Conquista: Corpo encontrado carbonizado e assassinato hoje (10) ameaçam janeiro “tranquilo”?

Posted on terça-feira, 10 janeiro 2017

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Ontem (segunda-feira, 9) fiz contato com o delegado Hudson Santana e marquei para o dia seguinte uma entrevista com ele no programa Informação & Análise, que conduzo na Melodia FM. Pensava em fazer um avaliação dos números da violência em Vitória da Conquista e um balanço do trabalho da Polícia Civil no município. No mês passado, antes do Natal eu conversei, no programa, com o Coronel Inácio Paz de Lira Júnior, Comandante do Comando de Policiamento Regional Sudoeste, que fez uma análise muito lúcida dos fatos relacionados à segurança pública. A entrevista com o delegado Hudson, que estaria acompanhado do seu colega Marcelo Cavalcante, seria uma oportunidade de conhecer mais da situação, pelo ângulo da Polícia Civil.

A entrevista se daria em um momento do qual poder-se-ia dizer positivo na segurança pública em Conquista: em dez dias, até o meio-dia desta terça-feira, não havia nenhum registro de homicídio no município. O último assassinato registrado em Conquista tinha sido no dia 31 de dezembro. Pode parecer pouco uma cidade ficar dez dias sem homicídio, mas, se considerarmos que em janeiro do ano passado, neste mesmo período, já haviam sido assassinadas nove pessoas e que a média de assassinatos em 2016 ficou acima de uma pessoa a cada dois dias ou 17,41 por mês, isso deve ser levado em conta.

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Conquista ficou nove dias sem homicídios. Um recorde, considerando os números crescentes da violência.

Em novembro passado, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) chegou a publicar em seu site oficial nota comemorando seis dias sem homicídios em Conquista. A nota da SSP informava que diante da atuação do Núcleo de Tóxicos e Entorpecentes, criado em fevereiro de 2016 e vinculado à Delegacia de Homicídios (DH) de Vitória da Conquista, “não há registro deste tipo de delito na cidade desde a última segunda-feira (14). Foram seis dias sem Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI)”. (Leia mais aqui).

Mas, o delegado Hudson Santana não pôde comparecer ao estúdio da Melodia FM porque precisou acompanhar a mãe que foi submetida a uma cirurgia. O delegado Marcelo Cavalcante também não pôde ir à rádio, telefonou e explicou que participava do desfecho da investigação que desvendou o assassinato do jovem Bruno Alves, morto no fim do mês passado, em Inhobim (veja matéria aqui no BLOG). E não pudemos falar com os delegados sobre esse período sem mortes. E não mais poderemos porque o dia 10 foi marcado – até as 16 horas – pela descoberta de um corpo carbonizado na altura do Gancho e por um assassinato no bairro Conveima 1, o primeiro confirmado pela Delegacia de Homicídios este ano.

Em janeiro de 2015, o então delegado titular da Delegacia de Homicídios, Neuberto Costa, previu que a quantidade de assassinatos seria menor naquele ano. E, de fato, o número foi 14% menor. Na mesma entrevista, dada à repórter da Rádio Clube, Mônica Cajaíba e reproduzida no Blog da Resenha Geral, o delegado disse: “Pretendemos registrar uma nova redução, haja vista que em 2014 teve um aumento significativo, mas em 2013 houve uma redução. Ou seja, estamos alternando os anos: temos anos de aumento e anos de redução”.

Pela projeção do delegado, 2016 poderia um ano mais violento que 2015. E foi. Um aumento de 50% nos assassinatos. Pela profecia de Neuberto, 2017 deverá ser um ano com menos homicídios que 2016 (que teve 208 assassinatos e outro sem número de mortes por causa do crime e do tráfico de drogas). Tomara. Mesmo com os tristes sinais dados hoje.

Posted in: Polícia, Violência