações de contas em dia. Desde que assumimos estamos adimplentes e temos uma boa relação com nossos representantes no Congresso Nacional. Demos uma grande votação ao deputado federal Sérgio Brito aqui e ele tem colocado um número muito grande de emendas e além dele outros deputados que também foram votados aqui, mesmo de oposição, nós procuramos em busca de recursos para o nosso município. Eu não tenho vergonha de bater na porta do deputado, porque não estou pedindo para mim e sim para a cidade. E se o deputado teve votos aqui, mesmo que não seja do meu grupo político, ele tem mais é que botar recurso para a população.

O deputado Arthur Maia, por exemplo, que é meu principal adversário, todo ano coloca emenda para Bom Jesus da Lapa.  Eu não deixei de bater na porta dele e pedir. E tenho a hombridade de chegar a aqui e dizer: “Olha, essa emenda foi Arthur Maia que colocou – mesmo ele sendo opositor à minha gestão”. No primeiro ano da minha administração ele colocou uma emenda de R$ 1 milhão e no segundo já foram R$ 2 milhões, porque ele viu que eu não estava escondendo que o dinheiro tinha sido ele quem colocava. Eu ia aos meios de comunicação e dizia: “O deputado Arthur Maia conseguiu dinheiro para a cidade”, porque ele não colocava a emenda para mim, mas para Bom Jesus da Lapa.

Eu acho que os prefeitos têm que ter essa grandeza, porque todo deputado tem a possibilidade de trazer recursos, este ano foram R$ 16 milhões para a bancada baiana indicar para onde deveriam ir. Se o deputado é votado no município, independente de quantos votos tenham sido, ele tem a obrigação de colocar algo no orçamento para aquele município, e cabe ao gestor a humildade de bater na porta do deputado – e eu bato em todas as portas, desde de quem teve 10 mil votos até quem teve 300 votos. Se ele consegue R$ 100 mil ou R$ 200 mil, eu quero, é importante para o município. Tudo eu quero, porque a cidade precisa.

Teve um deputado que conseguiu um carro para a Prefeitura, eu recebi sorrindo. Eu procurei o deputado, que teve votação pouca aqui na Lapa, e ele disse que não teve muito voto. Eu respondi que ele não teve muito, mas teve. “Veja o que você coloca de emenda, nem que seja R$ 100 mil”. E ele colocou. Assim, só este ano tivemos R$ 14 milhões de emendas. Se você pegar todos os municípios do Oeste da Bahia talvez não tenham conseguido, juntos, R$ 14 milhões em emendas. Isso porque eu tenho a humildade de procurar e pedir a todos, independente da questão política.

BLOG – E o seu relacionamento com o Governo do Estado?
EURES – É muita positiva a nossa relação com o governo estadual. Eu fui o coordenador da campanha do governador Rui Costa aqui na região. Coordenei a eleição não só em Bom Jesus da Lapa, mas em todos os municípios circunvizinhos. Fui eu que fiz a relação do governador eleito com os prefeitos, com os ex-prefeitos, com as lideranças regionais e proporcionamos ao governador uma grande vitória. Uma das melhores que Rui teve na Bahia foi aqui na Lapa, isso faz com que tenhamos uma relação muito positiva com o governador, até melhor do que tínhamos com Wagner. Nós tínhamos uma relação muito boa com o governador Jaques Wagner e agora com Rui Costa é melhor ainda, porque nós nos envolvemos muito mais na campanha dele.

BLOG – Como é a sua relação com o vice-prefeito?
EURES – É muito positiva. Geralmente o vice-prefeito briga logo com o prefeito, mas aqui o que há é harmonia. O meu vice é o secretário de Finanças e é quem me ajuda a controlar os gastos públicos. Ele é uma pessoa muito conceituada na cidade, foi funcionário do Banco do Brasil, comerciante muito bem-sucedido, sem mácula na sua história, que vem me ajudando muito a administrar o dinheiro público.

BLOG – E a relação com a Câmara de Vereadores, como se dá?
EURES – É uma relação também muito positiva. Nossa bancada tem 13 dos 15 vereadores. E eu nunca coloquei a Câmara em uma complicação, porque sempre realizo audiências públicas. Quando eu tenho um projeto polêmico eu faço uma audiência pública. Nem que seja para tomar porrada, eu faço; para discutir com a sociedade antes de mandar para a Câmara de Vereadores.

Foi assim com o problema da porta da igreja. Para tirar aqueles barraqueiros não foi fácil. Nós fizemos uma audiência com o Ministério Público, com a Igreja, com os sindicatos, com os barraqueiros, com a sociedade civil, com a Câmara e tivemos uma discussão profunda, muito debate, até chegar à decisão da construção de um novo espaço. As mudanças do mercado municipal eu também discuti com a população, mesmo recebendo porrada. Porque não é fácil abrir uma discussão de um tema polêmico, pois um quer uma coisa outro quer outra, mas nós conseguimos construir isso com audiências públicas, em que ouvimos a sociedade antes de enviar o projeto para a apreciação dos vereadores.

BLOG – É possível imaginar que grande parte dessas emendas que você menciona seja utilizada em obras de infraestrutura. Quais foram as principais modificações realizadas com esses recursos na sua gestão?
EURES – Entre as diversas obras com recursos de emendas, nós estamos construindo um novo mercado municipal. Essa obra é muito importante, será uma mudança drástica. O mercado que existia não tinha nenhuma condição higiênica e humana de continuar funcionando e era uma vergonha para Bom Jesus da Lapa. Estamos começando também o portal da entrada da cidade, que vai fazer a primeira acolhida do romeiro, com parada, fonte luminosa, uma estátua em homenagem ao romeiro, o que nunca teve, apesar de ser esta uma cidade que construiu toda a sua economia em torno da romaria, graças a esses visitantes. Nesse portal será investido R$ 1,5 milhão. Também estamos construindo uma policlínica, no valor de R$ 2 milhões também de emenda parlamentar ao Orçamento da União.

O município está ganhando, ainda, mais quatro postos de saúde com recursos que conseguimos com deputados. Essas unidades de saúde vão ajudar a melhorar a qualidade de vida nas comunidades rurais. E temos ainda duas creches, que vão propiciar mais vagas e mais qualidade no ensino infantil, além de obras de infraestrutura urbana, asfaltamento, calçamento e melhoria das ruas e bairros. Como vocês podem ver, Bom Jesus da Lapa ainda tem uma carência muito grande de infraestrutura e essas emendas estão ajudando a mudar a vida de muita gente aqui no município.

BLOG – Quais os percentuais de coleta e de tratamento de esgotos na cidade?
EURES – Ultrapassa 90% de coleta e tratamento.

BLOG – A pavimentação tem números iguais?
EURES – Não. Ainda temos muitas ruas sem infraestrutura urbana. Se pegarmos os bairros São João, Parque Verde, Maravilha I, Maravilha II, neles há o esgotamento, mas ainda não têm pavimentação. A verdade é que nossa administração fez pouco nesse setor, porque nós priorizamos a saúde e educação na frente. Invertemos as prioridades, em busca da solução de problemas que afetam mais diretamente a vida das pessoas. Mas nós estamos nos preparamos, agora que já resolvemos a maior parte dos problemas do setor de saúde, para ampliar os investimentos na infraestrutura. Há muito ainda por fazer, uma carência histórica muito grande, e eu não consegui, ainda, fazer 10% dessa carência, por isso estamos agora nos preparando para trabalhar nessa área com mais força.

BLOG – Quando candidato você devia ter duas ou três metas prioritárias, alguma delas você ainda não conseguiu colocar em prática?
EURES – Não. Eu não tenho nenhuma frustração. Porque as nossas bandeiras sempre foram saúde e educação. Não existe um governo que dê resposta a todos os setores da sociedade. Ele vai ter que investir mais em um do que em outros. Eu sempre sou cobrado pela infraestrutura da cidade – e acho que a cobrança é legítima -, porque eu priorizei a área que eu senti que era mais cobrado, que eram saúde e educação. Nós fizemos um investimento memorável nessas áreas, o que deixou o setor da infraestrutura um pouco atrás. Hoje, investimos todo mês na saúde algo em torno de R$ 700 mil a R$ 800 mil a mais do que é obrigação legal. Então, automaticamente, quando eu boto R$ 800 mil na saúde, por mês, eu deixo de pavimentar uma rua. Mas este foi o meu compromisso de campanha e era o que a população mais pedia.

Eu entendo que a população passa a pedir outra coisa depois que sua reivindicação antiga é atendida. Esquece que a saúde estava ruim, que o hospital estava capenga e passa a cobrar outra coisa, isso é natural da sociedade, é por isso que estamos nos preparando para avançar na questão da infraestrutura, graças ao grande quantidade de emendas que conseguimos.

BLOG – Você detalhou a sua ação mais efetiva na área da saúde, pode agora falar um pouco mais dos investimentos em educação?
EURES – Nós investimos na educação mais do que os 25% determinados pela Constituição. No ano passado foram 28% e este ano já estamos em quase 30%. Bom Jesus da Lapa tinha o pior IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da região, então decidimos melhorar a remuneração dos professores, porque não dá para melhorar a educação se o professor não está satisfeito e o que faz a satisfação do professor é o seu salário. O plano de carreira do magistério estava esperando havia 25 anos para ser votado. Aqui o professor não recebia nenhuma vantagem, a não ser o salário seco, quer ele tivesse graduação, pós, título e especialização não interferiam em nada no seu salário. Depois de 25 anos, agora, na minha gestão, aprovamos o plano de carreira, que permitiu um ganho salarial incrível para o professor. Sé este ano, nós demos 26% de aumento, já como resultado do plano de carreira. No ano passado também foi 26% e no ano que vem, para equiparar a última parte do plano, que foi divido em três anos, mais 26%. São ganhos muito acima do que o governo federal conseguiu proporcionar. Dilma deu 13% e nós demos o dobro. E aqui pagamos acima do piso nacional.

Pelo lado da estrutura, melhoramos as escolas, dotando-as de equipamentos novos, carteiras novas, mobiliário novo. Também distribuímos o material didático para os alunos, incluindo cadernos capa dura, lápis e os módulos, ao invés dos livros que antes eram distribuídos pelo governo federal. Mudamos porque entendemos que com os livros do governo federal os alunos não conseguem aprender e adotamos a metodologia dos módulos. A criança que está no ensino infantil estuda pelo sistema Dom Bosco de Ensino, e do primeiro até o 9º ano usamos o sistema Nano, que é da Editora Pearson. A cada unidade mudam-se os módulos. O professor recebe treinamento da equipe Pearson – organização britânica reconhecida como uma das melhores do mundo na área da educação -, fazemos a jornada pedagógica, preparamos o professor baseado no material didático e então distribuímos para os alunos. Com isso, a nossa expectativa é de que no IDEB deste ano Bom Jesus da Lapa avance ainda mais na avaliação.

Além de material didático, que é distribuído de graça aos alunos, as crianças do ensino infantil são beneficiadas pelo programa Leve Lanche, que permite aos alunos levarem o lanche do final de semana para casa. Com isso, fortalecemos o laço das crianças com a escola e a evasão diminuiu, porque a criança tem que ter frequência para receber o lanche. Criamos o programa Cuida Bem de Mim que permite às crianças, uma vez no mês, receber todo material higiênico de uso pessoal, creme dental, shampoo, sabonete, cotonete. E ainda criamos o Programa do Tênis, em que todas as crianças do ensino infantil têm direito a um par de tênis. São programas para estimular a família a levar e a manter o filho na escola, para assegurar a frequência e têm dado muito certo.

BLOG – Qual o orçamento municipal em vigor e qual a previsão para 2016?
EURES – Nosso orçamento atual é de R$ 150 milhões e para o próximo ano deverá ficar em torno de R$ 200 milhões.

BLOG – Quanto desse valor é receita própria?
EURES – Chegamos a 24% de receita própria. Nós temos uma arrecadação significativa na Lapa, com IPTU, ISS e ITBI. Na verdade, todos os tributos e impostos municipais têm uma arrecadação considerável. Hoje, 70% da população pagam o IPTU, por exemplo. Mas isso não é histórico. Quando nós assumimos havia uma grande inadimplência e nós acionamos todos os devedores na Justiça. Passamos a inscrever os que não pagavam na Dívida Ativa e a cobrar judicialmente. No mês passado chegou a ocorrer sentença de penhora de bens por falta de pagamento do IPTU, o que fez com que houvesse uma corrida para pagar o imposto de quem estava atrasado, porque o juiz deu várias decisões, determinando a penhora de bens e leilão público de bens de quem devia o IPTU há muito tempo.

E o gestor precisa fazer isso, porque a arrecadação própria é fundamental para a realização de investimentos na cidade. E a população precisa compreender essa importância e pagar seus impostos. Para poder cobrar melhorias é preciso contribuir. Se isso não acontecer, o poder público precisa exigir o pagamento, não pode facilitar, precisa ser duro.

BLOG – Prefeito, falemos da área social. As romarias, no mundo inteiro, costumar atrair muito pedintes. A esmola tem uma associação histórica como esse tipo de evento, por causa do conceito da caridade, tão caro aos religiosos, isso faz com que muita gente se desloque aos centros de romaria para pedir. Mas vimos que aqui há uma campanha que tenta coibir a esmola, têm conseguido?
EURES – No meu primeiro ano de governo nós identificamos que 90% dos pedintes durante a romaria vinham de fora e identificamos também que muitos não tinham problema social e nem necessidade de pedir em porta de igreja, era mais uma armadilha e uma exploração da fé dos turistas. Verificamos que 90% dos que vinham para pedir esmolas não eram miseráveis e não tinham necessidade de pedir. Havia desses que colocavam perna de pau falsa, usavam muletas sem precisar, até quem pegava pedaço de carne e colocava na perna para dizer que era ferida. Então, tudo isso nós identificamos com a polícia o que permitiu uma redução drástica dos pedintes.

No primeiro ano, a Polícia chegou a prender três pessoas que vieram de Juazeiro, de donos de ônibus, que fretavam seus ônibus e saiam contratando pessoas que vinham roubar a fé dos romeiros. Desde então, a quantidade de pessoas que vêm à Lapa apenas para pedir, mesmo sem precisar. Com as prisões, a notícia chegou às cidades de onde essas pessoas vinham e elas não vieram mais. Nós conseguimos reduzir o número de pedintes com essa ação. E vamos continuar agindo assim, com apoio das polícias civil e militar, para impedir que o turista chegue aqui e seja roubado, pensando que está ajudando um miserável quando na verdade está sendo explorado na sua fé.

BLOG – E as pessoas daqui que vivem que também vão para a porta da igreja pedir, como a prefeitura atende?
EURES – Nós temos prestamos um serviço que tem ajudado muitas dessas pessoas a se aposentarem e também fazemos o enquadramento de cada uma de acordo com a sua condição social: quem é do Bolsa Família, quem não tem casa, quem tem algum problema que realmente necessita de assistência social. Essas pessoas que não têm onde morar ou que pagam um aluguel que compromete a sua pequena renda, nós priorizamos nos programas de habitação popular. Os que nós ajudamos a se aposentar, nós acompanhamos para ver se saíram mesmo da porta da igreja. Quando fazemos essa cobrança, alguns dizem “o prefeito está até ameaçando”, mas, veja, essa pessoa não tinha renda, nós conseguimos que ela passasse a ter uma renda do INSS e a pessoa continua a pedir, ela não está precisando da renda que conseguiu com a aposentadoria. Além disso, a nossa Secretaria de Assistência Social tem um trabalho permanente de apoio aos que mais precisam.

BLOG – Entre as medidas que você tomou para organizar a máquina pública e o espaço urbano podem ser consideradas duras, até impopulares, mas a sua avaliação é excelente na cidade. Como explica isso?
EURES – Um governo que quer fazer um trabalho correto, que beneficie a coletividade não pode querer ser “bonzinho”, pensando em ser bem avaliado.

Um governo “bonzinho”, que passa a mão na cabeça das pessoas, que pensando no voto deixa de fazer determinado tipo de ação porque acha que aquilo pode gerar reclamação, isso não funciona mais, a sociedade não aprova mais isso. O que a população quer é um governo justo; bonzinho não, mas justo sim. Tudo o que eu fiz foi dentro da justiça, dentro do que a lei determina, da razoabilidade e da ética. Se o governo tomar atitudes sempre dentro desse método, ele será bem avaliado pela população. Mas se é um governo que toma atitudes de forma truculenta e injusta com certeza a população não vai saber compreender.

BLOG – Você é um prefeito que não rouba e nem deixa roubar?
EURES – Prezo pela honestidade e trabalho para que o meu governo também prime pela honestidade. Porque não adianta só o prefeito ser honesto, ele tem que coibir que pessoas da sua equipe e todo e qualquer funcionário de cometer qualquer malfeito. É preciso que todos sejam honestos. Se há uma gestão eficiente é porque não há corrupção, é porque a corrupção é de menor grau. Porque a verdade é que não existe governo que tenha a condição de impedir que não haja uma coisa aqui, outra ali, porque não depende só do gestor, mas ele tem que estar atento.

Eu imagino uma prefeitura como um saco de dinheiro muito grande em que o prefeito tem que sentar em cima, com um pau na mão e não deixar que carreguem o saco ou o dinheiro. Imagino que seja esse um dos papeis do gestor: tomar conta do dinheiro público e defender com rigor.

BLOG – E quais os mecanismos que você utiliza para evitar corrupção no seu governo?
EURES – Controle total do funcionamento da máquina pública, desde a licitação até os pagamentos feitos. Eu acho que o prefeito tem que acompanhar todas as licitações, ver se quem está ganhando tem realmente o melhor preço, se não tem ninguém recebendo propina para facilitar para algum interessando, levando o município a ser roubado; deve conhecer e acompanhar o processo de pagamento, até a entrega do produto ou serviço, porque existe a possibilidade de alguém ganhar a licitação com menor preço, mas só entregar a metade. O segredo do sucesso da gestão pública é a centralização total do processo de licitação, compra, contratação na mão do gestor, que é quem deve comandar a administração.

BLOG – Ao assumir a administração alguma coisa lhe preocupava em especial?
EURES – Meu medo foi que eu não tive uma experiência anterior em cargo executivo. Eu tinha sido vereador, deputado, mas nunca havia desempenhado função executiva. Eu não conhecia a máquina pública e apanhei muito no começo. Eu diria que os meus três primeiros de governo foram desastrosos, por desconhecimento sobre o funcionamento da prefeitura. Levei 90 dias apanhando, para depois começar a corrigir os vícios encontrados.

BLOG – Hoje no cargo de prefeito, você sente que a relação das pessoas com você, no dia a dia, é igual ao que era antes ou mudou?
EURES – Eu sinto que é a mesma coisa. Geralmente quando um prefeito se elege ele se cerca de seguranças, se cerca de proteção e se afasta. O próprio prefeito é que muda a sua relação com as pessoas, com a sociedade. Não é o meu patamar. Eu mesmo dirijo meu carro, não tenho seguranças, eu mesmo abro o portão da minha casa, quando não sou eu é minha mãe ou um familiar meu que abre, então, minha relação com a sociedade não mudou em nada. Eu continuo a mesma pessoa simples e humilde, com a mesma estrutura que eu tinha antes de eu ser prefeito. Sou o mesmo cidadão, frequento os lugares públicos do mesmo jeito que eu fazia antes. O meu cotidiano pessoal só mudou porque agora eu sou um homem mais ocupado, porque a rotina de prefeito requer um tempo muito maior que a de um cidadão comum. E vejo que as pessoas entendem isso.

BLOG – Eures Ribeiro tem orgulho de ser político?
EURES – Eu tenho. Porque a política é a arma que temos para corrigir a sociedade. Infelizmente, a política está um pouco conturbada, com tanta ação de desmando, inclusive a corrupção, que prejudica a imagem até dos bons políticos. Mas eu acredito na política, que, repito, é a arma para consertar falhas e desvios na sociedade.

BLOG – Em tempos de Lava Jato, qual é o seu sentimento em relação ao futuro da política brasileira e ao futuro do governo Dilma?
EURES – Vejo tudo com uma preocupação muito grande. O governo federal tem tido uma inadimplência muito grande com os compromissos e a palavra dada com os municípios de uma forma geral. Eu diria que é uma frustração a relação do governo federal com os municípios, o que nos gera uma insegurança muito grande. Eu tenho muito medo do futuro, por essa insegurança. Pois que mesmo que façamos o dever de casa, não sabemos o que vem de lá para cá. Para você ter uma ideia, o mês que passou [julho de 2015], depois de um mês de atraso, o governo federal passou o complemento do Fundeb, que é obrigado a passar todo dia 3. Passou no dia 3, mas do mês seguinte. Pense em uma prefeitura que não está bem organizada, que não esteja com as finanças em dia: vai atrasar salário. Estamos tendo que fazer o dever de casa e esperar o que vem de cima e não há segurança sobre o que vem.

O ano passado foi aprovado um aumento de 1% do FPM, mas Dilma não passou 1% coisa nenhuma. Deu 0,25%, nem meio por cento foi. O amanhã é incerto, esta é que é a verdade.

BLOG -Mas, especificamente sobre os episódios tão falados de corrupção, essas denúncias de Lava Jato, petrolão, etc., o que você nos fala sobre isso?
EURES – Este é o momento para o Brasil corrigir essa mazela da corrupção, que sempre aleijou a máquina pública. Esse episódio é uma oportunidade exemplar. Você vê o presidente da Odebrecht, um dos homens mais ricos do Brasil, preso. Ninguém imaginava isso no passado, de jeito nenhum. São vários poderosos empresários e políticos presos, que continuam presos. Não tem recurso, não tem habeas corpus, não tem jeito, eles estão na cadeia. Então, pode ser que dessa situação atual, o Brasil saia com um novo norte. Que isso sirva para mostrar que a corrupção é punida no Brasil. Tem que haver punição, porque se não pune não se alcança o resultado da moralização, da correção de rumos.

BLOG – Depois de quase três anos como prefeito e já próximo de uma nova eleição, o que você gostaria de ouvir da população de sua cidade, em relação a você e ao seu governo?
EURES – Eu gostaria muito de ouvir da população, de perceber esse sentimento de que o voto não é mais uma mercadoria. Porque a troca do voto por cimento, telha, bloco ou outros materiais ou mesmo dinheiro, compromete todo o sistema eleitoral e a própria democracia. O Brasil será muito melhor no dia em que o eleitor aprender a votar em quem realmente trabalha e não em troca de favores pessoais. O ideal é que o eu deixe de existir e dê lugar ao nós.

Eu diria que a corrupção se instala a partir do sistema eleitoral, pelo modo como se faz política, se pede o voto, se dá o voto. É também (a corrupção) culpa do eleitor que, na sua busca por favores, ao aceitar o voto pelo bem material, determina eleições caras, faz com que muitos políticos sejam obrigados a buscar muito dinheiro para gastar na eleição, para se eleger, e muitos desses políticos acabam procurando uma compensação depois de eleitos, gerando essa corrupção.

Então, quero ouvir do eleitor, da população isso: vou votar em você para melhorar a minha cidade, vou votar porque você trabalhou direito pela coletividade.

BLOG – como acha que a Bahia, o Brasil estão vendo ou verão Bom Jesus da Lapa, depois da sua administração? Que imagem seu governo vem construindo para a cidade?
EURES – Como vamos continuar a investir na infraestrutura urbana e na zona rural, de forma gradual, porque ninguém consegue corrigir um erro de 300 anos em quatro, creio que seremos reeleitos e com a reeleição daremos continuidade ao trabalho que fazemos, de valorização da cidade e das pessoas, e com isso eu creio que a Lapa vai ser uma cidade muito mais bem vista pelo turista e pelo resto da Bahia. A Lapa era vista como uma cidade desorganizada e suja, melhoramos isso, mas eu ainda vejo muito por fazer e melhorar. Ainda há defeitos em nossa cidade e vamos trabalhar para consertar, para que a Lapa se torne ainda mais acolhedora, bonita, ordeira e organizada e assim possa ser vista pelo turista e comentada pelo Brasil afora.

BLOG – Sendo um lapense e estando na condição de prefeito qual ideia você faz dos seus conterrâneos?
EURES – O lapense é um povo vive uma religiosidade muito forte e é cheio de esperança, expectativa, que sonha com o melhor. Sonha como todos os brasileiros. Não somos diferentes do povo do sul do país ou do sul da Bahia, por exemplo. O lapense quer melhorar de vida, de condição social e por isso luta muito. Eu amo ser lapense. Nasci aqui, cresci aqui e amo a minha terra, amo esse povo daqui, os que nasceram na Lapa e os que escolheram a Lapa para viver, os lapenses de coração, os que vieram com a romaria e ficaram porque gostaram da terra e das pessoas. A Lapa é a minha vida.