Passagem de ônibus a R$ 3,60? Isso não seria uma proposta, mas uma ameaça.

Posted on quinta-feira, 5 janeiro 2017

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O jornalista que empresta nome ao BLOG usa o transporte coletivo, anda de ônibus – em Conquista e onde mais for necessário -, por isso a abordagem deste assunto não é  mera pauta jornalística, tem a ver com o meu dia a dia. E foi no velho terminal da Lauro de Freitas, em Vitória da Conquista, que ouvi duas mulheres conversando sobre o esperado e possível aumento da passagem de ônibus urbano. “Aí o pobre não vai aguentar”, dizia uma delas. “Hoje já tá difícil, imagina desse preço”, complementou a outra. “Tomara que Herzem não aumente”, disse, esperançosa, a primeira. E eu concordei, em silêncio, apertando o passo para chegar na Rádio Melodia, onde, 20 minutos depois, iria falar sobre o assunto no programa Informação & Análise [assim mesmo com esse &, denominado ampersand (um anglicismo), e comercial, eitza (lê-se éitssa) ou sinal tironiano, um caractere ou símbolo usado para substituir a conjunção aditiva e. É geralmente utilizado em nomes de comércio ou empresa, daí ser muitas vezes denominado e comercial – Fonte: Wikipédia].

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Empresas precisam do reajuste, valor é que deve ser justo

Fala-se em um aumento de R$ 0,80 (oitenta centavos) na passagem, que hoje custa R$ 2,80 e passaria a  custar R$ 3,60. Com esses 28,57% de aumento a tarifa de ônibus urbano em Vitória da Conquista ficaria igual à de Salvador, capital e cidade mais rica do estado. Não seria um privilégio, mas um abuso. Ainda mais se lembrarmos que a passagem foi reajustada em julho de 2015, há um ano e meio, e que a inflação desse período não chegou nem à metade dos 28,57% que estariam sendo pretendidos pelas empresas. Naquele julho, a passagem teve um aumento de 16,66%, passando de R$ 2,40 para R$ 2,80, preço que paguei para fazer a viagem da Avenida Brasil até a Lauro de Freitas.

O procurador-geral do Município, Murilo Mármore, colocou lenha nessa fogueira, ao falar da “necessidade” do reajuste para o funcionamento das duas empresas, que andam se queixando do faturamento, culpando desde vans a perda de linhas. Murilo, que andou falando de muita coisa e, mesmo sem querer, provocando confusão e polêmicas, reclamou que a administração anterior não deu aumento para as empresas (esqueceu dos 17% de julho de 2015) e falou da possibilidade de as empresas pararem de levar passageiros se não houver reajuste da tarifa. Na opinião de Murilo, Guilherme não autorizou aumento no preço da passagem por questão eleitoreira. Para o procurador do Município – e não das empresas, frise-se – o prefeito anterior aprisionou, represou as tarifas (sic) e Herzem terá que buscar um acerto de contas com as empresas, que, de acordo com Murilo, são credoras.

É legítimo que as empresas queiram o aumento na tarifa, mas esse aumento deve ser justo. E, com certeza, quase 29% não seria um percentual justo. Certeza de que até Murilo Mármore concorda. O aumento de R$ 2,80 para R$ 3,80 não é uma proposta justa, mais se parece com uma ameaça ao bolso e às condições econômicas do trabalhador.

“Essa aí é outra situação delicada, porque o questionamento não é somente da Vitória, o questionamento é também da Cidade Verde, como foi da Passaredo que foi forçada a sair de Conquista. Por que? Porque para fins eleitoreiros a gestão atual não atualizou tarifas. O que foi que aconteceu? Aprisionou, represou essas tarifas e o prefeito eleito necessariamente vai ter que buscar um acerto de contas com essas empresas que são credoras” – Murilo Mármore, procurador-geral do Município, ao Blog do Anderson. Leia aqui.